Comentário da Lição 5 - Pr. Alcione Alves do Nascimento
TEXTO ÁUREO.
“O alto caminho dos retos é desviar-se do mal; o que guarda o seu caminho preserva a sua alma”. Provérbios 16.17.
VERDADE PRÁTICA
Os passos de um homem bom são guiados pelo Senhor; e sua retidão será retribuída com bênçãos e prosperidade.
INTRODUÇÃO
A história de José, além de ser um elo importantíssimo, entre as promessas e seu cumprimento, serve para nos mostrar o que é que Deus quer de seu povo; a narrativa apresenta José como uma pessoa sábia. Gênesis 41.37, cujo propósito é nos mostrar que Deus quer que Seu povo viva sabiamente, para tornar-se grande. Gênesis 12.2. José incorpora em si os ideais dum moço bem educado, experimentado no mundo, humildade a toda prova e que dá bom testemunho sempre, sabe dar um bom conselho no momento oportuno. Por meio do sofrimento José cresceu, “a humildade precede a honra”. José resiste às tentações na casa de Potifar, pois fundamental em sua educação é o “temor do Senhor”. De maneira oculta numa história secular, Deus orienta os acontecimentos, operando no coração de José, usando de um ”mal”, para que todo o povo de Deus fosse engrandecido Gênesis 39.1-6; 41.54; 45.7; 10-11.
I. CONTEXTO FAMILIAR
1. Jacó, um pai perspicaz.
Jacó teve duas esposas e duas concubinas; as quais, com exceção de uma, não quis, sendo obrigado a aceitá-la sob circunstâncias infelizes. Delas nasceram-lhe 12 filhos. De Lia: Rubem, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom; de Raquel: José e Benjamim; de Zilpa: Gade e Aser; de Bila: Dã e Naftali.
Esta família polígama, com muitos fatos vergonhosos contra si, foi aceita por Deus como um todo, para dar início às doze tribos, que se tornaria a nação messiânica, donde nasceria o Salvador do mundo. Apesar das bênçãos na família de Jacó, este pagou o alto preço, é a lei da sementeira. Gálatas 6.7.
José era o 11º filho, era o primogênito de Raquel, e era favorito de Jacó Gênesis 37.3; Rubem, primogênito de Jacó, perdeu o direito. Gênesis 35.22; 49.3,4; Simeão e Levi. Gênesis 29.31-35. Foram desconsiderados. Gênesis 34.25-30; 49.5-7. Judá, o quarto, era o próximo na sucessão; e é provável que se esperasse geralmente, que o direito lhe coubesse. È importante notar que Rubem e Judá, os possíveis herdeiros, eles não odiavam de morte José, mas queriam se ver livres dele. Gênesis 37.21, 26,27
A Túnica de várias cores que Jacó deu a José, era um distintivo de favoritismo, se tornou suspeita, pois indicava que Jacó tinha a intenção de fazer José herdeiro do direito de primogenitura. Essa rivalidade entre Judá e José passou à descendência deles, ambos disputavam à supremacia. Judá assumiu a direção sob Davi e Salomão, depois, sob Efraim (Filho de José) dez tribos se separou. Gênesis 37.26,27.
2. O caráter dos irmãos de José.
Os capítulos 29 e 30 de Gênesis mostram que Jacó teve filhos problemáticos, nascidos de disputas entre família e debaixo de frustrações e muita discórdia, há confusão de heranças formadas por rejeição (os filhos de Lia), preferências (os de Raquel) e decisões humanas (os filhos das escravas). Eles não tinham harmonia, eram totalmente confusos em suas identidades, Rubem, imoral e precipitado, Levi e Simeão, violentos, cruéis e vingativos, e todos invejosos de José, mas, tinham um ponto em comum: um só pai, um líder que buscava sempre orientá-los.
No entanto, esta família não tinha um sadio relacionamento, a casa de Jacó era um ambiente de ciladas, invejas e mentiras a ponto de desejarem matar seu próprio irmão, José. Quando José foi cumprir a ordem do seu pai em Gênesis 37.14, um homem perguntou ao jovem: “por que você anda por aqui? O quê você está procurando?”. José respondeu: “eu procuro meus irmãos, e onde apascentam o rebanho”. E o homem lhe disse: “foram-se daqui. Pois eu os ouvi dizer que iam a Dotã”. E José foi para Dotã. A Bíblia não identifica o homem que apareceu a José, mas, em qualquer lugar, no meio do deserto, do fogo, sempre haverá uma pessoa para nos guiar, para enfrentarmos as guerras: o Espírito Santo. José atravessou o deserto de Siquém para encontrar os seus irmãos, e encontrar o rebanho do seu pai. Ele arriscou a sua vida em Siquém, que era um lugar onde não se poderia estar só, porque os filhos de Siquém eram sanguinários. Ele encontrou lá as duas coisas: os irmãos e o rebanho, que acabou traumatizado, pois ali o venderam e houve o sacrifício de uma ovelha, para sustentar uma mentira do grupo. Gênesis 37.30-34.
II. A CONSOLAÇÃO DO CARÁTER DE JOSÉ
1. Integridade na casa dos pais.
José do Egito nos ensina preciosas lições como um filho exemplar. Seu nascimento foi resposta à oração de Raquel, mulher estéril. Gênesis 30.2, 22-24. Deus era a fonte que fez de José um ramo frutífero. Gênesis 49.22,26. Apesar de órfão de mãe, desde criança, com seu irmão Benjamim. José foi um filho exemplar porque foi abençoado por Deus e pelo seu pai. Gênesis 35.16-19.
José como filho, irmão, irradia uma bondade a toda prova Gênesis 50.15-21. Amado por seu pai Jacó, pela mãe Raquel. José honrou os seus pais e foi abençoado de acordo com o mandamento e a promessa. Êxodo 20.12; Efésios 6.1-3. Promoveu um funeral próprio para um grande patriarca. Gênesis 49.33-50.1-3, 10.
José tornou-se um exemplo digno de ser imitado quanto às exortações da Palavra aos filhos. Provérbios 1.8-10. José foi exemplo de amor, não se vingou dos seus irmãos. Comoveu-se quando lhe falaram Gênesis 50.17. Tinha o coração cheio do amor de Deus que cobre multidão de pecados não pela impunidade, mas pelo perdão. 1 Pedro 4.8; Tiago 5.20. O amor de José levou seus irmãos ao arrependimento.
José viveu o princípio de que perdoamos os irmãos como somos perdoados por Deus. Gênesis 50.18-20; Mateus 6.12, 14-15; Mateus 18.32-35. O Deus soberano pode transformar o mal em bem. O amor e o perdão reconciliam irmãos e trazem paz à família.
2. Resistindo a tentação na casa de Potifar.
José era de caráter impoluto, boa aparência, na época com 17 anos, fora do comum em vários aspectos, com uma inclinação excepcional para liderança, dotado de habilidade de tirar o melhor partido de toda situação desagradável. Gênesis 39.8,9. Provérbios 2.16; 5.3,20. 6.24; 22.14; 23.27. Mesmo duramente acusado e preso manteve a humildade. Provérbios 15.33. 22.4. Relata-nos a Bíblia, nos capítulos finais do Livro do Gênesis, que a mulher de Putifar pôs os olhos em José e desejou deitar com ele. José poderia ter deitado com ela, sem transgredir a lei, porque a lei nos veio por Moisés e Moisés não havia nem nascido. Onde não há lei, não existe transgressão, nos diz Paulo. Por isso, José poderia ter deitado com ela aproveitando a ocasião. Mas, por ser um homem justo, considerou que copular com a mulher do seu senhor, que tudo lhe tinha posto à disposição, exceto a própria mulher, seria operar contra a sua consciência e, conseqüentemente, contra Deus.
3. No cárcere, interpretando sonhos.
José era uma pessoa dotada por Deus para interpretar os sonhos. Gênesis 50.20. Os acontecimentos relatados sobre ele foram todos esclarecidos, ficando claro no transcorrer da história do Povo de Deus, que Ele agia em favor deles. Os sonhos de José não chegavam a ser revelações divinas, entretanto, tinham significação profética, e mostravam a predominância de José sobre seus irmãos e sobre toda casa de Israel. Gênesis. 37.5-7 9,10; 41.32. Eclesiastes 3.11. 7.25; 8.17.11.5. Apesar de engrandecido, tantos pelos seus sonhos como pela realidade, José reconhece leus limites Gênesis 39.7-9; 41.35-40; 50.19. Dos vários sonhos cheios de significações proféticas, reputo lindo este texto. Estavam presos desde certo tempo, quando ambos, o copeiro e o padeiro do rei do Egito, detidos na fortaleza, tiveram naquela mesma noite um sonho. Cada um teve o seu próprio sonho com o seu próprio significado. De manhã, José veio a eles e os encontrou bem aflitos. Perguntou, pois, aos eunucos de Faraó que estavam presos com ele na casa de seu senhor: “Por que estais com o semblante triste hoje?” “Tivemos um sonho”, responderam eles, “e não há ninguém capaz de interpretá-lo”. Então José lhes disse: “Não cabe a Deus interpretar? Contai-me como foi”. O copeiro-mor contou a José o sonho que tivera: “Sonhei que diante de mim estava uma vinha, com três sarmentos na cepa. Ela deitou botões, sua flor se abriu e seus cachos deram uvas maduras. Eu tinha em mãos a taça de Faraó. Tomei os cachos, espremi-os em cima da taça de Faraó, que entreguei às mãos dele”. José lhe disse: “Eis a interpretação. Os três sarmentos representam três dias. Ainda três dias, e Faraó levantará novamente a tua cabeça. Restabelecer-te-á no teu cargo e porás a taça nas mãos de Faraó segundo o estatuto de copeiro-mor que tinhas anteriormente. Mas se te lembrares de que estive contigo, quando fores bem-tratado, faze-me o favor de falar de mim a Faraó e de fazer-me sair desta casa. Com efeito, tiraram-me da terra dos hebreus e, mesmo aqui, não fiz nada para que me jogassem na masmorra”.
Vendo que José dera uma interpretação favorável, o padeiro-mor lhe disse: “Eu também sonhei: três cestas de bolo estavam sobre a minha cabeça. Na cesta superior, havia de todas as iguarias que Faraó come, e os pássaros bicavam na cesta sobre a minha cabeça”. José tomou a palavra e disse: “Eis a interpretação. As três cestas representam três dias. Mais três dias, e Faraó te levantará… a cabeça do corpo. Pendurar-te-á em uma árvore e os pássaros bicarão tua carne”.
Ora, no terceiro dia, que coincidia com o aniversário de Faraó, ele ofereceu um festim a todos os seus servos, e entre eles pôs em evidência o copeiro-mor e o padeiro-mor. Restabeleceu no seu cargo o copeiro-mor, que lhe punha a taça nas mãos, e enforcou o padeiro-mor. Assim o havia interpretado José; mas o copeiro-mor não falou de José e o esqueceu.
4. No palácio, aconselhando os poderosos.
José foi indicado como capaz de dar a interpretação certa. Como recompensa pela explicação e pelos conselhos políticos a este respeito, o faraó o constituiu governador de todo o Egito e lhe deu como esposa Asenate, filha de Porífera, sacerdote do Templo do Sol. José desposou essa filha do sacerdote de Om; e, apesar de ter uma esposa pagã, de governar um país pagão e de residir num centro de vil idolatria, manteve a fé, no Deus que desde a infância recebera, de seus pais. Provérbios 10.21; 11.14; 12.8; 15.7; 16.234; 18.21; 22.29; 25.11.
5. Diante de seus irmãos, no reencontro.
O reencontro de José com seus irmãos. A fome leva os irmãos de José ao Egito. Gênesis 42.1-6; Os irmãos de José reconhecem que pecaram contra ele. Gênesis 42. 18-24. Os irmãos de José descem novamente ao Egito. A fome os força a voltar. Gênesis 43.1-5; José reencontra seus irmãos. .Gênesis 43.15; José conhece seu irmão Benjamim. Gênesis 43.27-31. José procura reter seus irmãos. A estratégia de José. Gênesis 44.1-5; A suplica de Judá. Gênesis 44. 27-34. Esta história tem sido chamada a mais bela de toda literatura. O incidente mais tocante é quando Judá, que, anos antes, tomara a iniciativa de vender José como escravo, Gênesis 37.26, oferece-se com refém de Benjamim. Gênesis 44.18-34.
CONCLUSÃO
Há um contraste entre o plano de Deus e a realidade aparente. A história de José parecia tomar um rumo totalmente oposto aos seus muitos sonhos. Suas experiências foram: a cisterna vazia, símbolo de desprezo, exclusão e solidão; a escravidão, pois fora vendido como escravo, não obstante ser filho daquele que lutou com o anjo no vale de Jaboque, e fora chamado de príncipe; a acusação falsa e ardilosa de adultério e a prisão, sem um mínimo de direito de defesa. A situação de José, que apesar de se manter fiel e temente ao Deus de seus ancestrais, principalmente de seu pai Jacó, parecia piorar cada vez mais. Entretanto, cada tribulação fazia com que ele chegasse mais perto do propósito final: o palácio de Faraó, quando se tornaria o grande governador do Egito. Muitas vezes Deus não nos fala diretamente, mas nos conduz através das circunstâncias.
Entre a promessa e a conquista existe tribulação e tentação. Isso esteve presente também na história de Israel entre a promessa da terra e a conquista da terra. As tribulações, aparentemente, tendem nos fazer enfraquecer diante da tentação, mas José não se deixou levar por isso. Ele não se contaminou com a mulher de Potifar. José foi fiel em todo lugar e em toda situação. Que profunda lição José nos deixa como legado. Nós cristãos devemos seguir os seus belos exemplos no trabalho, na Igreja, ou em situações mais extremas, na prisão ou no “fundo do poço”. Crendo que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus, portanto são fieis e piedosos a exemplo de José, cujo nome consta na galeria dos heróis da fé Hebreus 11.22.
Pastor Alcione Alves do Nascimento, CGADB 36942, é auxiliar da Igreja Evangélica Assembléia de Deus, Boqueirão, Curitiba, Paraná. Professor da EBD, e responsável pelo Ensino Doutrinário na Igreja (Sextas Feiras).
Formação Secular: Administração, Pós-graduado em gestão de Recursos Humanos; Filosofia, Licenciado em: Psicologia, sociologia e História; Inglês (Avançado). Acadêmico de Direito (8º Período).
Formação Teológica: Bacharel em Teologia e Pós-graduado em Antropologia da Revelação.
Atividades: Oficial da Polícia Militar do Paraná; Professor Universitário, das Faculdades Integradas Santa Cruz (FARESC) e Faculdade Manuel de Assis (FAMA).
Contato para: Conferências, palestras, Estudos Bíblicos e Seculares. Rua Professora Júlia Valery Legat Neal, 558. Xaxim - cep 81810-590 - Curitiba, Paraná.
Fones 041 3275.4337 – 9115.5461 – professorn331952@yahoo.com.br


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