A Infância de Jesus - Rádio Boas Novas
INTRODUÇÃO
A infância de Jesus, devido a seu não detalhamento nas Escrituras, tem sido utilizada como objeto de especulação pelos diversos críticos da Bíblia, bem como, pelas diversas seitas que procuram, com base em relatos históricos fictícios, situar o Mestre nas mais diversas situações, a fim de descredibilizar os relatos bíblicos. Entretanto, o que a Bíblia diz, nós afirmamos; no assunto que ela se cala, nós nos calamos; pois ela é digna de toda aceitação (1 Tm 1:15).
I - O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE A INFÂNCIA DE JESUS?
Embora a Bíblia nos dê poucas informações sobre a infância de Jesus, a partir dos relatos que dispomos, podemos traçar um perfil do que foi a infância do Salvador:
1.1. Primeira Infância - A primeira infância começa com o relato do nascimento do menino Jesus descrita pelos evangelistas Mateus e Lucas, e a descrição magistral da encarnação do verbo provando Sua preexistência e divindade.
1.1.1. Jesus em Belém - O apóstolo Lucas, por ser também historiador, procura trazer maiores detalhes com relação a infância de Jesus, começando com o anúncio do nascimento do Messias, passando pela sua circuncisão ao oitavo dia (Lc 2:21), sua apresentação no Templo (Lc 2:22), quarenta dias após seu nascimento, quando a mulher cumpria a lei da purificação.
1.1.2. Jesus no Templo - Lucas dá um salto no relato: da purificação no Templo (aos quarenta dias de nascido) para sua pré-adolescência, aos 12 anos de idade, entre os doutores no Templo (Lc 2:41-51).
1.2. Segunda Infância - A partir de (Lc 2:41-51), a Bíblia silencia até os trinta anos, início do ministério de Jesus, resumindo-se a observação do apóstolo “E o menino crescia em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2:52).
Obs: Alguns críticos procuram argumentar que Jesus nasceu em Nazaré, pois era conhecido como nazareno. Entretanto a profecia de (Mq 5:2) nos deixa claro o lugar do nascimento do Messias. Nazaré, provavelmente tenha sido o local de residência de Jesus (Mc 6:3; Jo 1:46).
II - POR QUE A INFÂNCIA DE JESUS É OMITIDA?
O apóstolo João bem traduz o real motivo da omissão da infância e Juventude de Jesus, na seguinte expressão ” Na verdade, Jesus fez diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escrito neste livro. Estes porém estão registrados para que creiais que Jesus é o filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida eterna em seu nome” (Jo 20:31). Ou seja, o objetivo era contar ao mundo que o Filho de Deus se encarnou e se entregou para a humanidade, que sua morte foi redentora e que a ressurreição foi o grande fato, mostrando o amor de Deus, ao enviar seu filho ao mundo para resgatar à humanidade. O apóstolo Paulo, ao escrever aos romanos corrobora com esta verdade ao declarar “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que , pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança“ (Rm 15:4).
Há , no entanto, escritores na sociedade atual que estão lançando mão de literaturas apócrifas ou pseudo evangelhos, escritos no I e III séculos, cujos conteúdos narram a vida “oculta” de Jesus, a exemplo do livro O Código de Da Vince, de Dan Brown, que vende 60 milhões de exemplares anualmente. Porém são livros sem nenhuma autoridade canônica, de procedência duvidosa e que bem se encaixa no texto de Gl 1:7,8: ”o qual não é outro, senão que há alguns que vos pertubam e querem perverter o evangelho de Cristo, mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”.
III- QUAL O TRÍPLICE DESENVOLVIMENTO DE JESUS?
A partir de Lc 2:52, podemos verificar que Jesus crescia em:
3.1. Sabedoria (Crescimento Intelectual) - Jesus, como todo menino judeu, aprendeu a lei do Senhor no Templo, que além de possuir o conhecimento intelectual no que concerne a lei, possuía grande sabedoria admirada pelos próprios rabinos do Templo (Lc 2:46,47).
3.2. Estatura (Crescimento físico) - Jesus era uma criança igual a qualquer outra, que brincava, corria, tinha amigos, trabalhava ajudando o pai (José) na carpintaria (Mt 13: 55; Mc 6:3), vivia uma vida de submissão a Deus e aos pais (Lc 2: 49,51), uma vida em comunidade com seus familiares, parentes e amigos em Nazaré onde morava. Era diferente das outras crianças pela sabedoria e consciência manifestada já aos doze anos de sua missão aqui na terra (Lc 2:49).
3.3. Graça (Crescimento espiritual) - Jesus, como homem, esteve sujeito às mesmas paixões que nós, sendo tentado nos desejos de sua mocidade, “sendo tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hb 4:15b; 7:26; 2 Co 5:21), preferindo ser obediente até a morte (Fl 2:8), servindo- nos de exemplo (1 Pe 2:21).
IV - CRISTO, NOSSO MAIOR EXEMPLO
O caráter imaculado de Jesus Cristo tem sido demonstrado por toda a Bíblia, mostrando sua aprovação por parte do Pai (Mt 3:17), e confirmado pelos anjos (Mt. 1:23) e até dos demônios (Mc 5:7). Mesmo depois de mais de dois mil anos, o nome de Jesus e sua vida, impõem respeito e tem sido fontes inspiradoras de milhões de vidas em toda Terra e em todos os tempos. Ele é :
4.1. Nosso maior exemplo de Santidade - A santidade de Jesus, com relação ao seu significado, indica que Ele era isento de toda contaminação (Is 2:3; Zc 8:20-23). Ele possuía todos os elementos de pureza e santidade. Sua santidade pode ser vista no Novo Testamento nos seguintes casos:
4.2. Nosso maior exemplo de Amor - Jesus nos deu o maior exemplo de amor, ao despir-se de Sua glória, e tornar-se homem para morrer pelos nossos pecados (Lc 19:10; Jo 3:16; Fl 2:6-11). Ele nos deu exemplo de amor ao Pai, ao se submeter à Sua vontade (Jo 4:34; 5:30), à Igreja (Ef 5:25), aos crentes como indivíduos (Cl 1:20-23), às crianças (Mt 18:1-5), ao pecador perdido (Jo 4 - Mulher Samaritana ; Jo 8 - A mulher adúltera) e aos destituídos da sociedade (Lc 15: 1,2; Mc 5:1,2). O fruto do Espírito, que é o amor, era a marca registrada do caráter e ministério do Senhor Jesus.
4.3. Nosso maior exemplo de Mansidão - A mansidão na vida de Cristo pode ser vista ao longo de todo Novo Testamento nas seguintes referências ( Mt 11:28-30 ; Jo 8:3-11; Jo 20:25-31 ; Jo 20:25-31 ).
4.4. Nosso maior exemplo de humildade - temos diversos exemplos acerca da humildade de Jesus (Fp 2:6-8; Lc 15:1,2; Mc 10:18; Jo 18:33-37 ).
4.5. Nosso maior exemplo de submissão e obediência - a obediência e a submissão de Cristo à vontade do Pai é percebida em toda a Escritura (Mt 6:10; Mt 22:21; 26:42; Lc 22:42 ; Jo Jo 4:34; 5:30 ; 19:11).
Conclusão
Embora as Escrituras não digam muita coisa sobre a infância de Jesus, entretanto temos o suficiente para crermos em sua divindade, pois: “No princípio era o verbo, e o verbo era Deus”(Jo 1:1); em sua humanidade: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós”(Jo 1:14); em sua missão: “Porque o filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”(Lc 19:10); e em sua redenção: “Pois ele nos livrou do império do mal e nos transportou para o reino do filho do seu amor e no qual temos a redenção, a saber, a remissão dos pecados” (Cl 1:13,14).
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Publicado no site da Rádio Boas Novas


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