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Pedagogia de Jesus - Ultima Parte

1. Jesus observava seus alunos

“Jesus observava com profundo interesse as mutações na fisionomia dos ouvintes. Os rostos que exprimiam interesse e prazer davam-Lhe grande satisfação… Quando Seus olhos percorriam a multidão dos ouvintes, e reconhecia entre eles os rostos que já vira anteriormente,. Via neles candidatos, em perspectiva, a súditos do Seu reino. Quando a verdade, dita com clareza, tocava algum acariciado ídolo, observava a mudança de fisionomia, o olhar frio, de repulsa, que mostrava não ser a luz bem-recebida[1].”

Jesus ofereceu algo que nenhum homem havia oferecido antes, Ele conhecia as expressões que foram provocadas por angústia, solidão, medo e culpa, fora para estes que viera falar, estes que ninguém valorizava.
O mestre sabia da importância de um olhar, olhando para cima encontrou os olhos de Zaqueu, e sua vida foi transformada, olhando para baixo encontrou os olhos de uma prostituta e esta foi salva da vergonha e da morte, olhando para a multidão encontrou nos olhos de Pedro a angústia e a culpa.
“Devemos procurar penetrar nos sentimentos da juventude, compartilhando de suas alegrias e tristezas, lutas e vitórias… Deus nos tem constituído de maneira que mesmo os mais fortes, necessitam de simpatia. Um só olhar de compaixão acalmará e dará forças à tentada e provada criança [2].”

2. Jesus tinha autoridade em ensinar.

“Todos quantos ouviam o Salvador “admiravam a Sua doutrina, porque a Sua palavra era com autoridade” Luc. 4:32. Ensinava-os “como tendo autoridade; e não como os escribas” Mat. 7:29. Os ensinos dos escribas e anciãos eram frios e formais, como uma lição aprendida de cor. Para eles, a Palavra de Deus não possuía nenhum poder vital. Seus ensinos eram substituídos pelas idéias e tradições deles próprios. Na costumada rotina do culto, professavam explicar a lei, mas nenhuma inspiração de Deus lhes comovia o coração ou de seus ouvintes[3].”

Jesus tinha alvos em ensinar, conhecia a mensagem a ser entregue ao homem, ao ensinar procurava implantar novo sentido de valores e de ideais no homem. Nunca dificultou a chegada do homem ao Pai, mas antes procurava revelar seu dever diante de Deus, diante de seu próximo e diante dele mesmo.
Instigava no homem uma fé diferente da ensinada pelos escribas, uma fé pessoal e viva, em contraste da religião de formalidades.

3. Jesus descia ao nível de seus alunos para levá-los ao seu nível.

Uma característica impressionante de Jesus era de ensinar as maiores verdades em palavras que até mesmo uma criança podia compreender e decidir sobre o que foi aprendido em sua vida.
“Não colocou a verdade na mais alta prateleira onde apenas os intelectuais pudessem alcançá-la, nem colocou a um preço tão alto que somente os ricos pudessem comprá-la, colocou-a na prateleira mais baixa, onde até mesmo uma criança podia alcançá-la [4].”
Jesus levava em conta que sua mensagem não era de particular povo ou classe, mas de todos, e a estes a entregou, sempre se adaptando ao ouvinte. Se seu público eram pessoas mais eruditas, como Nicodemos, Zaqueu e Pilatos, ou pessoas mais simples como a mulher Samaritana, o paralítico de Betesda, partia de seu nível intelectual, levando-os ao objetivo maior: “…salvar o perdido[5].” Cristo via todos os homens como na realidade eram, e suas aulas eram adaptadas as suas reais necessidades.

As Aulas do Mestre

Jesus, como mencionado anteriormente, nunca se fixou em uma só maneira de ensinar, conclui-se que se diferenciava a partir deste ponto dos educadores judaicos de sua época. Para o Mestre não havia uma única era somente a verdade, mas a forma de ensiná-la variava sempre. [6]
Observando como lançou mão de diversos métodos de ensino poderíamos questionar se Jesus realmente era um leigo academicamente falando, pois em muito inovou na arte de ensinar. O certo é que não podemos afirmar seguramente que Jesus tivesse ciência de métodos de ensino, mas pode-se concluir que Ele tornou-se incomparável no uso de tais métodos [7].

Alguns métodos que Jesus utilizou:

1. Encontrava um ponto comum

Denominado de ponto de contato, mas para Jesus um meio de ganhar a atenção da pessoa para entrar em sua vida. Ele bem conhecia o valor da atenção total do aluno para um aprendizado completo, para isso utilizava uma ótima introdução, ou algo que interessava o ouvinte.
Criava a necessidade da atenção para aquilo que tinha para falar, tornava-se familiar ao sentir as mesmas dores, as mesmas angústias e aflições, permitindo acesso mais fácil ao coração do seu ouvinte.

2. Maiêutica:

O uso de perguntas como método de ensino é um dos mais antigos utilizados. Foi aplicado por alguns célebres, como Sócrates. Tanto no velho como no Novo testamento o uso de perguntas fica caracterizado como um método bastante utilizado.
Jesus usou perguntas para estimular o raciocínio fazendo o ouvinte encontrar respostas pelo uso da razão e da lógica, para relacionar seus ensinamentos à vida prática, para silenciar aqueles que o acusava ou até mesmo para levantar uma verdade e levar a uma decisão pessoal.
Ele nunca deu uma resposta pronta, somente por dar, levava seus ouvintes a garimparem as jóias da verdade nas minas do raciocínio e da aplicação pessoal. “Ele veio não tanto para responder a perguntas, mas para fazê-las; não tanto para acomodar as almas dos homens, mas para provocá-las; não para tornar fácil a vida, mas para torná-la mais educativa [8].”

3. Histórias ou parábolas.

Este foi o método mais utilizado pelo Mestre, projetando assim o ouvinte ao lado da verdade ensinada ao usar coisas de seu cotidiano para ilustrar aquilo que queria ensinar.
Jesus poderia ser considerado como somente o maior contador de histórias da raça humana se estas não tivessem as seguintes características:
· Ensinar verdades e Revelar o plano de Deus
· Estimular o pensamento e Impactar a vida de quem as ouvia
· Harmonizar a natureza com o espiritual
Sem estas características suas histórias poderiam até chamar a atenção das pessoas, mas nunca mudá-las, poderiam até ser lembradas posteriormente, mas nunca dividiria a história deste mundo.

4. Diálogos

Jesus valorizava a conversa franca e aberta, encorajava os que estavam em sua volta a conversarem: “quem dizem as multidões que sou eu [9]? “, estimulava-os a falarem abertamente de seus problemas: “Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas. Entretanto pouco é necessário ou mesmo uma só coisa… [10]
Ao estar com Nicodemos à noite, ao meio dia no poço com a mulher Samaritana, na beira do caminho com o leproso ou no monte da transfiguração com os discípulos, Jesus sempre ouviu e debateu com seus ouvintes. Nenhum ficava sem a atenção do Mestre, assim não só tinham uma aula com o Ele, mas participavam criando-a.

5. Preleção:

Geralmente Jesus tinha grandes multidões a atender, e seria desgastante demais atender um a um, por isso utilizava-se de uma exposição clara da verdade para todos. Sua sala de aula podia ser uma montanha, um barco atracado à praia ou até mesmo a sala de uma casa.
Em suas aulas tinha sempre o cuidado de aplicar as verdades ao cotidiano dos ouvintes, fazendo assim com que verdades tão preciosas tornassem-se um bem de todos. Sempre houve unidade de pensamento e lógica em seus ensinos, começava por uma mensagem e terminava nela, nunca vagueava sem rumo. Tornava assim clara a exposição de seu ensino.

Conclusão

Jesus e seus métodos estavam em completo desacordo com os que estavam em uso em seus dias, mas este não foi o fator que determinou seu alcance. Métodos destituídos de poder são como um violino destituído de cordas ou um céu destituído de sol.
Por outro lado Jesus não dói marcante nem eficaz por alguma capacidade divina. Ele dependia completamente de Seu Pai. Sua autoridade como educador foi concedida pelo céu, em um mundo em que todos os homens querem ser deuses, Jesus foi o único que quis tornar-se homem para elevar-nos a Deus.
“Assim como o artista já vê na tela o quadro em perspectiva, e o escultor vê na tosca pedra a estátua que há de entalhar, assim também o Mestre via em cada aluno a personalidade que haveria de existir, e trabalhava com otimismo e paciência para concretizar este conceito [11]
Entende-se que os métodos que Jesus utilizou para ensinar ainda são plenamente aplicáveis e úteis nos dias de hoje. Cumpre-nos tomar lugar aos seus pés e ouvi-lo.
[1] E.G. White, O Desejado de Todas as Nações, Tatuí, SP, Casa Publicadora Brasileira, pág 184
[2] E.G. White, Obreiros Evangélicos, Tatuí, SP, Casa Publicadora Brasileira, pág. 209
[3] E.G. White, O Desejado de Todas as Nações, Tatuí, SP, Casa Publicadora Brasileira, pág 253
[4] D.V. Hurst, E Ele concedeu uns para mestres, Deerfield, Flórida - EUA, Editora Vida, 1994, pág. 79.
[5] Lucas 19:10
[6] A. S. Suáres, Sou professor. E agora?, Engenheiro Coelho, SP, Editora Paradigma, pág 27
[7] A. S. Suáres, Professor nota 10, Engenheiro Coelho, SP, Editora Paradigma, pág 104
[8] Citado por . J.M Price, A pedagogia de Jesus, Rio de Janeiro, RJ, Juerp editora, pág. 137
[9] Lucas 9: 18
[10] Lucas 10: 41 e 42
[11] D.V. Hurst, E Ele concedeu uns para mestres, Deerfield, Flórida - EUA, Editora Vida, 1994, pág. 79.

Publicado no blog Encontro com o Poder

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