A Morte Vicária de Jesus - Severino Pedro da Silva
Leitura BÃblica em Classe
Lucas 23.33,44-53
Palavras-chaves
Milagre; Argumento ontológico; Argumento teológico; Jesus.Tema deste SubsÃdio
A morte de Cristo
Autor: Severino Pedro da Silva
Obra: A vida de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 1990.
A MORTE DE CRISTO
1. Seu significado
Paulo diz que Cristo “…morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” (1 Co 15.3b). De que morreu Jesus? É uma pergunta bastante freqüente entre os estudiosos da BÃblia. Pesquisas feitas nos últimos anos em Colônia têm procurado dar uma resposta a essa pergunta, do ponto de vista médico. Se pendurarmos uma pessoa pelas duas mãos, o sangue desce com grande rapidez para a metade inferior do corpo. Seis a doze minutos depois a pressão arterial cai à metade e as pulsações duplicam. O coração recebe pouco sangue e o resultado é o desfalecimento. Em conseqüência da circulação sanguÃnea insuficiente no cérebro e no coração, dá-se rapidamente um colapso ortostático. A morte na cruz é portanto um colapso cardÃaco. Afirma-se que os crucificados só morriam após dois ou três dias na cruz ou ainda mais tarde. Muitas vezes, colocava-se no madeiro vertical da cruz um pequeno apoio para os pés, chamado “sedile” (assento) ou “cornu” (chifre). Se o crucificado, em sua angustia, apoiava-se de vez em quando sedile, o sangue subia de novo à parte superior do corpo e o princÃpio de desfalecimento desaparecia. Quando se queria acabar finalmente com o sofrimento do crucificado, recorria-se ao “crucifragium”: quebravam-se lhe os joelhos a golpe de bastão.Â
Então, não podendo mais apoiar-se nos pés, ele morria rapidamente de insuficiência cardÃaca. Entretanto, por expressa ordem divina, Jesus foi poupado ao “crucifragium”: “Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados. Foram pois os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas do primeiro, e ao outro que com ele foram crucificados. Mas vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas… Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado” (Jo 19.31-33,36).
2. A necessidade de sua morte
O leitor deve estar lembrando de que, no inÃcio deste argumento sobre a morte de Cristo, apresentamos algumas opiniões do ponto de vista médico. Entretanto, segundo as Escrituras, é forçoso acreditar-se que a morte de Cristo era necessária, pois doutra maneira Deus jamais teria sujeitado seu Filho muito amado ao ignominioso suplÃcio da cruz.
O próprio Jesus Cristo refere-se à sua morte como necessária. Então Ele disse: “Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto (Jo 12.24). Também nosso Senhor afirmou que sua morte seria (por parte dele) voluntária: “por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para tornar a tomá-la…” (Jo 10.18ª).
Taylor afirma: “O fato central de toda a história é a morte de Cristo. A cruz apenas se eleva altaneira sobre as ruÃnas do tempo, mas se sobrepõe a tudo quanto interessa ao homem. Todos os séculos desde então só podem ser corretamente interpretados á luz da sua realização.
“Assim sendo, seria inconcebÃvel que alguma luz não fosse projetada com antecedência sobre esse grande propósito de Deus de enviar um Salvador que morresse pelos homens, não somente para o encorajamento daqueles que, sem seu concurso, estariam tateando nas trevas, mas também para fornecer informações que possibilitassem a correta compreensão da pessoa e da obra do Messias quando chegasse.”
3. A importância de sua morte
Ao contrário do que acontece no caso das pessoas comuns, é a morte de Cristo mais do que a morte de qualquer outra personalidade. É de importância suprema. Tanto no Antigo como no Novo Testamento, é salientada a importância de sua morte expiatória.
No Antigo Testamento, é da morte de Cristo que tratam com o “Porto-evangelium” em Gênesis 3.15 e os animais que morreram para fornecer vestimentas de peles para Adão e sua mulher (Gn 3.21). Podemos localizar um cordão escarlata por toda a BÃblia. Nos sacrifÃcios que antecederam sua morte, podemos destacar estes: o de Abel (Gn 4.4), o carneiro no monte Moriá (Gn 22.13), os sacrifÃcios patriarcal em geral (Gn 8.20; 12.8; 26.25; 33.20; 35.7), o cordeiro pascoal no egito (Êx 12.1-28), os sacrifÃcios levÃticos (1 a 7), a oferta de Manué (Jz 13.16,19), os sacrifÃcios anual de Elcana (1 Sm 1.21), as ofertas de Samuel (1 Sm 7.9,10; 18.38). Todos estes sacrifÃcios e muitos mais apontam para o maior de todos os sacrifÃcios que seria feito por Cristo.
No Novo Testamento, a morte de Cristo ocupa lugar proeminente.
Os três últimos dias da vida terrena de nosso Senhor ocupam aproximadamente um quinto das narrativas nos quatro evangelhos. Se todos os três anos do seu ministério público tivessem sido relatados tão minuciosamente quanto os três últimos dias, terÃamos uma ” Vida de Cristo” com cerca de 8.400 páginas. Evidentemente, a morte e ressurreição de nosso Senhor foram consideradas de abrimos o Novo Testamento , direta ou indiretamente, a morte dele é mencionada por mais de 175 vezes. Como há 7.959 versÃculos se refere a este tema.
Publicado no site da CPAD



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