Jesus, Rei dos reis e Senhor dos senhores - Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco
O ministério de Jesus ainda não terminou, pois é necessário que sujeite todas as coisas.
INTRODUÇÃO
- Estamos a encerrar mais um trimestre letivo da Escola Bíblica Dominical. Na última lição sobre a doutrina de Cristo, veremos o papel destinado ao Senhor nos últimos eventos da história.
- Embora tenha cumprido a Sua obra salvífica, Jesus ainda precisa reinar sobre Israel e sobre todas as nações, pois é o Filho de Davi e o herdeiro de todas as nações (Sl.2:6-9). Tais fatos somente ocorrerão após o término desta dispensação, mais precisamente sete anos após o arrebatamento da Igreja. Jesus, então, virá com os Seus santos, vencerá o Anticristo e, como Rei dos reis e Senhor dos senhores, iniciará o período mais excelente da história da humanidade, período este que findará com a derrota da rebelião final, quando, então, Jesus, como juiz dos vivos e dos mortos, porá fim à história no juízo do Trono Branco, para todo o sempre passando a conviver com o povo de Deus. Estaremos lá com Ele?
I - O TRABALHO DO MESSIAS AINDA NÃO ACABOU
Colaboração/gráfico: Enomir Santos
- Temos visto, ao longo do trimestre, que Jesus veio cumprir tudo quanto esta predito a Seu respeito nas Escrituras. Na cruz, quando morria por nós, o Senhor bradou: “Está consumado” (Jo.19:30). É interessante observar que, ao contrário do que muitos pregam inadvertidamente, Jesus não disse “tudo está consumado”, mas, simplesmente, “está consumado”, palavras que corroboram o que o próprio Jesus havia dito, dias antes, aos Seus discípulos, quando afirmara que estava consumada a obra que o Pai Lhe havia determinado fazer (Jo.17:4).
- Jesus não disse “tudo está consumado”, porque, à evidência, Sua obra não Se esgotou na cruz do Calvário. Se ali, com efeito, obteve a salvação da humanidade, o fato é que muitas profecias relacionadas com o papel messiânico de Jesus ainda não se cumpriram. Tanto assim é que, pouco antes de Sua ascensão ao céu, os discípulos lembraram disto ao indagar ao Senhor se seria por aqueles dias que o reino de Israel seria restaurado por Ele (At.1:6).
- Em confirmação às palavras dos discípulos, os anjos anunciaram, logo após a ascensão de Jesus, que Aquele mesmo Jesus que subira do monte das Oliveiras haveria, do mesmo modo, de voltar (At.1:11), o que confirmava o que o próprio Jesus havia, também, dito aos discípulos nas chamadas “últimas instruções”, quando, ao mesmo tempo em que dizia que voltaria para o Pai, haveria de buscar os Seus discípulos para que, onde Ele estivesse, eles também estivessem (Jo.14:3).
- Nota-se, pois, à evidência, que a ascensão de Jesus ao céu não representou o término de Seu ministério, pois, além de estar, na atualidade, a interceder pelos Seus discípulos junto ao Pai (Is.53:12; I Tm.2:5), torna-se necessário, para cabal cumprimento das Escrituras, que o Senhor Jesus ainda promova a busca da Sua Igreja, para que esteja na Sua companhia, salve Israel, reine sobre Israel e sobre todas as nações, como, também, sujeite todas as coisas para que, então, sujeite-Se ao Pai a fim de que Deus seja tudo em todos.
- Estes fatos, que ainda não aconteceram, mostram-nos, claramente, que o ministério de Jesus tem um prosseguimento e que não tarda que isto venha a acontecer, fatos estes que dizem respeito ao que os discípulos chamaram de “vinda de Cristo e fim do mundo” (Mt.24:3) e que, tradicionalmente, tem sido estudada em uma disciplina teológica denominada de Escatologia, mas que também pode e deve ser estudada na Cristologia, ao menos no que diz respeito ao trabalho destinado ao Senhor Jesus, o Cristo do Senhor, nestes eventos derradeiros da história da humanidade.
II - JESUS VIRÁ ARREBATAR A IGREJA
- A primeira tarefa destinada ao Senhor Jesus ao término desta dispensação, a dispensação da graça, a dispensação da Igreja, em que Jesus está à direita do Pai intercedendo por nós, será o ato de buscar a Igreja, o chamado “arrebatamento da Igreja”, prometido pelo Senhor em Jo.14:2,3.
- Ao anunciar que deixaria esta Terra, Jesus foi claro ao dizer que Se comprometia a vir buscar a Sua Igreja para que onde Ele estivesse, ela também estivesse. Nota-se que se tratou de uma promessa feita única e exclusivamente aos discípulos, à Igreja. Isto nos mostra, claramente, que há um momento distinto, particular em que haverá o encontro entre Jesus e a Sua Igreja.
- O apóstolo Paulo é claro ao ensinar que haverá um instante em que Jesus Se encontrará nos ares com os salvos (I Ts.4:15-17), salvos estes que serão reunidos mediante a ressurreição dos que já tiverem morrido e a transformação dos que estiverem vivos naquela ocasião (I Co.15:51-53). Não é por outro motivo que a esperança da Igreja é este encontro com Jesus, que nos livrará da ira futura (I Ts.1:10; I Pe.3:3,4; I Jo.3:2,3).
- É importante, também, verificar que, quando Jesus subiu aos céus, somente os Seus discípulos O viram subir até as nuvens e ali ser ocultado dos olhos deles (At.1:9). Assim, primeiramente Jesus subiu do monte das Oliveiras até a altura das nuvens, quando foi, então, recebido no céu, sendo oculto aos olhos dos discípulos. O mundo já não via a Jesus há quarenta e três dias, pois a última imagem do mundo fora a entrada do Seu corpo no sepulcro novo de José de Arimatéia. A partir de então, foi visto apenas pelos Seus discípulos até ser oculto nos ares por uma nuvem.
- Como disseram os anjos naquela oportunidade, Jesus há de vir assim como para o céu os discípulos O viram ir (At.1:11). Desta maneira, Jesus, primeiramente, será visto apenas pelos discípulos, nos ares, nas nuvens, para só depois, ser visto por todos os israelitas e os que estiverem em Israel, como ocorria antes de ser sepultado. Por isso, haverá um período em que só será visto pela Igreja, em particular, período este que corresponde à Grande Tribulação, visto que Jesus irá novamente Se manifestar aos discípulos e, com eles, após a necessária prestação de contas (o tribunal de Cristo- Rm.14:10; II Co.5:10), assim como prometeu, participar de uma ceia, que se realizará no céu (Mt.26:29; Mc.14:25; Lc.22:18), as bodas do Cordeiro, exclusivas para a Sua noiva (Ap.19:7), pondo fim a esta comemoração que caracteriza a dispensação da graça.
- A Igreja está esperando Jesus(I Co.1:7; Fp.3:20; Tt.2:13; Tg.5:7; II Pe.3:1-13; I Jo.3:1-3; Jd.21); . Na ceia, anuncia a volta de Cristo; prega o evangelho para que alcance todas as nações e o fim do seu tempo sobre a face da Terra; faz o seu trabalho enquanto não se dá o início da última semana da profecia das setenta semanas de Daniel; aguarda o livramento prometido pelo Senhor da “ira futura” (I Ts.1:10).
- O arrebatamento da Igreja é, precisamente, este acontecimento em que Jesus retirará a Sua Igreja da face da Terra, no exato instante em que se iniciar a septuagésima semana de Daniel, quando Deus, então, tratará com os outros dois povos, Israel e os gentios. Será o “dia da vingança do nosso Deus” (Is.61:2 “in fine”), o “tempo de angústia”, tanto para os judeus (Dn.12:1), quanto para as nações (Lc.21:25), pelo qual a Igreja não passará.
- A palavra “arrebatamento” vem da expressão constante de I Ts.4:17, onde é dito por Paulo aos tessalonicenses que os crentes serão “arrebatados” e se encontrarão com o Senhor nos ares. Paulo estava ali falando a crentes a respeito da vinda do Senhor, ou seja, o seu ensino dizia respeito à vinda de Jesus para a Igreja, de forma que tudo ao que ele ali se referiu está relacionado com a Igreja, este novo povo criado na dispensação da graça.
- “Arrebatamento” significa “retirada repentina, rápida, de improviso”, normalmente com violência. Tem o mesmo significado que “rapto”, que, aliás, é a palavra utilizada para a tradução do termo grego de I Ts.4:17 na Vulgata Latina (a tradução da Bíblia para o latim, a língua dos romanos e que até hoje é a tradução oficial da Igreja Romana).
- O arrebatamento da Igreja, portanto, é a retirada repentina, de improviso, dos membros do corpo de Cristo sobre a face da Terra, antes que se inicie o período mais negro da história da humanidade. Jesus, então, como diz Paulo, descerá até as nuvens e se encontrará com a Igreja, que é a reunião dos salvos de todos os tempos, daqueles que creram na pessoa de Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador.
OBS: “…O Senhor não teria inaugurado uma Igreja que estava apenas na fundação. Aqueles discípulos que acompanhavam Jesus, e existiam no dia de Pentecostes, não chegavam a mil, eram apenas parte do fundamento da novel Igreja. Muitos outros foram acrescidos depois daquele dia como fundamento da Igreja Cristã, a exemplo entre eles destacou-se o Apóstolo Paulo. A Igreja de Jesus Cristo é composta de bilhões vezes bilhões de almas, uma multidão que homem algum jamais poderá calcular. Com certeza, a Igreja será inaugurada quando todos os remidos, de todos os tempos, juntamente com os santos que morreram desde o princípio da geração, e foram evangelizados por Cristo após a ressurreição, estiverem reunidos em número incalculável, liderados pelo Senhor Jesus Cristo, que irá adiante da grande multidão e nos apresentará ao Pai, dizendo: Hebreus 2.13:’…Eis-me aqui, e aos filhos que Deus me deu.’…” (Osmar José da SILVA. Reflexões filosóficas de eternidade a eternidade, v.6, p.110). Este pensamento do pastor Osmar José da Silva, aliás, dá o real significado para a palavra “igreja”, ou seja, “reunidos para fora” (”ekklesia”). Só no dia do arrebatamento, a Igreja será realmente reunida em sua totalidade e estará para sempre fora deste mundo.
II - JESUS VOLTARÁ PARA REINAR SOBRE ISRAEL E TODAS AS NAÇÕES
- Quando a Igreja for arrebatada, este mundo iniciará o período mais negro de sua história, conhecido como Grande Tribulação, quando o diabo será precipitado sobre a Terra (Ap.12:9), juntamente com os seus anjos, o que representará um grande flagelo para a humanidade, uma vez que o Espírito Santo cessará a Sua resistência para a livre operação do mistério da injustiça, o que permitirá a revelação do iníquo (II Ts.2:7,8).
- A fim de debelar o homem do pecado, o filho da perdição (II Ts.2:3), bem como para cumprir todas as profecias messiânicas do Antigo Testamento, que falam de um período de paz e justiça em todo o mundo, da salvação de Israel e da redenção da natureza, Jesus tem de voltar a este mundo. É o que se costuma denominar de “volta triunfal de Cristo”, “vinda de Jesus em glória”, “parousia” ou “revelação de Cristo em glória”.
- A “segunda fase da vinda de Jesus”, também conhecida, como vimos supra, como “vinda de Jesus em glória”, “volta triunfal de Cristo”, “parousia” ou “revelação de Cristo em glória” é o evento que ocorrerá sete anos depois do arrebatamento da Igreja (para os pré-tribulacionistas, pois, para os mídi-tribulacionistas, o episódio ocorrerá três anos e meio depois do arrebatamento), ou seja, ao contrário do arrebatamento, é um evento com tempo marcado e determinado na Bíblia Sagrada. Será um instante em que Jesus será visto por todos os povos e nações, em especial pelos israelitas (Zc.12:10; Ap.1:7), porá os Seus pés sobre esta Terra (Zc.14:4; At.1:11) e se fará acompanhado da Igreja triunfante (Jd.14).
- Bem se vê, pelas referências bíblicas, que estamos diante de dois eventos distintos, não havendo como confundi-los. É o que fazem os pós-tribulacionistas, que confundem o arrebatamento da Igreja e a vinda de Jesus em glória em um só evento, que chamamos de volta de Cristo. Para estes (em especial, o movimento adventista), Jesus virá ao término da Grande Tribulação, arrebatará os escolhidos dos quatro cantos da terra e, depois, em seguida, vencerá o Anticristo. Esta linha de pensamento, entretanto, não pode ser aceita, pois, como vimos, as Escrituras mostram que o arrebatamento da Igreja e a vinda de Jesus em glória tem características totalmente diferentes e, se se tratasse do mesmo evento, teríamos uma contradição insuperável na Bíblia, o que, evidentemente, não é possível. Como conciliar que a Bíblia diz que Jesus vem como um ladrão em I Ts.5:2, que ninguém O perceberá em Mt.24:43,44 e, em Ap.1:7, ser dito que todo o olho O verá ? Poderia acontecer coisas tão opostas em um mesmo e único episódio? Vemos, portanto, que não é possível que se confundam estes dois acontecimentos escatológicos, acontecimentos, porém, que são conhecidos, ambos, como “volta de Cristo”. Tomemos, pois, cuidado para não nos confundirmos.
- Estando todas as nações preparadas para a “solução final” na sua mais nova( e última) versão (”solução final” foi o nome dado por Adolf Hitler para o extermínio dos judeus na Segunda Guerra Mundial), quando parecer que Israel não tem mais nenhuma saída, nenhuma possibilidade de escapar à total destruição (e, humanamente falando, não haverá mesmo como se impedir a vitória do Anticristo), Deus começará a agir, invertendo as coisas e fazendo com que, mais uma vez, Israel seja salvo e poupado da destruição, aliás, salvo em todos os sentidos, pois, além da salvação da destruição física, Israel alcançará, nesta oportunidade, a sua salvação espiritual.
- Em primeiro lugar, haverá um sinal maravilhoso em Jerusalém. As duas testemunhas, que, durante três anos e meio, tiveram seus corpos expostos como troféus pelo Anticristo, ressuscitarão aos olhos de todos os homens e subirão aos céus (Ap.11:11,12). Será um sinal que, certamente, amendrontará a todos os habitantes da Terra, que o testemunharão (certamente, todas as atenções do mundo estarão voltadas para a Palestina neste dia, porque estará tudo preparado para a destruição dos últimos judeus e os meios de comunicação não iriam perder esta oportunidade de exaltar e glorificar o seu dominador, ou seja, a besta. Não nos esqueçamos de que, desde a quebra do pacto, Jerusalém estará sob o domínio do Anticristo, talvez como uma cidade internacional de adoração, como centro do culto à besta.). A ressurreição das duas testemunhas é um sinal que mostrará de forma patente e indiscutível que o poder do Anticristo e do Falso Profeta é inferior ao poder de Deus. O Anticristo que terá enganado o povo com relação a sua suposta ressurreição e o Falso Profeta, que terá mostrado a superioridade de seu poder ante as duas testemunhas, terão a sua credibilidade fortemente abalada ante os seus adoradores.
- Em segundo lugar, logo em seguida a assunção das duas testemunhas aos céus, haverá um grande terremoto, que destruirá a décima parte de Jerusalém e que causará a morte de sete mil homens(Ap.11:13). Os demais, atemorizados, darão glória a Deus, ou seja, serão os primeiros a reconhecer o senhorio de Deus sobre todas as coisas, rejeitando, assim, ao Anticristo e ao Falso Profeta. Neste terremoto, entendemos que o terceiro templo, transformado em centro de adoração ao Anticristo, deverá ser destruído, assim como a imagem da besta que ali havia sido colocada para adoração.
- Em terceiro lugar, será derramada a sétima taça da ira de Deus, com um grande terremoto, o maior terremoto que já houve sobre a face da Terra (Ap.16:18), um terremoto que atingirá diversas partes do planeta, mas que atingirá em cheio Babilônia, a capital comercial do Anticristo, fendendo-a em três partes, além de outras cidades importantes, sendo que, simultaneamente a este terremoto, cairá do céu uma saraiva (isto é, uma chuva de pedras de granizo), com pedras de até 35 kg cada. Será uma praga extremamente dura, pois a Bíblia diz que Deus terá dado o cálice do vinho da indignação da Sua ira e informa que a praga será muito grande (Ap.16:19).
- Em quarto lugar, o próprio Senhor Jesus, em pessoa, acompanhado de anjos e da Igreja que havia sido arrebatada sete anos antes, aparecerá em toda a Sua glória perante todos os homens, em Jerusalém, ocasião em que pisará novamente no monte das Oliveiras (Zc.14:4), no mesmo local em que Seus pés deixaram o chão por ocasião da Sua ascensão (At.1:9-11). Ao pisar no monte das Oliveiras, diz-nos a Bíblia, o monte das Oliveiras se fenderá ao meio, formando um vale muito grande, mudanças geográficas concomitantes aos eventos naturais que estarão transformando bruscamente o relevo da Terra em virtude do grande terremoto.
- Em conseqüência do grande terremoto e do fender do monte das Oliveiras, haverá a formação de um novo curso nas águas em Jerusalém, de tal modo que se criará o rio que é descrito em Ez.47:1 e o regime hidrográfico mencionado em Jl.3:18. A Palestina deixará de ser um local de escassez de águas, ao contrário do Egito e de Edom, que se tornarão lugares secos (Jl.3:19). As águas que surgirem neste momento são chamadas de “águas vivas”, porque terão o condão de trazer a vida abundante para um terreno desértico e que, inclusive, sarará as águas do Mar Morto, fazendo com que áreas desérticas como é En-Gedi passem a ser lugares de pescadores (Ez.47:8-10).
- Em quinto lugar, Jesus virá em toda a Sua glória, como um guerreiro, em toda a Sua majestade, tanto que João O viu num cavalo branco, como o Fiel e o Verdadeiro, tendo nas Suas coxas o Seu título: Rei dos reis e Senhor dos Senhores (Ap.19:11,16). Por isso os estudiosos da Bíblia denominam esta passagem de “parousia” (ou seja, aparição, em grego) ou “vinda de Jesus em glória”, pois o Senhor voltará à Terra, mas, ao contrário da primeira vinda, quando veio como uma humilde criança nascida numa estrebaria em Belém, virá com todo o Seu esplendor, com toda a Sua glória.
- É importante verificarmos a descrição que João faz da aparição do Senhor, para desta descrição extrairmos preciosas lições a respeito do evento e da própria natureza do Cristo e da Sua Igreja.
- É importante observar que Jesus é apresentado como um cavaleiro que está montando um cavalo branco. Como já vimos, em Apocalipse 6, também apareceu um cavaleiro que montava o cavalo branco, mas aquele cavaleiro, como sabemos, não era o Cristo, mas, sim, a sua maior falsificação, ou seja, o Anticristo, a besta. Assim como Jesus, nesta oportunidade, naquela ocasião, também foi visto um cavaleiro montando um cavalo branco, o que nos traz a lição de que o adversário sempre procura imitar as coisas de Deus e o faz de uma forma extremamente astuta e enganadora. Notemos que o diabo copiou toda a aparência exterior da vinda de Jesus em glória: arrumou um cavaleiro e um cavalo branco. Assim faz sempre Satanás: mostra-nos algo que, na aparência, é idêntico ao que é providenciado e feito por Deus. Mas cessa na aparência exterior a suposta “igualdade” entre uma e outra operação e não é por outro motivo que Jesus nos recomenda que jamais julguemos segundo a aparência exterior (Jo.7:24).
- Se verificarmos as duas visões de João, se ambos os cavaleiros montavam cavalos brancos, o fato é que este cavaleiro de Ap.19 é chamado de Fiel e Verdadeiro, ao passo que o cavaleiro de Ap.6 tinha em sua mão um arco, ou seja, embora a cor branca do cavalo simbolizasse e aparentasse a paz, o cavaleiro de Ap.6 tem, em suas mãos, um arco e não declara o seu nome. Já o cavaleiro de Ap.19 é chamado de Fiel e Verdadeiro e nada tinha em Suas mãos. Isto nos mostra claramente que as coisas de Deus têm compromisso com a verdade e com a fidelidade, não necessitam de que alguém lhes faça propaganda, bem como bastam por si próprias, sem ajuda de quem quer que seja. O cavaleiro tinha obras, não propaganda; tinha verdade, não engano; tinha fidelidade, não astúcia. Será que temos, como servos de Deus, nos apresentado perante os outros como pessoas fiéis, verdadeiras e cujas obras demonstram que julgamos e pelejamos com justiça ? Ou será que temos preferido ter aparência, engano, astúcia ?
- O cavaleiro de Ap.19 tinha olhos como chama de fogo e sobre a Sua cabeça havia muitos diademas. Seu título demonstra que é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores. O cavaleiro de Ap.19 é alguém que já reina, que controla todas as coisas. O cavaleiro de Ap.6, ao revés, era alguém que vinha para vencer, alguém que queria conquistar algo, alguém que tencionava se fazer grande e que havia recebido uma coroa. Isto nos mostra que Jesus já reina, que tudo o que acontece está sob o total e pleno controle do Senhor e, por isso, não temor porque nos desesperar. Mesmo quando as coisas parecerem impossíveis, quando o triunfo do mal parece inevitável, como ocorrerá neste instante da história de Israel, Jesus jamais terá perdido o controle da situação, jamais terá Se esquecido de Suas promessas. Quando olhamos para esta descrição da vinda gloriosa de Jesus, temos de glorificar a Deus e lembrar que nenhuma situação de nossas vidas será mais aflitiva do que esta que será vivida pelo povo de Israel ao término da Grande Tribulação e que o nosso Jesus é o mesmo que virá socorrer Israel (Hb.13:8), de modo que, no momento certo, de forma sobrenatural, se preciso for, este Jesus virá para nos socorrer em nossas dificuldades.
- O cavaleiro de Ap.6 recebeu a coroa, ou seja, devia o seu poder a alguém. Ora, sabemos que o Anticristo operará segundo a eficácia de Satanás e a ele deverá o seu poder, daí porque, juntamente com o Falso Profeta, serão os inauguradores do lago de fogo e de enxofre. O cavaleiro de Ap.19, porém, é o próprio Deus, pois é chamado de a Palavra de Deus e isto nos mostra que nada há mais poderoso e firme na face da Terra do que a Palavra do Senhor. Passarão os céus e a terra, mas não passará a Palavra de Deus. Vale a pena servirmos a Deus e obedecermos à Sua Palavra, pois nela encontramos o verdadeiro poder, a verdadeira firmeza para a nossa existência. Nem mesmo toda a eficácia e poderio do diabo podem resistir à Palavra de Deus e esta lição espiritual nos é trazida desta visão de João. Não temamos toda a força do inimigo, pois a Palavra de Deus é maior !
- O cavaleiro de Ap.6 trazia um arco, uma arma que é curvada, que é torta, enquanto que da boca do cavaleiro de Ap.19 saía uma aguda espada, uma arma reta. Isto nos mostra que as coisas de Deus sempre buscam a retidão, sempre nos trazem o que é direito e que isto é que deve ser buscado pelo servo do Senhor (nossa oração tem de ser como a de Esdras, que pedia a Deus um caminho direito, Ed.8:21). O Senhor é reto (Sl.25:8) e, se com Ele aprendemos, também o seremos. Discerniremos sempre se algo provém, ou não, de Deus se observamos se há, ou não, retidão naquilo que estamos analisando.
- Em sexto lugar, assim que pisar o monte das Oliveiras, Jesus iniciará a peleja, a batalha em defesa de Israel (aliás, vemos aqui, uma vez mais, uma guerra em que Israel sairá vitorioso porque agiu em defesa, porque foi agredido e não porque agrediu). Jesus vem para vingar o povo de Deus, para fazer justiça, para destruir os inimigos de Israel, que, inclusive, em meio à praga da grande saraiva, terão, pela vez derradeira, blasfemado contra Deus, como, aliás, fizeram no decorrer das sete últimas pragas (Ap.16:21).
- A Bíblia descreve a ação de Jesus na batalha do Armagedom como sendo uma “pisadura do lagar”. O lagar era um local destinado à produção do vinho. As uvas colhidas eram levadas até este local, um espaço situado um pouco acima do solo, onde as pessoas passavam a pisar as uvas. Pisadas, as uvas soltavam o seu suco, que era encaminhado, através de um sistema de condução, a um outro compartimento, onde o suco era recolhido (normalmente em tonéis), a fim de que pudesse ser transformado em vinho. Na batalha do Armagedom, Jesus estará como que pisando o lagar, ou seja, espremendo os inimigos de Israel, destruindo-os e fazendo correr não suco de uva, mas o próprio sangue deles. É por isso que Jesus é visto por João com Suas vestes salpicadas de sangue (Ap.19:13), visão esta que é integralmente concorde com a que teve o profeta Isaías (Is.63:1-3).
- A Bíblia também chama a ação de Jesus na batalha do Armagedom de “colheita”. Em mais de uma passagem bíblica, é dito que a ação da justiça divina sobre os rebeldes será uma colheita, ou seja, a justa retribuição por tudo aquilo que os homens fizeram em sua insensibilidade e rebelião espirituais (Gl.6:7). O juízo de Deus sobre os povos rebeldes é chamado de colheita em Ap.14:14-20, num contraste com a bênção e a comunhão que desfrutarão aqueles que preferirem morrer por Cristo no período da Grande Tribulação. Os adoradores da besta são comparados a uvas maduras que são recolhidas e reunidas para serem pisadas pelo Senhor. A mesma imagem da colheita já havia sido utilizada pelo próprio profeta preparador do caminho do Senhor, João Batista, que, na sua pregação, já havia alertado a respeito. Jesus viria com a graça, mas, depois, viria com a pá, limparia a Sua eira e recolheria o Seu trigo no celeiro e queimaria a palha com fogo que nunca haveria de se apagar (Mt.3:12). Não nos iludamos, amados irmãos, sejamos fiéis ao Senhor, pois horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo !
- Mas as Escrituras ainda chamam a ação de Jesus na batalha do Armagedom como sendo a “ceia do grande Deus” (Ap.19:17. Será uma grande carnificina, pois a própria Palavra nos afirma que todos os soldados envolvidos serão mortos, não haverá nenhum sobrevivente, com exceção do Anticristo e do Falso Profeta, numa matança sem precedentes na história da humanidade (Ap.19:21). Por isso, as Escrituras afirmam que o Senhor mandará todas as aves de rapina existentes para aquele local, a fim de que possam elas cumprir o seu papel ecológico de partícipes na “reciclagem” daquela matéria.
OBS: “…Esta passagem em foco é a consolidação do que foi predito por Jesus nas passagens de Mateus 24.28 e Lucas 17.37 respectivamente. Nestas duas passagens lemos o que segue: ‘ pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias’(…). Em realidade, nesse caso, as ‘águias’ são abutres, que os antigos aceitavam como uma raça de águia especial (Jô 39.30, Os.8.1). Plínio enfatiza isto em sua História Natural.(…). Aristóteles observa em seus escritos que este pássaro tem a capacidade de farejar a sua vítima a grande distância e que, com freqüência, acompanhavam os exércitos. Lemos também que, durante a guerra russa, grande número dessas aves se ajuntou na península da Criméia, e ali estacionou até o fim da campanha, nas cercanias do campo, embora, antes, dificilmente fossem vistas naquela parte do país. Também lemos que esses pássaros seguidores dos exércitos mortais, seguiram a Napoleão Bonaparte, nos campos gelados da Rússia….” (Severino Pedro da SILVA. Apocalipse versículo por versículo. 2.ed., p.251).
- É interessante observar que muitos chegaram a objetar esta passagem bíblica, mostrando que, com o aumento da tecnologia, as guerras seriam cada vez menos sangrentas e que poupariam cada vez mais vidas. Entretanto, não é o que se tem mostrado ao longo dos últimos anos. A invasão norte-americana do Iraque, por exemplo, que é a última ocorrência desta suposta “guerra limpa”, revelou que estamos longe, muito longe desta circunstância. Mais uma vez, podemos dizer com segurança: a Bíblia tem razão.
- Em sétimo lugar, o Anticristo e o Falso Profeta serão lançados vivos no lago de fogo e de enxofre. Eles serão os únicos sobreviventes da batalha do lado inimigo do povo de Deus, mas serão poupados apenas para servirem de supremo exemplo para os rebeldes e desobedientes à Palavra de Deus. A Bíblia diz que eles serão lançados vivos no lago de fogo e enxofre, que será, então, inaugurado (Ap.19:20). Se chamamos de “inferno” ao ardente lago de fogo e enxofre, temos de admitir que o “inferno” encontra-se vazio na atualidade, sem qualquer ser. Ele somente será inaugurado nesta ocasião, porquanto para que ele seja inaugurado, é mister que Deus execute a Sua justiça e, até o momento, Ele não o fez, nem mesmo em relação aos anjos caídos, que dirá em relação aos homens. Na Sua grande longanimidade, misericórdia e amor, Deus tem deixado para executar o juízo no final da história e o primeiro instante em que isto ocorrerá será, precisamente, quando da vinda de Jesus em glória. O Anticristo e o Falso Profeta, que se entregaram de corpo, alma e espírito a Satanás, que se deixaram, como nenhum outro ser humano em toda a história, se envolver e serem instrumentos do adversário, receberão a sua justa retribuição por este ato de insolência e serão lançados vivos no ardente lago de fogo e de enxofre.
- A Bíblia não afirma explicitamente quem o fará, mas cremos que será o próprio Jesus, em pessoa, que tomará esta providência. Dizemos isto baseados na narrativa bíblica a respeito de Josué, que, como sabemos, é um dos tipos de Cristo. Josué, o conquistador da Terra Prometida para Israel, representa Jesus precisamente neste aspecto militar, neste aspecto de conquistador e de vencedor sobre um inimigo que havia chegado à medida da injustiça (Gn.15:16). Ora, é dito que os reis dos povos derrotados por Israel sempre tinham suas vidas poupadas e eram trazidos pessoalmente à presença de Josué, que os justiçava, determinando a sua morte (Js.10:16-19,22-27). Assim, entendemos que o próprio Rei dos reis e Senhor dos senhores, que tem em Suas mãos as chaves da morte e do inferno (Ap.1:18 “in fine”), inaugurará o lago de fogo e de enxofre, ali lançando o Anticristo e o Falso Profeta.
- Temos aqui uma outra lição espiritual importantíssima para as nossas vidas: o destino da rebelião e do pecado não é outro senão a perdição eterna. De nada adianta o poder humano ou o poder advindo do diabo e de seus anjos, nada impedirá o senhorio de Cristo e a sentença de perdição que por Ele será proferida no dia do julgamento.
III - JESUS REINARÁ SOBRE ISRAEL E TODAS AS NAÇÕES POR MIL ANOS
- Os estudiosos da Bíblia denominam de “milênio” o período de mil anos em que Cristo governará pessoalmente toda a Terra, como vemos escrito explicitamente em Ap.20:4-6. A palavra “milênio”, que significa período de mil anos, não se encontra na Bíblia Sagrada, mas a expressão “mil anos” é explícita em Ap.20:4-7, de modo que não se pode, em absoluto, desmerecer-se a expressão por ela não constar literalmente na Palavra de Deus.
- Apesar de estar explicitado o período de mil anos apenas no capítulo 20 do livro de Apocalipse, sendo este um dos muitos fatores que somente foram revelados ao homem por Deus por ocasião da escrita deste livro, o fato é que a promessa de uma era de paz e de justiça entre os homens já se encontrava desde os primórdios da história humana. Várias profecias bíblicas do Antigo Testamento apontam para um período de justiça e de paz em Israel e em todas as nações. Aliás, o fato de estas profecias ainda não terem se cumprido é, como vimos no início deste trimestre, um dos principais elementos que nos indicam que tem de haver, ainda, na história humana, um período de paz e de justiça, a fim de que todas estas profecias se cumpram, pois, como sabemos, Deus vela pela Sua Palavra para a cumprir (Jr.1:12).
- O milênio é, portanto, o período de mil anos, que virá depois da Grande Tribulação, em que Jesus Cristo reinará sobre toda a Terra, como Rei dos reis e Senhor dos senhores. Será, também, Rei sobre Israel, ocupando o trono de Davi e instituindo um tempo de justiça e de paz sobre todas as nações. Será o melhor período da história de toda a humanidade.
- O milênio é o período em que Deus governará sem qualquer oposição toda a Terra, uma vez que o diabo estará preso e, portanto, não estará buscando ocasião para enganar o homem e fazer com que ele desobedeça ao Senhor. É importante observar que Deus sempre reina e está no controle de todas as coisas (I Cr.16:31; Sl.99:1), mas, durante o milênio, este domínio será exercido sem qualquer oposição por parte do diabo e de seus anjos, ou seja, as condições para que o homem sirva a Deus serão as mais amplas que já houve em toda a história da humanidade. A ausência de resistência e de oposição aos desígnios divinos trará inúmeros benefícios aos homens, alcançando-se, assim, a justiça e a paz que tantos desejam e que ninguém encontra.
- O milênio será uma nova dispensação, ou seja, uma nova forma de o homem se relacionar com Deus. O homem se relacionará com Deus através do governo pessoal de Cristo sobre a Terra, através da manifestação visível da justiça e do amor de Deus em todas as coisas. Enquanto, atualmente, Deus Se mostra aos homens através da Igreja, Deus Se manifesta através do reino de Deus que está em cada um dos salvos, naquela época o reino de Deus se mostrará através de todas as coisas: da Igreja glorificada, que participará do reino de Cristo juntamente com os mártires da Grande Tribulação; do culto ao Senhor no templo que será erigido em Jerusalém, o quarto templo (que já estudamos na lição 5 deste trimestre); da natureza, que deixará de ser maldita por causa do pecado do homem, mas passará a ser a expressão do amor e da soberania divinos e de Israel, que será, enfim, a nação sacerdotal, a propriedade peculiar de Deus dentre os povos.
- Logo em seguida à derrota do Anticristo e do Falso Profeta, as Escrituras nos revelam que o diabo, que já havia sido precipitado para a Terra no início da Grande Tribulação (Ap.12:9,10), sofrerá um outro golpe na sua interminável caminhada descendente: será lançado no abismo, onde ficará preso pelo período de mil anos (Ap.20:1-3). A Bíblia nos informa que um anjo tomará esta providência, não se identificando que anjo será. Há quem diga que se trate de Miguel, mas isto é apenas especulação, até porque, quando da precipitação do diabo sobre a terra, o nome de Miguel foi mencionado e aqui não o é. Pode-se, mesmo, entender que não seja Miguel, porque Miguel sempre é mencionado na Bíblia nominalmente ou como arcanjo e nunca como “um anjo”, como consta em Ap.20:1. Ademais, o fato de um anjo que não Miguel prender o diabo e o selar é a demonstração cabal da perda de poder e de posição por parte do ex-querubim ungido, uma mostra clara e evidente de sua decadência, o que, aliás, é resultado do que lhe foi vaticinado pela própria Palavra do Senhor (Is.14:13-19).
- É interessante observar que esta é ocasião em que a Bíblia diz que o diabo será amarrado, de modo que não é correto que se fale, como se costuma por aí, que o diabo deve ser amarrado pelos servos do Senhor. O diabo somente será amarrado, e por mil anos, por ocasião do início do Milênio (Ap.20:2). Conforme afirmam alguns estudiosos da Bíblia, esta expressão significa que o diabo ficará imóvel, sem qualquer ação, sem condição de “andar pela terra e passear por ela”, como é seu costume (cfr. Jó 1:7, 2:2). Os servos do Senhor, na atual dispensação, não devem amarrar o diabo ou os seus agentes, mas, sim, resistir-lhes (Tg.4:7) e expulsá-los em nome de Jesus (Mt.10:8; Mc.16:17). O diabo será amarrado por um anjo e somente será definitivamente derrotado pelo próprio Jesus, a Quem incumbe com exclusividade esmagar a cabeça da antiga serpente (Gn.3:15; Rm.16:20).
OBS: “…O fato de os dois [Anticristo e Falso Profeta, observação nossa] serem lançados vivos (‘vivos’) no lago de fogo significa, para alguns comentaristas, que não poderão ser (‘homens ordinários’), e, sim, seres demoníacos que se apresentarão como homens. Mas a verdade é que serão homens, embora possuídos por Satanás….” (Severino Pedro da SILVA. Apocalipse versículo por versículo. 2.ed., p.250).
- Quando vemos o juízo de Deus sobre o primeiro casal, por causa do pecado, notamos outras conseqüências do pecado além da morte espiritual, isto é, da separação entre Deus e o homem, o que se resolveu com o sacrifício vicário de Cristo no Calvário. O pecado gerou uma situação de injustiça, de desigualdade entre os homens. Como explica a Bíblia, todo pecado é iniqüidade (I Jo.5:17) e, por causa do pecado, a começar da família, foi gerada uma situação de domínio egoístico entre os homens. Portanto, para que Jesus desfaça todas as obras do diabo, é necessário que se instale, ainda nesta Terra, um governo de justiça, de eqüidade, um governo onde não haja dominação egoística e exploradora de homens sobre homens. Por isso, é necessário que haja o Milênio, para instaurar, nesta Terra onde vivemos, a justiça entre os homens.
- Mas não foi apenas a injustiça que foi obra do diabo, mediante a entrada do pecado entre os homens. Por causa do pecado, como dissemos, surgiu a injustiça e, com ela, a competição, o egoísmo, que é o fator que gera o ódio e a violência. Não demorou muito e Caim matou o seu próprio irmão e, daqui a pouco, a violência sobre a face da Terra se generalizou tanto que Deus resolveu destruir toda a humanidade de então (Gn.6:5). A violência, portanto, tem de ser desfeita, tem de ser banida, ainda nesta Terra, para que se diga que Jesus desfez as obras do diabo. Por isso, faz-se preciso que se institua um reino de paz, um reino onde não haja guerras nem violência. Este reino é o Milênio.
- Diz a Bíblia, porém, que, além da injustiça e da violência, o pecado também trouxe a maldição sobre a Terra. Toda a criação geme por causa do pecado e aguarda a sua redenção (Rm.8:20-22). A natureza, que foi deixada aos cuidados do homem (Gn.1:26), sofreu as conseqüências do ingresso do pecado na humanidade, passando a produzir espinhos e cardos(Gn.3:17) e, o que é pior, sendo cada vez mais desrespeitada e degradada pelo homem. Por isso, se Jesus veio desfazer as obras do diabo, tem, também, de promover a redenção da natureza, de restaurá-la, de retirar-lhe a maldição e, por isso, tem de haver o milênio.
- Mas, entre outras coisas que sempre foram tentadas pelo diabo, está a de impedir que Israel existisse como nação e, mais, que cumprisse com o seu propósito de ser a nação sacerdotal do Senhor, de ser a principal nação do mundo e instrumento de adoração do mundo a Deus(Ex.19:5,6). O diabo sempre lutou contra Israel, por mais de uma vez, como tivemos ocasião de estudar neste trimestre, armou ciladas para destruir o povo formado e escolhido por Deus, sem êxito. Mas, também, durante toda a história, jamais Israel atingiu a proeminência de nação mais importante do mundo, nem cumpriu o propósito de ser o instrumento de adoração a Deus para as demais nações. Assim, se o diabo não conseguiu destruir Israel, também impediu que Israel cumprisse o seu propósito. Por isso, faz-se necessário que Israel seja colocado como principal nação do mundo e seja o meio pelo qual as demais nações adorem a Deus, cumprindo seu fim de nação sacerdotal. Por isso, é necessário que haja o milênio, para que Israel cumpra o seu propósito de nação sacerdotal.
- Ainda com relação a Israel, Deus prometeu que Israel teria um governo eterno, que seria regido pela casa de Davi para sempre (II Sm.7:16; Lc.1:32,33). Ora, como Deus é fiel, faz-se necessário que o trono de Davi seja restabelecido e que haja um reino terreno e literal em Israel do descendente de Davi, um reino, ademais, que não tenha fim. Por isso, Jesus tem de assumir o trono de Davi, ocupar a posição literal de rei de Israel, ainda que este reino seja eterno e, portanto, ultrapasse a dimensão do tempo. Por isso, terá de haver o Milênio, para que Deus cumpra o que prometeu no chamado “pacto davídico” e que, inclusive, foi reclamado pelos próprios discípulos de Jesus antes da Sua ascensão (At.1:6).
- Ao ser vitorioso sobre a morte e o pecado, Jesus disse aos Seus discípulos que Lhe tinha dado todo o poder no céu e na terra (Mt.28:18). Ora, se Jesus tem todo o poder, é mister que venha, também, a exercer o poder político sobre a Terra, pois o poder político é parte deste poder que Lhe foi dado, já que todas as autoridades são constituídas por Deus (Rm.13:1). Tendo todo o poder, é necessário que Jesus o exerça pessoalmente, sem qualquer delegação, até porque os delegados que o têm exercido desde o início do governo humano, têm-no feito por permissão divina e sob o signo da rebelião, que é resultado do pecado introduzido no mundo por indução de Satanás. Assim, é necessário que Jesus seja, efetivamente, de fato e de direito, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, o que ocorrerá no Milênio.
- Por ter todo o poder no céu e na Terra, Jesus tem de ser exaltado soberanamente sobre todo o nome (Fp.2:9), sendo necessário que todo o joelho dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai (Fp.2:11). Ora, no céu, ao retornar triunfante, Jesus já foi glorificado e adorado, como, aliás, vemos na descrição belíssima dos capítulos 4 e 5 do livro do Apocalipse. Posteriormente, foi glorificado e louvado pela Sua Esposa, a Igreja glorificada, que comprou com o Seu próprio sangue, após o arrebatamento da Igreja e durante as bodas do Cordeiro. Faz-se necessário que seja exaltado e adorado pelos homens que estão na Terra, para depois, por ocasião do juízo do trono branco, ser exaltado e reconhecido por aqueles que morreram e não participaram da primeira ressurreição. Esta exaltação na Terra somente se pode dar mediante o Seu governo pessoal, ou seja, no Seu reino milenial.
IV - JESUS VENCERÁ A REBELIÃO FINAL, JULGARÁ OS VIVOS E OS MORTOS E ESTABELECERÁ O ESTADO ETERNO, SUJEITANDO-SE AO PAI
- Quando os mil anos se cumprirem, Deus continuará a execução de Seu plano para o homem. O diabo ainda não terá sido executado, pois foi mantido apenas aprisionado por um tempo, o tempo suficiente para que todas as suas obras malévolas fossem desfeitas por Cristo Jesus. Entretanto, como tudo está no controle do Senhor e como Ele é o único soberano, o diabo ainda executará um serviço para Deus, que será o de testar a fidelidade dos homens que nasceram durante o Milênio.
- Uma vez solto, Satanás mostrará que não alterou seu caráter de forma alguma, mesmo depois da violenta derrota que lhe foi infligida pelo Senhor Jesus ao término da Grande Tribulação. Assim como antes de sua prisão, o diabo sairá, novamente, a rodear a terra e passear por ela e, mais uma vez, fará o que lhe é próprio, ou seja, mentir, vindo a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra (Ap.20:8).
- Enganados pelo diabo, que certamente convencerá as nações a guerrearem contra Israel e a se libertarem do que dirá ser uma indevida submissão à nação sacerdotal, fará com que, uma vez mais, sejam formados exércitos e efetuados gastos militares, bem como que seja feita uma expedição militar para destruir Israel. O diabo, mesmo tendo sido fragorosamente derrotado mil anos antes, voltará a insistir na sua tese de destruir Israel, de “lançá-lo ao mar”. Retornará, com toda a sua ênfase, o antigo anti-semitismo e se propagandeará uma era de alegria e prosperidade ainda maiores que o período então vivido, desde que não seja mais necessário levar os tributos a Israel, desde que seja debelado o domínio que Israel tem contra as nações.
- Os exércitos das nações rebeldes serão uma vez mais congregados contra Israel. O diabo, na sua fúria e cegueira, mal sabendo que serve apenas de instrumento nas mãos de Deus para julgar aqueles que, apesar de todo o bem recebido, não resistirão à indução de Satanás e se rebelaram contra Deus, cerca o lugar santo, que é a porção central da terra de Israel, dentro da qual se encontra o templo. Não haverá qualquer resistência por parte de Israel, porque Israel não terá exército neste tempo, vez que estará integralmente dedicada ao serviço sacerdotal. Também não haverá qualquer apóstata entre o povo de Israel, pois se estará diante do remanescente que é salvo, formado só de justos e sem qualquer pecado. Quando os rebeldes tiverem cercado o lugar santo e se prepararem para o que pensam ser o assalto final, o próprio Deus Se encarregará de pelejar pelo Seu povo, descerá fogo do céu e consumirá a todos os rebeldes, de uma só vez (Ap.20:9).
OBS: ” …O comandante do norte na sua invasão a Terra Santa não chegou a cercar “…o arraial dos santos (Israel) nem “…a cidade amada” (Jerusalém), mas foi derrotado por Deus nas montanhas da Judéia e, ainda por um ato de misericórdia divina, teve ‘um lugar de sepultura’ ao oriente do mar Morto (Ez.39.11) [isto na guerra de Gogue e Magogue, observação nossa]. Nesta seção, porém, Gogue e Magogue aqui repreentados, serão tragados por fogo que ‘desceu do céu’ e os devorou….” (Severino Pedro da SILVA. Apocalipse versículo por versículo. 2.ed., p.257).
- Neste mesmo instante, o diabo será, finalmente, executado e fará companhia ao Anticristo e ao Falso Profeta no lago de fogo e enxofre, onde serão atormentados para todo o sempre (Ap.20:10). Após ter cumprido o último propósito divino para si, o diabo será executado, pois condenado já foi desde o dia em que se achou iniqüidade nele, quando ainda estava no chamado Éden mineral (Ez.28:15). Vemos, portanto, quão mentiroso é o inimigo, que tem enganado a muitos, dizendo-se ter domínio sobre algo ou alguma coisa, quando, na verdade, apenas está a rodear a terra e passear por ela por permissão divina, porque, com isso, está tão somente a servir ao plano de Deus. Quando não houver mais esta serventia, o diabo será simplesmente retirado do cenário deste universo, sendo, então, executada a sentença de sua condenação. Como diz o pastor Antonio Gilberto, “…sua carreira nefanda termina aí, após um rastro de muitos milênios de males de toda espécie perpetrados contra a humanidade…” (O calendário da profecia: conhecendo o fim dos tempos e o tempo do fim, p.109).
- O julgamento final é chamado de “juízo do trono branco” porque a narrativa bíblica se inicia com a visão de um “grande trono branco”, seguida da fuga da presença da terra e do céu (Ap.20:11). Ocorrerá depois do término do reino milenial de Cristo e, na Bíblia, este julgamento é explicitamente mencionado, pela primeira vez, por Daniel (Dn.7:9,10), sendo algo que era de pleno conhecimento dos judeus, como mostra Marta, irmã de Lázaro, quando se dirigiu ao Senhor quando Este chegou a Betânia quatro dias após a morte de Seu amigo (Jo.11:24).
- Instalado o tribunal, ante o grande trono branco, onde estará assentado Aquele que julgará os vivos e os mortos, ou seja, Jesus Cristo, serão chamados os réus, que são todos os homens e mulheres que ainda não tiverem sido julgados até então, ou seja, aqueles que não tomaram parte na primeira ressurreição e os que não foram submetidos ao julgamento das nações antes do início do Milênio (os que ficaram vivos no início do Milênio, sobreviventes da Grande Tribulação).
- É importante observar que a Bíblia diz que Jesus julgará os vivos e os mortos (II Tm.4:1; I Pe.4:5), pois, além dos mortos de todas as épocas que serão ressuscitados nesta oportunidade, também serão levados a julgamento as pessoas que estiverem vivas e assim se mantiverem por ocasião do término do Milênio, pois não serão todos os homens que se rebelarão contra o Senhor e contra Israel na rebelião final. Estas pessoas não terão morrido e compõem os vivos mencionados nos textos sagrados referidos.
- Após este julgamento, quando se iniciar o chamado Estado Eterno, Jesus, Senhor de todas as coisas, Reto e Supremo Juiz, demonstrando toda a Sua Deidade, submeter-Se-á ao Pai e, assim, todas as coisas serão congregadas em Deus, que será tudo em todos (I Co.15:27,28). Ter-se-á, então, completado a obra do Verbo de Deus que Se fez carne e, para sempre, viveremos com Ele na Jerusalém celestial, nos novos céus e terra. “Não almejas, viver, ó amigo, nessa formosa Jerusalém?” (quarta estrofe do hino 26 da Harpa Cristã, da autoria de Emílio Conde).
BIBLIOGRAFIA DO TRIMESTRE
A bibliografia diz respeito aos estudos de todo o primeiro trimestre de 2008, não contendo bíblias e bíblias de estudo consultadas, bem assim textos esporádicos, notadamente fontes eletrônicas, cujas referências foram dadas no instante mesmo de suas utilizações.
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CARVALHO, Ailton Muniz de. O Cristo desconhecido dos judeus, da ciência, da história e até mesmo dos ‘cristãos’. Suzano: Resugil, 2004. 255p.
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Prof. Dr. Caramuru Afonso Francisco é Presbítero na Assembléia de Deus, Belenzinho - São Paulo, professor de Escola Bíblica Dominical e colaborador do Portal Escola Dominical.
Publicado no Portal EscolaDominical


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ANDRÉA Escreveu:
A PAZ DO SENHOR!!!
ÓTIMO ESTUDO!! BEM SIMPLIFICADO PARA TIRAR ALGUMAS DÚVIDAS!!!
QUE DEUS CONTINUE CADA VEZ MAIS LHE ABENÇOANDO.
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oiiiiiiiiii mui bom a lição Escreveu:
otima mençagem
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pbaminadabe cortez Escreveu:
comentario riquicimo em conhercimento espirital,q DEUS POSSA SEMPRE ABENÇOA CD VEZ MAS A TDS VCS.
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