Contribuição Cristã
Texto-base: 1 Co 9.1-15
Todo crente deve contribuir para a obra do Senhor. Existe uma grande necessidade de recursos para realizar a obra de expansão do reino de Deus. Estes recursos, Deus os dá aos crentes, para que contribuam e se tornem, assim, participantes ou colaboradores da obra do Mestre.
Devemos contribuir com desprendimento, pois tudo Pertence a Deus, nada é nosso.
Somos apenas mordomos do que Ele nos dá. Assim, devemos contribuir com gratidão, pois nada nos pertence, mas a Deus. Quando nascemos, nada trouxemos para este mundo. Quando partirmos, nada levaremos. Neste intervalo, tudo é um empréstimo de Deus (1 Tm 6.7).
Abraão deu o dízimo, pois reconheceu que o Senhor é o Possuidor dos céus e da terra (Gn 14.19,20). Equivocadamente, muitas vezes se fala sobre “os dízimos” de Abraão (plural), quando na verdade, este patriarca deu apenas um dízimo (uma vez) e nem foi de sua renda, de seu gado, suas ovelhas ou plantações; ele deu o dízimo dos despojos de guerra que conquistou (Hb 7.4). Se quisermos afirmar que o dízimo não foi instituído pela Lei de Moisés, mas por Abraão, deveríamos dar o dízimo somente uma vez na vida e de um valor extra que, porventura, recebêssemos, não de nossa renda – este é o padrão abraãmico de dízimo.
Toda a terra é do Senhor (Sl 24.1; Ex 9.29; 19.5; Dt 10.14; 1 Co 10.26). Logo, quando ofertamos a Deus estamos apenas devolvendo-lhe uma parte do que Ele nos confiou, como reconhecimento e gratidão a Ele.
Devemos contribuir por amor
O crente vive debaixo da lei do amor (Rm 13.8-10; Gl 5.14; Mt 22.40). O amor de Cristo nos constrange a viver agora para Ele (2 Co 5.14,15) e isto inclui as nossas finanças. Demonstramos este amor a Deus através da nossa entrega a Ele, inclusive nas ofertas (2 Co 8.5).
Um verdadeiro exemplo de contribuição vem dos crentes da Macedônia, que contribuíram com amor, mesmo estando em situação deplorável (2 Co 8.2-9). Jesus mesmo afirmou que melhor é dar que receber (At 20.35).
A motivação para contribuirmos não deve ser o temor. Algumas vezes, infelizmente, os crentes são ameaçados, chamados de ladrões (com base em Ml 3.8, um texto referente à Lei de Moisés), para que contribuam.
Não devemos contribuir por ganância. Algumas vezes, os crentes são estimulados à contribuição com promessas de prosperidade, lucros abundantes e riquezas. Nada disto deve levar o povo de Deus a contribuir, mas o amor a Deus e à sua obra é que deve levar-nos a ofertar ao Senhor, de coração.
Devemos contribuir voluntariamente
Desde o Antigo Testamento, Deus quer que as contribuições sejam dadas voluntariamente (Ex 35.5, 29; 1 Cr 29.9; 2 Co 8.3; 9.7), pois Ele não está interessado em dinheiro dado de má vontade (2 Co 9.5). Paulo deixa claro, ao escrever aos crentes de Corinto, que isto não era mandamento de Deus (2 Co 8.8), mas uma obrigação moral para atender a uma urgente necessidade de outros irmãos, pois outras igrejas estavam contribuindo. Não se pode obrigar, coagir ou constranger alguém a contribuir. Seja para participar do rol de membros, do ministério ou para ter cargos na igreja, nada disto vale para Deus, que quer espontaneidade. A contribuição é pessoal e quanto cada um dá é algo entre ela e Deus. Nem no Antigo Testamento há registros de listas de contribuição, dízimos declarados, etc.
Jesus disse aos fariseus que deveriam dizimar (Mt 23.23), mas esta orientação não foi dada à igreja. É preciso muito cuidado ao fazer-se uso de versículos isolados para impor mandamentos à Igreja, para não incorrer-se em graves erros. Tomando este mesmo princípio de interpretação, poderíamos afirmar que:
• Todo homem que for curado deve mostrar-se a um sacerdote (Lc 5.14)
• Para ser curado, o crente deve banhar-se em um tanque (Jo 9.7).
• Todo homem que tem posses, ao aceitar Jesus deve dar tudo aos pobres (Mt 19.21).
Em todos estes casos Jesus apresentou soluções da Lei para aqueles que viviam sob a Lei (Rm 3.19), não sob a Nova Aliança, que promove uma nova vida (Rm 7.6). Não podemos instituir, com base nestes versículos, mandamentos para a igreja. Jesus não elogiou o fariseu que dizimava para mostrar-se justo (Lc 18.11-14), mas o publicano que se humilhou voluntariamente.
No capítulo sete de Hebreus, o autor fala dos dízimos, mas o verso 12 diz que o novo sacerdócio (de Cristo) implica em mudança de lei. Richards afirma: “Nenhuma passagem do NT impõe o dízimo como uma obrigação aos cristãos” (pág. 103).
Vemos poucas citações de dízimo na Bíblia: 42. Muitas de ofertas: 596.
Devemos contribuir de acordo com nossa renda
Devemos contribuir de acordo com as nossas posses e rendas. Não tem maior valor o que dá mais, mas o que dá de coração segundo o que tem (Lc 21.2-4).
O dízimo no NT não tem a força prescrita de lei, mas é apenas um referencial para contribuição. Entretanto, não deve ser tomado como padrão único de contribuição. Um crente que ganha um salário mínimo e que deve sustentar uma família de quatro pessoas, fará um grande sacrifício para dar 10% de sua renda. No entanto, outro crente que ganhe 100 vezes mais, poderá sustentar sua família com abundância e ainda contribuir com pelo menos 20% de sua renda.
Cada um deve contribuir segundo o que tem (2 Co 8.3,12; At 11.29). Ou seja, um valor que esteja dentro do orçamento doméstico. Embora, em ocasiões específicas, para atender a necessidades urgentes, pode-se contribuir além do que se pode (Mc 12.42-44; 2 Co 8.3). Dar ofertas muito aquém das posses é ofertar algo que não custa nada e mostra somente apego às riquezas (2 Sm 24.24). Aquele que contribui deve dar com liberalidade (Rm 12.8).
Devemos planejar as nossas contribuições
As contribuições devem ser planejadas, de acordo com as nossas rendas. Devemos logo que recebemos a nossa renda ou salário, separar a parte do Senhor e não deixar por último, se sobrar. As primícias, ou seja, a primeira parte deve ser do Senhor (Pv 3.9)
Paulo orienta a igreja em Corinto a preparar de antemão as suas contribuições (2 Co 9.5). Muitos crentes não conseguem contribuir com o que gostariam porque não separam prontamente a sua oferta e, devido às suas muitas obrigações, acabam gastando seu dinheiro e contribuindo apenas com as sobras.
O apóstolo também recomenda a dar segundo propôs no coração (2 Co 9.7), ou seja, definir o valor da oferta e programar-se para realizar isto.
Uma forma eficaz de separar as ofertas, principalmente para aqueles que são autônomos, é separar o valor a ser ofertado, no início de cada semana (1 Co 16.2).
Deus abençoa aquele que contribui
Quando contribuímos de coração ao Senhor, Ele nos recompensa. Esta recompensa de Deus não deve ser considerada unicamente como bênçãos materiais. Barnabé, por exemplo, vendeu um campo que tinha e deu todo o dinheiro aos apóstolos (At 4.36,37). Foi uma oferta voluntária – que não tem nenhum referencial no dízimo da Lei – que certamente não ficou sem recompensa. Mas a Bíblia não fala de riquezas que este servo de Deus tenha alcançado.
Nossa motivação para contribuir não deve ser a recompensa, pois isto seria apenas expressão da ganância, como se estivesse emprestando a Deus para receber com juros (Lc 6.34,35), pois se Ele nos abençoa, é para podermos contribuir mais (2 Co 9.8).
O que semeia pouco, pouco colherá (2 Co 9.6,10). O que oferta com desprendimento e liberalidade, alcançará mais bênçãos, para poder contribuir mais ainda.
Quando ofertamos generosamente, estamos plantando a semente da generosidade e vamos colher seus frutos (Gl 6.7; Lc 6.38). Deus nos abençoa e supre as nossas necessidades, como Paulo afirmou aos crentes em Filipos (Fp 4.19).
Somos abençoados também pelas orações dos que recebem a ajuda proveniente das nossas contribuições (2 Co 9.14).
Principais propósitos para contribuição:
• Ajuda aos necessitados (1 Jo 3.17; Tg 2.14-17). A igreja foi chamada também para socorrer os necessitados, como forma de demonstrar o amor de Deus. Infelizmente, apenas uma pequena parte dos recursos da igreja tem sido dedicada hoje a este fim, diferentemente do que fazia a igreja primitiva. Poucos ministros tem se lembrado dos pobres, como fez o apóstolo Paulo (Gl 2.10).
• Sustento dos obreiros (1 Tm 5.17,18; Fp 4.15; 2 Co 11.8; 12.13; 1 Co 9.7-14; Lc 8.3; Jo 13.27-29). Tanto na igreja local, como no envio de missionários, aqueles que são chamados para uma dedicação exclusiva para a obra de Deus, são dignos do seu sustento. Porém, as igrejas gastam muito mais com construção de suntuosos templos do que com o envio de missionários e sustento de obreiros no interior do nosso país.
• Manutenção da obra de Deus. Esta manutenção não é propriamente construir grandes templos, ajuntar patrimônio, mas proporcionar as condições para o crescimento do reino de Deus: evangelização, equipamentos de som, etc. A igreja não precisa de templos caros, mas de locais simples, porém apropriados para suas reuniões.
Obras Consultadas:
RICHARDS, Lawrence, O. Guia do Leitor da Bíblia. 2ª edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2005.
RYRIE, Charles C. Como Pregar Doutrinas Bíblicas. São Paulo: Mundo Cristão, 2007.
WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. Santo André: Geográfica, 2006.
Publicado no blog Doutrinas Bíblicas



Parábens pelo artigo. A Igreja precisa de estudos assim para se prevenir contra os falsos pastores que querem apenas extorquir os fiés, prejudicando a moral dos evangélicos.
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