Dízimos e Ofertas - Uma Disciplina Abençoadora - Pb. José Roberto A. Barbosa
Texto Áureo: Ml. 3.10 – Leitura Bíblica em Classe: Ml. 3.7-12
Pb. José Roberto A. Barbosa
jotaroberto@uol.com.br
Objetivo: Motivar os crentes à contribuição, por meio de dízimos e ofertas, como uma das disciplinas abençoadoras do viver cristão.
INTRODUÇÃO
A contribuição é uma das disciplinas fundamentais da prática cristã, que precisa ser mais cultivada. Infelizmente, em alguns casos, tem sido bastante má compreendida no seio da igreja evangélica. Ciente disso, mostraremos, na lição de hoje, o que a Bíblia diz a respeito de dízimos e ofertas e como exercitar essa benção numa perspectiva de graça e não de lei.
1. DÍZIMOS E OFERTAS NA BÍBLIA
O dízimo (maaser, em hebraico e dekato, em grego) corresponde à décima parte do produto da terra, a qual, deveria ser separada e consagrada a Deus, e isso, antes mesmo dos tempos de Moisés. Abraão pagou dízimos a Melquisedeque (Gn. 14.20; Hb. 7.6) e Jacó votou ao Senhor que lhe daria o dízimo (Gn. 28.22). A lei fora estabelecida a esse respeito, pela primeira vez, somente em Lv. 27.30-32. Posteriormente, algumas leis complementares foram adicionadas para que os israelitas entregassem seus dízimos (Nm. 18.21-24, 26-28; Dt. 12.5,6,11,17; 14.22,23). O pagamento dos dízimos era parte constitutiva da adoração judaica. Nos dias do rei Ezequias, como resultado da reforma religiosa, as pessoas traziam, com ânimo, os seus dízimos ao Templo do Senhor (II Cr. 31.5,6). Por isso, a negligência quanto a esse dever era fortemente combatida pelos profetas de Israel (Am. 4.4; Ml. 3.8-10). Em seus diálogos com os religiosos de sua época, Jesus recomendou que eles perpetuassem a prática do dízimo, mas que não deveriam desprezar a justiça, a misericórdia e a fé (Mt. 23.23; Lc. 11.42). Ainda que o dízimo tenha deixado de ser uma lei para os cristãos, ele se manteve, inclusive, como medida de proporcionalidade para a igreja (I Co. 9.13,14). Ao mesmo tempo, ninguém mais deva ser coagido, nem mesmo chamado de “ladrão”. O dízimo, para aqueles que amam ao Senhor, deva ser entregue em graça, com liberalidade e alegria (v. 7). Isso também se aplica em relação às ofertas, a respeito das quais, Jesus ensinou que deva ser produto de uma vida de desapego às coisas materiais (Lc. 21.1-4). As contribuições cristãs, por conseguinte, fazem parte de um estilo de vida, que abrange os diversos aspectos da existência, inclusive o cuidado com os necessitados (II Co. 8.3-5).
2. O CRISTÃO E O DINHEIRO
A contribuição cristã, indubitavelmente, está atrelada a um estilo de vida com o qual os cristãos se acostumaram. E, como estamos estudando as disciplinas da vida cristã, não podemos deixar de abordar a questão do dinheiro, sendo esse fundamental à aplicação, já que essa repercute diretamente na prática dos dízimos e das ofertas. Vejamos, a princípio, o que diz Jesus em Mt. 6.24: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”. O dinheiro, de acordo com o ensinamento do mestre, nada tem de sagrado. Ele serve apenas para o suprimento das necessidades fundamentais à existência humana. Como cristãos, devemos aprender a depender da providência divina e a não vivermos preocupados como fazem os pagãos (Mt. 6.25-34). O triunfalismo ufanista que solapa as igrejas evangélicas brasileiras não tem fundamento bíblico. O ensinamento de Cristo, bem como o de Paulo, é que aprendamos a viver contentes, pois o amor ao dinheiro, definitivamente, é a raiz de todos, não apenas de alguns, males (I Tm. 6.6-10; ver também Hb. 13.5). Paulo nos deixa o exemplo, afirmando que sabia viver satisfeito, fosse nos momentos em que tinha com fartura ou na escassez (Fp. 4.6-13).
3. DÍZIMO E OFERTAS, UMA BENÇÃO
É comum ouvirmos, principalmente nos programa televisivos, os pregadores exortarem aos fieis a entregarem os seus dízimos. Alguns, mais ousados, já estão orientado aos “telefiéis” que enviem seus dízimos para os seus programas, via depósito bancário, uma atitude antiética em relação aos pastores locais. Como se isso não fosse o bastante, ainda lançam maldições sobre aqueles que não são dizimistas. Dizem que se assim não o fizerem, uma série de mazelas acompanharão suas vidas. Com medo de serem amaldiçoados, muitos fieis entregam os seus dízimos, e, em circunstâncias extremas, até mais do que isso. Não que haja um problema per si em contribuir e em dar o dízimo ou mais do que isso se o cristão julgar necessário. O problema, nesse particular, está na forma como as pessoas estão sendo orientadas a contribuir. Alimentam uma espécie de barganha com Deus com vistas a adquirirem sempre mais. Entregar o dízimo, nessa perspectiva, seria o mesmo que aplicar em ações rentáveis da bolsa de valores. Devemos ter cuidado com essa abordagem que nada tem de cristã. Devemos ser levados a contribuir com nossos dízimos e ofertas como forma de gratidão e adoração a Deus. Ele não precisa mais nos provar coisa alguma, pois só precisam de provas aqueles que não aprenderam a viver pela fé, que vivem por vista. Deus já provou seu amor para conosco quando nos deu o que tinha de mais precioso, Seu Filho Jesus Cristo em sacrifício pelos nossos pecados (Rm. 5.8).
CONCLUSÃO
A justiça do cristão deve exceder a dos escribas e fariseus (Mt. 5.20) porque, diferentemente daqueles, não agimos por motivações exteriores. Aqueles que o fazem já receberam a sua recompensa, por isso, aqueles que dizimam ou ofertam para aparecer, ou mesmo para enriquecerem, não pensem que estão agindo em conformidade com os princípios cristãos (Mt. 6.2). A entrega dos dízimos e ofertas é uma oportunidade abençoadora para adorar a Deus devolvendo parte daquilo que Ele anteriormente nos deu. É uma disciplina cristã porque demonstra, para nós mesmos, que não fiamos nossa confiança nas riquezas e que somos capazes de nos desprender do dinheiro, cientes de que temos um tesouro mais precioso nos céus (Mt. 6.19-21). Isso faz toda a diferença no tratamento do cristão em relação às posses materiais, e assim fazendo, dizimar será sempre graça e nunca lei (Gl. 5.18,23).
BIBLIOGRAFIA
LIMA, P. C. Dizimista, eu? Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
WHITE, J. Dinheiro não é Deus. São Paulo: ABU, 1996.
Publicado no blog Subsídio EBD



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