Vencendo as Tentações: Agradando a Deus - Pr. Claudionor de Andrade
Leitura Bíblica em Classe
Tg 1.-12,18
Introdução:
I. O que é a tentação
II. O agente da tentação
III. Por que o ser humano é tentado
IV. Como vencer a tentação
Conclusão:
Título deste subsídio: O lugar do Diabo na tentação de Jó
Autor deste comentário: Pr. Claudionor de Andrade
Palavras-chaves:Tentação; Provação
Introdução
Ao contrário dos dramas produzidos pelos antigos gregos e romanos, o antagonista, no relato histórico e real de Jó, nem merece tal epíteto; é o personagem que menos significância possui. Tanto é que o patriarca, em todos os seus discursos, não se refere ao Diabo uma única vez. Sem este, todavia, a história de Jó ficaria incompleta. Afinal, o adversário existe, e a sua missão é matar, roubar e destruir (Jo 10.10). E não devemos menosprezar-lhe os ardis; combatamo-lo com a autoridade que temos na Palavra de Deus.
Conquanto não ignorasse a existência de Satanás, sabia Jó perfeitamente, que o maligno nada intentará contra os fiéis sem a expressa permissão do Todo-Poderoso. Por conseguinte, não temos de ficar ansiosos nem amedrontados: nossas vidas acham-se escondidas em Cristo (Cl 3.3). Ainda que o mesmo inferno se levante contra nós, mal algum nos haverá de acometer sem que Deus o permita. Aleluia!
I. O DIABO INTROMETE-SE NAS REGIÕES CELESTES
Jó é um dos livros da Bíblia que mais nos mostra como age o Diabo nas regiões celestes. Embora expulso de lá (Ez 28.16), apresenta-se ele, de quando em quando, diante do Senhor, a fim de acusar os santos. É o que inferimos de Apocalipse 12.10 e das porções de Jó que vimos estudando. A Palavra de Deus declara, mas não esclarece, o mistério da permissão divina quanto ao acesso de Satanás às regiões celestiais. Certamente isso reflete o contido em Deuteronômio 29.29.
1. Satanás calunia Jó diante de Deus. Em duas ocasiões distintas, imiscui-se o Diabo no céu para desafiar a Deus quanto à fidelidade, à retidão e à postura de Jó (1.6; 2.1). Certamente o inimigo já vinha caluniando-o há bastante tempo por haver concluído fosse-lhe a integridade uma mera transação comercial. Ora, se o patriarca recebia tanto de Deus, por que não lhe ser fiel? Então, recebe o adversário permissão do Senhor para destruir tudo quanto Jó possuía. E, assim, passa a arruinar o varão de Ur; num único dia, arruina-o completamente.
Como não conseguisse induzir Jó à apostasia, conclui o adversário que, cancerando-o do alto da cabeça à sola dos pés, iria o patriarca, indubitavelmente, blasfemar do santo nome de Deus (Jó 2.4,5). Uma vez mais demonstra o Diabo pouco entender da atuação da natureza divina na vida de um homem que, sem reservas, entregara-se ao Senhor. Mesmo reduzido ao desprezo humano, Jó adora a Deus (Jó 2.10).
2. Jó envergonha o adversário. Acredito que, desde o dilúvio, não havia o tentador ainda se deparado com alguém tão íntegro e reto quanto Jó. Seria possível um outro Abel? Um novo Enoque? Ou um sósia de Noé? Como o demônio estava enganado! Estava ali um homem com o amor e o desprendimento de Abel, com a resolução de Enoque e com a inteireza de Noé. Era o patriarca um dos varões mais piedosos de todos os tempos (Ez 14.20). Além disso, contava ele com o testemunho do próprio Deus (Jó 2.3).
II. JÓ TIRA SATANÁS DE CENA
De uma feita, alguns literatos reunidos na universidade inglesa de Oxford, puseram-se a debater acerca do Livro de Jó. Entre outras coisas, disseram que somente um gênio semelhante ao de William Shakespeare poderia ter produzido uma obra semelhante àquela. Todavia, duas coisas intrigavam-nos. Ao contrário das peças de Shakespeare, tem o Livro de Jó um final surpreendentemente feliz. Além disso, como explicar o fato de o antagonista da história desaparecer logo no terceiro capítulo?
Outro dramaturgo trabalharia o antagonista até o epílogo. No entanto, o autor sagrado mostra que, mesmo com o Diabo fora de cena, a história não perde o ritmo nem o clímax. Ao contrário: ganha intensidade e beleza.
Após o capítulo dois, só temos uma inferência ao Diabo: “Então, um espírito passou por diante de mim; fez-me arrepiar os cabelos da minha carne; parou ele, mas não conheci a sua feição” (Jó 4.15,16). Esta observação, todavia, não é de Jó; pertence a Elifaz que, vindo para consolar o patriarca, fora influenciado pelo maligno para atribulá-lo.
Nenhuma referência faz Jó ao adversário. No auge da dor, atribui todo o seu sofrimento ao Todo-Poderoso:
“Porque as flechas do Todo-Poderoso estão em mim, e o seu ardente veneno, o bebe o meu espírito; os terrores de Deus se armam contra mim. E que Deus quisesse quebrantar-me, e soltasse a sua mão, e acabasse comigo! Isto ainda seria a minha consolação e me refrigeraria no meu tormento, não me poupando ele; porque não repulsei as palavras do Santo” (Jó 6.4, 9,10).
Não estaria Jó culpando injustamente a Deus? Não obstante, estava ele ciente de que o Todo-Poderoso se achava no comando de quanto existe no Universo. E se o adversário investe-se contra os santos e, momentaneamente, prevalece, é porque o Senhor lho permite. Então, por que ocupar-se com o inimigo se Deus a tudo controla, inclusive o Diabo.
III. A ATITUDE DE JÓ NÃO ERA DUALISTA
Muitos são os crentes que, inconscientemente, professam o dualismo. Segundo esta doutrina, há no Universo duas forças opostas que se encontram em permanente conflito: o bem e o mal. Esta luta só haverá de chegar ao fim, quando o primeiro triunfar sobre todos os resquícios do segundo. Se nos afinarmos por esta teologia, estaremos acreditando que o Diabo é tão poderoso quanto Deus. E se o Senhor ainda não o destruiu é porque não teve condições de fazê-lo.
1. Deus é único. Em primeiro lugar, só há um Todo-Poderoso em todo o Universo: Deus. Sendo Ele Único e Verdadeiro, criou quanto existe, inclusive o ungido querubim que, por desviar-se da verdade, transformou-se no Diabo: o arquiinimigo do Senhor (Ez cap. 28). Quisesse Deus, poderia havê-lo destruído no exato momento em que ele desafiou-o nos céus. O Senhor, porém, sendo a própria justiça, possui um tempo determinado para tratar com cada uma de suas criaturas morais. Que o Diabo será lançado no lago de fogo, não há dúvida; todavia, haverá de sê-lo no momento apropriado até que todo o processo da justiça divina seja devidamente concluído (Mt 25.41; Ap 12.12; 20.10).
2. A luta contra o Diabo. O dualismo é carente de fundamentos porque, na verdade, quem tem de lutar contra o Diabo não é Deus, e, sim, os crentes (Tg 4.7). Nesta luta, entretanto, não estamos só. O Senhor Jesus enviou o Consolador, a fim de confortar-nos em todo o transe (1 Jo 4.4). E as armas espirituais que Ele nos colocou à disposição? (Ef 6.10-19)
3. A falácia do dualismo. Temos de nos haver com muito cuidado para não cairmos nas sutis ciladas do dualismo. Existe apenas um só Deus subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Houvesse mais de um Deus: o Bem e o Mal, como muitos o crêem, ambos deixariam de ser Deus, porque ambos mutuamente se excluiriam. Foi por isso que Jó ignorou o Diabo; este, apesar de ser chamado de o deus deste século, nunca foi Deus nem jamais o será: não passa de uma criatura orgulhosa e soberba que, presumindo-se deus, levantou-se contra o Único e Verdadeiro Deus. Mas, em breve, será ele lançado no lago de fogo. Quanto a nós, estaremos para sempre com o Senhor! Aleluia!
O Diabo é chamado “deus deste mundo” em 2 Co 4.4; não do Universo; e “mundo”, nesta referência (aion), trata-se de uma era moral e dos seus padrões de procedimentos pecaminoso e ímpio.
Muitos são os crentes que, embora acreditem no Deus Único e Verdadeiro, na prática são dualistas. Acham eles que Deus se acha envolvido numa guerra cósmica e ininterrupta contra o adversário, e que, quando tiver condições, acabará por destruí-lo. Ora, quem tem de lutar contra o adversário não é Deus; somos nós, e o fazemos em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo (Hb 2.14). Ler Efésios 6.10-12, destacando o verso 10.
E o que dizer daqueles que temem os trabalhos de macumba? Supõem possuir o Diabo suficiente poder para arruinar a herança de Cristo. Nenhuma dessas coisas tem valor algum contra o povo de Deus: “Pois contra Jacó não vale encantamento, nem adivinhação contra Israel” (Nm 23.23). Assim como Balaão não conseguiu amaldiçoar a Israel, nenhum poder das trevas prevalecerá contra os que se encontram em Cristo.
Publicado no site da CPAD



Na verdade, crer que Deus precisa de lutar com o adversário de nossas almas tem dois extremos muito antagônicos e paradoxais: 1° Se Deus precisa de lutar com o adversário de nossas almas, Ele deixa de ser Deus, perdendo assim, um de seus mais conhecidos atributos: a onipotência; 2° Se o adversário de nossas almas pode lutar com Deus,então logo conclui-se que ele também é onipotente, visto que tem condições de lutar com o Onipotente. A dualidade, nada mais é que seta malígna na mente de incautos que desconhecem o verdadeiro e único Deus dominador e controlador de tudo e de todas as coisas. Ver Salmo 91.
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