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A Inversão de Valores - Pr. Esdras Costa Bentho

Leitura Bíblica em Classe
Mt 23.13-19,28

Introdução:

I. Inversão dos valores bíblicos-cristãos

II. Fundamentos dos valores cristãos

III. Como reagir à inversão de valores


Conclusão.

Autor: Esdras Costa Bentho
Palavras-chaves: : Valores; Axiologia; Racionalismo; Hedonismo; Cristianismo.

1. Valores em Conflito

Na psicologia o conflito é considerado parte integrante do comportamento normal do ser humano. Um conflito é um aspecto universal da vida numa sociedade complexa[1]. Geralmente ocorre quando o indivíduo precisa decidir entre duas escolhas opostas, ou quando o sentimento e o desejo de um mesmo indivíduo estão divididos. Uma situação de conflito pessoal, segundo a psicologia, não é apenas necessária quanto também plausível para a completa maturação da personalidade. 

1.1. Valores em Conflito nos personagens bíblicos

Quando estudamos a vida de alguns personagens bíblicos, como a de José ou de um dos hebreus cativos em Babilônia, facilmente percebemos que eles viviam valores muito mais superiores do que os dos egípcios e babilônicos (Gn 39.7-23; Dn 1.8-20; 3.1-30). Esses servos de Deus eram capazes de transformar a sociedade pecadora em que viviam. Porém, outros personagens abandonaram os valores morais das Sagradas Escrituras e abraçaram os valores mundanos, como por exemplo, Sansão - no Antigo Testamento (Jz 13-16) -, e, Demas, em o Novo Testamento (2 Tm 4.10). 

Os valores morais e religiosos desses personagens entraram em conflito com os da sociedade de seu tempo. Infelizmente esses personagens não resistiram à tentação e sucumbiram aos apelos do mundo.  Paulo resume o apego de seu colaborador com as seguintes palavras: “Pois Demas se apaixonou por este mundo”. Os valores mundanos foram muito mais fortes do que aqueles cristãos estavam dispostos a resistir. 

O processo como esse conflito tentador se desenvolve é narrado em quatro passos em Tiago 1.14,15. 

a) Primeiro, surge um forte e mau desejo para praticar o pecado (v.14). 

b) Segundo, esse sentimento pecaminoso atua diretamente na vontade do indivíduo fazendo com que o pecado nasça (v.15). 

c) Terceiro, uma vez nascido o pecado, este desejo torna-se quase irresistível à vontade da pessoa que, a partir de então, pratica o pecado, mesmo contrariando à sua consciência e os valores morais aprendidos. 

d) O último passo é a conseqüência do pecado. Uma vez consumado, gera a morte espiritual (v.15). 

A Bíblia, no entanto, em muitas passagens, adverte o cristão a respeito do perigo de abandonar os valores morais da Bíblia. A Palavra de Deus afirma que “o mundo passa, com tudo aquilo que as pessoas cobiçam; porém aquele que faz a vontade de Deus vive para sempre” (1 Jo 2.17; Tg 4.4; 2 Pe 2.20-22 - NTLH). 

1.2. Conflito Existencial e Axiologia Cristã

Conflito existencial é o dilema ético, moral e existencial suscitado pelas situações de conflito em que o ser é forçado, pelas circunstâncias, a decidir o caminho ou a resolução a tomar diante de determinada situação que inclui mais de uma escolha. Já a existência, refere-se à estrutura completa do ser humano, seu modo de existir, de relacionar-se consigo, o qual efetivamente, transparece no seu relacionamento e valores demonstrados com o próximo.  Na filosofia, o conflito existencial remonta ao teólogo e filosofo dinamarquês, Sören Kierkegaard (1813-1855), na qual se identificam Martin Heidegger [heideggeriano/ Dasein[2]] e Jean-Paul Sartre. Para estes, a ruptura com a Metafísica Clássica, da qual a teologia cristã protestante é portadora, torna o homem como objeto de reflexão filosófica em sua existência concreta. Estes filósofos definiram o homem como o “ser em situação” ou “ser no mundo”, isto é, o homem como objeto de si e de sua liberdade sem qualquer interferência “abstrata ou universal”. Este homem, portanto, é arquiteto da sua vida, construtor de seu próprio destino e valores. Portanto, segundo a filosofia e psicologia existencialistas, cada ser será aquilo que ele desejar ser, e será o que fizer de si mesmo, enquanto projeto e enquanto medida de seus limites, valores e vontades.

2. Fundamentos Filosóficos da Inversão de Valores de Nossa Contemporaneidade

2.1. Nietzsche e os valores cristãos. 

Friedrich Nietzsche (1844-1900), filho de pastor luterano, chamou à atenção da sociedade de seu tempo ao afirmar que “Deus está morto”, fazendo contundentes críticas aos valores, a cultura, e aos princípios absolutos das Sagradas Escrituras. Nietzsche, em 1889, sofreu um colapso mental e nada mais escreveu em seus últimos onze anos de vida, no entanto, foi opositor visceral à moral e valores cristãos. Afirmou que a moral e os valores do homem ocidental derivam de crenças religiosas, as quais o homem moderno não poderia mais sustentar, sendo, portanto, necessário reavaliar os valores judaico-cristãos. Fez duras e amargas críticas aos ensinos de Jesus, e o considerou um moralista, que defendia os fracos em detrimento dos fortes, a justiça em vez da força, e que ensinava o triunfo final dos mansos em lugar dos arrojados. 

Para o filósofo da descrença, o que permitiu o progresso da civilização e o desenvolvimento da cultura, foi a constante eliminação dos fracos pelos fortes, dos incompetentes pelos competentes e dos estúpidos pelos astutos. Não foi sem razão que os escritos de Nietzsche alimentaram o ódio racial e religioso e as propagandas fascistas de Mussolini e Hitler. Embora o filósofo não seja considerado anti-semita, no entanto, até mesmo seus defensores, não podem negar que os nazistas associaram o super-homem nietzschiano ao conceito purista ariano. O fundador do fascismo, Mussoline, por exemplo, lia copiosamente os escritos de Nietzsche, razão pela qual, no histórico encontro de Hitler com Mussoline em 1939, este recebeu do ditador alemão uma coleção de obras nietzschiana. A influência de Nietzsche não se limitou apenas à filosofia e a política, mas alcançou também as artes.  

2.1.1. Algumas Idéias Nietzschianas Que Afetam Os Valores Cristãos

ü        O homem deve viver sua vida ao máximo, e conseguir tudo o que puder neste mundo; 

ü        A moral e valores cristãos são indefensáveis na atual geração; 

ü        Não se pode crer e nem valorizar os valores cristãos; 

ü        Aceitar os valores cristãos é a maior das decadências, uma negação de tudo o que produziu a cultura e a civilização; 

ü        Já que Deus não existe, e nenhum outro mundo além deste, então a moral, a ética e os valores não podem ser o que se chama de transcendentais. Portanto, os homens são responsáveis em criar seus próprios valores e escolher viver aqueles que consideram mais convenientes;

ü        Sócrates e Jesus não eram mais do que dois moralistas, cujos ensinos devem ser rejeitados;

ü        Não se pode fundamentar uma sociedade em valores que ela repudia.

2.2. Humanismo

O termo humanismo procede do vocábulo latino humanitas que quer dizer humanidade, natureza humana, sentimentos humanos. O humanismo secular é o pensamento filosófico que acredita ser o homem, como disse Protágoras, “a medida e o padrão de todas as coisas”. Por se concentrar filosófica, moral e teologicamente no homem, o humanismo é antropocêntrico, ou seja, possui o homem como centro e o fim de todas as coisas, marcado por uma maior estima das realidades terrestres e valores definidos pelo próprio homem.  Os humanistas rechaçam qualquer dogma, hábito, padrão moral ou ortodoxia que possam toldar ou limitar a liberdade do homem em fazer o que lhe apraz. Assim, o humanismo opõe-se a Igreja e aos princípios bíblicos por ela exarados.

2.3.  Racionalismo

O racionalismo propalado pela filosofia humanista acredita que o ideal é aquilo que é, ou pode ser inquirido pela mente humana. Por esta razão, ignoram qualquer tradição, revelação, e autoridade pelas quais o homem deva fundamentar a sua existência. Os valores ensinados pela Bíblia, portanto, devem ser rejeitados uma vez que não existe qualquer autoridade moral além do próprio homem. Segundo o humanista H.J. Blackham: “Isso significa que não existe qualquer tradição imemorial, qualquer revelação, qualquer autoridade, qualquer conhecimento privilegiado (princípios fundamentais, intuições, axiomas) que estejam além de qualquer dúvida, porque isso está fora da experiência e não pode ser usado para interpretar a experiência”. [1]

2.4. O Hedonismo

O termo hedonismo procede do grego hedone e significa prazer, deleite ou satisfação. Como filosofia de pensamento humanista, afirma que o principal objetivo da vida humana é a obtenção do prazer, a fim de evitar a dor ou o sofrimento. A moral e a ética deixam de ser absolutas e passam a ser relativas, tornando-se uma questão de opinião - o que seja amoral ou imoral para um, não significa para o outro, pois o objetivo é a busca de prazer e satisfação. Assim, a sociedade anti-moral entra em conflito com a moral cristã. O discurso hedonista contrasta com o discurso feito pela igreja. O contraste é que a igreja chama à disciplina, ao limite da liberdade, à solidariedade, enquanto a sociedade hedonista, a partir do interesse comercial, apela ao narcisismo, à introspecção distorcida, tais como: meu prazer, minhas satisfações, meu corpo.

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