Jericó

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Jericó (Tell al-Sultan) é uma das mais antigas cidades do mundo, datando da Idade da Pedra, segundo a arqueóloga Kathleen Kenyon, que a estudou em 1953. Desde as primeiras pesquisas arqueológicas, no início do século XX, surgiram evidências conclusivas de muralhas derrubadas. Há um único ponto onde ainda existe uma ruína da imponente muralha dupla (datada da Idade do Bronze): uma torre de mais de oito metros de altura (a parte superior já não existe) que se encontra na parte noroeste (a mais alta) da muralha de Tell al-Sultan. Os arqueólogos Ernst Sellin e Carl Watzinger, que escavaram Jericó entre 1907 e 1909, encontraram os fundamentos da muralha dupla, a parte mais antiga (sólidos alicerces de dois metros de espessura) envolvendo a mais recente (aproximadamente quatro metros de espessura), ambas da Idade do Bronze. As duas partes da muralha eram separadas por um espaço de aproximadamente cinco metros. Como a cidade era pequena, casas foram construídas nesse espaço entre as partes da muralha. Eram visíveis na escavação grossas camadas de cinzas e os escombros das habitações da muralha. John Garstang, escavando Jericó (1929-1936), concluiu que a cidade foi destruída por volta de 1400 a.C. Durante a escavação, a evidência de que a muralha tinha caído de dentro para fora deixou Garstang tão impressionado que ele fez com que o relatório da pesquisa fosse assinado por dois outros membros da equipe, além dele mesmo. Garstang trouxe à luz grandes quantidades de madeira que não fora queimada sob toneladas de tijolos, depósitos de grãos que não foram saqueados, pedras esmiuçadas e evidências de que tetos de casas desabaram sobre os utensílios domésticos, mas também de tijolos enegrecidos, cinzas e madeiras carbonizadas, indicando que as casas ao longo da muralha dupla foram queimadas até o alicerce. Pode-se afirmar com certeza que após a queda da muralha a cidade foi incendiada pelos israelitas (Josué 6:24) e que estes não se apropriaram de despojos (Josué 6:18), o que se encontra em exata harmonia com o relato bíblico.

Em 1928, quando Garstang havia escavado Hazor (Tell al-Qedah) não encontrara nenhuma evidência de ocupação entre 1400 e 1200 a.C. Isso o levou a concluir que Hazor não tinha sido habitada no período de Josué, embora a Bíblia afirme o contrário (Josué 11:10-11). Entre 1955 e 1958 o arqueólogo Yigael Yadin voltou a escavar o tell e encontrou diversas ruínas datadas da época de Josué, inclusive edifícios públicos e palácios, com suas esculturas e pilares. Antes da conquista, a cidade era dividida em duas partes (uma "cidade alta" e uma "cidade baixa"). Tanto a "cidade alta" quanto a "cidade baixa" eram fortificadas com muros e portões. Além disso, Yadin encontrou a camada de ruínas e cinzas da destruição da cidade nos dias de Josué. Após a destruição, a "cidade alta" voltou a ser ocupada. Mais uma vez a narrativa bíblica estava certa. Mencionando a escavação de Yadin, a conceituada Encyclopaedia Britannica (Benton, W. & University of Chicago: Chicago, 1964, v. 11, p. 202) declara a respeito de Hazor: "foi abandonada por causa da conquista israelita de Canaã."

A evidência arqueológica indica que importantes cidades de Canaã foram destruídas entre os séculos XV e XIV a.C, indicando uma ampla invasão pelos israelitas. As escavações dos arqueólogos revelaram problemas cronológicos envolvendo a época da tomada de três cidades: Ai, Debir e Laquis. Por um lado, a cronologia bíblica aponta para o início da conquista em aproximadamente 1400 a.C., e por outro lado, as escavações nestas três cidades parecem indicar a data de 1230 a.C. Ai não teria sido sequer habitada durante os mil anos anteriores a 1200 a.C. Embora geralmente a identificação do local seja segura, não é o caso em Ai, de maneira que não se tem certeza se é o mesmo lugar que o mencionado pela Bíblia. Além disso, visto que as escavações no local não foram exaustivas, é possível que a região ainda esconda algum pequeno povoado. De qualquer modo, se a região conhecida hoje como "Ai" não favorece a data de 1400 a.C., tampouco favorece 1230 a.C.

As cidades montanhosas de Debir (Tell Beit-Mirsim) e Laquis (Tell el-Duweir) também conquistadas nos dias de Josué, foram completamente destruídas pelo fogo em cerca de 1230 a.C. De acordo com Merril Unger (1980; cf. Bibliografia) foram encontrados em Laquis um vaso com inscrições e uma espessa camada de cinzas. Isso não chega a ser problemático, pois as Escrituras não afirmam que estas cidades foram incendiadas nos dias de Josué (Josué 10:31-33, 38-39; 11:21-23). Na verdade, a Bíblia diz justamente o contrário: "Tão-somente não queimaram os israelitas as cidades que estavam sobre os seus outeiros: salvo somente Hazor, a qual Josué queimou" (Josué 11:13).  As montanhas de Debir e Laquis já existiam na época do texto: Josué 10:33 menciona "subir" a Laquis, e Josué 11:21 fala das "montanhas de Debir". Não existe portanto contradição alguma entre a cronologia da Bíblia e a arqueologia: como o texto afirma que as cidades de Debir e Laquis não foram queimadas nos dias de Josué, o incêndio de 1230 a.C. (de causas desconhecidas) foi evidentemente posterior à conquista.

Baseados na evidência duvidosa associada a Ai, Debir e Laquis, alguns críticos passaram a afirmar que o início da conquista de Canaã havia ocorrido em 1230 a.C. Isso lhes daria a vantagem de negar a identidade entre os habiru e os hebreus, e ainda faria parecer que o monoteísmo dos hebreus era na verdade um reflexo da reforma heliólatra de Amenhotep IV. No entanto, a evidência arqueológica atual aponta para um período aproximadamente dois séculos anterior. Isso se encontra em exata harmonia com a Bíblia, que afirma claramente que os israelitas permaceram no Egito 430 anos (Êxodo 12:40, 41; Gálatas 3:17). É evidente que desde o período patriarcal até 1230 a.C. passaram-se mais de 430 anos (Abraão morreu por volta de 2100 a.C. e, de acordo com Gênesis 46:6 e 47:28, seu neto Jacó estava entre os que foram para o Egito; cf. Gênesis 25:26; Gênesis 47:28). Além disso, a Bíblia afirma que transcorreu um período de 480 anos entre o Êxodo (que é a saída dos israelitas do Egito) e o início da construção do Templo em Jerusalém, que se deu no quarto ano do reinado de Salomão, filho do rei Davi (I Reis 6:1). Ocorre que a cronologia dos reis de Israel está estabelecida, e sabemos que o quarto ano de Salomão se deu entre 970 e 958 a.C. (neste ponto estão em acordo arqueólogos do porte de William F. Albright e Edwin R. Thiele) o que nos permite concluir com certeza que o início do Êxodo ocorreu entre 1460 e 1430 a.C.

Nos dias de Josué "o sol parou" (Josué 10:12-14). É interessante notar que essa expressão tem sido muitas vezes explicada como uma figura de linguagem (até hoje falamos do "nascer do sol", por exemplo, embora acreditemos que não é o sol, mas a terra que efetua o movimento) mas na verdade, levando-se em conta os estudos modernos do movimento pela física, o sol de fato parou, considerando a terra como ponto de referência. Além disso, quando se medita no poder do Criador dos céus e da terra e se entende que nada pode limitar sua vontade, tem-se que admitir que Ele tem energia não apenas para parar o sol, o sistema solar e a nossa galáxia, mas todo o universo material. É digno de nota que fontes civilizações egípcias, hindus e chinesas conservam antigos registros de um dia prolongado (e.g., História de Heródoto, Livro II, CXLII; cf. Bibliografia). O maravilhoso da história é que Deus alterou a mecânica celeste para responder à oração de um homem!

Publicado no CD Arqueologia Bíblica, de Lucian Benigno.

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