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Partidarismo na Igreja - Jean Claude

 

INTRODUÇÃO

A frase: “não existe igreja local perfeita”, deve ser lembrada durante todo esse trimestre. Na presente lição, o comentarista destaca uma imperfeição na igreja de Corinto, chamava-se: partidarismo. Veremos que o apóstolo censurou e reprovou categoricamente o espírito partidário na igreja de Corinto. Ele considerou um comportamento imaturo as invejas, contendas, dissensões, e o entendimento distorcido sobre os ministros, corrigindo o que estava errado e exortando-os a não se gloriar nos homens, mas unicamente em Deus.

DEFINIÇÃO DE PARTIDARISMO

Segundo o Dic. Houaiss, partidarismo significa fanatismo partidário.
Na igreja de Corinto, o partidarismo estava vinculado ao proselitismo, ou seja, um indivíduo segue uma idéia (ou doutrina) e forma grupos de pessoas para defendê-la, por interesses pessoais, rebeldia, parcialidade, insubmissão, etc., causando divisões na igreja. Cada grupo formado tinha um obreiro preferido, portanto a igreja coríntia estava dividida em quatro partes facciosas.

O ESPÍRITO PARTIDÁRIO É REPROVADO

O apóstolo Paulo exorta aos coríntios à unidade e ao amor fraternal, e os reprova por suas divisões. Depois de receber informações acerca da situação da igreja coríntia, ele lhes escreve de maneira prudente, amável e atrativa: “Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer.” (1.10). O apóstolo usa o nome do Senhor Jesus, que é digno de consideração, e pede que eles evitem apartar-se do amor fraternal. Todos deveriam ter uma mesma mente no que diz respeito aos grandes temas da religião, pois, se assim agissem, todas as rixas e divisões desapareceriam.

A origem das contendas entre os coríntios estava na base, e isso os tornou partidários (ou seja, grupo de indivíduos de uma mesma causa em oposição à de outros grupos). Eles discutiam sobre seus ministros. Alguns elogiavam Paulo, talvez como o mestre mais sublime e espiritual; outros elogiavam Apolo, talvez como o pregador mais eloqüente; alguns elogiavam a Cefas (ou Pedro), talvez pela autoridade de sua idade, ou porque ele era o apóstolo da circuncisão; e alguns não eram a favor de nenhum deles, somente de Cristo. Devido à eloqüência e conhecimento de Apolo, muitos da igreja o tinham elogiado acima de Paulo (1Co 1.12; 3.4; cf. At 18.24 a 19.1). Outros se gabavam de que não eram seguidores nem de Paulo nem de Apolo, mas sim de Pedro, um dos apóstolos originais (1Co 1.12). Outros afirmavam não estar unidos a nenhum dirigente humano, e professavam ser seguidores de Cristo (1: 12). Desse modo, o evangelho e suas instituições foram feitos instrumentos de separação, desentendimento e contenda.

OBS.: O orgulho da natureza humana levou os cristãos a ficarem em oposição, um contra o outro, a ponto de colocar Cristo e seus próprios apóstolos em divergência, fazendo-os rivais e concorrentes.

O ESPÍRITO PARTIDÁRIO HOJE

Sejamos realista. Em nossos dias, existem grupos partidários nas igrejas. Vejamos alguns exemplos básicos e práticos:

- Na Escola Bíblica Dominical
Alguns alunos têm mais preferência pelo professor fulano, do que pelo professor cicrano. Já certos professores preferem que o dirigente da Escola seja beltrano. Nos estudos de capacitação para professores, sempre há preferência por alguns obreiros…

- Na igreja local
Nos cultos, alguns dizem: “deixa-me ver a lista para saber quem vai dirigir hoje”, e decidem se vai ou não ao culto dependendo do escalado; Já nos grupos de louvor, às vezes, existem disputas para ver quem canta melhor. Alguns chegam até a dizer: “eu prefiro quando é o maestro tal”. Isso sem contar com os “grupinhos” formados por alguns irmãos, que ficam conversando do lado de fora da igreja, falando mal do ministério, da vida dos outros, achando-se donos da verdade, ninguém manda neles…

- No ministério
Infelizmente, ouve-se falar de grupos de diáconos querendo atrapalhar um determinado presbítero; grupos de presbíteros que querem prejudicar seus companheiros de trabalho; outros questionam a posição do evangelista ou do pastor da igreja; alguns se aproveitam do cargo para fazer politicagem, convencendo grupos a venderem seus votos; e, como se não bastasse, existem complicações até na votação para a presidência da nossa Convenção (CGADB), onde “ministros do evangelho” estão usando os meios de comunicação de forma imprudente, para induzir outros a votarem neles. Faz lembrar o apóstolo Paulo, quando diz: “…não andais segundo os homens?” (3.10).

É uma realidade em muitas igrejas e, como frisei no início, não devemos esquecer da frase bem posicionada pelo comentarista da lição: “não existe igreja local perfeita”, ou seja, onde há uma igreja local, ali há problemas. Mas, seja na Escola Dominical, nos grupos de louvor, entre os membros ou no ministério, etc., a recomendação é: “digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer” (1.10).

SUBSÍDIOS PARA LEITURA EM CLASSE

“Está Cristo dividido?” (v.13). Não. Só há um Cristo, e por isso os cristãos devem ser de um mesmo coração. “Foi Paulo crucificado por vós?”. Ou seja, alguma vez eu fiz parecer ser o vosso salvador, ou algo mais que vosso ministro? Ou “fostes vós batizados em nome de Paulo?” Não. Os ministros por mais úteis que sejam para o nosso bem, não devem ser colocados no mesmo nível de Jesus Cristo; não devem ser comparados, nem apossar-se da autoridade que só a Cristo pertence.

CAPÍTULO 3, VERSÍCULOS 1-6

Esse texto já foi instrumento de estudo na primeira lição, servindo de introdução ao segundo trimestre, todavia, o comentarista aborda agora o sentido mais amplo no que se refere ao espírito partidário que permeava a igreja de Corinto.

PAULO CENSURA OS CORÍNTIOS

Embora a igreja fosse fervorosa, cheia de dons, enriquecida em toda palavra e conhecimento (1.5,7), a igreja coríntia estava precisando crescer “…na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo…” (2Pe 3.18a; compare: Ef 4.15; 1Pe 2.2), eles ainda eram “meninos em Cristo” e “carnais”. Precisavam crescer em maturidade de entendimento, na fé e em santidade. Era uma vergonha para os coríntios que eles tivessem todo aquele tempo sob o ministério de Paulo e não progredissem no conhecimento cristão.

PROVAS DA CARNALIDADE DOS CORÍNTIOS

Paulo apresenta provas da carnalidade dos coríntios, a saber: invejas, contendas, dissensões (3.3-4), ou seja, eles mantinham rivalidades, brigas, discórdias, disputa, grupos em desacordo e facções (partidos políticos) por conta de seus ministros. Essas são provas de que eles eram controlados por interesses e inclinações carnais. Eles eram guiados pelos princípios humanos, pelo orgulho e paixões, e não pelas regras do cristianismo: “não andais segundo os homens?”, note que eles se comportavam como homens comuns, em vez de se comportar como cristãos.

PAULO CORRIGE OS ERROS DOS CORÍNTIOS

“Pois quem é Paulo e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?” (v.5). Paulo explica que eles eram simplesmente ministros usados pelo Deus de toda graça. Parece que alguns irmãos queriam ser senhores de sua fé e religião, esquecendo que a atuação dos ministros era como Deus concedia a cada um, de maneira que os dons e os poderes vinham de Deus, sendo totalmente errado transferi-los aos apóstolos, os quais deveriam ser respeitados em relação à autoridade divina pela qual eles atuavam, mas essa autoridade também vinha de Deus.

A UTILIDADE DOS MINISTROS

“Eu plantei, Apolo regou…” (v. 6). Observe que ambos eram úteis, cada um para uma finalidade. Paulo foi preparado para o trabalho de plantar, e Apolo para o trabalho de regar, mas Deus deu o crescimento. Portanto, o sucesso do ministro tem origem na benção divina: “Pelo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (v. 7). Um autêntico ministro, fiel e bem qualificado, deve ter uma compreensão apropriada de sua insuficiência, desejando que Deus deva ter toda a glória de seu sucesso, considerando o que Paulo diz: “E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos” (12.6).

A OBRA FEITA COM UNIÃO E COMUNHÃO

Nos versículos 8 a 10, contextualizados pelo comentarista na presente lição, vemos que o apóstolo Paulo unifica o que planta e o que rega usando a expressão “são um”, facilmente entendida como sendo encarregados de uma mesma revelação, ocupados de um trabalho, em harmonia um com o outro. Mas, infelizmente, podem ser colocados em oposição um com o outro por provocadores de partidos facciosos.

Os que plantam e os que regam são companheiros de trabalho na mesma obra. Podem até ter diferenças de sentimento, em coisas menores; eles podem ter seus debates e controvérsias; mas eles concordam de coração no grande plano de honrar a Deus e salvar almas promovendo o cristianismo verdadeiro no mundo, e “cada um receberá o seu galardão, segundo o seu trabalho”.

TUDO PERTENCE A DEUS

“…vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus” (v.9). Nada é de Paulo ou de Apolo; nada pertence a um ou a outro, mas a Deus; eles somente plantam e regam, mas é a bênção divina sobre sua própria lavoura que sozinha pode fazê-la frutificar. Usando metáforas, o apóstolo fala sobre um edifício: “Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto, o fundamento, e outro edifica sobre ele…” (v.10). Aqui, Paulo denomina-se um prudente construtor. Era honroso ser um construtor no edifício de Deus; mas ele adicionou à sua figura o fato de o construtor ser sábio. Embora Paulo atribua a si mesmo tal figura, não é para agradar seu próprio orgulho, mas para engrandecer a graça divina.

O orgulho espiritual é abominável: uma pessoa faz uso dos favores de Deus para alimentar sua própria vaidade, e faz-se ídolo de si mesmo. Nenhum ministro deve ser orgulhoso de seus dons e graças, mas, quanto mais qualificados eles forem para o seu trabalho, e quanto mais sucessos tiverem nele, mais agradecidos serão a Deus por sua bondade.

CONCLUSÃO

O espírito partidário na igreja retira a virtude cristã que é baseada no amor. Para muitos, agora que o texto-áureo faz sentido: “Quão bom… que os irmãos vivam em união”. A preservação da comunhão e da união é responsabilidade individual de todos. “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1Co14.26).

Fonte: Comentário Bíblico Novo Testamento - Matthew Henry

Publicado no site EBD.net

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  1. Aureo Junior Escreveu:

    Paulo começa elogiando a igreja de Corinto 1Co 1:1-7, mas logo começa a relatar o que ouviu a respeito da igreja.
    Como pode uma igreja receber todos esses elogios do Apóstolo e se entregar a carnalidade, através do partidarismo?
    É complicado de se entender.

    Pb. Aureo Junior

  2. Prof Daniel Escreveu:

    Amado, Humanamente seu pensamento esta correto, mas nao podemos esquecer das caracteristicas de Deus para a Exortaçao de um determinado assunto.

    De uma forma simples, Todos temos lados positivos e pontos a melhorar, Deus nunca ira expor somente falhas sem indicar quais acoes estao corretas e devem ser mantidas em nossa caminhada.

  3. Luiz Henrique de Almeida Silva Escreveu:

    Qual a influência da EBD na sociedade?

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