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Considerações Acerca do Casamento - Ev. Luiz Henrique

Complementos e questionários: Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva

 

TEXTO ÁUREO

“Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros DEUS os julgará” (Hb 13.4).

VERDADE PRÁTICA

Fundado por DEUS no princípio, o casamento é uma instituição social e vitalícia como ponto de origem e suporte da família.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - 1 Coríntios 7.1-5,7,10,11.

1 Ora, quanto às coisas que me escrevestes, bom seria que o homem não tocasse em mulher; 2 mas, por causa da prostituição, cada um tenha a sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido. 3 O marido pague à mulher a devida benevolência, e da mesma sorte a mulher, ao marido. 4 A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também, da mesma maneira, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher. 5 Não vos defraudeis um ao outro, senão por consentimento mútuo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e, depois, ajuntai-vos outra vez, para que Satanás vos não tente pela vossa incontinência. 7 Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de DEUS o seu próprio dom, um de uma maneira, e outro de outra.

1 Coríntios 7.10 Todavia, aos casados, mando, não eu, mas o Senhor, que a mulher se não aparte do marido.


1 Coríntios 7.11 Se, porém, se apartar, que fique sem casar ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher.
 

7.1 QUE O HOMEM NÃO TOCASSE EM MULHER. O cap. 7 todo é a resposta de Paulo às perguntas feitas pela igreja de Corinto a respeito da vida conjugal. Suas instruções devem ser lidas à luz do versículo 26: “Tenho, pois, por bom, por causa da instante necessidade”. Um período de grande aflição e perseguição estava para vir sobre os cristãos de então, e nessa situação, a vida conjugal seria difícil. Note-se que “não tocar em mulher” significa, aqui, não casar-se.
7.3 O MARIDO PAGUE À MULHER. O compromisso do casamento importa em cada cônjuge abrir mão do direito exclusivo ao seu próprio corpo e conceder esse direito ao outro cônjuge. Isso significa que nenhum dos cônjuges deve deixar de atender os desejos sexuais normais do outro. Tais desejos, dentro do casamento são naturais e providos por DEUS, e evadir-se da responsabilidade de satisfazer as necessidades maritais do outro cônjuge é expor o casamento às tentações de Satanás no campo do adultério (v. 5).
7.11 SE, PORÉM, SE APARTAR, QUE FIQUE SEM CASAR. No versículo 10, Paulo mostra que a vontade de DEUS para o casamento é que ele seja permanente. Também mostra que, às vezes, o relacionamento conjugal se torna tão insuportável que é necessário os cônjuges se separarem. No versículo 11, portanto, Paulo não se refere ao divórcio permitido por DEUS, causado por adultério (ver Mt 19.9), nem ao abandono de um cônjuge pelo outro (ver v.15). Pelo contrário, Paulo está falando da separação sem divórcio formal. Talvez isso se refira a situações em que o cônjuge age de modo a pôr em perigo a vida física ou espiritual da esposa e dos filhos. Em tais casos, é preferível que um dos cônjuges deixe o outro, mas que permaneça sem casar. É inaceitável que Paulo fosse favorável a não separação de um casal em que um dos cônjuges vive sempre a maltratar fisicamente o outro e a agredir os filhos.

1 Coríntios 7.32 E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado. O solteiro cuida das coisas do Senhor, em como há de agradar ao Senhor;
1 Coríntios 7.333 mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher.

7.32 O SOLTEIRO. As Escrituras afirmam que o estado de solteiro não é, de modo algum, inferior ao de casado. Na realidade, é melhor, e isso no aspecto mais importante de todos: a possibilidade de prestar serviço a DEUS sem outras preocupações. O solteiro (vv. 32,33), ou a solteira (v. 34) pode dedicar-se às coisas do Senhor mais do que o casado. “Ser santo, tanto no corpo como no espírito”, não se refere a modelo de ética, mas à possibilidade de uma maior dedicação a DEUS, sem o peso das responsabilidades, preocupações e problemas da família. O solteiro pode dedicar-se, com todos os seus dons, ao Senhor, livre de outros cuidados; totalmente ocupado com as coisas do Senhor e com a sua Palavra.
 

CASAMENTO - ORIGEM DIVINA PAI - MÃE - FILHOS
A família é uma instituição divina. Ela é tão importante, que foi criada antes da Igreja, antes do Estado, antes da nação. DEUS não fez o homem para viver na solidão. Quando acabou de criar o homem, Adão, o Senhor disse: “Não é bom que o homem esteja só. Far-lhe-ei uma adjutora, que esteja como diante dele” (Gn 2.18). DEUS tinha em mente a constituição da família, mas esta não está completa só com o casal. Por isso, o Senhor previu a procriação, dizendo: “Crescei e multiplicai-vos e enchei a terra (Gn 1.27-28). Fica mais clara a origem da família, quando lemos: “Portanto, deixará o homem seu pai e e sua mãe e se unirá à sua mulher e serão ambos uma só carne” (Gn 2.24). “O homem” aí é o filho, nascido de pai e mãe. DEUS fez a família para que o homem não vivesse na solidão (Sl 68.6; 113.9).

Sete princípios do casamento bíblico   Sete razões para o casamento
1   Sua origem divina. (Gn 2.24)   Só, o homem é incompleto. (Gn 2.18)
2     Sua santidade. (Hb 13.4)   Cumprir o plano divino. (Gn 2.24)
3     Sua indissolubilidade. (Mt 19.6)   Gerar filhos. (Gn 1.28)
4     Sua monogamia. (I Co 7.2)   Evitar a prostituição. (I Co 7.2)
5     Sua heterossexualidade. (Gn 1.27; 2.24)   Será base da Nação. (Sl 144.12-15)
6     A submissão da esposa. (Ef 5.22)   Para glorificar a DEUS. (I Co 10.31)
7     O amor do marido. (Ef 5.23)   Expressar o amor de DEUS. (Ct 8.7)

Vida Íntima Conjugal

O homem tem se tornado tão egoísta que até mesmo onde nunca deveria ser egoista, tem sido um péssimo exemplo disto: O prazer sexual é para os dois, para a esposa e para o esposo. Infelizmente a falta de diálogo e de amor por parte do marido tem negligenciado o prazer sexual da esposa que na mairia das vêzes finge o orgasmo para que não perca seu companheiro. Que amor cristão é este que se satisfaz em detrimento da parceira, da companheira, da adjutora que DEUS deu ao homem para com ele desfrutar das bênçãos do casamento, da família.

Não vos priveis um do outro, salvo por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e novamente vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência (I Co. 7:4-5).

O marido não deve decidir se privar de relação sexual com sua mulher salvo por mútuo consentimento, o mesmo acontece com respeito à mulher. Ambos devem se lembrar que de acordo com a Bíblia, agora são “uma só carne”.

Portanto, o marido deve se colocar à disposição do prazer da sua esposa, assim como a mulher

O relacionamento à dois tem de ser protegido a qualquer custo contra a invasão de terceiros, seja eles os sogros, os filhos, a televisão, os amigos, uma secretária, ou o telefone.
 

Na analogia do casamento segundo Paulo a esposa representa a Igreja (Noiva de CRISTO) e o marido representa CRISTO (o Noivo)

Por isso a relação amizade (Jo 15.15), irmandade(Mt 12.49, Hb 2.11), amor (Jo 3.16 com Ef 5.33) e temor (Mc 4.41 com Ef 5.33) entre a esposa e o marido devem sempre existir.

Bons Exemplos De Família

Exemplo

 

Porque

 

Noé - Hb 11.7 Seus filhos eram obedientes e foram escolhidos para serem instrumento de DEUS na preservação da espécie humana. “Para salvação de sua família, construiu a arca’.
Josué - Js 24.15 Eu e a minha casa serviremos ao Senhor, escolheu para si e sua família.

Ordem na casa para deixar a idolatria e servir a DEUS de todo o coração e de todo o entendimento.

Filipe - At 21.8,9 De diácono a evangelista,  com quatro filhas que profetizavam. A família cristã avivada possui Dons do ESPÍRITO SANTO.

A IMPORTÂNCIA DO CULTO DOMÉSTICO

Exercer o sacerdócio no lar não requer um horário específico ou dia marcado, é atividade a ser exercida sempre, em diferentes situações. Mas a prática de um culto em família auxilia muito.

Devemos desenvolver o hábito de cultuar a DEUS em família, o que envolve o ir juntos à Casa do Senhor, como vemos acontecendo desde os dias do Velho Testamento:

“Todo o Judá estava em pé diante do Senhor, como também as suas crianças, as suas mulheres e os seus filhos”, 2 Crônicas 20:13

“No mesmo dia, ofereceram grandes sacrifícios e se alegraram; pois DEUS os alegrara com grande alegria; também as mulheres e os meninos se alegraram, de modo que o júbilo de Jerusalém se ouviu até de longe”, Neemias 12:43

Elcana subia com toda a sua família para adorar ao Senhor (1 Sm.1:1-5). Acredito que pais cristãos devem levar seus filhos à igreja. Mesmo que ela não seja perfeita (e não é, porque não existe igreja perfeita!), é melhor que eles cresçam num ambiente que exalta ao Senhor e sua Palavra do que num ambiente mundano que exalta o pecado e os prazeres da carne. Lemos no Evangelho de Lucas que os pais de JESUS o levaram ao templo para consagrarem-no ao Senhor (Lc.2:22-24), depois há registros de que o fizeram por ocasião da Festa da Páscoa quando ele estava com 12 anos (Lc.2:41-43), mas a maior evidência de que JESUS cresceu exposto ao ensino da Lei na Sinagoga era o conhecimento que ele trazia (como homem) das Escrituras.

Cultuar ao Senhor em família não envolve somente o ir à igreja, mas também pode abranger um culto familiar na própria casa. Foi exatamente isto que aconteceu na casa de Cornélio (At.10:33). A reunião familiar também não precisa acontecer apenas dentro de casa. Além dos cultos na igreja, podemos nos reunir em algum outro lugar (e até mesmo com outras famílias) para buscar ao Senhor (At.21:5).

CELIBATO X CASAMENTO (Pr. Eguinaldo Hélio de Souza - CACP)

O Novo Dicionário Aurélio apresenta uma definição superficial sobre o termo “celibato”. Diz apenas que é “o estado de uma pessoa que se mantém solteira”.

Em uma visão bíblica e religiosa, porém, é muito mais do que isso. Celibato é a ausência de atividade sexual na vida de um indivíduo. Ocorre geralmente por motivos religiosos, embora qualquer pessoa possa exercê-lo. O celibato pode (e às vezes até deve) ser exercido por apenas um período. Os solteiros devem, com certeza, praticá-lo, bem como os viúvos e separados. Mas também pode ser praticado temporariamente por motivos espirituais (1Co 7.5). Nosso enfoque, aqui, não é o estado de celibato temporário, mas sua prática permanente.

Claro que a Bíblia fala em celibato, mas nem tudo o que leva este nome é bíblico. Distorcido ao longo dos anos por influências gnósticas e estranhas, esta prática se tornou, por imposição humana, um “preceito de homens” e “doutrina de demônios” (1Tm 4.1), distante dos critérios de DEUS. A Enciclopédia Britânica assim se expressou sobre o assunto: “A ligação entre o cristianismo e o judaísmo e a aceitação do Antigo Testamento pela Igreja cristã, tendia a perpetuar na Igreja primitiva a estima que os hebreus tinham por casar e ter numerosos filhos”.

Logo, se o estado celibatário se tornou sinônimo de um estado espiritual, isso não ocorreu como produto da pregação apostólica. Outras influências fora da cultura hebraica e do contexto bíblico levaram a prática a extremismos danosos.

I- Quando o celibato é bíblico?
Dizer que o celibato nunca é bíblico, não é verdade. Podemos encontrar base para ele tanto nos sinópticos quanto nos escritos paulinos. A história, sacralizada como tradição no catolicismo, não é normativa. Há exemplos e afirmações neotestamentárias que devem ser levadas em conta. Ignorá-los tem gerado pesados e amargos frutos.

a- Quando é uma decisão pessoal
Quando JESUS falou sobre pessoas que se decidiram por viver uma vida celibatária por amor ao reino de DEUS, foi bem explícito em apresentar isso como uma decisão puramente pessoal. Não é uma adesão a algum regulamento fixo da lei mosaica ou a qualquer outro ponto das Escrituras, mas uma escolha deliberada e própria. “Porque há eunucos que nasceram assim; outros foram feitos eunucos pelos homens; e há eunucos que se fizeram eunucos por causa do reino dos céus” (Mt 19.12; grifo do autor).
Em Israel, não havia uma classe instituída de eunucos como havia em outras nações. Aliás, os castrados eram proibidos de entrar na congregação do Senhor (Dt 23.1). Quando a Bíblia faz referência aos eunucos, geralmente eles pertencem a outras nações. Eram guardas de harém (Et 2.3,14,15), ou serviam os reis e rainhas em diversos cargos (Jr 38.7; At 8.27). Conforme o Dicionário da Bíblia John D. Davis, não é muito certo que o termo eunuco tenha o mesmo significado em todas as passagens das Escrituras, pois há casos em que falam de eunucos casados, como, por exemplo, Potifar, que era casado (Gn 37-39).
Também se faz, ocasionalmente, menção de eunucos entre o povo de Israel ou mesmo em Judá (2Rs 24.15; 25.19; Jr 29.2;). John D. Davis afirma que “os eunucos existentes no reino de Judá eram, pela maior parte, senão em sua totalidade, estrangeiros”, como vemos em Jeremias 38.7. Lembrando ainda que JESUS fala de eunucos de nascença e de eunucos castrados pelos homens.
De qualquer maneira, não havia algo como uma instituição de “eunucado” como se isso tivesse alguma virtude em si. A cultura judaica valorizava o casamento, a procriação e a varonilidade. O conceito de renúncia ao casamento por amor ao reino de DEUS é um elemento novo dentro da fé escriturística, com um caráter estritamente pessoal.

b- Quando o celibatário recebeu o dom para “aceitar isto”
Há um segundo ponto importante no celibato bíblico. Além da decisão individual, o celibatário deve possuir aptidão para permanecer em tal estado. JESUS terminou sua sentença com a frase: “Quem puder aceitar isto, aceite-o” (Mt 19.12), mostrando que nem todos estavam aptos a receber tal preceito. JESUS disse ainda que nem todos poderiam receber esta palavra, mas somente aqueles a quem foi concedido recebê-la (v.11).
Paulo, o apóstolo celibatário, afirma a questão de vocação ainda com mais veemência ao responder às perguntas dos coríntios sobre o casamento. “Porque quereria que todos os homens fossem como eu mesmo; mas cada um tem de DEUS o seu próprio dom, um de uma maneira, e outro de outra” (1Co 7.7). Pela revelação bíblica, não basta alguém desejar ser celibatário para sê-lo. É necessária uma capacitação especial de DEUS.

c- Quando o celibato leva a uma maior santificação a DEUS
O motivo do celibato bíblico é só um: maior disponibilidade para DEUS e o seu reino (Mt 19.12). O fato de um cristão não querer se casar pode ser ocasionado por motivos que não um chamado para servir a DEUS integralmente. Pode haver motivos de ordem social, física ou psicológica. O celibatário vocacionado o fará com pleno prazer, não se sentirá oprimido pela ausência de um marido ou esposa, mas utilizará sua vida completamente a serviço de DEUS.
Paulo coloca o celibato neste foco, mostrando que os que são casados têm de cuidar de coisas relativas a esta vida para agradar seu cônjuge, enquanto que os solteiros cuidam das coisas do Senhor apenas, tendo maior consagração, tanto no seu corpo quanto no seu espírito (1Co 7.32-34).
Não é a mera abstinência sexual que constitui o valor de um celibato voluntário, mas o resultado desta abstenção no serviço divino. Este ponto é importante, pois não é a ausência do ato sexual que torna o celibatário mais consagrado, mas uma vida desligada das coisas deste mundo, voltada somente para DEUS e seu reino.

II- Quando o celibato não é bíblico?
Embora o celibato clerical católico seja o mais conhecido, houve e há outros grupos que entendem o celibato como sendo necessário e obrigatório, pelo menos para algumas classes especiais dentro do grupo, criando uma espécie de casta de eunucos espirituais. Grupos menores, na História passada e em nossos dias, exigem o celibato como um estado automático de maior santidade e por isso o impõe como exigência para adesão ao grupo.

a- Quando é imposto por outros

Uma coisa é incentivar o celibato. Outra é exigi-lo. Uma coisa é crer que uma vida de solteiro, voltada só para as coisas divinas, é melhor. Outra coisa é estabelecer que só possa ser dessa forma. Dizer que alguém é obrigado ao celibato se deseja ser um ministro da Igreja de CRISTO é uma ordenança humana e um ensino antibíblico: “Mas o ESPÍRITO expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios, pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência, proibindo o casamento…” (1Tm 4.1-3; grifo do autor).
Não existe qualquer lugar nas Escrituras que estabeleça um estado de solteiro obrigatório para quem quiser tomar sobre si o encargo da obra de DEUS. O celibato obrigatório teve uma evolução histórica, por influências não-apostólicas e não-bíblicas. Ainda lemos na Britânica: “O celibato de clérigos não parece ter sido obrigatório durante os primeiros séculos cristãos. A opinião formalmente sustentada por alguns de que o celibatário teve origem apostólica tem sido largamente abandonada. A liberdade de escolha era a norma […] No Ocidente, o Concílio de Elvira na Espanha (306 d.C.) decretou o celibato nas seguintes palavras: ‘é inteiramente proibido a bispos, sacerdotes, diáconos e todos os clérigos colocados no ministério viver com suas esposas e filhos gerados. Quem o fizer será destituído de sua posição de clérigo’”.

b- Quando o celibatário não consegue se conter
Paulo foi taxativo ao dizer que se alguém não pode se conter, que então se case, pois é melhor casar do que viver abrasado (1Co 7.9). Isso quer dizer que somente alguém que é celibatário por dom e vocação deve insistir em permanecer nessa condição. Os demais estão desobrigados pela Palavra a tal esforço.
 

c- Quando entende o sexo como inerentemente mal
A imposição celibatária nasceu da falta da distinção entre a perversão sexual e o ato sexual propriamente dito. A perversão sexual é completamente condenada nas Escrituras. Já o ato sexual faz parte dos planos de DEUS desde a criação do homem, pois, ao criá-lo, disse: “Crescei e multiplicai-vos” (Gn 1.28). “E viu DEUS que também isto era muito bom” (v.31).
Outras influências não-bíblicas foram responsáveis por esse desvio. Essa visão, provavelmente, tem raízes gnósticas. O gnosticismo classificava a matéria como algo inerentemente mal, sendo produto não de um DEUS bom e sábio, mas de outra entidade inferior. Eusébio, em sua História eclesiástica, tece comentário sobre uma seita denominada “encratitas”, originada de dois hereges gnósticos: Saturnino e Marcião. Eusébio escreve o seguinte, citando Irineu: “Aqueles que brotaram de Saturnino e de Marcião, chamados encratitas, proclamavam abstinência do casamento, deixando de lado o propósito original de DEUS e censurando tacitamente quem os fez macho e fêmea para a propagação da raça humana”.
Ainda prossegue Eusébio, no mesmo capítulo, citando Irineu e repreendendo a posição desses gnósticos com respeito ao matrimônio: “Também o casamento, declarava [um certo Taciano] juntamente com Marcião e Saturnino, era apenas corrupção e fornicação”.
“Os gnósticos, que identificavam a matéria com o mal, procuravam uma forma de criar um sistema filosófico em que DEUS, como espírito, seria livre da influência do mal e no qual o homem seria identificado, no lado espiritual de sua natureza, com a divindade […] Em seu sistema, não havia lugar para a ressurreição da carne […] Também os maniqueus, outra seita gnóstica, popularizou o celibato. O maniqueísmo provocou tal exaltação da vida ascética a ponto de ver o instinto sexual como mal e enfatizar a superioridade do estado civil do solteiro”.
Muitos líderes do século 2o tinham uma visão do casamento influenciada pelo gnosticismo. Chegavam a interpretar o casamento como uma conseqüência da queda de Adão e não como algo anterior a ele, o que não é certo. Ficavam com uma visão conflitante do casamento, como sendo necessário e desaconselhável ao mesmo tempo: “A hesitação dos ortodoxos casuístas sobre este interessante assunto trai a perplexidade de homens relutantes em aprovar uma instituição que eles eram compelidos a tolerar. Alguns gnósticos foram mais consistentes. Eles proibiram o uso do casamento”.

d- Quando o faz por “proibição demoníaca”
O apóstolo Paulo foi celibatário por plena voluntariedade. Mas ele não encarava tal fato como uma obrigação ministerial. Muito pelo contrário. Questionou os coríntios em sua primeira epístola: “Não temos nós o direito de levar conosco uma esposa crente, como fazem os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor e Cefas?” (1Co 9.5).
Logo, o celibato obrigatório não era instituição apostólica. Uma nota da Bíblia de Jerusalém sobre esta passagem, diz: “Como quer que seja, em vista dos problemas materiais, os apóstolos casados, como Cefas (Pedro), geralmente levavam a esposa em missão”.
É difícil traçar uma genealogia histórica para o celibato clerical. Com certeza, não foi apostólico tanto quanto não é bíblico. Nunca foi geral no cristianismo e, mesmo quando foi imposto aos clérigos, não era praticado uniformemente: “Por exemplo, a igreja oriental sempre permitiu que seus sacerdotes casassem. O celibato clerical é exigido somente dos monges. Os bispos ortodoxos orientais são tradicionalmente escolhidos entre os monges, portanto, celibatários. O sacerdote simples da paróquia, no entanto, tem permissão para se casar antes de ser ordenado. Se for solteiro por ocasião de sua ordenação, deve permanecer assim. A tradição católica romana desenvolveu paulatinamente a prática do celibato clerical universal, de tal modo que todos os sacerdotes da Igreja devem permanecer solteiros e castos”.
A argumentação do catolicismo sobre o celibato clerical é de que não há imposição. Quem faz o voto sacerdotal o acata voluntariamente. Isso, todavia, constitui uma imposição humana e não divina. As pessoas não deviam ter de escolher entre ser ministro cristão e ter uma família. As duas alternativas não são incompatíveis. Dizer que alguém só pode ser ministro se for celibatário é proibir o casamento para o clérigo.
Quando, porém, lemos a Palavra de DEUS, vemos que esta posição está absolutamente em conflito com ela. Veja o que Paulo escreveu sobre algumas das características dos ministros: “Esta é uma palavra fiel: Se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher […] tendo seus filhos em sujeição […] se alguém não sabe governar a sua própria casa [família], terá cuidado da igreja de DEUS?” (1Tm 3.1-5; grifos do autor). E ainda: “Por esta causa te deixei em Creta, para que […] de cidade em cidade, estabelecesse presbíteros, como já te mandei: aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis […] (Tt 1.5,6; grifos do autor).

e- Quando leva a desvios sexuais
Não faz muito tempo, a mídia mundial ficou repleta de denúncias de práticas homossexuais e pedófilas por parte do clero católico. Isso sem falar no Movimento dos Padres Casados, que é uma dissidência católica e um protesto aberto contra o celibato obrigatório.
Não é de se espantar coisas desse tipo. Quando os impulsos sexuais não são refreados por um dom da graça de DEUS, serão extravasados de uma forma ou de outra. Assim escreveu o apóstolo em sua epístola aos Romanos: “E semelhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza” (1.27; grifos do autor). A torpeza foi o resultado de deixar “uso natural da mulher”.
DEUS criou o homem como um ser sexuado e estabeleceu princípios pelos quais essa necessidade seria legitimamente atendida. Isso está claro na Bíblia: “Macho e fêmea os criou” (Gn 1.27); “Não é bom que o homem esteja só” (Gn 2.18); e, por fim, “Deixará o homem seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher e serão os dois uma só carne” (Gn 2.24). E ainda o apóstolo Paulo arremata: “Todavia, para evitar a fornicação, cada homem tenha a sua mulher e cada mulher tenha o seu marido” (1Co 7.2 - Bíblia de Jerusalém).
A insistência na obrigatoriedade do celibato clerical, tanto na prática quanto na matéria teológica, é plena demonstração de uma “consciência cauterizada” ou, como traduz a Bíblia de Jerusalém, “hipocrisia dos mentirosos, que têm a própria consciência como que marcada com ferro quente” (1Tm 4.2).

III- Considerações finais
Se alguém deseja ser celibatário, sente que tem um chamado de DEUS para isto, sente-se capacitado por DEUS para assumir essa posição, então que seja. Mas, definitivamente, não há qualquer grau de pecaminosidade no casamento e, especificamente, no ato sexual praticado pelo marido e a mulher. “Mas, se te casares, não pecas; e, se a virgem se casar, não peca” (1Co 7.28).
Para terminar, vale a observação do dr. Otto Borchert sobre JESUS e o casamento:
“Não podemos duvidar, nem por um momento, que JESUS via grandes benefícios no casamento. Em algumas de suas parábolas, Ele retratou a alegria do casamento como a maior de todas, chegando a se comparar com o noivo. Ele mesmo tomou parte em um casamento e experimentou o maior prazer com os ramos de oliveira (filhos) que são o resultado de tal união. Além disso, invocou a lei da criação (DEUS os fez macho e fêmea) contra Moisés, revelando o pleno significado intrínseco e a seriedade desta lei (Mt 19.4). Aqueles dentre nós que o conhecem, reconhecem que JESUS nunca foi partidário das pessoas que proíbem o casamento (1Tm 4.3), da mesma forma, jamais podemos crer que seja possível que Ele [JESUS] tenha dado o conselho oferecido pelo seu apóstolo de que é melhor não se casar”.

Notas:
1 Enciclopédia Britânica, 1969, vol 5.
2 CESARÉIA, EUSÈBIO de. História eclesiástica (Livro 4, XXIX). São Paulo: Fonte editorial, 2005, p. 146.
3 Ibid.
4 CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos. São Paulo: Edições Vida Nova, p. 81.
5 Declínio e queda do império romano, Cap 15, p.192. Coleção grandes livros do Ocidente, Enciclopédia Britânica.
6 Ibid.Cap XV, 92.
7 OLSON, Roger. História da teologia cristã. São Paulo: Editora Vida, 1999, p. 309.
8 BORCHERT, Otto. O JESUS histórico. São Paulo: Edições Vida Nova, 1985, p. 245.
 

Conclusão:

A satisfação sexual deve ser do casal, cada um se esforça pelo prazer do outro, são parceiros no amor conjugal.

A esposa é mansa e quieta, submissa à autoridade dada por DEUS ao seu marido; O marido ama sua esposa e a sustenta de amor, carinho e compreensão; os filhos são obedientes aos seus pais e tementes a DEUS; este é o modelo bíblico da Família Cristã.

A Família vem antes da Igreja, pois não há Igreja sem família. Não podemos ser felizes na Igreja sem sermos felizes em nossa família. Façamos portanto da Igreja, a nossa Família. Nossa Família é responsável pela evangelização do mundo.

Veja bons estudos sobre Família em:

http://universobiblico.com.br/assembleia/estudosbiblicos/familia%20crista.htm 

INTERAÇÃO

Prezado professor, você está preparado para a ministração de mais uma aula? O tema de hoje, como todos do trimestre, é muito relevante, pois estudaremos, de modo direto e enfático, a respeito do casamento. Poderíamos fazer várias afirmações a respeito do matrimônio, mas que fique gravado na mente e no coração de seus alunos que o casamento é uma “sociedade” mútua instituída por DEUS, em que cada participante deve zelar pelos direitos e bem-estar do cônjuge.

OBJETIVOS

Após esta aula, seu aluno deverá estar apto a:

Compreender que o casamento é uma “sociedade” mútua instituída por DEUS.

Conscientizar-se de que o casamento deve ser no Senhor.

Saber que o matrimônio é uma salvaguarda contra a imoralidade.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, nos capítulos 5 e 6 da Epístola aos Coríntios, Paulo condena a imoralidade na igreja local. Ora, o antídoto contra o indecoro moral é o casamento no Senhor. Portanto, o capítulo 7 é o texto da Bíblia que mais discute e comenta o matrimônio e algumas de suas particularidades. Esta seção está dividida em: (vv.1-7) O comportamento dos cônjuges no casamento; (vv.8,9) A situação dos solteiros e viúvas; (vv.10,11) O casal cristão; (vv.12-16) Casamentos mistos; (vv.17-28) O estado de cada crente; (vv.29-35) Permanência no estado presente.

RESUMO DA LIÇÃO 07 - CONSIDERAÇÕES SOBRE O CASAMENTO

Palavra Chave: Casamento Instituição divina que tem por objetivo a união entre um homem e uma mulher.

Havia dúvidas entre os crentes de Corinto sobre o casamento e o relacionamento familiar em geral.

I. CASAMENTO OU CELIBATO

“Mando, não eu, mas o Senhor” (v.10); “Digo eu, não o Senhor” (v.12). Ver também os vv.25,40.

1. Casar ou não casar? “

O matrimônio foi instituído por DEUS e é um estado honroso (Hb 13.4), mas o celibato também é uma opção de vida perfeitamente natural (v.38). O casal cristão que vive no temor de DEUS simboliza CRISTO e sua Igreja (Ef 5.31,32).

II. A NECESSIDADE DO CASAMENTO (vv.2-5)

Vejamos algumas atitudes e deveres cristãos concernentes ao casamento (vv.3,4).

1. Obrigações recíprocas (7.3,4).

2. Abstinência temporária (7.5,6).

III. O SOLTEIRO (vv.7-9).

1. “Cada um tem de DEUS o seu próprio dom” (v.7).

2. O conselho de Paulo aos solteiros que desejavam permanecer neste estado (v.8)

IV. COMPROMISSOS CRISTÃOS NO CASAMENTO (vv.10,11)

1. A mulher e o marido não devem se separar.

2. Conversão do cônjuge após o casamento (1 Co 7.12-16).

CONCLUSÃO

Maior é DEUS para guardar a todos os que nEle confiam e que vivem para Ele.

SINOPSE DO TÓPICO (1) O matrimônio foi instituído por DEUS. E, assim como o celibato, é um estado honroso.

SINOPSE DO TÓPICO (2) O casamento efetuado por amor recíproco preserva e protege a pureza moral da sociedade.

SINOPSE DO TÓPICO (3) O solteiro pode permanecer nesse estado para realizar a obra de DEUS.

SINOPSE DO TÓPICO (4) O casamento deve ser indissolúvel.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO

Subsídio Teológico

“Asceticismo e o celibato matrimonial

[…] No versículo 2, Paulo está argumentando contra o falso ensino que defende o asceticismo e o celibato matrimonial. Alguns supunham que a vinda de CRISTO estava muito próxima e que por isso deveriam ser espirituais. Esse pensamento de ser “espiritual” era provavelmente influência proveniente de idéias gregas sobre o corpo ser algo indigno (veja 1 Co 6.12-20; 15.1-58). O que Paulo quer dizer é que cada homem que já está casado deve continuar mantendo relações com sua própria esposa, e cada esposa com o seu próprio marido. Esta é a norma para os cristãos. A imoralidade que Paulo tem em mente é homens casados irem visitar prostitutas (em geral as prostitutas do templo que eram incentivadas pela religião grega). O versículo 2 se aplicaria a todo caso extraconjugal de hoje.

Dentro do casamento, o marido tem a responsabilidade primária de buscar a satisfação sexual de sua esposa. A esposa também deve corresponder. Paulo não considera as relações sexuais como somente para procriação. Elas são uma obrigação dentro do casamento, mas o marido e a esposa devem respeitar-se um ao outro para chegarem a um acordo mútuo sobre como e quando. Visto que no plano de DEUS eles são unidos como uma carne, cada um possui o corpo do outro.”

(HORTON, S. M. I e II Coríntios: Os problemas da igreja e suas soluções. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p. 69.)

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA - HORTON. S. M. I e II Coríntios: os problemas da igreja e suas soluções. RJ: CPAD, 2003.

SAIBA MAIS Revista Ensinador Cristão, CPAD, no 38, p.39.

APLICAÇÃO PESSOAL

Ao nascer, fomos dotados de impulsos (tendência natural) específicos sem os quais nossa sobrevivência seria impossível. O impulso sexual caracteriza o instinto de preservação da espécie. Depois da Queda, no jardim do Éden, o homem pecador passou a deturpar este impulso divino, gerando as muitas aberrações que sabemos existir hoje, mas isso não invalida a intenção de DEUS em abençoar o homem e perpetuar a espécie através da sexualidade sadia. Provérbios 5.18 diz que “bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade”. A vida sexual saudável dentro do casamento tem a bênção de DEUS, além de dar alegria e prazer ao cônjuge (Hb 13.4). Todavia, o desejo sexual deve ser disciplinado se quisermos viver de acordo com a vontade do Pai. Satanás, que induziu o homem a pecar contra DEUS, tem um plano oposto aos propósitos estabelecidos pelo Criador. Ele tem trabalhado em favor da banalização do sexo e da destruição do casamento. Estejamos, pois atentos às suas ciladas e oremos mais a favor da família.

Ajuda:

CPAD - http://www.cpad.com.br/ - Bíblias, CD’S, DVD’S, Livros e Revistas. BEP - BÍBLIA de Estudos Pentecostal.

http://universobiblico.com.br/assembleia/estudosbiblicos/videosebdnatv.htm   (VÍDEOS da EBD na TV, DE LIÇÃO INCLUSIVE)

BÍBLIA ILUMINA EM CD - BÍBLIA de Estudo NVI EM CD - BÍBLIA Thompson EM CD.  

Nosso novo endereço:http://universobiblico.com.br/assembleia/estudosbiblicos/

Veja vídeos em http://ebdnatv.blogspot.com/ http://www.ebdweb.com.br/, em http://www.idbpa.net/joomla/index.php?option=com_content&task=category&sectionid=10&id=44&Itemid=133&limit=50&limitstart=0, http://www.sovitoria.com.br/ - Ou nos sites seguintes:

4Shared, BauCristao, Dadanet, Dailymotion, GodTube, Google, Magnify, MSN, Multiply, Netlog, Space, Videolog, Weshow, Yahoo, Youtube. 

http://universobiblico.com.br/assembleia/estudosbiblicos/familia%20crista.htm

http://www.cacp.org.br/catolicismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=1227&menu=2&submenu=13

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    Solange
    Escreveu:

    Seria pecado a mulher colocar protese nos seios para agradar ao marido? e melhorar sua auto estima?


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    Hiran R. Alencar
    Escreveu:

    Subsídios extras para a lição I Coríntios - Os problemas da Igreja e suas soluções
    2º trimestre/2009
    Lição 07 - CASAMENTO
    Ética Cristã e Sexualidade
    Índice
    1. Introdução
    2. Conceitos aplicáveis ao termo “sexo”
    3. Influência psicologia dos dogmas quanto ao sexo - Sexo e pecado
    4. O sexo e a Bíblia
    5. O sexo no casamento
    6. Cuidados com o assunto sexo
    7. O sexo e virtude
    8. A sexualidade erótica
    9. *A sexualidade masculina
    10. *Sexualidade feminina
    11. Reações do corpo humano ao sexo
    12. Casamento e sexo
    13. Homossexualismo
    14. Relações sexuais irregulares
    1. Introdução:

    Estudar a Sexualidade, no sentido comportamental, tem por objetivo promover a auto-educação e recíproco amparo moral, sem distinção de crença, raça, posição social, sexo e idade.
    Comparar, criticar e discutir as filosofias, religiões, ciências, artes e práticas sociais, independente dos povos e seu processo histórico; desenvolver e praticar as virtudes e os costumes que enobrecem o caráter, com o firme propósito de alcançar e manter um alto padrão moral; Cultivar o espírito de livre investigação e crítica, que conduz o ser humano a posicionar-se diante do mundo, diante de seus semelhantes e, finalmente, diante de si mesmo é dever. È estudando e pesquisando sobre qualquer assunto, sem falso pudor e falsa moral, que homem eleva-se mentalmente e se torna consciente de sua individualidade e do seu dever moral para combater a ignorância, a superstição, os vícios, os maus costumes sociais, o egoísmo, o sectarismo, a violência e os obstáculos psicológicos que dificultam a existência e podem até levar o ser humano à perdição. Entender a evolução da civilização em seus aspectos gerais que incluem homem e mulher num ambiente sexual simples, não só é salutar, mas também é necessária como forma de evitar as distorções graves que hoje vemos.
    2. Emprego do vocábulo “sexo”
    Conceitos:
    O termo vem do latim “sexu” substantivo masculino da Zoologia que significa “Conjunto de caracteres, estruturais e funcionais, segundo os quais um ser vivo é classificado como macho ou fêmea.”
    Adjetivo que identifica um dos órgãos sexuais.
    Biologicamente a palavra sexo identifica o caráter ou estrutura fisiológica (órgãos de reprodução) que diferencia os seres vivos em masculinos e femininos.
    As ciências sociais usam o termo “sexo” para se referir à divisão biológica em macho e fêmea (gênero)
    O papel social de uma pessoa é historicamente atribuído baseado em seu sexo. Existe enorme variação de atitudes culturais, entre e dentro das sociedades, em relação a sexo, sexualidade e papéis sexuais.

    3. Influência psicologia dos dogmas quanto ao sexo
    Sexo e pecado
    Não devemos confundir sexo e pecado. “Sexo, em si, não é pecado. Ele é instrumento de prazer e não existe somente para a procriação, mas para a felicidade do gênero humano, para os afetos, para a inter-relação. Também não devemos aceitar a estranha idéia de que o pecado original, cometido por Adão e Eva, estaria relacionado ao sexo (relação sexual). O sexo é uma criação divina e não pode ser pecado aquilo que Deus criou. Deus determinou a Adão e a Eva que mantivessem relações sexuais. Dizer, pois, que sexo é pecado seria o mesmo que dizer que Deus mandou o primeiro casal pecar. Entre os benefícios que Deus estabeleceu para felicidade do homem está o sexo.
    O sexo e a Bíblia.
    A Bíblia fala de sexo com sinceridade e sem falso pudor. (Deuteronômio 24:5; 1 Coríntios 7:3, 4) “Alegra-te com a esposa da tua mocidade”, aconselhou Salomão. “Inebriem-te os seus próprios seios todo o tempo.” (Provérbios 5:18, 19) Ela dá conselhos e advertências claras sobre sexo, incluindo os limites que devem ser obedecidos.
    A Bíblia proíbe o sexo fora do casamento e todas as formas de práticas sexuais pervertidas e não naturais. — Levítico 18:22, 23; 1 Coríntios 6:9; Gálatas 5:19.
    O sexo no casamento
    Mesmo dentro do casamento, é preciso haver respeito e obediência a certos limites. “O matrimônio seja honroso entre todos e o leito conjugal imaculado”, escreveu o apóstolo Paulo. (Hebreus 13:4) Esse conselho é diametralmente oposto à intenção e à mensagem transmitida pela pornografia.
    Cuidados com o assunto sexo
    1. Por que devemos escolher que assuntos devem ser tratados e com que palavras eles podem ser expostos quando se trata de sexo?
    R: Por que devemos respeitar os costumes sociais para não chocar, escandalizar e nem gerar confrontos psicológicos, uma vez que o assunto aguça os instintos mais primitivos do ser humano.
    a. Público ouvinte
    Como classificar o público ouvinte?
    ? De acordo com os costumes e com o círculo social:
    Tudo é uma questão de decoro. As pessoas avaliam o comportamento das outras levando sempre em consideração os seus parâmetros, ou seja, os seus valores. Dentro de cada pessoa existe uma escala, a qual é formada a partir dos seus valores. Quando se trata de comportamento, os valores são carregados de preconceitos formados ao longo de toda a existência daquela pessoa.
    ? Qual é a classificação mais simples para selecionar os assuntos?
    b. Sexo e “a lei social”
    Que palavras se devam usar; e
    Que assuntos e se pode tratar em determinada faixa etária, determinada classe ou determinado círculo social.
    Quanto do corpo se pode expor?
    Os parâmetros para avaliar um padrão de vestimenta ou de exposição do corpo de um índio xavante são totalmente adversos aos padrões de uma freira carmelita. Podemos dizer que uma jovem índia xavante é imoral ao se apresentar totalmente despida diante de um grupo de visitantes?
    Podemos dizer que uma freira carmelita é moderada quando vimos- lá totalmente coberta, dos pés à cabeça?
    Nem um nem outro. Do primeiro podemos, seguramente, afirmar que o seu comportamento é puritano e natural; já no segundo caso, qualquer afirmação pode demanda uma série de análises sociológicas e psicológicas, porém há uma certeza: o comportamento no segundo caso é carregado de preconceitos e de razões externas.
    As duas formas de comportamento, quanto à exposição do corpo, podem ser consideradas moderadas, respeitáveis e descentes perante as suas respectivas sociedades, mas a jovem índia pode ser vista como dissoluta se aparecer daquela forma numa avenida de qualquer cidade ocidental e, mais ainda, pode ser considerada digna de morte se sua aparição se der numa das cidades do oriente médio ou da Ásia.
    c. Outro fato a ser analisado é a época:
    Tanto a vestimenta quanto o vocabulário de uma pessoa pode identificar o seu comportamento sexual, ou pelo menos naquilo que ela aprova. Mas, dependendo da época em que o fato ocorra, essa análise pode ficar bastante comprometida ou defasada.
    d. Decoro sexual, escândalo e a relação com a lei.
    A questão do escândalo ou do que o decorro e a lei social exige está justamente no poder de chocar ou de vexar as outras pessoas do círculo onde esteja inserida a pessoa cujo comportamento esteja sendo analisado.
    e. Pudor e maus modos.
    Não é necessário que o comportamento seja impudico para que as outras pessoas se sintam pouco à vontade, basta que ele seja inconveniente e isso é uma questão até de local e de momento. Falamos aqui, não só de exposição corporal, mas de gestos e linguajar, no conjunto do comportamento.
    Um fator que se pode avaliar bem é o padrão de decência: Não se pode dizer que uma pessoa que se comporta meticulosamente com decência no vestir, no gesticular ou no falar possua um padrão de pureza ou que tal comportamento o favoreça no aspecto moral. Da mesma forma, não se pode afirmar que alguém que quebre o “decorro” pela sua maneira de vestir e pelo seu linguajar ou pelos seus modos, possa estar cometendo um crime. O primeiro pode está encobrindo um montão de preconceitos e o segundo pode estar chocando apenas por ignorância ou descuido. O fator de avaliação do padrão de decência é então analisado quando o caso demonstra que o comportamento ocorre somente para excitar o sexo em si mesmo ou em outrem. Porém, em ambos os casos, o comportamento pode ser conceituado de “maus modos”.
    O discernimento é quem vai determinar o comportamento das pessoas de forma a não chocar quanto à libido ou espírito da lei moral sexual.
    No geral são feitos juízos de “comportamentos sexuais” através de preconceitos que, via de regra, partem de pessoas idosas ou de pessoais antiquadas mesmo para os padrões conservadores e ai persiste uma confusão. Supor que um jovem é decaído ou indecoroso julgando-o pelo “antigo padrão” pode ser injurioso. Da mesma forma, declarar alguém antiquado ou puritano apenas porque procurar manter o equilíbrio moral para sustentar valores não avaliáveis naquele período pós emancipação dos jovens, pode não só ser indelicado, como também pode ser perigoso para a própria subsistência do respeito próprio.
    O sexo e virtude
    CS Lewis diz que “a pureza sexual é a virtude cristão mais impopular e não há como fugir dela”: a lei cristã é: ou casamento com total fidelidade ao companheiro ou então completa abstinência. Isso para muitos é difícil, uma vez que é totalmente contrário aos nossos instintos. Mas a tese de que o cristianismo está errado ou o instinto sexual humano se transformou, pode ser explicada: A posição, como cristão, é que o instinto se transformou.
    1 DESEQUILÍBRIO
    O primeiro fator de modificação do comportamento sexual é o desequilíbrio. A questão sexual é muito complexa quando tratamos do ponto de vista qualitativo e quantitativo.
    O desequilíbrio sexual poder ser considerado patológico (doença): Em linhas gerais o comportamento sexual compulsivo é tomado como algo patológico. Para muitos autores que estudam o tema, a luz da psicologia médica e segundo as diretrizes da psicologia geral, o comportamento sexual compulsivo é considerado patológico quando causa sofrimento emocional com conseqüências inter pessoais, ocupacionais, familiares e financeiras. Seja esse comportamento qual for ele é doença! Mas o critério para avaliação é polêmico, uma vez que se há um apetite sexual patológico cujas fantasias aumentam a ponto de ocuparem os pensamentos e os sentimentos em quase todos os mentos. Certamente trata-se de uma obsessão compulsiva sexual.
    De outra forma, quando a pessoa envolvida exige remuneração sexual e não considera a ética, a moral e a legalidade há, não uma patologia, mas uma distorção moral acaba por avançar no sentido da psicopatologia. Essa prática gera uma incapacidade total de avaliar os valores reais envolvidos.
    Quando o envolvimento sexual ocorre numa sucessão impulsiva e insaciável de prazeres, na busca de vantagens outras, considerando os prazeres sexuais ou não, fica configurado um caso de “transtorno sociopático ou borderline da personalidade” – Desvio moral.
    2 OS PRECIPITADOS
    O maior empecilho para a felicidade, no aspecto conjugal, é a precipitação:
    A vontade exacerbada de praticar sexo sem a segurança e sem a responsabilidade atribuída por Deus para a formação da família, como fator de criação e da base da sociedade, da segurança e de conforto individual das pessoas é o primeiro empecilho para uma felicidade duradoura;
    3 OS EGOÍSTAS
    O segundo empecilho é o nosso egoísmo, vontade de levar vantagem sobre o outro;
    4 OS VAIDOSOS
    O terceiro é a vaidade, cujo efeito afasta as pessoas umas das outras mesmo antes que elas se conheçam adequadamente para fazer juízo, se são ou não compatíveis com os seus anseios verdadeiros.
    5 OS DESCONTROLADOS
    O quarto é a falta de controle dos instintos:
    a. Nossos instintos (o que está errado) – Não há nada errado, o erro está no ato ou efeito de instigar um dos fenômenos naturais da existência. O Estímulo ou incitamento ao apetite gera gula, da mesma forma, a sugestão ou excitação para qualquer outra necessidade é pecado.
    b. Propósito biológico do sexo
    c. O apetite e sua finalidade biológica (alimentação para manutenção do corpo)
    Strip-tease: (comida e sexo) teatro lotado para ver… há algo errado com o instinto
    Quanto do corpo pode se expor e ainda está dentro do decoro e da decência?
    d. A exposição do corpo está diretamente ligada à cultura e aos costumes de cada povo. A questão de exposição ser indecorosa, indecente ou imoral está na intenção.
    Por que há necessidade de moderação social (decorro e decência)?
    e. A lei do decoro varia – expressões, roupas, práticas, gestos e costumes (padrões de determinada sociedade).
    f. Uso de sutilezas e palavras somente para excitar o sexo (onde está o pecado?) descuido, ignorância, pureza e maus modos.
    Porque a pureza sexual é uma virtude a ser cultivada?
    g. Uso do sexo para chocar ou vexar as outras pessoas (impudico)
    h. O sexo como prioridade existencial
    i. O sexo como atividade lucrativa
    Padrões de decência muitos rigorosos ou afrouxamento e simplificação?
    j. Inconvenientes (diferentes idades, culturas e padrões de reconhecimento).
    k. Como se posicionar?
    1) O cristão deve evitar as cenas imorais em filmes e revistas, como também a literatura pornográfica (cf. 2 Tm 2.22; Tt 2.12; Tg 1.14; 1 Pe 2.11; 2 Pe 3.3; 1 Jo 2.15,16; 1 Co 6.18; Gl 5.19, 21; Cl 3.5; Ef 5.5; Hb 13.4).
    6 OS CUIDADOS DO HOMEM E DA MULHER
    Na pureza sexual o homem e a mulher igualmente têm responsabilidades. A mulher cristã deve tomar cuidado no vestir, no andar e no falar de modo a atrair a atenção para o seu corpo. Pois a excitação do homem vem pelo tato, olhar e ouvir. O homem deve evitar instigar a concupiscência nas mulheres através de palavras e insinuações. (1 Tm 2.9; 1 Pe 3.2,3) - Mt 5.28 “ Eu porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com Ela”.

    7 PUREZA SEXUAL COMO VIRTUDE CRISTÃ IMPOPULAR
    Casamento e fidelidade ou total abstinência
    Gênesis 2: 23 e 24 - E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. 24 Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne.
    Casamento e sexo
    Para discutir o casamento e sua relação com o sexo é necessária uma reflexão sobre o que diz a Bíblia no que tange à existência de um ser dualístico como o é o ser humano: homem e mulher; macho e fêmea.
    Não é apenas uma questão moral, mesmo que as circunstancias tenham tornado o sexo um fator de moralidade, a natureza o criou como forma de prover a existência biológica sustentável e renovável.
    A existência humana só se concretiza a partir das duas formas existências do ser humano, homem e mulher, varão e virago, macho e fêmea, masculino e feminino.
    São as diferenças que tornam às pessoas completas – uma completa a outra – são dois pólos da mesma carne, conforme diz Adão em gêneses 2: 23 e 24. A natureza nos força a buscar um ao outro desde a puberdade. São sonhos, fascínio e ilusões de relacionamento etc. Homem e mulher, no mais sublime esplendor da existência carnal é a principal fonte de harmonia, alegria e gozo da vida material.
    O sexto funciona também com gerador de vida, homem e mulher gerando outras vidas compostas de corpo, alma e espírito, portanto existe no sexo o poder criador e multiplicar, de forma que ele é uma ferramenta de Deus para povoar a terra e, no futuro, encher o céu.
    Veja “Reação do corpo humano ao sexo – os precipitados”
    Unidade no casamento
    A unidade plural do ser humano é a essência da vida.
    Separação
    Qualquer que seja a razão de separação dos corpos masculino e feminino, um para o outro, na comunhão do casamento, trata-se de um ato infeliz e pecaminoso que atormenta a pessoa ou às pessoas envolvidas até o fim das suas vidas. Esta é razão das frustrações do separados, dos viúvos e dos homossexuais cujas vidas esvaem-se em alcoolismo, drogas e outros vícios, cuja amargura e a opressão de Satanás se percebe ao simples contato.
    Uma só carne
    Quando falamos de homem e mulher, trata-se de uma só carne – a espécie humana completa, macho e fêmea. Todos os seres humanos têm as suas caras metades, basta procurar.
    Homossexualismo
    O pecado e as armadilhas do Diabo tentam de toda forma minar os projetos de Deus através da humanidade. Quanto mais distante do projeto original de Deus as pessoas se colocarem, mais contente vai estar o Diabo. São vários os subterfúgios, mas os ardis mais perversos estão no homossexualismo, cujos efeitos, além de nocivos nos sentidos psicológicos e sociais, uma vez que se trata de uma prática totalmente fora dos padrões e das conformidades biológicas. As distorções sexuais são cruéis com a continuidade da espécie. Macho e macho ou fêmea e fêmea não geram nada além de frustrações e seqüelas. Nesse tipo de relação a vida se extingue.
    Fornicação e adultério
    8 FORNICAÇÃO É DIFERENTE DE ADULTÉRIO

    Fornicação designa a prática de relações sexuais fora do casamento ou entre pessoas que não são casadas, independente da sua orientação sexual.
    O ato de um estuprador é fornicação mas não constitui a vítima como fornicadora.
    Fornicar vem de fornicis, ou fornix = abóbada, ou arco. Fornice era o arco da porta sob a qual as prostitutas romanas exibiam a si mesmas. As meretrizes ficavam por lá porque além de ligar o lugar ao sexo, a mulher romana devia, a não ser que não tivesse nem pai, nem marido, nem filho(s) do sexo masculino, sempre(podiam também ser escravas) obediência a um homem. As mulheres deveriam ficar sempre dentro dos limites da casa/prédio de seu dono ou protetor - por isso, não podiam passar do arco(fornice).
    No Novo Testamento fornicação e o termo usualmente usado para trazudir a palavra grega Porneia, termo técnico que designava um matrimônio inválido. Na época de Cristo, com a multiplicidade de leis judaicas, não era raro que um matrimônio fosse invalidado por algum impedimento jurídico. Surgia então o problema sobre se deviam ou não se separar os dois que estavam em zonah (casamento inválido).
    9 ADULTÉRIO
    A palavra Adultério derivou da expressão em latina ‘ad alterum torum’ que significa literalmente na cama de outro(a) e designava a prática da infidelidade conjugal. Com o tempo se estendeu ao sentido de fraudar ou falsificar adjeta ao verbo “adulterar”.
    O adultério, como “ato de se relacionar com terceiro na constância do casamento”, é considerado uma grave violação dos deveres conjugais por quase todas as civilizações de quase toda a história.
    Nos tempos atuais, esta violação ainda é punível severamente, inclusive com pena de morte, em algumas partes do mundo, e em outras, notadamente na civilização ocidental mais brandamente, está em vias de se tornar mera reprovação embora ainda se constitua em causa eficiente para o divórcio ou rescisão do casamento.
    No Brasil, a prática do adultério já foi capitulada como crime, entretanto eram, na atualidade, raríssimos os processos penais em busca da penalização, embora seja, freqüente, fundamento factual para pedidos de divórcio e de indenizações por danos morais em processos cíveis.
    A maioria das legislações contém gradação da gravidade da prática do adultério, algumas reservam penas mais severas quando, por exemplo, ele é praticado com parentes do cônjuge vitimado. No direito medieval, os praxistas formularam gradação segundo a gravidade como as figuras nudus cum nuda im oedem lectum (nu com nua na cama) como modalidade mais grave e o solus cum sola im solitudine (ele só com ela) como modalidade menos grave.
    Objeto de forte reprovação moral e religiosa, o adultério parece ser uma reminiscência atávica comum aos primatas entre os quais é recorrente. Em outras espécies existe uma inibição natural que faz com que, depois de acasalados, não se liguem a outros parceiros, nem mesmo depois da morte do anterior, como é o caso dos periquitos das araras e de alguns pingüins.
    H R Alencar


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    Hiran R. Alencar
    Escreveu:

    lição I Coríntios - Os problemas da Igreja e suas soluções
    2º trimestre/2009
    Lição 11 - A Ressurreição de Cristo - 1 Coríntios 15.1-10
    · Quais são os problemas desta lição?
    1. O primeiro problema é que havia dúvidas sobre a volta do homem a vida após a morte (ressurreição), o que significa que duvidavam da ressurreição de Cristo, não havendo sentido em afirmar-se cristão, pois a esperança do cristão é a redenção do corpo para uma vida eterna .
    2. O segundo problema é que os corintios eram influenciados pelas idéias gnósticas “racionalistas” dos filósofos gregos. Por isso Paulo apresenta aos irmãos de Corinto as provas irrefutáveis de Jesus (At 1.3, 17.32; 1 Co 15.12).
    3. O outro problema era os saduceus: eles não criam na ressurreição (Mt 22.23; Mc 12.18; Lc 20.27) Diziam que a crença da ressurreição dos mortos não podia ser confirmada e que a alma morria com o corpo.
    · Porque Paulo escreveu aos corintios sobre a Doutrina da Ressurreição?

    I. A Doutrina da Ressurreição
    II. A Profecia da Ressurreição
    III. O Fato da Ressurreição de Cristo
    IV.As Testemunhas da Ressurreição de Cristo.

    Palavra-chave: Ressurreição
    I. A Doutrina da Ressurreição – “Pode o homem voltar a vida num corpo físico depois da sua morte?”
    Existem três tipos de ressurreição:
    1. Transitória (médica ou milagrosa) - Restituição da vida ao morto no mesmo corpo, tornar à vida; ressuscitar no mesmo corpo corruptível.
    2. Definitiva – Restituição da vida e restauração do corpo (redenção) no corpo incorruptível (remição; resgate ou salvação), tornar à vida eterna.
    3. Ressurreição no sentido figurado – novo nascimento “ de sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida”. (Rm 6:1-6 e Ef 2: 5-6)
    Garantias de que isto acontece: (I Corintios 15:14) - E, se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé.(veja tabela de aparecimentos de Cristo ressuscitado)
    Garantia que isto também ocorrerá com os crentes no futuro: (I Corintios 15:19) - Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. 20) - Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.
    II. fato da ressurreição de Cristo
    As profecias:
    (Jó 19:25-27) - Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. - E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus, - Vê-lo-ei, por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros o contemplarão; e por isso os meus rins se consomem no meu interior.
    (Daniel 12:2) - E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.
    De Davi (Salmos 16:10) - Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção.( Atos 2:34- Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita,)
    O próprio Cristo - (Mateus 16:21) - Desde então começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia.
    Plano divino da redenção (Sl 16.8-10; Is 11 e 53, Os 6.2).
    Essas provas infalíveis e incontestáveis jamais puderam ser refutadas. As autoridades religiosas de Jerusalém lutaram muito para neutralizá-las, mas não conseguiram (Mt 28.11-15).
    III Fatos da Ressurreição – Lc 24: 1-16 (E NO primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado, e algumas outras com elas. - E acharam a pedra revolvida do sepulcro. - E, entrando, não acharam o corpo do Senhor Jesus. - E aconteceu que, estando elas muito perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois homens, com vestes resplandecentes. 5) - E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos? - Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galiléia,
    Declaração: (II Timóteo 2:8 e 9) - Lembra-te de que Jesus Cristo, que é da descendência de Davi, ressuscitou dentre os mortos, segundo o meu evangelho; - Por isso sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a palavra de Deus não está presa.
    IV - Testemunhas pessoais
    Lc 24.34
    At 1.3
    At 12.1-3
    4. Quinhentas testemunhas – 1 Co 15:6
    5. Tiago — irmão do Senhor - Mc 6.3; Jo 7.5
    6. O grupo no cenáculo depois da ascensão At 1.13
    7. Paulo -At 22.5-8
    A ressurreição de Cristo significa vitória definitiva sobre o pecado a morte e o inferno.
    Conclusão
    A doutrina da Ressurreição de Cristo é base da fé cristã e dá suporte a esperança de vida eterna (Romanos 4:25 - O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação).
    As provas da ressurreição de cristo são muitas e todas amparadas em testemunhos, em experiências próprias e em provas documentais, fatos, razões apresentadas em profecias que se concretizaram, motivo pelo qual a reafirmação da doutrina da ressurreição nada mais é que o prosseguimento com a prática cristã e com a pregação do evangelho de nosso senhor Jesus Cristo.
    Compilação: Hiran R. Alencar


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    Hiran R. Alencar
    Escreveu:

    Quando falamos de “Ajuda aos Necessitados”, devemos observar algumas particularidades de 2 Coríntios 9.6-11.
    “o que semeia pouco, pouco também ceifará” se aplica tanto a quem dá, quanto a quem recebe, não é uma via de mão única, a qual alguns utilizam para induzir os outros a dá para que eles possam receber sem haver semeado. Lembre-se que a segunda pare do versículo dez “ e o que semeia em abundância, em abundância ceifará”.
    Outra ênfase está no “Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria” O coração aqui não é um impulso do convencimento dos outros, mas à vontade de ver uma situação resolvida, não adianta dá por imposição psico-induzida, sem saber quais serão os resultados, é necessário ter certeza da firmeza de caráter de quem administra em última instância, é uma questão de justiça.
    É preciso ter fé que “E Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra;” Mas também é preciso ter consciência de que Deus não vai jogar um montão de dinheiro no seu colo só porque você deu uma boa oferta. Veja que tudo é dada a todos de igual forma, a questão é que alguns não se esforçam para fazer por merecer! Existem muitos indolentes que dormem até meio dia ou ficam “rezando” , repetido velhas formulas, dizendo que estão orando a Deus, quando pedem por milagres materiais e ficam repetindo que irão “viver da fé”, e ficam se lamentando da vida.
    “… Espalhou, deu aos pobres; é uma assertiva que se refere a ajuda real à que necessita, conforme uma estreita lista especificada - órfãos e viúvas- e, mais especificamente, aqueles que atravessam problemas sazonais.

    I. A Importância da Ajuda aos Necessitados:

    O Tema da lição é Ajuda aos Necessitados.
    Ajuda é o mesmo que Auxílio, assistência ou socorro.
    Necessitado é aquele que é que é pobre; miserável, indigente (Pessoa que vive em extrema miséria), portanto é necessário que haja critérios objetivos. Atente que a leitura proposta não está dentro dessa delimitação.
    Parece que a lição da CPAD propõe uma delimitação e expõe outra, porem vamos discutir as duas sucintamente:
    1. A questão de ajuda
    A questão de ajuda aos necessitados é um dilema que precisa ser resolvido com critérios bem claros. Na lição da CPAD o problema não é tratado, pois enfoca apenas a “obrigação” de contribuir, mas a bíblia é bem clara: (Isaías 50:9) - “Eis que o Senhor DEUS me ajuda; quem há que me condene? Eis que todos eles como roupas se envelhecerão, e a traça os comerá”. Há os que comparecem as igrejas pedindo, porém são lúcidos, sadios e argumentam contra qualquer oferta de trabalho (Eclesiastes 10:18- Por muita preguiça se enfraquece o teto, e pela frouxidão das mãos a casa goteja.), outros se dizem missionários, mas são vistos perambulando pelas ruas procurando a quem convencer das suas necessidades, para aplicar um golpe. Ccomo agir com tais criaturas? A Bíblia ensina a importância de “ajudar aos necessitados, mas nunca socorrer aqueles que procuram fugir de suas responsabilidades, pois é um grande pecado encorajar a indolência”. Como diz o ditado popular “Não dê o peixe, ensine a pescar”.
    “A pessoa que peleja pela vida sempre merece auxílio em tudo àquilo que for possível. É meritório fazer o semelhante crescer espiritualmente, tudo aquilo que contribuir para isto deve ser encorajado e a pessoa auxiliada, mas não o ócio, a indolência, a preguiça, a irresponsabilidade, o não cumprimento dos deveres, o não atendimento aos compromissos, e coisas assim que não são formas de crescimento e sim de rebaixamento espiritual. Àquele que agir assim não deve ser concedido ajuda, pois isto é contribuir para rebaixá-la e não uma forma de erguê-la”
    Outro problema é quanto aos pais e familiares. Alguns filhos são criados com descuido, desleixo. Desatenção e displicência. Nem os pais atentam para os seus deveres e nem exigem que os filhos atentem para os seus, de forma que eles aprender a não se esforçar, a não trabalhar e passam pela vida sem crescimento algum e sem horizontes.
    A coisa mais comum nos dias de hoje é pais acobertarem ou erros, à preguiça; o e os defeitos de caráter dos filhos, sobre o pretexto de proteção, quando na verdade o que há é negligência e irresponsabilidade. Acreditar que estão contribuindo para o sucesso deles no mundo material, quando, na verdade, estão cooperar para o seu rebaixamento moral e espiritual.
    A ajuda aos necessitados somente deve ocorrer naquilo que dignifica a pessoa. O auxilio deve trazer consigo uma forma de mexer a auto-estima, e não naquilo que torna a pessoa coitadinha e rebaixa a dignidade.
    O que vemos hoje nas igrejas são eufemismos, um recurso de linguagem que consiste no emprego de expressões com a finalidade de atenuar ou mesmo evitar termos rudes ou desagradáveis para ficar bem com todo mundo mesmo com aquiescência naquilo que não é correto.
    Por fim, sabemos que há aqueles que realmente não dispõem de qualquer recuso e nem reúnem mais qualquer condição de suprir suas necessidades pelo seu próprio esforço. E com estes que a igreja deve se preocupar.
    (Tiago 1:27) - A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo.

    2. As questões da contribuição para a igreja:

    II. Princípios Gerais Acerca da Contribuição
    Dízimo - O Dízimo, não é doutrina, mas um ato da fé:
    A Bíblia nos ensina muitas coisas sobre como devemos gastar o dinheiro que Deus nos permite ganhar:
    Devemos planejar nossos gastos (Lucas 14.28-30; Provérbios 19.2); parar com despesas desnecessárias (Isaías 55.1-2) O Senhor Jesus nos ensina em Lucas 6.37-38 que recebemos na mesma proporção em que damos.
    Evite tomar emprestado para comprar algo que se desvaloriza facilmente (Dt 15.6; Pv 22.7) e ficar por fiador de terceiros (Pv 11.15; 17.18).
    Não se esqueça que todas as riquezas que existem no mundo pertencem a Deus, por direito de criação (Salmo 24.1) e por direito de capacitação. Isto é: Deus é quem nos dá saúde, forças e oportunidades para ganharmos dinheiro (Dt 8.18).
    Conheça os planos de Deus para o dinheiro que nos confia – Mateus 6.31-32, Atos 20.34, Romanos 12.3, Dt 8.18, 15.7-8, Malaquias 3.10.
    A igreja é mantida e sustenta os seus obreiros através das contribuições dos fiéis e da comunidade em geral (dízimos, ofertas e doações) – II Cr 31.4-6 e II Co 9.10-14, Pv. 3.9 e 10, Ml 3.8-12.
    Dízimos e ofertas - (Malaquias 3:8) - Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. 9) - Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. 10) - Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes.
    No caso, quem rouba?
    Questões dos dízimos
    Existem duas questões fundamentais quanto ao roubo dos dízimos:
    1. A questão da confiança e má fé (apropriação indébita ):
    · Confiança no grupo que administra os seus dízimos (demonstração de que você confia e sabe que os recursos vão ter a destinação prevista na Bíblia)
    a. Alguns líderes fazem os mais diversos usos dos recursos destinados a obra de Deus. Agem como se eles fossem os próprios “deuses” semelhantes aos filhos de Eli, donos de tudo (I Samuel 2) .
    b. A outra questão de confiança envolve a relação ou enlace do homem como a Igreja, entre um motivo e certo incentivo – O incentivo de quem deseja o espicopado (epískopos) deve ser a reabilitação moral, que as almas se tornem ao conhecimento de Deus (proclamação do evangelho de salvação na pessoa de Jesus Cristo) e não a Conveniência de lucro, proveito, vantagem ou utilidade que a igreja lhe têm. Trata-se de sentimento egoísta ou de cobiça: desejo de um proveito pessoal que tudo sacrifica aos ganhos pecuniários, esquecendo-se da missão precípua da igreja e até da sua própria alma. É por isso que alguns pastores preferem se esforçar mais um pouquinho e abrir mão dos “salários”. É a questão da parcialidade, pois o homem tem tendência de se favorecer.
    c. Questões do desvio de finalidade (parcialidade):
    i. A contribuição (16.1-4) tinha como finalidade aliviar os crentes que estavam sofrendo fome ou alguma calamidade natural, em determinados locais do império – Esta deveria ser uma prioridade ainda hoje.
    ii. A contribuição visa a manutenção da casa do senhor, porém há de se destacar o que realmente delimita essa manutenção.
    iii. Ajuda aos Necessitados.
    1. (Gálatas 6:10) - Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé.
    2. (Atos 11:29) - E os discípulos determinaram mandar, cada um conforme o que pudesse, socorro aos irmãos que habitavam na Judéia.
    2. A questão dos que não aceitam serem dizimistas (parcialidade x imparcialidade).
    · Confiança em Deus (consciência de que você depende de Deus em tudo)
    1. Confiança em você mesmo, no que você representa para Deus. Você representa muito mais do que a quantia que entrega na igreja.
    2. Os administradores precisam buscar a Deus para não se deixar corromper pelo dinheiro e pelas vantagens dos cargos eclesiásticos
    3. Os crentes, quanto à avaliação dos atos administrativos da igreja devem ter o cuidado de julgar sem paixão.
    · Questão da obrigação ou do dever - O crente não oferta ou dizima por interesse ou por legalismo (OBRIGAÇÃO), nem com relutância, mas por motivação do Espírito Santo (Rm 12.8). É por isso que o lideres devem motivar a igreja, porém não com palavras, mas com trabalho que produza resultados e com exemplo no seu proceder e nas suas escolhas. Existem lideres que querem que as outras pessoas transbordem em boas obras, mas eles mesmos só enxergam às suas necessidades pessoais.
    Portanto na entrega e na administração dos dízimos deve haver uma relação de justiça.

    III.Como Deve ser a Nossa Contribuição

    Os dízimos são 10% de tudo que recebemos – Gn 14.18-20 e 28.18-22, Lv 27.30, Mt. 23.23 e Lc 11.42, Hb 7.1-10.
    No Novo Testamento fica claro que o dízimo é o referencial mínimo para a contribuição: Mt 5:20, Mc 12.41-44; At 2.44-45 e 4.32-37, II Co 8.1-5, I Co 16.2 e Jo 6.9.
    As contribuições:
    O dízimo era pago “No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar “- 1CO 16:2
    As contribuições devem ser entregues assim que recebemos alguma coisa, pois o dízimo é chamado, nas escrituras, de primícias, sendo assim deve ser o primeiro a ser pago, antes de qualquer outra conta, prestação ou aluguel.
    Quem deve administrar os dízimos?
    De acordo com Malaquias 3.10 os dízimos devem ser trazidos até a tesouraria da Igreja, para serem administrados com responsabilidade pelos responsáveis, eleitos pela Igreja do Senhor onde o crente está congregando.
    O que deve ser trazido?
    Devem ser dizimadas as receitas obtidas de poupanças, aluguéis, investimentos financeiros, aposentadoria, renda mercantil ou industrial, renda agrícola ou pecuária, direitos autorais, venda de móveis e imóveis, ou seja, o correto é que tudo o que seja renda deve ser fielmente dizimado – São as primícias de tudo.
    Qual a finalidade dos dízimos?
    A finalidade dos dízimos é a manutenção da casa do Senhor e a garantia da subsistência daqueles que cuidam da obra de Deus com exclusividade. Vejam que em números 18:24 diz que os recursos eram para os levitas porque eles não tinham nenhuma herança. Outro ponto é que os dízimos servem de pagamento pelo ministério que executam.
    Observação: Os dízimos não têm nenhuma relação direta com vantagens pessoais. Se assim fosse, se trataria de uma barganha com Deus como quis demonstrar o fariseu em Lucas 18:12 - (Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo). O dízimo faz parte dos recursos materiais que permitem a manutenção da igreja. Sem recursos financeiros não há possibilidade de existência de nenhuma obra.
    Responda:
    1. Por que Deus deseja o melhor e a primeira parte dos rendimentos das pessoas?
    2. Que importância tem os dízimos para você?
    3. Qual é a dificuldade que você encontra para entregar os dízimos?
    4. Qual é o retorno que temos dos dízimos entregues na igreja?
    5. Que relação tem o dizimo com a adoração?
    6. Que tipo de precaução você adota para não se apegar ao dinheiro?
    7. Como você se sente quando alguém lhe dá o melhor de si?
    A minha opinião é que não se há de tratar de dízimos como lei ou de contrapartida do homem para com Deus, porque recebeu ou para que receba alguma vantagem, e nem de ofertas como obrigação ou como depósito de reservas para o futuro! Pois, como já enfatizado, os dízimos não têm nenhuma relação direta com vantagens pessoais. A questão, como todas as questões do modelo cristão, é a análise consciente das nossas ações. Sabemos que a Igreja necessita de recursos, também sabemos que a igreja deve atender a algumas expectativas da Bíblia, diante destes dois fatos, é fácil fazer uma analise e colocar e discussão qual é o problema. Não se pode acusar esse ou aquele por qualquer tipo de desvio, mas podemos e devemos abalizar o que está sendo feito, a partir dos resultados. Veja o que a sua igreja faz com o dinheiro que arrecado, se cumpre os preceitos bíblicos e se os lideres se enquadra no que Paulo escreveu a Timóteo. A questão então é: Será que o seu dinheiro, produto do sacrifício e do esforço do dia-a-dia, está serviço para suprir a obra de Deus ou está sustentado alguns ociosos, a indolentes, a preguiçoso e irresponsáveis que procuram na igreja uma saída para os seus problemas financeiros, utilizando-se da sensibilização das pessoas para tirar vantagens? Perguntinha difícil de responder!..
    Estas e outras respostas para os problemas da igreja de hoje estão na escolha das lideranças, pois a questão fundamental não é quem dá, mas quem recebe e que destinação! Por isso dê com alegria, mas examine as contas da sua igreja regularmente, elas devem ser objetivas ostensivas, para isso é necessário que o pessoal das finanças tenha noções de gestão financeira e de contabilidade, afinal o trato com dinheiro é sempre muito delicado, de forma que a escolha dos tesoureiros já é um bom sinal da idoneidade ou não da gestão. Caso haja alguma dúvida, proponha uma contabilizarão profissional. O erro (não conhecer a verdade ou os métodos) pode ser um pecado tão grave quanto a deliberação da maldade, porque quem se propõe a fazer o que não sabem é culpado dos resultados e que indica que não sabe para fazer algo é negligente e leviano, não tenham dúvidas!
    Outras Opiniões

    Dízimo - Será doutrina neotestamentária? (CC)

    Estará a lei do dízimo em vigor no Novo Testamento?
    Tratando-se dum assunto um tanto polémico, que tem dividido as opiniões, pois uns defendem que a lei do dízimo está em vigor, pelo que, quem não der à sua igreja 10% do seu vencimento está a roubar a Deus, enquanto outros defendem que, tratando-se duma lei do Velho Testamento, está revogada assim como toda a velha Lei. Decidi abordar o problema, com a intenção de ajudar quem tiver interesse no assunto, ou quem não tenha oportunidade de ouvir as duas opiniões para poder tirar as suas conclusões.
    Tencionava inicialmente, pedir a duas pessoas conhecedoras da Bíblia, mas de opiniões contrárias, que pusessem por escrito as suas opiniões, mas, em vez disso, resolvi publicar a seguinte série de cartas, que teve origem num artigo duma revista evangélica, que apresento em primeiro lugar, seguido da minha carta, em que reajo a esse artigo, seguindo-se uma troca de cartas sobre o assunto, com um Pastor que teve a amabilidade de compilar uma grande quantidade de argumentos a favor do dízimo nos nossos dias.
    Embora tenha ideias divergentes desse Pastor com quem contactei, penso que ele fez um bom trabalho, compilando todos os argumentos de quem defende a doutrina do dízimo nos nossos dias, e fê-lo sempre de forma digna, utilizando linguagem correcta, pelo que optei pela divulgação destes documentos, que estão por ordem cronológica embora fossem ligeiramente alterados ao suprimir partes que continham assuntos pessoais e não diziam respeito ao assunto de que estamos a tratar.
    Agradecemos a sua colaboração, se puder acrescentar mais algum argumento, pró ou contra a doutrina do dízimo no Novo Testamento, com a sua autorização para o divulgar nesta página, utilizando somente argumentos bíblicos e não testemunhos pessoais.
    Nesse caso, terá de voltar à página principal e carregar no meu E-mail, para me enviar a sua colaboração.
    Camilo - Marinha Grande.

    Introdução - Dar ! ……. Não dar ? ……..
    (Artigo publicado numa revista evangélica)

    I - O Dízimo está na lei de Deus. 1.300 anos antes de Cristo. Deus ordenou que seus filhos trouxessem o Dízimo, oferta alçada, oferta voluntária, holocaustos e outros votos, ao lugar de culto. Deuteronómio 12:5/6, 12:11; 14:22.
    II - O Dízimo está nos profetas. 800 anos mais tarde, ou 500 anos antes de Cristo. O profeta do Senhor confirma e actualiza a lei, não só em relação ao Dízimo, mas também sobre ofertas alçadas, dizendo mesmo ser roubo não pagá-los e declarando, em nome do Senhor, haver maldição ao infractor. Malaquias 3:7/10.
    III - O Dízimo está nas palavras de Jesus Cristo. 600 anos após o profeta e 1.300 depois da lei, Jesus Cristo, nosso único mestre Mateus 23:7/10, confirma a lei e os profetas, e afirma que NINGUÉM DEVE DEIXAR DE PAGAR O DÍZIMO. Mateus 23:23; Lucas 11:42. Portanto, deixar de pagar o Dízimo é ir de encontro à Palavra de Cristo, é desobedecer a Cristo, é discordar de Cristo, é renegar o ensino de Cristo.
    IV - O Dízimo está antes da Lei. 2.000 anos antes de Cristo e 700 anos antes da Lei. Abraão, o patriarca, pagou o Dízimo de tudo ao sacerdote Melquisedec, rei de Salém, rei da Justiça. Hebreus 7:1/2; Génesis 14:18/20.
    V - O Dízimo está em vigor até a volta de Cristo. Jesus Cristo é sacerdote segundo a ordem de Melquisedec o qual recebeu Dízimo, e não segundo a ordem levítica. Os filhos de Levi têm ordem, segundo a Lei, de tomar Dizimo, do povo isto é, dos seus irmãos Hebreus 7:5. Estes, “certamente tomam dízimos homens que morrem”. “ali”, (Jesus Cristo, o qual toma Dízimo também). “Aquele de quem se testifica que vive” Hebreus 7:8. Pelas palavras do escritor da carta aos Hebreus, 60 anos depois da palavra de Cristo, vemos o Dízimo pertencendo ao sacerdócio de Levi e ao sacerdócio de Melquisedec, e Jesus segundo a ordem de Melquisedec Hebreus 7:21, isto é sacerdote eterno Hebreus 7:24, cujo sacerdócio está até hoje e para sempre. O Dízimo segundo Hebreus capítulo 7, foi antes do sacerdócio levítico, durante o mesmo e continua depois do mesmo; é mandamento portanto da lei e da graça: da velha e da nova dispensação de que Cristo é o Sumo Sacerdote. Logo o Dízimo é mandamento de Deus, para todos seus filhos, em vigor, até à volta de Cristo.
    CONCLUSÃO:
    Quem não paga o Dízimo é porque não concorda com Cristo e Sua Palavra.
    Quem não paga o Dizimo não ama a Cristo, João 14:21/24; 15:14, pois é o melhor modo que Nosso Senhor achou para seus discípulos contribuírem.
    Quem não paga o Dízimo sofrerá o que está escrito em Mateus 7:21/27; I Coríntios 16:22.

    1ª carta

    Exmo. Pastor ………………..
    Recebi o último número da sua publicação ……………..Por discordar da sua doutrina, decidi devolver.
    No entanto, pelo respeito que o Pastor me merece, pois penso que está a fazer trabalho útil para o Senhor, decidi escrever estas linhas.
    Embora nem sempre me manifeste, quando são pormenores secundários, já o mesmo não acontece quando se trata de pormenores doutrinários importantes como é o caso presente.
    Refiro-me ao artigo “Dar !…. Não Dar ? ….” Em que se pretende pôr em vigor a lei do dízimo nos nossos dias. Nesse ponto, tenho de reagir, não com o vigor com que o faria o autor das carta aos Gálatas, mas com as fracas possibilidades que tenho.
    Segundo os claros ensinos das epístolas paulinas, em especial Gálatas 5:18 e Filipenses 3:9 o crente cristão não está debaixo da lei que foi dada ao povo de Israel.
    Se o assunto em questão é duma maneira geral a contribuição e o dízimo em particular, entendo que uma abordagem séria e honesta do assunto deveria começar pelo estudo das passagens didácticas sobre a contribuição neotestamentária com por exemplo I Coríntios 16:1/2, II Coríntios 8:1/3 ( … deram voluntariamente), II Coríntios 9:7 (..nem por constrangimento..), Filipenses 4:14/16.
    Quero também mencionar as conclusões da Assembleia de Jerusalém sobre o nosso caso, isto é, sobre o crente gentio em face da lei judaica. Actos 15:4/5, Actos 15:19/20. Estas são as passagens que deveriam ser consultadas de acordo com as boas regras da hermenêutica, e não encontro nelas qualquer referência ao dízimo.
    Não sei em que é que se baseiam para afirmar que pelo facto do dízimo ser anterior à Lei de Moisés não se deve considerar revogada por Cristo.
    Se aceitar o vosso argumento de que o dízimo está em vigor por ser anterior a Moisés, então também pelas mesmas razões a poligamia está em vigor por ser anterior a Moisés. E que diremos da escravatura que era anterior a Moisés embora este a tivesse incorporado nas suas leis Êxodo 21:2/4
    Não quer isto dizer que eu defenda a poligamia ou a escravatura, mas simplesmente que não posso aceitar a lógica sugerida no vosso artigo.
    Quando às passagens apresentadas, Mateus 23:23 e Lucas 11:42 quero comentar o seguinte:
    Trata-se de versículos isolados, arrancados ao seu contexto.
    Para se fundamentar uma doutrina, deve-se procurar uma passagem escrita com a intenção de doutrinar sobre o assunto. Ora o desígnio ou objectivo destas passagens não é de maneira nenhuma o ensino do dízimo, porque:
    1. A ocasião não era própria, pois Cristo não estava a falar para os seus discípulos,
    2. As pessoas a quem Cristo se dirigia eram dizimistas escrupulosos não sendo pois necessário ensiná-los a dar o dízimo.
    3. Cristo não elogiou os dizimistas, mas até os chamou de hipócritas.
    4. Os fariseus estavam sob a Lei. Deveriam portanto dar o dízimo, guardar o sábado, praticar a circuncisão e todos os rituais do V. T.
    Queria colocar ainda a seguinte questão? Se todos os portugueses fossem evangélicos e dizimistas, seria aceitável que 10% do rendimento bruto nacional fosse entregue às igrejas ?
    Pelos dados estatísticos de que disponho, admito que estejam um pouco desactualizados, Portugal gasta cerca de 9% do orçamento do estado com a saúde e segurança social (construção e manutenção de hospitais, apoio à infância, terceira idade e deficientes), 8% com a educação (escolas e universidades, cultura e investigação), 5% com os serviços de administração (funcionalismo, representações diplomáticas e modernização da nossa organização) …. Não seria um escândalo uma verba superior a essas para as igrejas ?
    Não me diga que nesse caso as igrejas se iriam dedicar à beneficência e à instrução em substituição do Estado …
    Aceito que haja quem defenda tal situação, mas não prescindo de afirmar que não é esse o modelo de sociedade que defendo para o nosso país.
    Que se fale no dízimo do Velho Testamento.
    Que se apresente o dízimo como um incentivo. Até aí tudo bem.
    Mas, desde o momento em que se coloque uma lei do V.T. em vigor, seja ela do dízimo, da circuncisão, do sábado (ou do domingo), penso que os irmãos ultrapassaram a fronteira entre o genuíno Evangelho e as ideias judaizantes. A partir desse momento não me posso identificar convosco, razão porque me sinto obrigado a devolver-lhe a revista que me enviou.
    Com os melhores cumprimentos.
    Camilo

    2ª carta

    Estimado Irmão:
    A sua carta aqui recebida em 6 do corrente, e em que faz uma apreciação ao artigo “Dar !… Não dar ?…” publicado no nosso boletim ………… em Maio, mereceu-nos a maior atenção e suscitou em nós de imediato, duas observações.
    Primeiro, o artigo não é nosso; foi transcrito de um livreco (que por puro lapso não foi enunciado), pertence a um autor da Igreja Evangélica do Brasil, e foi publicado naquelas condições, simplesmente por falta de oportunidade da nossa parte para, rapidamente, para aquele boletim, produzirmos um texto mais próprio, já que por força das circunstâncias, somos nós somente quem pode produzir os imensos textos que regularmente se usam nesta Casa.
    Como segunda observação, vincamos que no essencial estamos de acordo, já que no penúltimo parágrafo da sua carta o Irmão admite que se pode falar do dízimo e usá-lo mesmo como um incentivo. Para nós, o dízimo, como verificará adiante, de acordo com as Escrituras, estudadas ampla a coerentemente, é uma lei da propriedade, ensinada por Deus nos primórdios da raça, de valor perpétuo, mas não é o conceito mais alargado de contribuição, e ainda mais largo, da mordomia, vinculados pelas Escrituras.
    Posto isto, a argumentação que permeia a carta é o reflexo de uns ensinos muito populares entre alguns evangélicos, mas que não representam qualquer escola ou linha de pensamento séria e abalizada, que não tem produzido os melhores resultados no campo da mordomia, e, por isso, nos entristece muito, mas que nós, com facilidade, pelas Escrituras desmontaremos.
    Em referência às passagens paulinas de Gálatas 5:18 e Filipenses 3:9, são passagens isoladas e que nada têm a ver, directamente, com o dízimo ou a contribuição e, desse modo, contrariam os critérios por si estabelecidos, de “uma boa hermenêutica” e de não usar “passagens isoladas” ainda que esse não seja o problema maior. O equívoco maior está na definição do que é a lei e o estar ou não debaixo da lei. Com efeito, a ideia popular é que tudo que provem do V.T. é Lei; o que provém do N.T. é Graça. Outra ideia popular mas mais próxima do equilíbrio da Verdade, é a que divide a Lei em dois sectores: assim, a Lei Cerimonial reuniria as cerimónias, as leis civis; a Lei Moral, os princípios espirituais permanentes. Neste segundo sentido, o Sermão do Monte, o maior de sempre, é a reinterpretação da Lei, por Jesus, e da qual Ele disse que “não veio abrogar, mas cumprir”, Mateus 5:17/18. Jesus cumpriu a Lei em quatro sentidos: guardando-a perfeitamente segundo a vontade do Autor, João 8:29; transformando a sombra na realidade, sobretudo no aspecto cerimonial, Hebreus 9:12; estendendo-a a todos os povos e culturas, Marcos 3:1/6; exaurindo as suas penas, Colossenses 2:14.
    Além do muito mais, o carácter permanente dos valores espirituais da Lei, verifica-se no facto de os dez mandamentos do Decálogo estarem todos incluídos nos ensinos do N.T., com excepção única do Sábado, ainda que este haja dado lugar ao “Descanso de Deus”, Hebreus 4:3, Hebreus 4:9/10.
    As duas passagens primeiro citadas, de Paulo, estão num contexto da sua controvérsia com os judaizantes, em que ele vinca o carácter único da justificação pela fé, com base na graça, pelo que, de acordo com o seu critério de não se utilizarem textos isolados e não correspondentes ao assunto em causa - o Dízimo - e que utiliza na sua argumentação sobre a interpretação de Mateus 23:23, não podem ser interpretadas como uma exclusão dos valores espirituais permanentes da Lei. Até por que para Paulo “A lei é santa: e o mandamento, santo, justo e bom”, Romanos 7:12; e a justiça do preceito da lei cumpre-se na vida daqueles que andam segundo o Espírito, Romanos 8:4. O cristão não está debaixo da Lei apenas no sentido que esta seja o meio da sua justificação a santificação.
    O USO DO TERMO LEI NO N.T. E POR PAULO: a referência comum entre os Judeus era, certamente, ao sistema de leis de Moisés. Mas, as controvérsias de Paulo forçaram-no a refutar os seus oponentes na sua própria base e a usar o termo com outras nuances. Como, por exemplo, na definição de “filhos de Abraão” como equivalente a “participantes no concerto”, Gálatas 3:6/9; ou em, “aquele que observar os seus preceitos (da lei), por eles viverá”, vr.12; ou ainda, “a lei não é contrária às promessas” v. 21.
    Segundo, Romanos 2:12/16, declara que a lei não é de todos os homens, mas há um sentido em que a mesma está em todos, v.14. e que “os que praticam a lei hão de ser justificados”, v.13, significando que, no julgamento actual, são aprovados. Há muitas outras nuances que aqui não podemos agora tratar. Para Paulo, NOMOS, era, salvo raras excepções, a vontade revelada de Deus, e a referência primária do termo, era a revelação dessa vontade no V.T., quer em estatutos passageiros, quer em princípios éticos permanentes.
    Demonstremos:
    1-Um estatuto; Neemias 10:51; Êxodo 12:49; Levítico 6:9; Romanos 7:2b; Hebreus 8:10; Hebreus 10:16;
    2-Lei divina, a vontade geral de Deus: facto concreto, regime histórico; lei divina sem referência à sua expressão; Romanos 2:13; lei divina como um sistema puramente legalista, Deuteronómio 27:26; Gálatas 3:10/15, em estreita relação com outros significados; lei divina como princípios éticos, centralizada no amor, Mateus 7:12; Mateus 5:17/18; Lucas 16:17; Gálatas 5:14; e, talvez, Romanos 7:22/23b, Romanos 7:25a; Gálatas 5:23; Gálatas 6:2, seriam classificados aqui, ou no ponto 2.
    3-Por metonímia, os livros que contém a lei;
    4-Lei, sem referência à origem ou autoridade; Actos 7:15; Romanos 7:1/2; I Timóteo 1:9, etc.;
    5-Força ou tendência; Romanos 7:21/25; Romanos 8:2. (2).
    ANTINOMISMO É O RESULTADO DO ABANDONO DA LEI: a justificação não pode conduzir-nos a uma “graça barata”. A parábola de Jesus do Credor Incompassivo, Mateus 18:23/35, mostra claramente que aqueles a quem Deus cancela os pecados, têm obrigações para com Ele. O Antinomismo (contra-anti; a lei-nomos), equivalente a libertinagem, trata dos que pensam que a graça é tão abrangente que todo o esforço para fazer o que Deus manda é desnecessário e até errado. Paulo tinha esse erro em mente ao escrever Romanos 6. Ao desprezar a Lei faz com que ela não tenha nenhuma função legítima. Na antiga aliança a Lei compungia a consciência a buscar refúgio no Evangelho. Assim pensava Calvino. (3). Como disse M.Lloyd-Jones: “Se a graça que você recebeu não o ajuda a guardar a lei, você não recebeu a graça”. (4)
    A obrigação que o Antinomismo desconhece é o preço da libertação, Mateus 18:23/24. Não satisfaz as condições do relacionamento pois “o amor de Cristo constrange”, II Coríntios 5:14. Os antinomistas adoptam a posição extremada dos dispensacionalistas que negam a necessidade de arrependimento ou mudança ética de comportamento ao se aceitar a salvação em Cristo. Uma vez pressuposto que o Sermão do Monte não descreve a vontade de Deus para a Igreja de hoje, nega-se a responsabilidade de tentar viver de acordo com as suas ordenanças. O arrependimento que Deus quer - dizem - é sinónimo de fé, Dr. Charles Ryrie, Dallas. A lei nada acrescenta à graça, a não ser confusão e contradição, Chafer. O arrependimento é um acréscimo falso à graça; quer dizer mudar a mente, não a vida! Dr. Ryrie.
    Não podem esquecer que Lucas escreveu, além de Actos, o Evangelho, incluindo nele o Sermão da Planura, 6:17-49. Simão o Mágico creu mas não se arrependeu e foi rejeitado, Actos 8:21/23. Ler ainda Actos 17:30/31; e Actos 26:19.
    Professar a fé pode ser um acto apenas intelectual; não chegar a ser fé salvadora, Tiago 2:14/24. Entende-se como acreditar apenas nos factos bíblicos, como sucede muitas vezes com filhos de crentes educados nas Escolas Dominicais. Desse modo, quase toda a gente estaria salva! Paulo ensinou aos coríntios que baptismo nas águas não garante a salvação; que é necessária a mudança de comportamento, I Coríntios 10:1/13. O Evangelho é algo que deve ser obedecido. Romanos 10:16; II Tessalonicenses 1:8. Os romanos “obedeceram”, Romanos 6:17. Uma teologia que apresenta a graça sem arrependimento não é verdadeira. O Antinomismo depende de uma graça barata em lugar de uma graça transformadora Romanos 5:5, o amor; a fome pela justiça, Mateus 5:6; a busca do reino, Mateus 6:33; crescer na obediência produz comunhão, I João 1:4/7. O Cristianismo verdadeiro não pode existir com base numa graça tão leviana que o cristão não a valorize.
    Mas, a graça verdadeira não pode ser desviada, como C.F.D.Moule escreveu:
    Um dos resultados do confronto que Paulo teve com J.C. como a incorporação do amor de Deus é uma nova atitude quanto à observância da lei. Ele entendeu que somente quando alguém é justificado por Deus pela resposta da fé à graça antecedente é que se torna possível cumprir as demandas reais da lei formuladas em termos do “espírito” e não da “letra” … Uma fé genuína muda o comportamento e conduz à obediência. (5)
    PASSAGENS DIDÁCTICAS SOBRE A CONTRIBUIÇÃO NEOTESTAMENTÁRIA
    I Coríntios 16:1/2: esta passagem não é necessariamente uma de ensino da contribuição para a sustento da Igreja, do Culto, do Ministério; é antes, relativa à beneficência para os crentes pobres da Judeia, como aparece em outras escrituras. Contém, entretanto, elementos valiosíssimos para a teologia da Mordomia, nomeadamente o princípio da proporcionalidade, que está na base do Dízimo, aqui não expresso mas subentendido, na frase “conforme a sua prosperidade”. Esta expressão não sustenta a prática de qualquer cristão contribuir com “qualquer coisa”!
    II Coríntios 8:1/3: do mesmo modo o objectivo deste ensino é a beneficência para os cristãos aflitos pela crise na Judeia, destacando-se, entretanto, o princípio básico de que aqueles que contribuíam não o faziam da sua fartura, muito ao contrário, “de muita prova de tribulação” e “da extrema miséria”. Destacam-se também a graça, a abundância de alegria, a generosidade, a voluntariedade. Mas, quem diz que o Dízimo não pode ser entregue com estas mesmas qualidades ?
    II Coríntios 9:7: uma vez mais, as ofertas para os cristãos pobres da Judeia são feitas com presteza, 2, estão preparadas com tempo, 3, com zelo, 3, com generosidade e não avareza, 5, segundo o princípio da proporcionalidade, 6 e, sem constrangimento mas com alegria, 7. Todas estas qualidades são sustentadas por aqueles que criam a disciplina de calcular, separar e entregar os dízimos de todos os seus rendimentos e não por aqueles que tiram uma moeda qualquer, apressada e inconscientemente do bolso quando passa o saco da colecta !
    Filipenses 4:14/16: esta passagem, que é preciosa, não acrescenta algum elemento novo, registando o cuidado dos Filipenses pelas necessidades de Paulo, que eles satisfizeram “o bastante”, não o mínimo. É preciso referir aqui que estes textos nada dizem contra a prática do Dízimo, e também que estas não são as únicas passagens sobre contribuição, havendo dezenas de muitas outras, que precisam igualmente de ser interpretadas.
    AS CONCLUSÕES DA ASSEMBLEIA DE JERUSALÉM
    A Igreja vivia um período de transição, como se releva em Actos.
    Judaizantes que desceram de Jerusalém para Antioquia ensinavam que os gentios conversos deviam sujeitar-se à Circuncisão. Os Irmãos nascentes, com Paulo e Barnabé, resolveram que estes dois e outros subissem à Igreja em Jerusalém para dirimirem ali este diferendo. A Igreja decidiu por “pleno acordo”, recomendar-lhes, por epístola, que se abstivessem das coisas sacrificadas aos ídolos, do sangue, da carne sufocada e das relações sexuais ilícitas, A primeira e a última referem-se a valores permanentes; a segunda e a terceira a prescrições cerimoniais. Mas, nem aqui a Dízimo é revogado. Convém notar bem o que a texto de Actos 15:28 diz: “… pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo…”. Há alguma coacção, alguma disciplina, alguma limitação, alguma norma. Porque o estar não debaixo da Lei, mesmo no N.T., não é estar sem lei alguma ! E haveria que adicionar expressões do N.T. tais como, “os mandamentos de Deus”, “os mandamentos de Jesus” e outras.
    O DÍZIMO É ANTERIOR À LEI E NÃO FOI REVOGADO POR CRISTO
    As duas instituições citadas da Poligamia e da Escravatura, como pretensos paralelos, não têm razão de ser, já que são instituições pertencentes ao foro cívico, enquanto o Dízimo pertence ao fora religioso, além de se basearem em valores rejeitados quer no Velho quer no N.T., enquanto que o Dízimo como princípio da propriedade, permanente, nunca aparece revogado em qualquer Escritura. Como valor permanente, não foi revogado, como outros, tais como a fé, a justiça e a misericórdia, igualmente anteriores à Lei, não foram também revogados.
    Os Pais da Igreja Ireneu e Clemente, Tertuliano, ligavam a rejeição da oferta de Caim com o Dízimo, ensinado por Deus e traduziam Génesis 4:6/7, “….Se todavia procederes mal …”, como, “Mas não a dividiste rectamente” significando, segundo Tertuliano, “que ele não deu o dízimo das primícias.” E, mais tarde o escritor aos Hebreus, que leria na Septuaginta o V.T., comentava as ofertas de Caim e Abel, dizendo que este “ofereceu a Deus um mais abundante sacrifício do que Caim”, Hebreus 11:4. (6/7) Além de ser muito anterior à Lei, os Israelitas entregavam três Dízimos, não um só ! O primeiro Dízimo, Dízimo do Senhor, Dízimo para os Levitas, que estes, por sua vez, partilhavam com os Sacerdotes, Levítico 27:30/33; Números 18:21/30. O segundo, o Dízimo do Festival, Deuteronómio 12:5/28; Deuteronómio 14:22/29; Terceiro, o Dízimo dos Pobres, só de três em três anos, era armazenado para a “Ano Sabático”, de sete em sete anos, e dedicado aos Levitas, aos pobres, viúvas e órfãos. Se assim era sob a Lei quanto mais deveria ser sob a Graça !!! Deuteronómio 26:12/15.
    O DÍZIMO NO NOVO TESTAMENTO
    McConoughy, erudito bíblico e histórico, diz que “Em todo o mundo pagão antigo se reconhecia à Divindade o direito à décima parte dos bens.” E no N.T. ele não é referido mais fortemente porque todos, Judeus e Gentios, o entregavam. Como prova disso está que nem Jesus nem os Apóstolos têm de repreender os Cristãos por faltarem na entrega dos Dízimos, pelo contrário, eles são zelosos, Actos 21:20. Mas, no N.T. há muitas referências ao Dízimo, umas directas, outras por metáfora, e ainda subentendidas:
    Referindo-se aos fariseus, Jesus disse aos discípulos: “Fazei, pois, e guardai tudo quanto eles vos disserem …”, Mateus 23:1/3, o que incluía o Dízimo; Jesus não os censurou por darem os Dízimos: “Sem omitir aquelas” refere-se a dizimar a hortelã, o endro e o cominho; enquanto “devíeis, porém, fazer estas coisas”, refere-se “aos preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé”, em Mateus 23:23; censurou, sim, por negligenciarem estes !
    Tratando do sustento do Ministério da Palavra na I Coríntios 9:4/14, Paulo usa uma porção de metáforas, muito expressivas e refere-se aos sacerdotes e levitas no v.13, os quais, indefectivelmente, eram suportados pelos dízimos, apelando, inclusivamente, antes, à autoridade da Lei no v.8; De Cristo, diz o autor de Hebreus que, como antítipo de Melquisedec “recebe dízimos aquele de quem se testifica que vive”, Hebreus 7:4/10, ver v.8. Fica demonstrado inequivocamente que o Dízimo foi ensinado e praticado no N.T., e que os Cristãos Primitivos iam muito além do Dízimo; “Nenhum deles dizia que coisa alguma era sua própria …”, Actos 4:32/35.
    TODOS OS PORTUGUESES EVANGÉLICOS E DIZIMISTAS ?
    Esta última questão da sua estimada carta é inconsequente, porque não há país algum onde todos os habitantes sejam evangélicos. A conclusão é errada porque as premissas o são também. 10% do rendimento bruto nacional para as Igrejas? A questão é importantíssima, mas o espaço não a comporta.
    Sempre temos lido e estudado que os graves problemas da fome, das injustiças da não evangelização dos Povos Não Alcançados, seriam totalmente resolvidos se todos os Cristãos dessem os seus dízimos. Quanto à questão de a beneficência e a instrução pertenceram à Igreja ou ao Estado, é política; ultrapassa-nos. Contudo, declaramos que em toda a História da Redenção, o amor ao próximo, a generosidade a justiça, sempre tiveram lugar, e disso há nobres exemplos.
    Vou ter o prazer de lhe enviar o livro ………. que espero, cimentem ainda melhor a nossa amizade.
    (1) Lei, Shed, 20-26. (2) Comentário Internacional, Burton, 443-450 (3) Calvino, Intitutas, Vol.II,II,9. (4) Richard Alderson, 30. (5) Lei, Shedd, 28-34. (6) O Dízimo, Arthur Brown. (7) F. B. Westcott.

    3ª Carta

    Prezado Pastor …………
    Recebi há dias a sua estimada carta, juntamente com o livro …….
    Ainda não tive tempo de ler o livro nem os apontamentos, pois parto nos próximos dias para o Algarve onde vou em serviço, mas quero desde já escrever para lhe agradecer a sua carta e o tempo precioso que deve ter certamente distendido para a escrever.
    A maior parte dos argumentos apresentados já eram do meu conhecimento.
    Concordo com a sua afirmação de que no essencial estamos de acordo.
    Certamente que o crente se deve esforçar por contribuir o mais liberalmente possível, tendo em vista o crescimento das igrejas e a sua autonomia em relação à ajuda exterior, pois a autonomia administrativa nunca poderá funcionar eficientemente enquanto as nossas igrejas estiverem tão dependentes do exterior.
    Onde discordo, e não posso colaborar, é na maneira com tal contribuição é incentivada, apelando-se para a lei do Velho Testamento e não para a espontaneidade dos crentes.
    Sem entrar em pormenores, vejo que ambos lemos o Novo Testamento com mentalidade diferentes.
    Eu continuo a afirmar que não há passagens no N.T. em que Cristo ou algum dos seus discípulo tenha posto em vigor a lei do dízimo, e a sua carta veio confirmar esta afirmação, pois se houvesse uma tal passagem, certamente o Pastor a teria mencionado.
    O Pastor ……….. prova com as passagens que menciona, que não há passagens no N.T. em que o dízimo seja revogado.
    De facto, não há passagens a revogar o dízimo no N.T., nem tal faria sentido. Como afirmei na minha carta, se aceitar o dízimo porque não foi revogado no N.T., teria de aceitar também a escravatura, a obrigação dos cunhados das viúvas que não tivessem filhos Deuteronómio 25:5/10 e a poligamia, pois também não há passagens a revogar estas leis.
    Não aceito a sua explicação de que estes exemplos pertencem ao foro cívico enquanto o dízimo ao foro religioso. No V.T., não vejo que seja sustentável esta divisão, pois estava-se numa sociedade cívico-religiosa.
    Os levitas eram sustentados pelos dízimos. E que função tinham eles ? Não eram simplesmente funções religiosas, tinham funções que nos nossos dias competem aos tribunais, ao delegado de saúde (exame dos leprosos) etc.
    Quanto à sua referência a Mateus 23:3, embora com todo o respeito, discordo que seja uma alusão ao dízimo, pois não só não está de acordo com o contexto, como o Pastor transcreveu só parte desse versículo, que nesta tradução diz: Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme a suas obras, porque dizem e não praticam. Uns versículos mais adiante (vr.23) Cristo volta a referir-se aos fariseus, dizendo que eram dizimistas escrupulosos. Se considerarmos esta passagem como passagem didáctica sobre o dízimo, teria de concluir que Cristo proibiu o dízimo, porque os fariseus o davam! Penso no entanto, que o objectivo desta passagem era a censura dos fariseus e nada tem a ver com o ensino do dízimo.
    Como lhe disse, ainda não li os seus apontamentos, escritos há alguns anos. Li somente a carta, embora tencione voltar a ler mais atentamente quando regressar a casa.
    …………………………….
    Termino com os meus agradecimentos pelo livro que me ofereceu e pelos seus apontamentos, que são para mim, tanto mais valiosos por representarem opiniões diferentes da minha. Tenho por norma ler tudo, embora tal não signifique necessariamente a sua aceitação
    ………………….
    Saudações fraternais em Cristo
    Camilo

    4ª Carta

    Prezado Pastor ……………..
    A minha última carta do dia 27 do mês passado foi escrita logo que recebi os seus apontamentos e o livro que fez o favor de me enviar, pois segui no dia seguinte para o Algarve em viagem de serviço.
    Agora, depois de ler com mais vagar a sua carta, resolvi voltar a escrever-lhe, pedindo ao Senhor que o ajude a ultrapassar as ideias preconcebidas para que possa efectuar um exame imparcial das Sagradas Escrituras.
    Vejo que a minha carta foi transcrita no número 55 da sua publicação ………………….., embora omitindo o meu nome. Por mim é indiferente. Não me importo que o meu nome seja mencionado, pois assumo a responsabilidade do que escrevo.
    Quero no entanto felicitá-lo pela atitude de abertura que manifestou ao publicar a minha carta na ………………, carta em que discordo da sua posição sobre a doutrina do dízimo nos nossos dias.
    Concordo que no essencial estamos de acordo. Conheço as dificuldades das igrejas e sou certamente a favor da contribuição dos crentes.
    O problema não é esse, como o Pastor compreendeu, embora muitos defensores da lei do dízimo, talvez por falta de argumentos bíblicos prefiram acusar quem discordar das suas posições doutrinárias de falta de fé e de querer fugir à responsabilidade da sua contribuição, arrumando assim o assunto, ou desviando as atenções para casos pessoais que nada têm a ver com um exame imparcial das Sagradas Escrituras.
    Muitas vezes me fizeram tal acusação, mas depois de 30 anos de crente, já estou suficientemente calejado para que me deixe influenciar facilmente no estudo da minha Bíblia que é espada de dois gumes, tanto dá para incentivar à contribuição como dá para moderar os exageros de interpretação da doutrina.
    Como disse na minha primeira carta, concordo que se fale no dízimo do V.T. e até que se apresente o dízimo como um incentivo à contribuição, o ponto em que discordo é que se coloque a lei do dízimo em vigor nos nossos dias.
    A diferença está neste pormenor. Pormenor talvez pequeno, mas de grande importância doutrinária. Se se consideram obrigados a guardar uma lei, então estão debaixo da lei.
    Não vejo a diferença entre o Velho e o Novo Testamento sob o aspecto quantitativo, em que um fala em 10% e o outro em mais ou menos uns tantos % . A diferença está numa nova mentalidade.
    O crente do V.T. contribuía para cumprimento duma lei que estabelecia os 10%.
    Impor essa lei ao crente neotestamentário ameaçando-o com o castigo do Inferno com a referência a Mateus 7:23 caso o não possa pagar, refiro-me ao artigo que saiu na sua revista, é desvirtuar a mensagem do Evangelho que apela para a espontaneidade, é falta de confiança na generosidade dos remidos, é atitude legalista que transforma Cristo num contabilista ou num fiscal de impostos. Sem qualquer desprestígio para estas duas profissões quando exercidas honestamente, penso que Jesus Cristo não pode ser comparado com qualquer destes profissionais.
    Concordo que as passagens que mencionei em Gálatas 5:18 e Filipenses 3:9 nada têm a ver com o dízimo ou a contribuição, nem eu afirmei tal coisa, como pode verificar por uma segunda leitura dessa minha carta. Essas passagens foram mencionadas para afirmar que o crente não está debaixo da lei que foi dada ao povo de Israel. Este ponto não foi mais desenvolvido, pois suponho haver unanimidade entre nós.
    Concordo com o Pastor ……….. quando diz que não sigo qualquer escola ou linha de pensamento. Talvez essa seja uma das principais diferenças que nos separam. O irmão Pastor segue uma escola ou linha de pensamento a quem procura manter a sua fidelidade. Eu não estou comprometido com nenhuma escola nem tal me interessa. Basta-me a minha Bíblia que é a revelação de Deus ao homem, que não foi escrita para teólogos, mas para o homem vulgar de todos os tempos. Não sou contra a teologia, mas sou contra tudo que possa limitar ou condicionar o estudo das Sagradas Escrituras, para que temos um único mestre, o Espírito Santo.
    Quanto à ideia que me leva a identificar a lei com o V.T. e a graça com o N.T., que o irmão Pastor diz ser ideia popular, dou graças a Deus por esta ideia estar difundida entre o nosso povo, pois não estamos sós. João também concorda connosco ao afirmar em João 1:17 Porque a lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Também encontro em Lucas 16:16 A lei e os profetas duraram até João; desde então é anunciado o reino de Deus, e todo o homem emprega força para entrar nele.
    Na minha carta, afirmo que as passagens em I Coríntios 16:1/2, II Coríntios 8:1/3 e Filipenses 4:14/16 se referem à contribuição dos crentes. Nunca afirmei que eram passagens em apoio do dízimo, simplesmente porque tais passagens não existem.
    Uma vez que o dízimo pertencia ao A.T. e uma vez que a lei e os profetas duraram até João Batista, teria de haver referências claras no N.T. para o colocar novamente em vigor.
    Ora essas referências não existem, pelo menos eu não as encontrei, e pela carta que me escreveu mais uma vez tive oportunidade de confirmar que não há passagens em que Cristo ou algum dos apóstolos tivessem imposto o dízimo aos crentes do N.T. caso contrário o Pastor as teria mencionado.
    Há no entanto uma passagem que o irmão Pastor menciona nesta sua carta que merece um exame mais atento. Refiro-me a Mateus 23:3. De facto, aqui Cristo fala para a multidão que o seguia e para os seus discípulos quando disse, referindo-se aos fariseus, e segundo transcrição da sua carta Fazei, pois, e guardai tudo quanto eles vos disserem… Vejo que teve o cuidado de sublinhar a palavra “tudo”.
    Quero respeitosamente chamar a atenção para os greves problemas a que dá origem com a sua precipitação em arranjar argumentos para provar o que o N.T. não diz …
    Vejamos a que nos conduz o seu argumento e a particular ênfase dada ao “tudo” que os fariseus ensinavam.
    Eles estavam sob a lei de que eram rigorosos cumpridores. Eles ensinavam a lei do dízimo, é verdade, mas não só o dízimo. Também ensinavam a circuncisão, também ensinavam que os casos de adultério deviam ser punidos com a pena de morte de acordo com Levítico 20:10, também ensinavam que se devia aplicar a pena de morte para quem não guardasse o dia do descanso segundo Números 15:32/36, também ensinavam que se dois irmãos vivessem juntos e um deles morresse sem deixar filhos, a sua mulher deveria juntar-se ao seu cunhado para lhe suscitar descendência de acordo com Deuteronómio 25:5/10 e muitos mais outros ensinamentos eram ministrados pelos fariseus que só podiam ser aceites no contexto cultural dessas épocas tão remotas e que seriam um escândalo à luz da revelação neotestamentária.
    Não acredito que seja essa a posição do prezado Pastor ……… ao mencionar Mateus 23:3 em apoio do dízimo na ênfase que deu à palavra “tudo”.
    Julgo que será melhor rever o seu argumento.
    Quero ainda chamar a vossa atenção para o facto de que nem sequer se trata dum versículo solto, mas de parte do versículo. O versículo completo diz, referindo-se aos fariseus: Observai, pois e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não praticam. Uns versículos mais adiante, (vr.23) Cristo volta a referir-se aos fariseus, dizendo que eram dizimistas escrupulosos.
    Portanto, se considerasse esta passagem como uma referência ao dízimo, teria de concluir que Cristo proibiu o dízimo, porque os fariseus o davam escrupulosamente. Penso no entanto, que o objectivo desta passagem era a censura aos fariseus e nada tem a ver com o dízimo.
    A posição doutrinária assumida pelo Pastor ……….. quanto a este pormenor do dízimo estar em vigor nos nossos dias, penso que é mais moderada que grande parte dos nossos pastores que se limitam a apresentar Mateus 23:23 acusando de descrença e de falta de consagração a quem duvidar das suas posições, o que equivale a uma espécie de “excomunhão evangélica”, atitude que me entristece, não só por não ser bíblica como pelo que demonstra de intransigência e de falta de liberdade de expressão.
    Alegrei-me por ver que o Pastor …………… publicou a carta que lhe tinha escrito, embora fosse carta pessoal, mas tal facto mostra já uma mentalidade bem diferente dos exemplos que referi.
    Duma maneira geral, penso que ambos lemos o N.T. com uma preocupação diferente.
    O Pastor ………… procura passagens a provar que a lei do dízimo foi revogada, e como não as encontra apresenta a sua conclusão: Então é porque está em vigor.
    Certamente que não há passagens a revogar a lei do dízimo, simplesmente porque não pode ser revogado o que não está em vigor. Pelo seu raciocínio, teríamos de procurar passagens a revogar cada uma das leis do V.T. e como sabe melhor do que eu, há muitas leis no V.T. que seriam escandalosas nos nossos dias e não há referência à sua revogação no N.T. nem se menciona que Cristo não as tivesse cumprido.
    Não posso em consciência aceitar qualquer lei do V.T. em vigor nos nossos dias, não só porque é trair o genuíno Evangelho, como pelo facto de se abrir um precedente que nos levaria a ter de guardar toda a lei aplicando os mesmos argumentos que o Pastor apresenta, em relação a todas as leis e tradições do V.T.
    Talvez possa exprimir melhor a minha posição em relação à contribuição empregando um paralelo de ideias com o descanso.
    No V.T. havia o sábado que devia ser cumprido com uma mentalidade legalista e um rigor que levava a aplicar a pena de morte a quem não o guardasse de acordo com os vários pormenores da lei. No N.T. permanece o princípio moral da necessidade de dar descanso aos trabalhadores e aos animais, tendo-se optado pelo domingo, embora grande parte da nossa população já não trabalhe ao sábado. Qualquer dia da semana seria uma opção possível. Permanece o principio moral do descanso, embora sem o rigor do legalismo do V.T.
    Com a contribuição havia o dízimo no V.T., entregue a uma autoridade cívico-religiosa. Havia o rigor do seu cumprimento com a mentalidade legalista característica dessa época. Nos nossos dias, permanece a necessidade da contribuição para as igrejas, mas tal deverá ser feito com uma nova mentalidade. Não com o rigor do legalismo do V.T. mas com alegria e espontaneidade.
    Se não considero a lei do sábado em vigor nos nossos dias, também não posso aceitar a lei do dízimo. Ou então, teria de aceitar tanto o dízimo como o sábado. Pelo menos neste ponto os sabatistas são mais coerentes, pois têm um critério uniforme.
    Penso que alguns teólogos tentam colocar a lei do dízimo em vigor nos nossos dias mais por motivos económicas do que doutrinários, facto que me entristece, principalmente porque nós os crentes somos em parte responsáveis por tal atitude devido ao pequeno volume das nossas contribuições.
    No entanto, continuo a pensar que foi uma má opção, pois a mentalidade neotestamentária dará certamente contribuições mais liberais se dermos ao Espírito do Senhor o seu devido lugar na Igreja, se apelarmos mais para o espírito e menos para o legalismo nas nossas igrejas. E mesmo que as contribuições diminuam, mais vale que cada um contribua segundo propôs no seu coração do que apelar para a lei para obrigar os crentes a contribuir com tristeza ou por necessidade, porque Deus ama ao que dá com alegria.
    Esta carta é pessoal, e dirigida ao prezado Pastor ……….., mas poderá divulgá-la e mencionar o meu nome, se assim o entender.
    Saudações fraternais em Cristo.
    Camilo

    5ª Carta

    Estimado Irmão;
    Desejando muito que esteja a passar bem, bem como todos os que lhe são queridos, agradeço muito as suas estimadas cartas de 9 de Setembro, bem como o livro de estudos do Pastor ………, que esperamos mesmo incluir na Secção, depois de ser examinado com cuidado.
    ………………………………………
    E, sem pretender manter e aprofundar mesmo esta questão da contribuição, dízimo, espero que me permita alguns esclarecimentos, pois poderá ser que algumas partes dos textos não tenham sido lidas pausadamente.
    A praxis:
    Sabemos que na prática e no ministério da contribuição haverá quem se comporte de modo incorrecto, mas isso não interfere com o ensino bíblico global das Escrituras e interpretado igualmente de uma forma global, sem dividir demasiadamente as Escrituras.
    O Dízimo como uma lei:
    Também nós, de modo algum, interpretamos o Dízimo como uma lei, do tipo do V.T., para ser cumprida no espírito legalista. O que encontramos no N.T., nas referências que citei, são o ensino e a prática do Dízimo tal como outros ensinos. A referência que é feita à danação, pelo autor brasileiro, no primeiro artigo do boletim nº …, não é própria, já que a justificação do indivíduo baseia-se só na graça de Deus. Fazendo referência a Mateus 7:23, teríamos que concluir que a desobediência a qualquer ensino bíblico seria castigada desse modo! Contudo aquele texto, especialmente o v.21, é muito importante, já que assevera que o discípulo de Cristo está para obedecer à vontade de Deus.
    Lei e graça:
    É evidente que nós não opomos nada à noção de Lei no V.T. e Graça no N.T., a não ser que no V.T. já havia a manifestação da Graça de Deus, como é evidente, pois nunca alguém foi salvo em outra base, Romanos 4:3. É claro que a Lei como dispensação acabou. Mas, note, João diz “A lei e os profetas…”, o que não significa que os ensinos dos profetas acabaram: eles estão, muitas vezes, no N.T.! Conhecemos muito bem os ensinos da escola dispensacionalista, que tem uma grande tendência para dividir as Escrituras, muitas vezes com consequências prejudiciais, como tem sido comprovado na história, mas, também nós não estamos presos a qualquer linha limitada de interpretação.
    O Dízimo no N.T.:
    Citamos quatro passagens, no nosso estudo, sob este mesmo tópico do N.T. mostrando claramente a prática do Dízimo no período do N.T., e para nós essas passagens são suficientes porque a Palavra de Deus é para ser obedecida, quer ela seja ampla ou reduzida. Essas passagens, umas citam o Dízimo, outras referem-se a ele indirectamente.
    “Praticai Tudo Que Vos Disserem” Mateus 23:3: A saliência dada à palavra tudo foi apenas para lembrar que o Dízimo estava incluído. São palavras de Jesus. Mas, é evidente, era a sociedade judaica; é preciso retirar o que entretanto passou. A própria Igreja, na sua formação, sofreu esse período de Transição durante os Actos. O que o Irmão citou, passou: mas a Dízimo não passou, pois está referido até na Carta aos Hebreus, escrita no ano 67 ou perto disso.
    Que o Dízimo não está revogado no N.T.:
    Mas a Lei está revogada nos textos que citou, enquanto Jesus disse que “veio para cumprir, não para abrogar”. O nosso argumento é muito simples: não está revogado, mas está afirmado, como já verificou.
    A espontaneidade do N.T.:
    É evidente que não há nada contra as pessoas entregarem os seus dízimos com alegria, com liberdade, com espontaneidade. Aliás, isso já acontecia no V.T. quando, em relação ao Dízimo do Festival, o povo aparecia diante do Senhor, com a família, em festa e grande alegria, dizem os textos.
    No N.T. o Dízimo era o princípio. O povo dava mesmo mais. O Caro Irmão faz eco “do pequeno volume das nossas contribuições”. Estou bem informado do que se passa em algumas Denominações, para o sustento do Ministério, das dificuldades, do recurso a duplo emprego, dos medos que há em relação aos cortes das entidades estrangeiras, da necessidade de aprofundarmos a mordomia. Não tenho dúvida alguma que precisamos de salientar a operação profunda da Graça, na vida do crente, que tira riquezas de onde há pobreza; de salientar a liberdade e o ministério do Espírito.
    Com toda a consideração cristã …………..
    …………………

    6ª Carta

    Prezado Pastor ……………
    Recebi o numero … da sua publicação ………………. que veio acompanhada do suplemento que me foi dirigido em que me pergunta pela razão do meu silêncio.
    Quero em primeira lugar agradecer a sua preocupação e interesse, mas a razão continua a ser a mesma que foquei nas minhas cartas anteriores.
    Não me posso identificar com a vossa posição doutrinária sobre a Lei nos nossos dias.
    Embora na sua carta de 91/10/01 o Pastor ………. manifeste uma posição mais moderada, não é no entanto esta a posição do vosso Boletim, que no número … transcreve a minha primeira carta e a sua resposta a confirmar a posição do artigo do boletim nº …, e vejo que não voltou a abordar o assunto com a publicação da minha segunda carta.
    Não voltei a escrever em virtude ao Prezado Pastor me dizer na sua carta de 91/10/01 que não pretendia manter e aprofundar a questão do dízimo nos nossos dias.
    Também concordo consigo. Parece que já ambos dissemos o que havia a dizer e eu já estou esclarecido de que a sua posição pessoal é um pouco mais moderada que a posição assumida pelo vosso Boletim, mas eu mantenho a minha posição de firme rejeição da antiga Lei seja ela qual for, quer se trate da circuncisão, do dízimo, do sábado (ou do domingo).
    Penso que o seu tempo é demasiado precioso para continuar a escrever sobre o assunto e sugiro que suspenda o envio do vosso Boletim para minha casa, pois é despesa desnecessária. Embora com todo o respeito que me devem merecer opiniões diferentes da minha, não posso identificar-me com a vossa organização.
    Peço que compreenda a minha posição, pois devido às nossas divergências doutrinárias, não me posso considerar como um colaborador da vossa ………………., embora reconheça os seus aspectos positivos em especial o carácter indenominacional do …………. e o trabalho que têm feito o na divulgação da Palavra de Deus.
    É pena que no caso da contribuição se desviem do genuíno Evangelho abrindo uma excepção à Velha Lei.
    Admito no entanto a possibilidade de ainda vir a colaborar com o Prezado Pastor …………. quando os nossos objectivos forem comuns com todo o respeito pelas diferenças doutrinárias que nos separam.
    Fraternalmente em Cristo.
    Camilo

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