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Esperança na Lamentação - Francisco A. Barbosa

TEXTO ÁUREO
“As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim” (Lm 3.22).
- A misericórdia divina trouxe a esperança do profeta de volta. Em hebraico – hesed: concerto de amor ou amor imutável - está ligado à compaixão, verdade, bondade e fidelidade. A fidelidade é um compromisso do Senhor, sendo tão certa quanto o raiar de um novo dia (Sl 89.2, 5). A forma plural usada nesta passagem reforça muitos atos ou, talvez, as riquezas do amor divino. Podemos ser decepcionados por todos e talvez não respondam às nossas expectativas, porém, Deus será sempre fiel em seus propósitos.

VERDADE PRÁTICA
Por serem trabalhosos estes últimos dias, a presente hora é de contrição e súplicas diante do Senhor. Que Ele nos ouça o clamor e avive-nos espiritualmente, enquanto ainda há esperança.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Lamentações 1.1-5,12

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
- Definir tema, local, data, importância e propósito das Lamentações de Jeremias;
- Comparar o lamento de Jeremias ao de Cristo, e
- Explicar o porquê da necessidade de se lamentar diante de Deus.

PALAVRA-CHAVE
Lamentação
1. Queixa dorida; 2. Canto triste; elegia.
Lamentar: - 1. Ter pena de (alguém); 2. Manifestar sentimento por; 3. Queixar-se, lastimar-se.
Queixa acompanhada de gemidos, gritos e choros.
COMENTÁRIO
(I. INTRODUÇÃO)
Chegamos ao fim de mais um trimestre abençoado, reavivando leituras que muitas vezes relegamos a segundo plano. Aprendemos com Jeremias como deve portar-se um(a) homem/mulher de Deus. Finalizamos com o estudo das Lamentações (Os judeus o chamavam ????: Eikha, que significa “Como!”, a primeira palavra do livro. Essa palavra era comumente usada para significar “Ai!”. Alguns se referiram ao livro como “Qinot” ou “Lamentações”). Era originalmente parte do Livro de Jeremias. Foi separado porque era lido em uma das festas de Israel e incluído nos Cinco Megilloth (os outros eram Cânticos, Rute, Eclesiastes e Ester). Lamentações é uma elegia(1) de cinco poemas escrita no antigo ritmo e estilo das canções fúnebres israelitas, onde o profeta derrama-se em dor, agonia e em angústia. É lido cada ano na Tisha B’av (2), um jejum que relembra a destruição do Templo de Jerusalém em 586 a.C. Num dos textos bíblicos de Lamentações, o profeta menciona que o fato de lembrar-se das misericórdias do Senhor lhe trazia esperança (Lm 3.21-23). O livro de Lamentações expressa a completa confiança de Jeremias em Deus. Na mais extrema angústia e esmagadora derrota, sem haver absolutamente esperança de conforto de alguma fonte humana, o profeta aguarda a salvação da mão daquele que criou todas as coisas. Lamentações deve inspirar em todos os verdadeiros adoradores a obediência e integridade, dando ao mesmo tempo aviso temível concernente àqueles que desconsideram o maior dos nomes e o que este representa. Não há registro na história de outra cidade arruinada que tenha sido lamentada em tal linguagem patética e comovente. É, certamente, proveitoso em descrever a severidade de Deus para com os que continuam a ser rebeldes, obstinados e impenitentes. Com este tema, o comentarista da lição nos convida a refletirmos acerca das inúmeras bênçãos (reflexo da misericórdia divina) que o Senhor tem-nos concedido ao longo de nossa caminhada com Cristo! Não somos incólumes às desgraças que sobrevêm à humanidade, mas não obstante isso, temos uma âncora firme: as promessas de Deus que nos garantem esperança contra toda a esperança!
“Somente Deus pode nos libertar do pecado. Sem o Senhor, não há conforto ou esperança para o futuro. Por causa da morte de Cristo em nosso lugar e de sua promessa de retorno, temos a esperança viva de um maravilhoso amanhã”. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal REFLEXÃO
(II. DESENVOLVIMENTO)

I. O QUE SÃO AS LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS

1. As Lamentações na Bíblia Hebraica. Originalmente o livro não tinha título, sendo que a Bíblia Hebraica coloca a primeira linha do livro no Título, o lamento característico “Oh ,como!” (ekah), como título. Mais tarde os rabinos mudaram o título para Qinoth, uma palavra que aparece em Jeremias 7.29 com o significado de “alto choro”. Na Septuaginta os tradutores deram ao livro o título grego de Threnoi, significando Lamentos sendo que na Vulgata (tradução em Latim) isso foi expandido para “São as Lamentações do profeta Jeremias”. Tradicionalmente o livro é colocado nas nossas Bíblias seguindo o título da Septuaginta muitas vezes com o acréscimo: “de Jeremias”. A Bíblia hebraica é dividida em três partes: A Lei (Torah), Os profetas (Neviim), e Os Escritos/Hagiographia (Kethubim). O livro de Lamentações é colocado nessa terceira divisão, depois de Rute e antes de Eclesiastes. A sua posição deriva-se do fato dele estar entre os livros que eram lidos nas festas dos judeus. Em grego, este é o título das Lamentações: threnoi, que carrega este significado: chorar em alta voz. Ao traduzir a porção sagrada ao latim, Jerônimo deu-lhe este título: Liber Threnorum - Livro das Lamentações. O livro de Lamentações, nas nossas Bíblias em português, poderia ser considerado um “estranho no ninho”, pois apesar de estar incluído entre os livros proféticos, Lamentações é na realidade um livro poético. Estruturalmente o livro consiste de 5 lamentações equivalentes aos capítulos nas nossas Bíblias.

2. Tema e Data. Como toda a poesia bíblica o livro de Lamentações não busca ser apenas uma obra artística, mas ser uma forma do poeta expressar a sua mensagem. O tema básico do livro é a destruição da cidade de Jerusalém pelo exército babilônico. Tal fato é evidenciado pelo começo do livro: “Como está abandonada Jerusalém, a cidade que antes vivia cheia de gente!” (Lm1.1) e pelo início da segunda lamentação: “Quando ficou irado, O Senhor cobriu Jerusalém de escuridão. Ele transformou num monte de ruínas a cidade de Jerusalém, que parecia um céu e que era o orgulho do povo de Israel. No dia da sua ira, Deus abandonou até o seu próprio Templo” (Lm 2.1). Tais passagens mostram que a base do trabalho do poeta estava na sua observação da destruição de Jerusalém. Mas a análise do poeta não está centralizada no império humano que promoveu a destruição, nem mesmo citando os nomes de Nabucodonozor ou dos babilônios na sua obra, mas sim na soberania de Deus manifestada na queda da nação. Para o poeta a destruição da nação veio por obra das mãos de Deus como mostram os seguintes versículos: “Lá de cima Deus enviou um fogo que queima dentro de mim, Ele me armou uma armadilha e me jogou no chão. Depois me abandonou num sofrimento que não tem mais fim” (Lm 1.13); “O Deus Eterno descarregou o seu furor, derramou o ardor da sua ira. Ele pôs fogo em Jerusalém e a arrasou até o chão” (Lm 4.12). Tanto conservadores quanto liberais concordam que Lamentações fora escrito logo depois da destruição de Jerusalém. A razão básica para isso é que o conteúdo do livro, descrevendo a destruição de Jerusalém e a trágica situação do povo, exigindo que ele tenha sido escrito, e completo, antes da conquista da Babilônia pelo Império Persa e o édito de Ciro permitindo a volta dos exilados em aproximadamente 538 a.C. Portanto a data de composição do livro de Lamentações seria entre 587 a.C e 538 a.C.

3. O propósito das Lamentações. O objetivo primordial é deixar claro para Israel as conseqüências do pecado e da apostasia; revelar-lhes o seu próprio futuro no plano de Deus para o homem e enfatizar o fato de que o destino de cada homem está determinado por sua conformidade ou falta de conformidade com Deus e com o plano divino. (Bíblia de Estudo DAKE, CPAD, p. 1215).

4. A importância das Lamentações. As Lamentações de Jeremias era lido em público no nono dia do mês Abe (quinto mês do calendário hebraico equivalente ao nosso mês de julho) durante as comemorações da destruição do Templo de Jerusalém.

5. As Lamentações no Novo Testamento. Este livro mostra quão fracas as pessoas se tornam quando estão sob a Lei e quão incapazes elas são de servir a Deus com suas próprias forças. Isso as leva até Cristo (Rm 8.3). Até mesmo nestes poemas, porém, lampejos de Cristo brilham. Ele é a nossa esperança (3.21, 24 e 29); é a manifestação da misericórdia e da compaixão de Deus (3.22, 23, 32); é a nossa redenção e justificação (3. 58, 59). As lamentações de Jeremias refletem a tristeza do profeta em relação à situação espiritual, moral e física do povo de Israel SINOPSE DO TÓPICO (1)

II. O HOMEM QUE VIU TODAS AS DORES DE JERUSALÉM
Nebuzaradam seguindo ordens expressas de Nabucodonosor, ao encontrar o profeta, oferece-lhe a regalia de poder escolher para onde ir: para a Babilônia onde desfrutaria de poder, honrarias e conforto; ou permanecer em Judá, onde só acharia sofrimento e continuaria pobre e rejeitado. Certamente temeu ser tido pelos exilados judeus como traidor. Em Judá ele permaneceria pobre e rejeitado mas o remanescente do povo saberia que ele não era um traidor: “Escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado; tendo, por maiores riquezas, o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.” (Hb 11.25,26).

1. Homem de dores. Ao lado de Israel, Jeremias vê-se como enfermo e ferido, morto e enterrado, um prisioneiro, torturado, um viajante fazendo progresso vagaroso, atacado por animais selvagens, um alvo para flechas, um objeto de escárnio, tendo de comer alimento amargo e contaminado: “Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do seu furor” (Lm 3.1).

2. A lamentação das lamentações. O terceiro poema, de 66 versículos, frisa a esperança de Sião na misericórdia de Deus. Mediante muitas metáforas, o profeta mostra que foi Deus quem trouxe o cativeiro e a desolação. Na amargura da situação, o escritor pede a Deus que se lembre de sua aflição, e expressa fé na benevolência e nas misericórdias de YAHWEH. Três versículos sucessivos usam no início o termo “bom”, e mostram que é apropriado esperar a salvação da parte do Senhor (3.25-27). O profeta ancorou sua esperança em: Deus causou o pesar, mas mostrará também misericórdia. Mas não houve arrependimento do seu povo; foram feitos em “mero rebotalho e refugo” (3.45). Em lágrimas amargas, o profeta relembra que seus inimigos estavam à caça dele como atrás de um pássaro. Entretanto, Deus aproximou-se dele no poço e lhe disse: “Não tenhas medo.” O profeta invoca a Deus para que responda ao vitupério do inimigo: “Perseguirás em ira e os aniquilarás de debaixo dos céus do Senor Deus.” (3.57, 66). “Como fica fosco o ouro reluzente, o ouro bom!” (4.1) “Desviou os meus caminhos e fez-me em pedaços; deixou-me assolado. Armou o seu arco, e me pôs como alvo à flecha” (Lm 3.11,12). Mas, apesar de tudo, sabia ele que as misericórdias do Senhor são infinitas. Se Deus nos fere, nos ungirá também as feridas. O profeta Jeremias é considerado um homem de dores, que se compadece do sofrimento de seu povo. SINOPSE DO TÓPICO (2)

III. POR QUE É PRECISO LAMENTAR
O que lhe sustentou à noite? O que lhe fará passar por este dia? O que lhe capacitará a atingir alvos e até mesmo ser bem sucedido nos dias à frente? As misericórdias do SENHOR. Jeremias confiava na misericórdia divina: “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade” (Lm 3.22,23); “Converte-nos, SENHOR, a ti, e nós nos converteremos; renova os nossos dias como dantes. Por que nos rejeitarias totalmente? Por que te enfurecerias contra nós em tão grande maneira?” (Lm 5.20,21). Muitos personagens bíblicos optaram por sacrificar suas próprias vontades, conforto e até mesmo a vida em prol do povo de Deus. SINOPSE DO TÓPICO (2)

(III. CONCLUSÃO)
Deus é sempre misericordioso para com os que O buscam, põem nEle a sua esperança e nEle aguardam. Nós não somos consumidos porque a compaixão (termo que sugere uma profunda emoção) do Senhor não se esgota. No auge de sua dor, Jeremias inesperadamente transforma a rejeição em confiança, com base no conhecimento do caráter de Deus e em suas misericórdias passadas, e agora, aquelas lembranças que antes desencorajavam, passam a encorajá-lo. O livro de Lamentações conserva a angústia sentida pelos judeus do cativeiro babilônico, enquanto recordavam seu passado irrecuperável. Jerusalém fora destruída. Essa destruição foi tão intensa que nenhum traço do Templo original de Salomão, ou das poderosas muralhas da cidade real, têm sido encontrados por arqueólogos modernos. Lendo o livro, experimentamos uma sensação esmagadora de desespero que pode envolver pessoas e até mesmo comunidades inteiras. “O sofrimento extenuante do povo de Jerusalém, durante o estado de sítio, levou algumas das ‘mulheres outrora compassivas’ a devorarem seus próprios filhos em práticas canibalescas! Como a capacidade medonha de cada ser humano para pecar foi revelada nos últimos momentos dessa cidade!” (RICHARDS, LAWRENCE O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. RJ: CPAD, 2005, p. 482). “É de fato terrível se cedermos nossa natureza ao pecado. Pode acontecer de olharmos para trás, para as oportunidades perdidas, e compreendermos que a aflição que suportamos agora é conseqüência de nosso próprio anseio crônico pelo pecado. Como se não bastasse, a leitura do livro de Lamentações nos faz lembrar que os prazeres do pecado são o que há de mais vantajoso momentaneamente, porém, suas conseqüências dolorosas são permanentes e profundas” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.479).
(1). Elegia: - (latim elegia); s. f. Poema sobre assunto triste ou lutuoso; Poema constituído por hexâmetros e pentâmetros alternados. Fig. Jeremiada, lamentação.
(2). Tisha BeAv” é o jejum e dia de luto que comemora dois dos mais trágicos eventos da História Judaica que ocorreram no dia 9 do mês de Av — a destruição pelos babilónicos, no ano 586 antes daEra Comum, do Templo de Salomão, ou Primeiro Templo de Jerusalém, e a destruição do Segundo Templo, no ano 70 da nossa era, pelos Romanos. Outras calamidades na História Judaica também tiveram lugar em Tisha BeAv, incluindo o édito do rei Eduardo I, que forçava os judeus a deixar a Inglaterra em 1290, e o Decreto de Alhambra, ou Édito de Expulsão dos Judeus de Espanha, pelos Reis Católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, em 1492. (http://pt.wikipedia.org/wiki/Tishá_BeAv)

APLICAÇÃO PESSOAL
Apenas um amontoado improdutivo marcava o local que fora a última visão daqueles arrastados em cadeias para uma terra estranha… Os cinco acrósticos das elegias revelam profundo sentimento de remorso. O povo entende que perdera sua terra natal em decorrência do pecado de Judá. A angústia é acompanhada do fato de que até agora os cativos têm sido incapazes de recobrar a visão perdida de um futuro brilhante para sua raça. Deus tem um compromisso com uma moralidade que não pode ser abandonada pelo seu povo. Lamentações desvenda as profundezas da desgraça humana, não sob o ponto de vista pessoal, mas, na perspectiva de uma nação que caiu e chorou de remorso. Temos nessa pequena jóia uma grande lição para nós hoje: o melhor caminho para sobreviver à dor e aflição é colocá-las aos cuidados do Senhor. O Calvário e a ressurreição nos redimiu, não estamos sujeitos à punição retributiva por pecados cometidos: Cristo nos resgatou sofrendo em nosso lugar. Mas Deus freqüentemente permite que passemos por momentos difíceis para nos disciplinar (Hb 12.3-17). Através do sofrimento aprendemos a obediência e nos tornamos mais fortes em nossa fé. Viver por fé é a chamada para nós. A fé escolhe crer na Palavra de Deus acima da evidencia dos sentidos, sabendo que as circunstancias naturais devem ser mantidas sujeitas à Palavra de Deus. A fé não está negando as circunstancias; pelo contrário, está crendo no testemunho de Deus e vivendo em concordância com o mesmo. Dependemos inteiramente do Senhor para caminharmos bem a carreira nos foi proposta. Carecemos de experiência com Deus, que nos dê força e coragem para suportarmos as dificuldades da caminhada, mas precisamos acima de tudo, aprendermos a depender unicamente da graça e poder divinos.
O homem é um ser que pensa cuja principal característica é a racionalidade. É o uso da razão – ou a possibilidade – que nos distingue dos demais seres viventes – ou que deveria distinguir. Essa possibilidade que nos coloca diante da realidade do mundo, enfrentando-o, transformando-o, vivendo-o, enquanto que os demais seres estão apenas imersos nesse mesmo mundo, sem, no entanto, interagir com ele. O uso da razão nos leva a refletir, a pensar – por na balança para avaliar o peso de alguma coisa – a avaliar para descobrir o peso dos fatos, da realidade. No uso dessa característica, muitos pensadores chegaram a conclusões impressionantes acerca das maiores indagações da humanidade. Pesando os fatos, a realidade das coisas, os pré-socráticos chegaram à brilhante conclusão de que a ‘arché’ (princípio) de todas as coisas é o Logos. A existência do homem é radicalmente diferente da dos animais. Os animais são levados pela vida, pelo instinto, e não lhes é problema viver, já que nascem plenamente constituídos, isto é, eles não podem ser melhores do que já são – evolucionistas me perdoem. O homem não nasce assim, pronto, pleno. É dada a oportunidade da evolução, do aperfeiçoamento de suas potencialidades. O homem é um ser que nasce projeto! Projeto pessoal, intransferível, de aperfeiçoamento das capacidades e potencialidades, num processo de construção da própria vida, que deve ser assumido, alimentado, repensado, desenvolvido até o nível de varão perfeito, à medida da estatura do Logos. Se isto não ocorrer, o homem deixa de viver e passa a estar imerso no mundo, vegetando, como aqueles seres coadjuvantes. No dizer de Paulo, ‘conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude – pleroma: número completo, complemento total, medida completa, abundancia, plenitude, o que foi completado - de Deus’ (Ef 3.19). Conhecer o amor de Deus é a essência da maior plenitude e a chave para o crescimento maduro, estável e íntegro.
N’Ele, para que a prova da nossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo (1Pe 1.7),
Francisco A Barbosa
auxilioaomestre@bol.com.br

BIBLIOGRAFIA PESQUISADA
- Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD;
- Bíblia de Estudo Plenitude, SBB, PC Hb 11.26; p. 1293
- Bíblia de Estudo de Genebra, ECC/SBB;
- Blog O Gideão: http://ogideao.blogspot.com/2009_01_01_archive.html;
- Imagem: (Muro das Lamentações).

EXERCÍCIOS
RESPONDA

1. O que são as lamentações de Jeremias?
R. O canto plangente de Jeremias em favor do seu povo.
2. . Por que ele as escreveu?
R. Para chorar e lastimar a queda da monarquia da Casa de Davi; a destruição de Jerusalém e a deportação dos judeus para a Babilônia.
3. Por que é preciso lamentar?
R. Precisamos lamentar pelo povo de Deus e por nossa família, pois estamos vivendo tempos difíceis.
4. O que é o fator misericórdia?
R. O mesmo Deus que fere, também unge as feridas.
5. Que lição podemos tirar das Lamentações de Jeremias?
R. Resposta pessoal.

BOA AULA!

Publicado no blog Auxilio ao Mestre

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    francisco
    Escreveu:

    - Tendo visto as dimensões da promessa da paz,podemos, então, de pronto perceber que a promessa da paz, nas dimensões tratadas nesta lição, ou seja, enquanto “paz interior”, paz que é gozada pelo indivíduo em seu homem interior (alma e espírito), é conseqüência da salvação na pessoa de Jesus Cristo e, portanto, é algo que tem como destinatário apenas a Igreja, o corpo daqueles que foram salvos e remidos pelo Senhor Jesus.

    - Como diz o poeta sacro, na versão adaptada por Paulo Leivas Macalão, “Oh! Que paz recebo pela cruz, paz eterna no Senhor” (primeira parte do refrão do hino 364 da Harpa Cristã). A paz é resultado direto da salvação e somente os membros da Igreja, portanto, podem desfrutá-la. Não tem, pois, qualquer respaldo bíblico a promessa de “paz interior”, de “harmonia”, de “tranqüilidade” sem que, antes, se tenha a salvação na pessoa bendita do Senhor, sem que antes se aceite o sacrifício de Jesus na cruz do Calvário.

    - Não é por outro motivo que o apóstolo Paulo diz que “Cristo é a nossa paz” (Ef.2:14) e a existência da Igreja é a maior prova de que isto é verdade, pois, Jesus “…de ambos os povos fez um, derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades.” (Ef.2:14b-16).

    - Vemos, portanto, que a promessa de paz é uma promessa especial, daquelas promessas “nacionais”, voltadas única e exclusivamente para a Igreja. Por isso, Jesus é chamado o Príncipe da Paz (Is.9:6), como também, assim que Se apresentou ressurreto aos discípulos, a Sua primeira providência foi lhes dar a Sua paz (Jo.20:19), algo que deu apenas aos Seus discípulos, numa clara evidência de que se trata de uma promessa destinada à Igreja e tão somente a ela.

    - Verdade é que, na sua dimensão escatológica, a paz também está reservada para Israel e para os gentios, “in casu”, as nações que não se levantarem contra Israel na Grande Tribulação e que, por isso, terão o direito de passar o reino milenial de Cristo, residindo nesta promessa a esperança que toda a humanidade tem de, no futuro, desfrutar de uma paz que tanto tem faltado na comunidade internacional. Mas não é esta a paz de que estamos a tratar, mas, sim, da “paz interior”, isto é, “o estado de se estar mental ou espiritualmente em paz, com conhecimento e entendimento para enfrentar desacordos ou stress”.
    - Tanto é uma promessa reservada apenas à Igreja, que a paz interior é totalmente diferente daquela que é dada pelo mundo. Jesus, mesmo, ao prometer nos dar a paz, disse que Sua paz era distinta da do mundo (Jo.14:27). Era algo deixado pelo Senhor, ou seja, algo que era exclusivamente de Jesus e que nos seria concedido, porque o mundo não na tinha, nem a poderia ter. Como afirma Isaías, “os ímpios não têm paz” (Is.48:22; 57:21). Os pecadores, diz Paulo, não conheceram o caminho da paz (Rm.3:17). A paz é algo reservado para o “Israel de Deus” (Gl.6:16).

    - Mas, além de ser uma promessa “nacional” exclusiva da “nação santa” chamada Igreja (I Pe.2:9), vemos que a paz é promessa incondicional, ou seja, todo salvo recebe a paz de Deus, pois é ela é resultado automático e imediato da justificação (Rm.5:1). Não é possível que um verdadeiro e autêntico salvo não desfrute de paz com Deus. O salmista, mesmo, afirma que “muita paz têm os que amam a Tua lei, e para eles não há nenhum tropeço” (Sl.119:165) ou, então, o que é dito pelo profeta Isaías, “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em Ti, porque ele confia em Ti” (Is.26:3), até porque, como diz o mesmo profeta, “…o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança, para sempre” (Is.32:17).

    - Como tudo o que diz respeito à vida espiritual do salvo, a paz deve ser constantemente guardada e preservada. A santificação nada mais é que um processo para nos mantermos em paz com Deus. Por isso, o apóstolo Paulo diz que quem nos santifica em tudo é o “Deus de paz” (I Ts.5:23), tendo, também, sido recomendado que “vivamos em paz” para que o Deus de amor e de paz seja conosco (II Co.13:11), pois fomos chamados para a paz (I Co.7:15). A paz é indispensável pois é pelo seu vínculo que temos guardada a unidade do Espírito (Ef.4:3). Desta forma, o fato de ser promessa incondicional não significa, em absoluto, que não possa a ser perdida por aqueles que se descuidarem da vida espiritual. Quando há o desvio espiritual, não se perde apenas a salvação, mas a paz que é um dos efeitos desta salvação. Ao lermos o salmo 51, vemos, nitidamente, como Davi estava perturbado por causa do seu pecado, como havia perdido a paz.

    - Mas, além de ser uma promessa “nacional” para a Igreja e incondicional, temos que o propósito da paz interior é o de edificar e sustentar um povo especial, zeloso de boas obras, a Igreja. Como diz o apóstolo Paulo, Jesus fez a paz para “criar em Si mesmo dos dois um novo homem (…) e, pela cruz, reconciliar ambos, com Deus em um corpo”( Ef.2:15,16). A paz tem como propósito a criação e manutenção da Igreja, do corpo de Cristo.

    - O propósito da paz interior não é trazer a “divindade” para dentro do ser humano, como propõem muitos grupos religiosos, notadamente aqueles vinculados ao budismo e hinduísmo e que são promovidos pela Nova Era, numa individualismo que faz com que os seres humanos se achem “deuses” pelo simples fato de terem controlados o seu estresse ou a sua agitação diária por meio de “meditações” e “experiências espirituais”. Não, não e não!

    - O propósito da paz interior não é a concessão de um alívio imediato, de um “descarrego” emocional ou psicológico, de um bem-estar momentâneo, que se repita semanalmente, como se tem visto em muitas igrejas que se dizem evangélicas na atualidade, mas é algo muito mais profundo. O propósito da paz interior é criar um povo que, apesar das dissensões e das aflições surgidos nos relacionamentos humanos por causa da decisão por Jesus Cristo neste mundo (cfr. Mt.10:34; Lc.12:51; Jo.16:33), vive em paz com Deus e é capaz de, não só desfrutar desta harmonia com o Senhor, como também de anunciar e demonstrar esta vida de paz a todos os homens, prosseguindo a evangelização da paz promovida pelo Senhor Jesus (Ef.2:17), calçando seus pés na preparação do evangelho da paz (Ef.6:15).

    - A paz interior é o pressuposto para a construção de uma nação santa que tenha condições de anunciar as virtudes dAquele que nos chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz (I Pe.2:9). A paz interior proporciona a todo salvo que, mesmo em meio às aflições, lutas, dores e perseguições, leva a mensagem da paz, a mensagem da salvação a todos quantos estão a necessitar de Jesus e do amor de Deus. Milhões têm sido alcançados pelo Evangelho porque os pregadores desfrutam da paz interior que lhes permite mostrar, com seu comportamento, algo diferente, algo que o mundo não tem, que é a paz com Deus que se torna, como vimos supra, a paz de Deus e que leva as almas aos pés de Jesus.

    - Este é o verdadeiro propósito da promessa da paz interior: o de construir um povo que, dotado da paz de Cristo, venha a levar multidões para os pés de Jesus, venha a fazer com que milhões reconheçam que, em Cristo, no Calvário, tivemos o castigo que nos trouxe a paz e, assim, a termos o perdão dos pecados por meio de Cristo Jesus. Para isto o Senhor nos deu a Sua paz, para isto devemos buscá-la e conservá-la até o fim.

    - Em Mt.5:9, encontramos a bem-aventurança dos pacificadores: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus”. O crente, por ter a paz que o mundo não tem, acaba distribuindo esta paz aos demais homens, removendo as discórdias, conciliando as diferenças, proporcionando o bem-estar dos que estão à sua volta, sem violência, sem guerra. O crente surge no meio dos ímpios como aquele que traz a paz de Cristo. O gesto de saudarmos as pessoas com a paz do Senhor não deve ser um simples costume, mas uma real demonstração daquilo que estamos a oferecer ao próximo. Temos sido promotores da paz? Temos posto “água fria” na fervura, ou somos daqueles que “põem fogo e saem de mansinho”? Um filho de Deus é um pacificador e, mesmo que seja incompreendido e até violentamente morto, como foi o pastor norte-americano Marthin Luther King, passa para a história como alguém que teve e distribuiu a paz.

    OBS: Razão, neste particular, tem o Catecismo da Igreja Católica Romana quando afirma, em seu artigo 2306, que “…os que renunciam à ação violenta e sangrenta e recorrem para a defesa dos direitos do homem a meios que estão ao alcance dos mais débeis, dão testemunho de caridade evangélica, sempre que isto se faça sem lesar os direitos e obrigações dos outros homens e das sociedades. Testemunham legitimamente a gravidade dos riscos físicos e morais do recurso à violência com suas perdas e suas mortes (cf GS 78,5)….” (tradução nossa de texto em espanhol). Por isso vemos com grande preocupação a participação de crentes em movimentos como os dos vários movimentos dos sem-terra no Brasil. O crente deve ser um pacificador, não um participante de atos violentos e ilegítimos, como a invasão de terras e de prédios públicos, como vem seguidamente promovendo o MST e movimentos similares.

    - “…O mundo precisa de pacificadores, ou melhor, do Pacificador, Jesus Cristo. Como representante de Cristo, todo crente deve ser um pacificador (1) entre Deus e o homem, e (2) entre as pessoas que têm conflitos. A melhor forma de ser pacificador em ambos os casos é fazer que as pessoas se convertam em servos de Jesus Cristo, apresentando-as ao Salvador.(…). Os cristãos podem proteger-se contra a violência física; podem até proteger seus familiares, e outras pessoas; mas sua meta principal é procurar a paz.(…). Pede-se ao cristão que faça sacrifícios a fim de promover a paz.(…). Devemos buscar a direção de Deus em circunstâncias individuais para saber como resolver o conflito, sem permitir que o mal tenha oportunidade de crescer.(…). Como pode um cristão fazer os necessários sacrifícios para ganhar os perdidos, se seus objetivos principais são a defesa de seus direitos pessoais ? Como se poderá alcançar as pessoas que vivem nas piores condições em nossa sociedade, se os crentes se recusam a sair de suas casas confortáveis ? As instruções de Jesus não indicam que seus seguidores nada farão. Seu chamado é para a ação, mas tal ação deve basear-se na direção que ele imprime, e não nas experiências emocionais….” (VIDA Radiante, v.4, p.33-7).

    OBS: Os próprios muçulmanos admitem no seu livro sagrado, o Corão, que os servos de Deus são os pacíficos: “…E os servos do Clemente são aqueles que andam pacificamente pela terra e, e quando os insipientes lhes falam, dizem: Paz!…”(25:63).

    - É triste vermos que poucos são os crentes, nos nossos dias, que se dispõem a assumir uma postura ativa na pacificação no meio da sociedade. Verdade que é princípio bíblico que não devemos nos intrometer em questões alheias (Pv.26:17), mas também devemos lembrar que é questão da Igreja trazer mensagem de paz, pregar o Evangelho da paz. Assim, seria muito bom que víssemos mais servos do Senhor empenhados em promover a pacificação dos lares, da vizinhança, de distúrbios e situações de beligerância. Os poucos que têm se disposto a serem agentes da paz têm sido abençoados e honrados pelo Senhor, como, recentemente, a atuação de um ministro do Evangelho numa das maiores rebeliões de presídio no Rio de Janeiro. É tempo de despertarmos e mostrarmos que buscamos e seguimos a paz, porque somos salvos na pessoa de Jesus Cristo, que é a paz. A Igreja, por natureza, é quem pode e deve receber, todos os anos, o Prêmio Nobel da Paz.

    OBS: “…Não somente os dotados de natureza pacífica, Tg.3.18, nem os que aceitam a paz sem protesto ou que preferem a paz ao desacordo, nem os que têm paz na alma, com Deus, e nem os que amam a paz, mas aqueles que promovem ativamente a paz e procuram estabelecer a harmonia entre inimigos, esses são os pacificadores. O sentimento do pacificador é mais nobre que o de Rm. 12.18, onde se for possível, devemos ter paz com todos. Logo, o pacificador não somente possui a paz, mas semeia e divulga a paz, sem cair em agitação diante das guerras. O pacificador não somente tem paz, e procura ter paz com todos, mas ele semeia a paz onde há discórdia.


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    rogerio
    Escreveu:

    - Jeremias, mesmo vendo mães comerem seus filhos, crianças, jovens e velhos serem mortos ao fio da espada, sua querida Jerusalém totalmente assolada, ainda pôde ter esperança, porque se lembrou das promessas do Senhor. Que fé a de Jeremias! Como está a nossa?
    - O profeta podia verificar que, apesar de toda a mortandade e do silêncio de Deus aos clamores e gritos dos que estavam a perecer, ele, profeta, ainda estava vivo e, juntamente com ele, outras pessoas, sem falar naqueles que estavam já no cativeiro. A destruição não tinha sido final, o Senhor não havia consumido o povo todo, havia um remanescente e a existência deste remanescente era a prova viva de que “as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as Suas misericórdias não têm fim” (Lm.3:22). Esta constatação mudou o ânimo do profeta que, em meio àquela aflição tão grande, revigorou e fortaleceu a sua esperança.
    - Enquanto Jesus não tiver vindo buscar a Sua Igreja, ainda há esperança para os que estão trilhando caminhos perigosos e difíceis. Ainda há tempo para “sacudirmos” os que estão dormindo mui profundo sono espiritual nestes dias tão difíceis: “Desperta, Jesus Cristo, os que dormem o mui profundo sono do jardim; como operaste nos antigos tempos, com Teu poder nos guia até o fim. Como operaste nos antigos tempos, com Teu poder nos guia até o fim” (Erik Janson e Francisco da Silva – quinta estrofe do hino 387 da Harpa Cristã).
    - O profeta mostra que as misericórdias do Senhor são novas a cada manhã, que grande é a fidelidade do Senhor e, por isso, como a sua porção era o Senhor, o profeta podia esperar n?Ele. O Senhor é bom para os que se atêm a Ele, para a alma que O busca, por isso é bom ter esperança e aguardar em silêncio a salvação do Senhor (Lm.3:23-26).
    - Esta esperança do profeta justificava-se porque o Senhor não havia destruído totalmente o Seu povo e havia, ainda, uma promessa de restauração e de redenção. Ainda não havia chegado o tempo do novo concerto que firmaria com Israel e com Judá (Jr.31:31-34). Por isso, deveria ser suportado “o jugo da mocidade”, assentar-se solitário e ficar em silêncio, porque a rejeição do Senhor não seria para sempre (Lm.3:27-31).
    - Ainda que o Senhor estivesse a entristecer alguém, usaria de compaixão segundo a grandeza de Suas misericórdias, porque não algie nem entristece de bom grado aos filhos dos homens. O Senhor não veria que se estava a pisar debaixo dos pés os presos da terra, a perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo e a subverter o homem no seu pleito (Lm.3:34-36)?
    - Por isso, não deveria o povo senão queixar-se dos seus próprios pecados (Lm.3:39), esquadrinhando os seus caminhos e os experimentando, voltando ao Senhor (Lm.3:40), levantando os seus corações com as mãos para Deus nos céus dizendo: “nós prevaricamos e fomos rebeldes, por isso Tu não perdoaste, cobriste-te de nuvens para que não passe a nossa oração” (Lm.3:42,43).
    - Apesar de ter constatado que a destruição não era final e que Deus prometera restaurar o povo, Jeremias torna a lembrar o povo de que nada se faria se não houvesse um profundo arrependimento dos pecados. O povo deveria lamentar a sua sorte, reconhecer o seu pecado e pedir a Deus que o perdoasse, pois, assim, a restauração se daria, assim a misericórdia do Senhor se manifestaria (Lm.3:44-55).
    - O profeta dá o seu testemunho ao povo, lembrando que, em dias passados, mas não tão longínquos assim, também sofrera aflições, tendo risco de morte, mas o Senhor ouvira o seu clamor e o pusera naquela situação em que se encontrava, sendo poupado de todo aquele
    sofrimento. De igual modo, faria ao povo judaíta, se ele se arrependesse de seus pecados e reconhecesse a justiça divina em toda aquela aflição (Lm.3:51-66).
    - Jeremias voltava a ser o profeta, não mais o simples lamentador. Se havia se sentado e passado a chorar, agora volta a clamar de pé para o povo, chamando-o ao arrependimento e se fazendo a própria canção do povo, como exemplo de que tudo não estava perdido e que o Senhor estava pronto a recebê-los de volta, desde que se arrependessem de seus pecados, pois o Senhor dará a recompensa conforme a obra de cada um (Lm.3:64).
    - Por isso, não negamos que, durante a Grande Tribulação, haverá salvação de almas. A Bíblia é clara ao mostrar que, neste período, haverá os santos (Dn.7:25; Ap.6:9-11; 20:4), mas será preciso que haja arrependimento dos pecados e num quadro muito mais difícil do que o presenciado pelo profeta Jeremias. Além de a aflição ser maior que a dos dias de Jeremias (cf. Dn.12:1), não podemos nos esquecer que se terá um quadro de atuação limitada do Espírito Santo seguinte a um período de plena atuação, o que não havia nos dias de Jeremias, o que torna a possibilidade de salvação muito mais difícil e que será inevitavelmente acompanhada de martírio (AP.13:10). Por isso, desfrutemos da misericórdia do Senhor ainda neste tempo, antes do arrebatamento da Igreja.

    - Jeremias retoma a descrição do triste e lamentável quadro da aflição presenciada pelo profeta. O ouro havia se escurecido, o ouro fino e bom havia se mudado, as pedras do santuário estavam espalhadas ao canto de todas as ruas. Os filhos de Sião, antes comparados a ouro puro, eram agora repudiados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro (Lm.4:1,2).
    - Havia uma crueldade no meio do povo, os que antes comiam iguarias delicadas morriam de fome nas ruas da cidade e os meninos pediam pão e ninguém lhos dava, tudo como consequência da maldade do povo de Judá, que era maior que o pecado de Sodoma (Lm.4:3-6). A fome grassava a todos, mudando até a cor da pele dos habitantes de Jerusalém (Lm.4:7-10).
    - Não escaparam nem os nazireus, aqueles que faziam voto de dedicação exclusiva ao Senhor durante um tempo, que de brancos, de roxos de corpo, mais polidos do que a safira, passaram a ter um negrume de aparência, a indicar a alteração causada por causa da fome. Se assim estavam aqueles que haviam feito voto de servir a Deus, como não estariam os demais?
    - Os mortos pela fome sofriam mais do que os mortos pela espada, porque estes últimos eram traspassados, morriam rapidamente, ao contrário dos primeiros, que custavam a morrer. O destino deste povo era apenas a morte, como havia sido profetizado por Jeremias e eles não haviam crido por causa de seus pecados. As próprias mãos das mulheres piedosas coziam os próprios filhos, a demonstrar a que ponto estava o desespero de todos os habitantes de Jerusalém (Lm.4:7-10).
    - Este quadro se dava por causa da ira de Deus, porque Ele havia derramado o ardor da Sua ira, acendido o fogo em Sião, que consumira os seus fundamentos (Lm.4:11). Que se pode, então, esperar da Grande Tribulação, amados irmãos, onde se manifestará a própria ira do Cordeiro (Ap.6:16,17). E ainda tem gente que acha que poderá arriscar a sua salvação, não se preparando para o arrebatamento, confiando em “kits grande tribulação”. Não nos iludamos, amados irmãos! Lembremos das palavras do poeta sacro traduzido/adaptado por Paulo Leivas Macalão: “O fim de todas as coisas vem, não tarda, cuidado! Não queiras hoje recusar a graça do
    Salvador. Procura bem depressa ficar abrigado no sangue do Cordeiro, no sangue remidor.” (primeira estrofe do hino 334 da Harpa Cristã).
    - O pecado e a maldade do povo fizeram com que o furor do Senhor descesse sobre o povo e aquilo em que o povo não acreditara, nas diversas mensagens trazidas pelos profetas, acontecera fielmente (Lm.4:11-14). O resultado da incredulidade é que, agora, aqueles incrédulos não só tinham visto o adversário e o inimigo entrarem pelas portas de Jerusalém, o que eles achavam impossível de ocorrer, como também derramarem o sangue dos justos no meio dela.
    - Os profetas, os sacerdotes, os reis e os moradores em geral passaram a errar como cegos nas ruas, andando contaminados de sangue, de tal sorte que ninguém podia tocar nas suas roupas, pois se fizeram ritualmente imundos, tendo de se desviar dos demais habitantes, sendo divididos pela ira do Senhor, que nunca mais tornaria a olhar para eles, não tendo mais a reverência dos sacerdotes nem a compaixão dos velhos (Lm.4:12-16).
    - Mais uma vez alertamos a todos a respeito desta verdadeira figura dos apóstatas na Grande Tribulação. Como esperar que tenham eles “uma nova chance” diante desta descrição profética de Jeremias? Se nos dias do juízo babilônico, menos grave que o que advirá após o arrebatamento da Igreja, os que se revelaram hipócritas em seu relacionamento com Deus (profetas, sacerdotes, reis) seriam cegos errantes no caminho, considerados imundos segundo a própria lógica ritualista e formalista que amavam dizer seguir aos olhos do povo, como podemos esperar algo diferente dos que de novo crucificaram ao Senhor Jesus, dos que pisaram o sangue do Filho de Deus (cf. Hb.6:6;10:29)?
    - A aflição, além de ser extrema, era acompanhada da sensação de que não era possível qualquer socorro. O povo olhava para gente que não os podia livrar (Lm.4:17). A chegada do fim era a única coisa que se deveria esperar (Lm.4:18), até porque “o ungido do Senhor”, considerado “o respiro de nossas narinas”, aquele que tinha a promessa da aliança davídica, tinha sido o primeiro a ficar preso nas covas do inimigo (Lm.4:20).
    - No entanto, em meio a um quadro tão difícil e duro, sem esperança de salvação, o profeta manda uma mensagem a Edom que, embora fosse irmão de Judá, havia se alegrado com a desgraça judaíta. Assim como Judá sofrera, Edom também sofreria e o cálice também chegaria a eles (Lm.4:21).
    - Para Judá, porém, haveria uma restauração. O castigo presente não seria eterno, e a filha de Sião nunca mais seria levada ao cativeiro, enquanto que Edom sofreria o necessário castigo e nunca mais se restauraria (Lm.4:22). A ira para Judá não era definitiva, haveria de ser aplacada e, num determinado instante, cessaria com o livramento do povo.
    - O Senhor, neste poema, pois, mostra, através da boca do profeta, que Judá seria restaurado e que um sinal desta restauração prometida seria a eliminação de Edom. Os edomitas ainda perturbaram a nação judaíta durante alguns séculos. Não nos esqueçamos de que Herodes, o Grande, que reinava sobre os judeus quando do nascimento de Jesus (Mt.2:1), era edomita e sua dinastia reinaria até a destruição do Segundo Templo sobre partes importantes da Terra Prometida.
    - O desaparecimento de Edom mostra-nos que Deus não Se esqueceu de Seu povo, de Israel e de Judá, e que, portanto, ainda se aguarda uma restauração para eles. Nós, como zambujeiro enxertado na oliveira verdadeira, porém, não estamos incluídos nesta promessa de restauração. Nosso tempo é hoje (cf. Hb.4:7-11), por isso temos de estar preparados pois será extremamente difícil viver o quadro da ira de Deus, máxime quando poderemos nos encontrar no destino dos edomitas e não na promessa reservada a Israel. Não brinquemos com a salvação!
    - O quinto e último poema é chamado na Versão do Pe. Antonio Pereira de Figueiredo, a primeira versão oficial católico-romana em língua portuguesa, de “Oração de Jeremias”, título extremamente adequado, visto que o profeta realmente faz uma oração ao Senhor, ante a aflição presente que vê com seus próprios olhos e a promessa de restauração, que o Espírito Santo lhe faz recordar.
    - Este poema, embora tenha também 22 versículos, não é alfabético como os demais, a indicar, pois, uma certa pessoalidade por parte do profeta, um clamor mais do que um poema. “Sacudido” na sua fé, Jeremias, mesmo diante daquele estado tão triste em que se encontrava seu povo, tem ânimo para interceder, uma vez mais, pelo seu povo. Que exemplo Jeremias nos dá para estes dias difíceis em que estamos a atravessar. Se há apostasia à sua volta, amado irmão, não desanime, mas interceda para que os que se desviam possam voltar a buscar a Deus.
    - Jeremias começa a pedir a Deus que Ele Se lembrasse do que estava acontecendo com o povo e que olhasse para o seu opróbrio. Sua herdade havia passado para estranhos e suas casas, para forasteiros. O povo tinha se tornado órfão de pai e suas mães tinham se tornado viúvas. A água era bebida por dinheiro e por preço vinha a sua lenha. Os perseguidores estavam sobre os seus pescoços e o povo estava cansado e sem descanso (Lm.5:1-5).
    - Jeremias assumia a condição miserável pela qual passava o povo, sem patrimônio, sem herança, sem sustento, sem família, sob opressão. É esta a situação em que se encontram aqueles que se desviam espiritualmente do Senhor. Temos clamado a Deus para que voltem os nossos irmãos desviados ao convívio do Senhor? Temos observado o estado de calamidade que estão a viver sem a herança divina (não têm mais as bênçãos da filiação divina), sem a Palavra de Deus (a água), sem a comunhão dos irmãos (a orfandade), sem uma vida de adoração (a lenha) e sob a opressão do maligno (os perseguidores)?
    - Será que temos visto a presença destes elementos em nossas próprias vidas? Será que estamos a viver em um opróbrio, pois uma religiosidade externa e formal, um comparecimento aos cultos e até um comprometimento com atividades na igreja local não podem nos fazer ser verdadeiros filhos de Deus, nem tampouco a termos comunhão com Deus e com os irmãos, muito menos nos trazer o alimento da Palavra de Deus e a liberdade do pecado? Será que não temos de pedir por nós mesmos a Deus antes que esta situação se torne irreversível no dia da ira do nosso Deus?
    - Jeremias, ainda, diz que o povo tinha de estender as mãos aos egípcios e aos assírios para se fartarem de pão, enquanto seus pais não mais existiam e eles levavam sobre si as maldades e pecados deles. Estavam dominados por servos e ninguém podia arrancá-los das mãos deles. O pão era trazido com perigo de morte por causa da espada do deserto e a pele estava enegrecida por causa do ardor da fome (Lm.5:6-10).
    - O estado vivido pelo povo era de extrema miséria e necessidade. A sobrevivência era incerta, ante a necessidade de obter alimento de povos estranhos e com grande risco de morte, não havendo, ademais, alimento suficiente para todos. Imperava a fome e o grande sofrimento para tentar minorá-la e, mesmo assim, de forma absolutamente insatisfatória. É, precisamente, este o quadro que se viverá na Grande Tribulação: a fome e sede espirituais serão imensas, sem condições de satisfação, com grande risco de morte para todos os que tentarem supri-la. Aliás, a “espada do deserto” não será apenas um risco, como foi nos dias de Jeremias, mas representará uma certeza, pois todos “os santos do Altíssimo” serão mortos pela besta (Ap.6:2,11; 13:7).
    Para que, então, nos arriscarmos a não participar da ceia das bodas do Cordeiro para vir a passar fome e sede espirituais na Grande Tribulação?
    - Como se isto fosse pouco, o profeta lembra o Senhor que as mulheres em Sião e as virgens haviam sido forçadas, ou seja, sexualmente violentadas, nas cidades de Judá; os príncipes, enforcados; os velhos, não foram reverenciados enquanto que aos mancebos se obrigou a que moessem e carregassem lenha. Os velhos já não tinham mais assento na porta e os mancebos não mais cantavam, tinha cessado o gozo do coração do povo e a dança havia se convertido em lamentação. Havia caído a coroa da cabeça do povo por causa do pecado (Lm.4:11-16).
    - Toda esta tragédia descrita pelo profeta era resultado único e exclusivo do pecado do povo, da resistência do povo em se arrepender enquanto era tempo, apesar das múltiplas oportunidades trazidas pelo Senhor. Em virtude do pecado, todos haviam perdido toda a honra e toda a integridade. Mulheres violentadas, príncipes enforcados, velhos desrespeitados e mancebos escravizados. Todos eram tratados sem qualquer consideração ou respeito, tinham “perdido a coroa da cabeça”. Por isso, o Senhor Jesus alerta os crentes fiéis: “ Eis que venho se demora, guarda o que tens para que ninguém tome a tua coroa” (Ap.3:11). Temos dado ouvido às palavras do Senhor ou vamos proceder como os judaítas aqui lamentados por Jeremias?
    - O resultado deste estado de coisas era o desmaio do coração do povo, o escurecimento dos seus olhos, enquanto que as raposas andavam pelos montes de Sião impunemente, como prova da própria inércia do povo. Se isto se dava nos dias de Jeremias, o que não ocorrerá na Grande Tribulação, um juízo maior e mais terrível? Como acreditarmos que teremos força para resistir à besta e a seu império só com a “memória” dos dias em que não ouvíamos a Palavra de Deus e negligenciamos quando havia plenas oportunidades de salvação? É evidente que se trata de um contrassenso, de uma ilusão do nosso adversário. Sejamos fiéis para que não sejamos apanhados de surpresa no abrir e fechar de olhos do arrebatamento!
    - Jeremias, porém, não estava ali apenas para lamentar. Muito pelo contrário, recordado pelo Espírito Santo da promessa de que a destruição não seria final, cumpre, uma vez mais, o seu papel de profeta e de sacerdote. Mesmo diante do pecado do povo e das consequências nefastas justamente vividas por ele, não deixa de interceder pelo povo e de mostrar a sua esperança, que intentava espraiar por todo o povo.
    - Jeremias, então, diz que o Senhor permanece eternamente, que Seu trono é de geração a geração e, portanto, por que haveria Ele de Se esquecer de Israel para sempre? Por que desampararia os judaítas por tanto tempo? (Lm.5:19). Considerando a eternidade do Senhor, o profeta pede que cessasse temporalmente o sofrimento do povo. Sendo eterno, Deus poderia, muito bem, abreviar o sofrimento do povo e fazer cumprir as Suas promessas de restauração.
    - Pede, então, o profeta que o Senhor convertesse o povo e, assim fazendo, o povo se converteria a Ele. Pede, também, que o povo fosse renovado como dantes (Lm.5:21). A expressão do profeta causa alguma espécie, pois quem deve se converter é o homem, pois Deus o dotou de livre-arbítrio. No entanto, além de termos aqui uma expressão poética, e portanto um tanto quanto livre, o sentido é de que o Senhor deveria mostrar ao povo a Sua misericórdia, a Sua benevolência, algo que não se conseguia ver naquele instante tão difícil de castigo, a fim de que o povo, então, diante desta demonstração de boa vontade, pudesse se voltar ao Senhor e se arrepender de seus pecados.
    - É precisamente o que faz o Espírito Santo nesta dispensação. Através da Palavra de Deus, leva aos homens a fé salvadora (Rm.10:17), com a qual procura convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Convencido, o homem se arrepende de seus pecados e se converte, entregando-se a Cristo Jesus como seu único e suficiente Salvador. A “conversão”, assim, parte de Deus, tem em Deus a sua origem, ainda que dependa da vontade, da escolha por parte do homem.
    - O profeta, confiando na fidelidade e benignidade do Senhor, termina a sua oração de forma até um tanto quanto desafiadora: “Por que nos rejeitaria totalmente? Por que te enfurecerias contra nós em tão grande maneira? (Lm.5:22). O profeta sabia que, diante das promessas existentes, o Senhor não destruiria Israel, ainda haveria uma restauração deste povo, haveria um “novo concerto” entre Deus e Israel. Com estas interrogações, o profeta deixava aberta a possibilidade de reconciliação e restauração, que era, afinal de contas, a parte final da mensagem que proferira durante todos aqueles 40 anos e 6 meses.
    - Jeremias apresentava-se como profeta da esperança, deixando claro ao povo que poderiam, sim, eles sair daquela situação terrível e catastrófica, se abandonassem os seus pecados e servissem ao Senhor. Esta mesma mensagem de esperança vemos no Evangelho e temos de divulgá-la a toda a criatura, como nos mandou o Senhor Jesus, inclusive para aqueles que estão a se desviar dos caminhos do Senhor. Temos levado esta mensagem de esperança? Temos crido que o Senhor quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (I Tm.2:4). Mesmo diante daquele quadro tétrico, Jeremias jamais deixou de crer nisto. E nós?
    - Que este profícuo estudo dos livros de Jeremias e de Lamentações tenha podido revelar a cada um de nós a necessidade de trilharmos, nestes dias de apostasia, os passos de Jeremias, apesar de todo o preço altíssimo que ele pagou (e nós também haveremos de pagar), para que possamos ser, nestes dias trabalhosos, mensageiros de esperança e que, assim como o profeta, sejamos poupados da ira divina.

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