Esperança na Lamentação - Pb. José Roberto A. Barbosa
Texto Áureo: Lm. 3.22 - Leitura Bíblica em Classe: Lm. 1.1-5,12
Pb. José Roberto A. Barbosa
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Objetivo: Motivar à esperança no Senhor, mesmo diante dos dias difíceis pelos quais estamos passando.
INTRODUÇÃO
Na lição de hoje, estudaremos sucintamente o livro de Lamentações, escrito pelo profeta Jeremias. Neste poema, o profeta prateia a destruição do seu povo diante dos invasores babilônicos. Inicialmente, contextualizaremos o livro, em seguida, trataremos a respeitos dos seus principais temas, e, ao final, destacaremos a necessidade de lamentar pela condição atual do povo de Deus.
1. AS LAMENTAÇÕES DE JEREMIAS
O livro de Lamentações – qinot em hebraico – é da autoria do profeta Jeremias. Trata-se de uma poesia melancólico, bastante comum no Oriente. O autor das Lamentações prateia a destruição de Jerusalém após 587 a. C. O livro é composto de cinco poemas, cada um formando um capítulo. Os poemas partem da estrutura de acrósticos, baseados nas vinte e duas consoantes do alfabeto hebraico. O autor, Jeremias, foi testemunha ocular do desastre que acometeu o povo de Judá. A estrutura do poema, seguindo o padrão hebraico, é composta prioritariamente de paralelismos. Isso quer dizer que não métrica, ainda que apresente forte qualidade tônica e rítmica. Em linhas gerais, o livro discorre a respeito da soberania, justiça, moralidade e julgamento de Deus e a esperança da benção futura. Diferentemente de Jó, que lamenta sua condição pessoal, Lamentações trata do sofrimento nacional. Esse é um livro triste que demonstra as conseqüências do juízo de Deus pelo pecado (Lm. 1.18), do sentimento de culpa por causa de desobediência (1.8; 2.14; 3.40). Mas nem tudo está perdido, pois o autor consegue ver uma fagulha de esperança em meio ao caos, pois o Senhor preservará sua aliança com Israel (3.19-39). Depois da tempestade virá a bonança, a tribulação não será o fim, pois Deus prometeu restaurar o Seu povo (Lm. 3.25-30; Dt. 30; Rm. 11).
2. LAMENTANDO PELO POVO DE DEUS
O capítulo primeiro das Lamentações de Jeremias retrata a figura de Judá como uma princesa que fora violentada e se encontra desolada. A cidade é denominada de “filha de Sião” (1.6). Outra comparação é feita com uma mulher que outrora casada se tornou viúva (1.4,13). Essa situação ocorreu porque Judá, ao invés de confiar no Senhor, se voltou para seus “amantes” e “amigos” – as nações pagãs com as quais se aliou. Como se não bastasse ter se voltado para essas nações, Judá também adorou os seus deuses (Jr. 2.36,37; 27.1-11; 37.5-10). A situação agora era de desolação, pois não havia mais sacerdotes no templo, pessoas para se alegrarem, as virgens prateavam porque não tinham mais homens com os quais pudessem contrair núpcias. A condição de Judá fora antecipada em Dt. 28.25,32,44, resultante das transgressões (1.5). Caso o rei Zedequias tivesse dado ouvidos às palavras de Jeremias, o povo não teria passado por esse julgamento. Ele, porém, preferiu confiar em seus aliados políticos (II Cr. 26.2). Jerusalém, a princesa de Jeová, tornou-se uma prostituta, e como tal, expôs-se vergonhosamente (Lm. 1.17; Jr. 13.20-27). O povo não atentou para a disciplina do Senhor e para as implicações do seu pecado (Dt. 32.28,29). Naqueles tempos, bem como nos dias atuais, o salário do pecado é a morte (Rm. 6.23). Por isso, o arrependimento continua sendo o escape para todos os que se enamoram do pecado (Mt. 3.2; 4.17; At. 2.38; 3.19).
3. ESPERANÇA EM MEIO A LAMENTAÇÃO
Vivemos em um mundo tomado pelo desespero. A angústia passou a ser companhia do ser humano. O pecado naturalizou de tal modo que as pessoas não encontram outro meio de satisfação. A plena satisfação, no entanto, de acordo com o ensinamento bíblico, se encontra em Deus (Mt. 5). Ainda que a humanidade siga arredia dos caminhos do Senhor, não podemos encontrar guarida a não ser em Cristo. Somente Ele, conforme atestaram os discípulos, tem palavras de vida eterna (Jo. 6.68). Como os crentes de Tessalônica, há muitos que não mais têm esperança. Mas a mensagem do evangelho de Cristo nos aponta para um futuro glorioso, no qual a morte não é o fim. Cristo virá para arrebatar a Sua igreja e levá-la para estar com Ele (I Ts. 4.13-17; Jo. 14.1). Os crentes de Corinto não tiveram o conhecimento apropriado da verdade bíblica a respeito da ressurreição. O apóstolo destinou parte da sua I Epístola a fim de esclarecê-los sobre essa esperança cristã (I Co. 15). Cristo ressuscitou, Ele está vivo, e, porque Ele vive, podemos também ter esperança. Mesmo em meio às adversidades da vida presente, podemos ter a convicção, pela fé, de uma realidade que já começou e que haverá de se concretizar plenamente no futuro, a partir da qual viveram os heróis da fé (Hb. 11).
CONCLUSÃO
Jeremias lamentou a condição do seu povo após a invasão dos babilônicos. As lamentações do profeta sensível resultaram em um livro poético, repleto de dor pela miséria judaica. Que o Senhor também nos desperte para chorar por aqueles que se encontram distantes de Deus. Que sejamos também despertados para levar a mensagem de esperança do evangelho de Cristo. Nem tudo está perdido, a morte não é o fim, dias melhores virão, pois o Senhor assim o prometeu (Jo. 14.1,2)
BIBLIOGRAFIA
HARRISON, R. K. Jeremias e Lamentações. São Paulo: Vida Nova, 1980.
LONGMAN III, T. Jeremiah & Lamentations. Peabody, Mass: Hendrickson, 2008.
Publicado no blog Subsidio EBD


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Rogerio Escreveu:
- Este tratamento dado por Deus a Israel serve também de figura para o tratamento que o Senhor dá à Igreja. Muitos entendem que, ao contrário de Israel, a Igreja passa única e exclusivamente por períodos de bonanças e de bem-aventuranças enquanto aguarda o Senhor Jesus. Chegam mesmo a dizer que ?o reino de Deus está entre nós, usando do que está escrito em Lc.17:21. Também há aqueles que gostam de dizer que estamos nas mãos do Senhor Jesus e que, dali, ninguém pode nos alcançar, com base em Jo.10:27-29.
- Contudo, quando observamos esta profecia de Jeremias, vemos que não é bem assim que as coisas funcionam. Israel, por sua dureza de coração, sofreria o devido castigo, castigo este que chegaria ao ?tempo de angústia qual nunca houve desde que houve nação até aquele tempo? (Dn.12:1), porque não foi achado inocente (Jr.30:11). O castigo é um ?quebrantamento mortal, uma chaga dolorosa, ?uma ferida de inimigo, um ?castigo de cruel pela grandeza da maldade e multidão dos pecados? (Jr.30:12-16). Tal castigo, entretanto, não significaria uma destruição, pois o Senhor se comprometia a restaurar a saúde e sarar as chagas (Jr.30:17).
- Com a Igreja, não é diferente. Embora tenha sido purificada pelo sangue do Cordeiro e tenha obtido o perdão de todos os seus pecados, a Igreja tem de se manter em santificação até o dia da vinda do Senhor (Hb.12:14; Ap.22:11). No entanto, não são poucos os que titubeiam na caminhada, pois somos humanos e, como humanos, não deixamos de pecar. Por isso, temos de, imediatamente após o pecado cometido, irmos até o Senhor Jesus, para obtermos d‘Ele o perdão de nossas transgressões (I Jo.1:8-2:2).
- Apesar do perdão, que nos dá o livramento necessário para ingressarmos na cidade santa pelas portas (Ap.22:14), não deixamos de colher as consequências dos nossos erros, que aumentam as aflições deste nosso tempo presente, aflições que já são vindas por causa da oposição nossa contra o mundo, a carne e o diabo (Jo.15:18-23; 16:33; Gl.5:17; I Jo.2:15-17) Não somos tidos por inocentes (Jó 9:27,28; Na.1:3) e, por isso, temos de sofrer as chagas, o quebrantamento e as dores que são frutos de nossas transgressões: ?Não erreis: Deus não Se deixa escarnecer, porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará (Gl.6:7).
- Por isso mesmo o apóstolo Pedro recomenda que soframos apenas que é consequência de nossa comunhão com Deus (I Pe.2:11,12,15,19-21). Não existe vida com Cristo sem sofrimento neste mundo e, quando não somos inocentes, somos, assim como Israel, castigados, colhendo os frutos de nossos erros, de nossa desobediência. O preço do pecado já foi pago na cruz do Calvário, mas o preço das consequências de nossos erros estão a pagar diariamente, para que a justiça de Deus se faça.
- Assim ocorreu e está a ocorrer com Israel, assim ocorre com a Igreja, para que possamos nos apresentar diante do Senhor como uma virgem pura a seu marido (Il Co.11:2), como uma esposa ataviada para o seu marido (Ap.21:2). Não nos queixemos, portanto, dos sofrimentos que nos advêm, mas lembremos que não sofreremos a ?ira futura do Senhor (I Ts.1:10) e que, resignados e resolutos com tudo o que padecermos nesta vida, guardaremos a palavra da paciência do Senhor Jesus para que sejamos guardados da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra (Ap.3:10), precisamente o tempo mencionado aqui pelo profeta Jeremias. Deus nos guarde!
- Quando tiver fim ?o tempo dos gentios, Israel reedificará Jerusalém, dela virá voz de júbilo e o povo de Israel se multiplicará, serão glorificados e não mais se acanharão. Serão o povo de Deus e terá passado a ?tormenta do Senhor e Sua indignação, a tormenta varredoura que cairá cruelmente sobre a cabeça dos ímpios. Naquele tempo, terá sido executado o furor do Senhor e cumpridos os desígnios do coração de Deus (Jr.30:18-24).
- Em prosseguimento à profecia da restauração espiritual, Jeremias mostra porque o povo de Israel seria liberto daquele tempo de angústia: por causa do amor eterno e da amorável benignidade divinos (Jr.30:3,20). As expressões adotadas pelo profeta são as mesmas que o Senhor dirigira às dez tribos do norte por intermédio de Oseias (Os.11:4;14:4). Deus não muda, amados irmãos, sempre traz mensagem de salvação para o homem, mensagem de perdão, mensagem de amor. Infelizmente, porém, a humanidade mantém-se inerte e indiferente a tanta misericórdia e, por isso, sofrerá o juízo. Deus não é mau, Ele é bom, masDeus é justo e ante a rejeição da oferta de misericórdia, não resta ao Senhor senão aplicar o devido juízo pela impenitência do homem. Temos sido sensíveis ao chamado divino ao arrependimento? Tomemos cuidado!
- O Senhor promete restaurar Israel por causa do Seu amor eterno. Não era pelo merecimento dos israelitas, mas única e exclusivamente por causa do amor e benignidade divinos. Nunca nos esqueçamos, irmãos, de que desfrutamos da salvação em Cristo Jesus por causa do amor de Deus. Nada merecemos, nada podemos cobrar ou exigir de Deus. Fomos atraídos pelo Seu amor eterno, provado na cruz do Calvário, quando Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores (Rm.5:8). Temos esta consciência?
- Deus prometia trazer a todos os israelitas para a Terra Prometida, mesmo aqueles que tinham grandes dificuldades para se locomover (cegos, aleijados, mulheres grávidas e de parto – Jr.31:8). Deus traria a todos das mais diversas partes da Terra, pois Ele é Deus e tudo está sob Seu controle. Não só viriam morar em Canaã, como teriam uma vida alegre e contente, farta tanto material quanto espiritualmente (Jr.31:4-11).
- O livramento prometido por Deus ao Seu povo é completo, não tem necessidade alguma de complementos humanos. Deus traria o povo das mais diversas terras, mas também traria fertilidade a esta mesma terra, mas também traria felicidade ao povo que seria congregado (Jr.31:12-14). Não há como não termos alegria e felicidade quando temos a Deus como nosso Pai, em sermos guardados por Ele como nosso pastor (Jr.31:9,10).
- Este relacionamento singular, de sermos feitos filhos de Deus, é a primeira declaração que o Senhor Jesus nos dá na oração que nos ensinou (Mt.6:9), sendo também esta a declaração que o apóstolo Paulo nos mostra como sendo a síntese de toda a nossa espiritualidade e comunhão íntima com o Espírito Santo (Rm.8:15).
- Chamamos a Deus de Pai? Mais importante do que isso: reconheçamos a Deus como Pai? Muitos salvos em Cristo Jesus não desfrutam deste privilégio, porque ainda estão distantes do seu Senhor. Veem-n‘O como o Senhor do universo, como o Criador de todas as coisas, mas d‘Ele estão distantes, temerosos, receosos, acanhados. Não, não e não! Deus é nosso Pai e, como tal, temos livre acesso e devemos travar um relacionamento íntimo, sincero, aberto e amoroso com Deus. Busquemos ao Senhor, Ele é nosso Pai e só quando realmente assim O tratarmos, desfrutaremos, desde já, da alegria e júbilo prometidos a Israel para o reino milenial.
- Mas o Senhor tem, também, de ser o nosso pastor (Sl.23:1). Se não nos tornarmos ovelhas do Seu rebanho, não há como chegarmos até o céu. Temos de ser totalmente guiados e orientados pelo Senhor. A Israel, Deus promete ser pastor; a Israel, Deus promete tratar como Seu rebanho. Nos dias de Jeremias, como já temos visto em lições anteriores, os pastores eram uma lástima e o Senhor os reprovara a todos. Mas, quando da libertação, o próprio Deus seria o pastor.
- Jesus disse ser o bom Pastor e que Suas ovelhas conhecem a Sua voz (Jo.10:14, 27). Isto tem sido uma realidade na vida de cada um de nós? A quem estamos a dar ouvidos? A que vozes estamos a escutar? A quem estamos a seguir?
- Como mais uma demonstração de que o que estava a profetizar era algo inteiramente novo e ainda não ocorrido na história de Israel, o profeta diz que tinha tido uma outra visão: uma mulher cercando um homem (Jr.31:22), ou seja, na linguagem da Nova Versão Internacional, ?uma mulher protegerá um guerreiro.
- Esta novidade de relacionamento entre Deus e Israel é evidenciada pelo profeta, que diz eu haveria um ?concerto novo?, uma nova aliança, que não seria mais a lei de Moisés (Jr.31:31-34). A lei não seria mais escrita nas tábuas de pedra, que se encontravam dentro do arca no lugar santíssimo do templo de Jerusalém, mas uma lei escrita nos corações, onde não se necessitaria mais que se fizesse conhecer ao Senhor com base no ensino da lei, por meio dos pais e dos levitas, mas, sim, onde o conhecimento se processaria no interior do homem, mediante uma comunhão íntima com o próprio Deus.
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