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Esperança na Lamentação - CPAD

Leitura Bíblica em Classe
Lamentações 1. 1-5, 12

Introdução
I. O que são as Lamentações de Jeremias
II. O homem que viu todas as dores de Jerusalém
III. Por que é preciso lamentar
Conclusão

Prezado professor, chegamos ao final de mais um trimestre. Como foi a recepção da sua turma no desenvolvimento do tema? Esperamos que os alunos tenham alcançado o crescimento em graça e conhecimento!

Ao introduzir a aula deste domingo, revise com a turma alguns pontos importantes do trimestre, como Vocação, Apostasia, Teologia do templo, Intercessão, Soberania e Autoridade de Deus, Cuidados pastorais, Veracidade da profecia, Esperança, Fidelidade, Excelência ministerial e Opção. São pontos abordados ao longo do trimestre que ajudarão na conclusão deste.

Nesta semana os três objetivos da lição são:

1. Definir tema, local, data, importância e propósito das Lamentações de Jeremias (Informações centrais sobre o livro de Lamentações);
2. Comparar o lamento de Jeremias ao de Cristo;
3. Explicar o porquê da necessidade de se lamentar diante de Deus.

Para atingir os três objetivos é importante que o prezado professor faça um planejamento sistematizado da aula. Daremos exemplos que pode ser utilizado como estrutura básica de acordo com o desenvolvimento dos tópicos. Vamos listar em ordem a explicação dos objetivos estabelecidos na lição:

Objetivo1

Na página 92 da revista Lições Bíblicas de Mestre, o professor encontrará como suporte um resumo das informações centrais do assunto em o livro de Lamentações. O prezado professor poderá ampliar suas pesquisas utilizando as seguintes fontes: Bíblia de Estudo Pentecostal, editada pela CPAD, nas páginas 1559 a 1661; Bíblia de Aplicação Pessoal, editada pela CPAD, nas páginas 1020 e 1021; Guia do Leitor da Bíblia, editado pela CPAD, páginas 479 a 482. Esses materiais o auxiliarão na aquisição das informações básicas do livro “Lamentações de Jeremias”. O objetivo será alcançado quando o professor situar o aluno no contexto histórico em que as Lamentações de Jeremias foram escritas. As seguintes perguntas devem ser respondidas: Quem escreveu? Para quem escreveu? Por que escreveu? E quando escreveu?.

Objetivo 2

Numa perspectiva comparativa entre Jeremias e Jesus, o prezado professor deve explicar que apesar das Lamentações de Jeremias não ser citada por Jesus, Este apresenta, em diversas circunstâncias, lamentações por Jerusalém (Mt 23.37), Cafarnaum (Mt 11.23), Corazim e Betsaida (Mt 11. 21), denotando o mesmo sentimento de Jeremias: Lamento pela impenitência das cidades.

Objetivo 3

Com um caráter mais aplicativo, esse objetivo será alcançado quando o seu aluno compreender que a lamentação exercida pelo servo de Deus expressa a característica de Sal e Luz desse mundo (Mt 5.13,14) e denota, como consequência, uma obrigatoriedade de não se conformar com este mundo (Rm 12.2), por sermos filhos de Deus (Rm 8.14-16) e por termos a mente de Cristo (1 Co 2.16b). Precisamos transformar-nos diariamente pela renovação do nosso entendimento (Rm 12.2).

Aplicação

Encoraje o seu aluno a orar, interceder, lamentar e agir em meio uma sociedade sem Deus. Mostre que, apesar de algumas falsas promessas mágicas de triunfos, a vida é real e também todo o seu desdobramento, seja ele positivo ou negativo. Por isso, enquanto cidadãos nesse mundo somos sujeitos às circunstâncias presentes nele (Ec 9.2,3). Porém, isso não é motivo de conformismo, mas somos encorajados, lamentando ou se alegrando, a representar as expressões do Reino de Deus no mundo hodierno (Mt 5 – 7).

Prezado professor, na transição do atual trimestre para o próximo, é importante o exercício da auto-avaliação. Questione a si mesmo, “o que errou?”, “o que acertou?”, “o que pode aperfeiçoar?”. Ouça os seus alunos, permita que eles o avaliem. Os alunos são instrumentos chave em o nosso desenvolvimento magisterial. Deus abençoe! E boa aula!

Publicado no site da CPAD

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    rogerio
    Escreveu:

    - Esta obra do profeta reflete toda a sua tristeza por causa do juízo divino que ele própria vaticinara durante 40 anos e 6 meses. Infelizmente, o povo de Judá não atentara para as mensagens divinas que o conclamavam ao arrependimento e, por isso, o juízo avisado ocorreu, morrendo a esmagadora maioria do povo por conta da espada, da peste e da fome. A desolação chegara a Jerusalém e o profeta, que fora poupado da destruição, como o Senhor o prometera (Jr.1:19), em vez de se vangloriar pelo cumprimento de suas profecias, que confirmavam ser ele um profeta verdadeiro, chora por seu povo e, inspirado pelo Espírito Santo, deixa-nos o “choro da Bíblia”, que é o livro de Lamentações.
    - Apesar de ser um “treno”, ou seja, um “poema em que se faz um profundo lamento”, um “choro literário”, o livro de Lamentações também traz uma profunda esperança de restauração do povo. Jeremias crera na mensagem que proferira durante todos aqueles anos e, assim como via e presenciava a destruição, sabia que Deus também haveria de cumprir as promessas de restauração.
    - O livro de Lamentações foi redigido depois da destruição de Jerusalém e do templo, pois seu conteúdo revela, precisamente, a dor do profeta ao ver as cenas desoladoras decorrentes desta destruição, que o profeta descreve ao longo de sua redação. Isto nos mostra que Jeremias escreveu o livro quando ainda se encontrava em Jerusalém após todos estes fatos, o que nos permite fixar a data do livro no primeiro ano após estes episódios, antes mesmo de Jeremias ser levado, forçadamente, para o Egito, o que se deu após a morte de Gedalias, que governou sobre os judeus remanescentes num espaço de sete a oito meses. Edward Reese, organizador da Bíblia em ordem cronológica, situa o livro de Lamentações entre Jr.52:25-27 e II Rs.25:22-24.
    - O livro de Lamentações é chamado em hebraico de “Echá” ou “ „Eykah” (???? ) e faz parte dos chamados “Cinco Rolos” (“Meguillot”), livros que são lidos integralmente em ocasiões especiais pelos judeus. Lamentações é “…lido na sinagoga na noite e na manhã de Tishá Beav
    (dia 9 do mês de Av), uma data marcada por múltiplas tragédias em nossa história. Nessa data, depois que 10 dos 12 espiões enviados por Moisés para espiar a Terra Prometida voltaram e difamaram a Terra de Israel, foi decretado por Deus que aquela geração pereceria no deserto. Nela ocorreu tanto a destruição do Primeiro como do Segundo Templo de Jerusalém. A cidade de Betar foi conquistada pelos romanos e toda a sua população assassinada também nesta data. Nela, ainda, Turnus-Rufus [um dos comandantes romanos do exército de Tito, que destruiu Jerusalém e o Segundo Templo, no ano 70, observação nossa] passou um arado sobre o local onde se erguiam os Templos. A Inquisição, na Espanha, atingiu seu clímax nesta data, quando Dom Isaac Abravanel, conduzindo 75.000 judeus, partiu para o exílio, pois esta era a data limite para deixarem a Espanha ou serem mortos por não aceitarem a conversão ao cristianismo. Em 1914, foi em Tishá Beav que teve início a Primeira Guerra Mundial, que provocou a morte de milhares de judeus de ambos os lados e deu margem à sucessão dos acontecimentos que conduziram à ascensão de Hitler e ao Holocausto…” (MELAMED, Meir Matzliah. Torá: a lei de Moisés, pp.662-3).
    OBS: O nome hebraico do livro, como costuma ocorrer, é a primeira palavra do texto, ou seja, “?eykah”, i.e., “como”.
    - Lamentações é um livro composto de cinco poemas, cada um formando um dos capítulos do livro (a divisão em capítulos, sabemos todos, foi feita na Bíblia Sagrada apenas entre os séculos XI e XIII por Lanfranc (1005-1089), Stephen Langton(1150-1215) e Hugo de Sant-Cheir – 1200-1263). Os quatro primeiros poemas são alfabéticos, ou seja, cada versículo (que é cada verso de cada poema) começa com uma letra do alfabeto hebraico e, por isso, os capítulos, exceto o 3, têm 22 versículos e o capítulo 3, 66 versículos (22×3), pois são 22 as letras do alfabeto hebraico. Esta forma de composição, além de demonstrar a profundidade da inspiração do autor e sua genialidade, revelam-se o objetivo de mostrar uma totalidade, um alcance do começo ao fim, o absoluto controle divino sobre tudo quanto se lamenta no livro, pois não é por outro motivo que o Senhor Se identifica como “o princípio e o fim”, “o Alfa e o Ômega” (Ap.1:8; 21:6; 22:13), expressões que, embora se refiram ao alfabeto grego (visto que constantes do Novo Testamento) são em tudo aplicáveis ao Antigo Testamento.
    - Segundo a Bíblia de Estudo Dake (que, como temos dito, é importante fonte de pesquisas, embora seus conteúdos doutrinários devam ser vistos com muita, mas muita reserva), o livro de Lamentações possui 5 capítulos, 154 versículos, 2 versículos de profecia (4:21,22, tendo sido cumprida parcialmente, faltando o final do v.22), 13 perguntas, 3 ordens, nenhuma promessa, 2 profecias e nenhuma mensagem distinta de Deus.
    - A autoria de Jeremias é atestada na Septuaginta (a versão grega do Antigo Testamento), cujo início do livro assim diz: “E aconteceu que, depois de Judá ser levado cativo e Jerusalém ficar desolada, Jeremias sentou-se chorando e pranteou com esta lamentação sobre Jerusalém e disse…”. Apesar do silêncio do texto hebraico, a tradição judaica sempre atribuiu a obra a Jeremias, até porque é ele a personagem única que poderia compor esta obra naquelas circunstâncias, sendo ademais presentes muitos termos e ideias constantes do livro do profeta Jeremias. Os “críticos bíblicos”, ademais, apesar de sua costumeira incredulidade, aceitam que a obra é de autoria única.
    - O livro de Lamentações de Jeremias, por fim, é que deu ao profeta o seu epíteto de “profeta das lágrimas”, mas, como bem analisado pelo ilustre comentarista, a mensagem de esperança que se tem em meio a este lamento inspirado também nos permite ver em Jeremias “o profeta da esperança”. Neste lamento literário, Jeremias, uma vez mais, apresenta-se como tipo de Cristo que também chorou sobre Jerusalém um pouco antes de ali entrar para ser rejeitado e morto pelos judeus, choro este que antevia a destruição do Segundo Templo e a dispersão do povo (Lc.19:41-44).
    II – JEREMIAS LAMENTA SOBRE JERUSALÉM
    - O primeiro poema de Lamentações é uma profunda lamentação do profeta sobre Jerusalém. Começa Jeremias contemplando a cidade destruída e exclama: “Como se acha solitária aquela cidade dantes tão populosa! Tornou-se como viúva a que foi grande entre as nações e princesa entre as províncias, tornou-se tributária!” (Lm.1:1). O juízo havia vindo sobre Jerusalém e ela tinha deixado de ser não só capital de um reino independente, como até mesmo deixado de ser uma cidade, visto que não mais população possuía.
    - O juízo divino, quando vem, cumpre-se integralmente. Os judaítas, durante 40 anos e 6 meses, não haviam crido nas palavras do profeta e agora Jerusalém era um lugar desolado, inabitado e o poder político ali existente totalmente destruído. Cuidado, amados, pois, se também não atentarmos às mensagens divinas de advertência destes últimos dias, ficaremos como Jerusalém: desolados e sem poder. Deus nos guarde!
    - O quadro descrito do povo judaíta é desolador: Jerusalém chorava de dia e de noite, sem que houvesse consolo ou consolador, encontrava-se abandonada sem amigos, não tem descanso, por causa de sua aflição e da grandeza da sua servidão. Não há mais reuniões solenes, os sacerdotes suspiram, as virgens estão tristes e a cidade tem amargura. A glória de Sião foi-se e veio a instabilidade como consequência de seus pecados. Jerusalém passou a ser desprezada, o inimigo se engrandeceu e estendeu a sua mão sobre todas as coisas mais preciosas (Lm.1:2-8).
    - O povo estava faminto, tornou-se desprezível, estava prostrado sem condições de qualquer reação, sofrendo o jugo das suas prevaricações. Por esta causa, somente havia choro e o consolador se afastara do povo, não restaurando a sua alma. Tudo isto revelava a justiça divina, porque havia ocorrido a rebelião contra os mandamentos do Senhor (Lm.1:9-18).
    - O povo estava desolado e aqueles que deveriam orientá-lo, os sacerdotes e anciãos, haviam sucumbido quando buscavam para si próprios mantimento. A rebelião trouxera a morte para dentro de Jerusalém e de Judá, num suspiro que não tinha consolação, num coração desfalecido (Lm.1:19-22).
    - Este quadro trágico e triste mostrado pelo profeta deve servir-nos de alerta e advertência para que nos mantenhamos fiéis ao Senhor nestes últimos momentos da dispensação da graça. O povo que se manteve na apostasia teve uma derrota completa e irreversível: estamos totalmente dominados pelo inimigo, não tinham consolação nem orientação, pagavam justamente pela rebelião de seus pecados.
    - Assim como ocorreu nos dias de Jeremias, também ocorrerá na vinda do Filho do homem, no arrebatamento da Igreja. Os que se mantiverem rebeldes ao Senhor, apesar das mensagens de arrependimento que estão sendo pregadas nestes momentos imediatamente anteriores ao fim do tempo da graça, padecerão assim como Judá e Jerusalém descritos no livro de Lamentações.
    - Jesus disse, dirigindo-se à igreja de Laodiceia, que é a figura desta igreja apóstata, que será vomitada pelo Senhor no dia do arrebatamento, que ela era desgraçada, miserável, pobre, cega e nua (Ap.3:17). Não é uma situação diferente daquela que via o profeta diante de seus olhos logo após a chegada do juízo divino sobre Judá.
    - O povo de Judá estava chorando dia e noite e não tinha quem o consolasse. O consolador, aliás, afastara-se do povo, impedindo a restauração da sua alma (Lm.3:16). Que circunstância é esta senão a desgraça mencionada por Nosso Senhor à igreja de Laodiceia? A “desgraça” nada mais é que a falta de graça e a graça é quem traz salvação a todos os homens (Tt.2:11). Um povo “desgraçado” é um povo que, apesar de seu choro e de suas lágrimas, não consegue alcançar a salvação, o consolo, porque o consolador dele se retirou, nele já não mais opera. Porventura, não é o que ocorrerá com os que, apostatando da fé, não se arrependerem até o dia da vinda do Senhor? Como Esaú, por sua fornicação e profanidade, suas lágrimas não encontrarão lugar de arrependimento (Hb.12:16).
    - O quadro descrito pelo profeta é desolador e não nos iludamos: se não atentarmos para a salvação em Cristo Jesus, certamente estaremos na mesma situação espiritual. Teremos a retirada do Espírito Santo, algo que foi tão temido por Davi (Sl.51:11), não vindo mais a ter a alegria da salvação, mas ingressando num torpor espiritual no qual a morte entrará em nós para de lá nunca mais sair (Lm.1:20).
    - Além da desgraça, o povo judaíta experimentava também a miséria e a pobreza. Era tributário (Lm.1:1), ou seja, devia pagar tributos a outros, não mais podia reter o que conseguisse. Perdera a liberdade, a ponto de seus filhinhos irem em cativeiro na frente do adversário, assim como os mancebos e as virgens (Lm.1:5,18). Perdera o próprio sustento, pois todos estavam a buscar o pão e o mantimento, sem o encontrarem, morrendo de inanição (Lm.1:11,19).
    - Este quadro também ocorrerá para os que negligenciarem na volta do Senhor: de igual maneira, perderão o sustento espiritual, visto que não mais lhe será fornecida a Palavra de Deus e, por isso, serão daqueles que morrerão de fome e sede espiritual (Am.8:11). É interessante observar que, no capítulo 1 de Lamentações, não há menção alguma a profetas, a mostrar como Deus Se calara diante do povo no momento do juízo. O próprio Jeremias passa a lamentar, sentado e chorando sobre a cidade, sem que a cidade pudesse ouvi-lo. Que dias tenebrosos serão aqueles em que não se ouvirá a Palavra do Senhor! Vigiemos, irmãos, para que não fiquemos aqui naqueles dias, que, aliás, estão tão próximos!
    - Outra característica dos judaítas naquele triste instante era a cegueira, a falta de visão, de orientação da parte de Deus. O silêncio profético já era um indicador da cegueira espiritual, mas também, além disso, vemos que os que deveriam orientar o povo, os sacerdotes e anciãos, eram os mais desorientados, que buscavam desesperadamente seu mantimento, mas, em vez disso, expiravam na cidade, sem ter a alma refrescada (Lm.1:19).
    - Na verdade, a desorientação não era coisa nova. Durante todo o tempo das advertências do Senhor, aqueles que deveriam dirigir o povo em busca a Deus haviam negligenciado e mentido. Por causa disso, a mensagem do Senhor proferida por Jeremias fora desacreditada, mas, agora, que tudo se revelara verdadeiro e se cumpria fielmente, o povo padecia desta desorientação de forma nua e crua, sem quaisquer tergiversações ou fantasias provenientes das imaginações dos que lhes haviam enganado. A verdade revelava-se completamente e o povo, completamente cego, estava totalmente incapaz de oferecer qualquer reação.
    - Em vez da paz enganosa propalada pelos falsos líderes, havia apenas angústia, dor e sofrimento. Os sacerdotes apenas suspiram e o desespero tomava conta do povo. O inimigo dominava completamente sobre tudo e sobre todos, sem que os judaítas pudessem sequer esboçar qualquer reação. Estavam prostrados e sem condição alguma de reagir. Seus príncipes ficaram sendo como veados que não acham pastos e caminham sem força na frente do perseguidor (Lm.1:6).
    - A falta de orientação trouxe ao povo instabilidade. Os judaítas não tinham mais direção nem sabiam o que fazer: suspiravam e voltavam para trás. Seu abatimento é tanto e o inimigo só se engrandece dentro de um estado que impede qualquer crescimento, porque só se tem a dúvida e o ambiente dominado pela dúvida gera a inação (Tg.1:6,7).
    - Por causa da falta de orientação, não conseguem diminuir a sua dor nem tampouco a sua angústia. Não encontram descanso nem paz, não havendo senão assolação e enfermidade durante todo o dia, o transtorno não abandona o coração do povo (Lm.1:13,20). Há uma prostração completa, um desfalecimento do coração (Lm.1:22).
    - Como, então, podermos concordar com os que veem uma esperança e uma nova chance para aqueles que, na dispensação da graça, apostatarem da fé e forem apanhados despercebidos na
    vinda do Senhor? Se num juízo menos grave que o que virá após a volta de Cristo para buscar Sua Igreja, o povo judaíta ficou neste estado completamente desorientado, como, então, ficarão aqueles que não atentaram para esta tão grande salvação? Não nos iludamos: os apóstatas, a “igreja de Laodiceia”, cega espiritualmente quando havia a plena operação do Espírito Santo, caminhará para a total falta de orientação e prostração depois da vinda do Senhor. É só olharmos para os judaítas descritos por Jeremias, tipo e figura dessa gente.
    - Por fim, os laodicenses eram também espiritualmente nus. A nudez é vinculada no texto bíblico ao pecado, à perda de revestimento espiritual, de comunhão com Deus. Ora, Jeremias mostra-nos, claramente, que os judaítas desolados também sofriam desta nudez. Jerusalém estava nua e sua nudez foi exposta aos seus inimigos (Lm.1:8). Por isso, era desprezada até mesmo pelos que a haviam honrado anteriormente.
    - Sua nudez era tanta que, em suas saias, era observada a sua imundícia (Lm.1:9), como que a nos dar um quadro de que não fora apenas achada nua, como lhe haviam tirado as vestes, que se encontravam imundas. Da filha de Sião fora tirada a glória (Lm.1:6), outro fator a mostrar que se encontrava em estado de nudez espiritual.
    - O povo judaíta também é apresentado pelo profeta como completamente prostrado, pisado como num lagar (Lm.1:15), sem condições de se levantar (Lm.,1:14), depois de ter sido derrubado pelo próprio Deus (Lm.1:12). Que não percamos as vestes da salvação que recebemos do Senhor Jesus quando de nossa conversão, para que não venhamos a ser achados nus (II Co.5:3). Cuidado!
    - Mas, em meio a esta tragédia, o profeta não deixa de mostrar que tudo isto acontecera porque Judá se mantivera em pecado e recusara converter-se ao Senhor. Tudo aquilo era doído de se ver, fonte de choro e compaixão, mas não passava de aplicação da justiça divina.
    - Judá havia praticado multidões de prevaricações (Lm.1:5,14,22), pecado gravemente (Lm.1:8), se rebelado contra os mandamentos do Senhor (Lm.1:18), se rebelado gravemente (Lm.1:20). Tudo o que sucedia nada mais era que o resultado de tal insensatez, que fizera com que o povo não se lembrasse do seu fim (Lm.1:9). O Senhor tão somente atara o jugo das prevaricações do povo aos seus pescoços, enviando o dia do furor da Sua ira (Lm.1:12,14). Por isso, o profeta não pôde deixar de reconhecer que o Senhor é justo (Lm.1:18).
    - Isto também ocorrerá durante a Grande Tribulação, o período de sete anos em que o Senhor também atará ao pescoço da humanidade o jugo duro e o fardo pesado do pecado e da rebelião por não terem aceitado o jugo suave e o fardo leve oferecidos por Jesus (Mt.11:29,30). Naquele tempo, mostrar-se-á a ira divina (Ap.6:16,17; 11:18; 14:8-10; 15:1,7;16:1; 19:15), da qual serão poupados tão somente os que forem fiéis ao Senhor 9I Ts.1:10; Ap.3:10). A que grupo pertencemos, irmãos?

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