O Ministério Profético no Antigo Testamento - CPAD
Leitura Bíblica em Classe
Números 11.24-29
I. O início do ministério dos profetas
II. O profeta
III. O ministério
Conclusão
O MINISTÉRIO PROFÉTICO EM O ANTIGO TESTAMENTO
Prezado professor, vamos iniciar um novo trimestre em Lições Bíblicas. O tema desse trimestre é “O Ministério Profético na Bíblia, A voz de Deus na Terra”. O objetivo principal desse tema é percorrer toda a Bíblia a fim de descortinar os desdobramentos e implicações do ministério profético nela. Professor, é urgente que a Igreja esteja pronta a conhecer, compreender e discernir quem, de fato, é verdadeiro profeta.
A abordagem de alguns temas é inédita. Por exemplo, veremos como os profetas lidavam com questões de cunho social e político no exercício de seus ministérios e o que isso tem a ver com a igreja; a presença do misticismo em um confronto direto com a verdadeira profecia; a diferença entre dom minesterial de profeta e o dom de profecia (Ef 4.11); qual é a missão profética da Igreja? São temas que edificarão a sua vida a de seus alunos.
O profeta e o seu ministério
O termo profeta é derivado do grego prophetes, “aquele que fala sobre aquilo que está porvir, um proclamador ou intérprete da revelação divina. Esse termo refere-se àquele que age como porta-voz de um superior. Pode, também, ser utilizado como sinônimo de “vidente” ou “pessoa inspirada” (Os 9.7; 1 Sm 9.9). O termo hebraico para profeta é nabi’ cujo o significado etimológico mostra uma força de autoridade representativa . Em Deuteronômio 1.18b Deus afirma que o profeta [nabi’] declarará tudo que Ele ordenar. Em Êxodo 7.1 nabi’ [profeta] tem o mesmo valor semântico de representação de autoridade. Em outras passagens como Êxodo 4.15,16; Jeremias 1.17a; 15.19; a palavra nabi’ [profeta] aparece no contexto de um mensageiro que fala em nome de um superior.
O ministério de profeta tem seu início em Moisés com a manisfestação clara do exercício profético no arraial israelita (Nm 11.25,26). A concepção da instituição divina de ministério profético é ratificada em Deuteronômio 18.9-22, onde a contraposição entre profeta e prognosticadores (encantadores, mágico, etc.) é feita com a promessa do surgimento do grande profeta em Israel (vv. 15-22): Jesus Cristo (At 7.37,38).
No período monárquico, em Israel, aparecia a primeira escola de profetas (1 Sm 10.5,10). Isso introduz o papel importante que o profeta exerceria no período monárquico. Ele seria consultado pelos os reis como representantes de Deus para com o povo. Este profeta falaria ao rei através dos oráculos. Esse período para os profetas, em Israel, é marcado por respeito e reverência por parte da nobreza e do povo (1 Sm 16.4,5).
No período da monarquia dividida, surge o então conhecido movimento de profetas em Israel que tecnicamente, em Teologia, é chamado de Profetismo. Esse movimento tinha o objetivo de restaurar o monoteísmo hebreu. Os profetas desse período combatiam a idolatria, denunciavam as injustiças sociais, proclamavam o Dia do Senhor com o objetivo de reacender a esperança messiânica no povo. Esse movimento iniciou em Amós encerrando, cronologicamente com Malaquias. Esse período, diferentemente do anterior, caracterizado pelo sofrimento e marginalização que os profetas eram condicionados a passar. De homens dignos de reverência passaram, os profetas, a homens “dignos” de tratamentos mais baixos possíveis. Isso porque a mensagem de tais profetas ia de encontro aos interesses escusos das lideranças religiosas e políticas de Israel e Judá (Hb 11.36-38).
Professor, faça esse mapeamento a fim de introduzir os dados essenciais para compreender o início e o propósito do ministério profético em Israel no período do Antigo Testamento. Boa Aula!
Referência Bibliográfica
Dicionário Wycliffe. Rio de Janeiro, CPAD.
ANDRADE, Claudionor de. Dicionário Teológico. Rio de Janeiro, CPAD.
Publicado no site da CPAD


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ROGERIO Escreveu:
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caramuru Escreveu:
A VOZ DE DEUS NA TERRA.
INTRODUÇÃO
- Neste trimestre letivo da Escola Bíblica Dominical, estaremos a estudar o ministério profético na Bíblia, assunto de suma importância, pois o discernimento entre a verdadeira e a falsa profecia é um dos cuidados principais que deve ter a Igreja nestes últimos dias (Mt.7:15).
- No Antigo Testamento, Deus falava aos pais pelos profetas, dando continuidade à Sua revelação progressiva até que o Senhor Se nos revelasse por inteiro na pessoa do Filho (Hb.1:1,2).
I – O OFÍCIO PROFÉTICO ATÉ O MINISTÉRIO DE JESUS
- Deus escolheu Israel para ser a Sua propriedade peculiar entre as nações da Terra (Ex.19:5,6). Assim, para que o povo não se corrompesse (Pv.29:18), sempre levantou, no meio de Israel, profetas, que eram Seus porta-vozes, como havia sido prometido ainda no deserto através de Moisés (Dt.18:20,21), ele próprio um profeta de Deus (Dt.34:10).
- A palavra “profeta” é grega e significa “aquele que fala por alguém”. Profeta é, portanto, a pessoa que fala por Deus, podendo, ou não, predizer o futuro. No hebraico, três são as palavras utilizadas para profeta, a saber: “nabi”(????), “roeh” (???) e “hozeh( euq sarvalap ,( ????
aparecem reunidas em I Cr.29:29. “Nabi” é a palavra mais comum nas Escrituras hebraicas e tem o mesmo significado do grego “profeta”, ou seja, “anunciador”, “declarador”. Já “roeh” e “hozeh” significam “aquele que vê”, ou seja, “vidente”, como está traduzido na versão em língua portuguesa, que era, segundo I Sm.9:9, a antiga denominação dos profetas, querendo com isto dizer aquele que tem uma visão sobrenatural, aquele que Deus dá a enxergar algo que os homens não veem. Apesar dos esforços dos estudiosos, é difícil estabelecer se havia alguma diferença entre estes termos no início da vida de Israel e, em caso positivo, em que consistiria esta diferença.
- Além disso, os profetas também são identificados no Antigo Testamento como sendo os ?homens de Deus? (ish há Elohim- 6:9 ;72:2.mS I ;6:41.sJ ;1:33.tD) ( ??? ????? -8; I Rs.12:22; 13:1), a indicar que eram pessoas escolhidas por Deus para serem Seus mensageiros. O profeta, portanto, é alguém escolhido por Deus, um ser humano, mas que era separado pelo Senhor para trazer mensagens ao Seu povo.
- Tanto assim é que somente era reconhecido como homem de Deus, como profeta aquele que dissesse algo que se cumprisse, visto que esta era a prova indelével de que tinha sido ele porta-voz de Deus, que é a verdade (Jr.10:10). Eram estas, aliás, as instruções dadas pelo próprio Moisés ao povo (Dt.18:21,22). Este conceito israelita era conhecido até mesmo pelos povos vizinhos, como se verifica no caso da viúva de Zarefate (I Rs.17:23,24).
- Deus levantou profetas durante toda a história de Israel. A primeira pessoa que a Bíblia chama de profeta foi o próprio Abraão, de onde seria formada a nação israelita (Gn.20:7). No entanto, o primeiro profeta bíblico não foi Abraão, mas, sim, Enoque, que, ainda antes do dilúvio, teria profetizado a respeito do estabelecimento do reino milenial de Cristo (Jd.14).
- Em seguida, as Escrituras mostram que Deus levantou como profeta a Moisés (Ex.4:15,16), precisamente no instante em que começava a estruturar Israel como uma nação peculiar dentre todos os povos. Moisés, portanto, passa a ser um modelo a ser seguido pelos profetas de Israel, vez que foi ele o legislador, aquele que recebeu de Deus a própria lei, as regras do pacto pelo qual Israel se tornou a propriedade peculiar do Senhor dentre todos os povos.
- Não é sem razão, portanto, que Moisés tenha sido considerado no Antigo Testamento como o maior profeta que Israel tivera (Dt.34:10), pois ele mesmo teria recebido de Deus a própria lei, num relacionamento tão íntimo (e é isto que significa a expressão cara a cara) que fizera com que, ao retornar com as tábuas da Lei, o seu rosto brilhasse, refletindo a glória de Deus (Dt.34:29-35).
- A partir de Moisés, Deus sempre levantou profetas no meio do povo, revelando, sempre, qual era a Sua vontade para o povo. Como o próprio Jesus afirmou, o ministério profético somente se encerrou com João Batista (Mt.11:13), quando, então, veio o próprio Senhor, que não era apenas o porta-voz de Deus, mas o próprio Deus conosco (Mt.1:23).
- Os profetas são chamados de anteriores, também conhecidos como orais ou não-escritores e de posteriores, também conhecidos como clássicos, escritores ou literários, conforme tenham, ou não, apresentado obras próprias. Assim, são considerados anteriores os profetas cujos ministérios estão registrados nos livros históricos (Samuel, Natã, Gade, Elias e Eliseu, entre outros), enquanto que são denominados de posteriores os profetas que, surgindo no final da história dos reinos já divididos de Israel e de Judá, deixaram escritas suas mensagens em livros próprios. Eles formam a segunda parte dos chamados “Neviim” (?????? ), ou livros proféticos, começando pelo livro de Isaías e terminando com o livro que congrega os chamados “profetas menores”, chamado de Os Doze (na nossa Bíblia, os livros de Oseias até Malaquias).
OBS: Devemos tomar cuidado com a expressão “profetas anteriores”, pois ela também é utilizada pelos muçulmanos. Para os islâmicos, os profetas anteriores são todos aqueles que antecederam a Maomé, inclusive o próprio Jesus.
- Agostinho (354-430), o grande filósofo e teólogo cristão do final da Antigüidade, foi quem criou as expressões “profetas maiores” e “profetas menores” para designar os profetas cujos livros são mais volumosos (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel) e os demais livros, que são curtos, tão curtos que foram reunidos em apenas um livro, que foi chamado de Os Doze, em grego, na versão da Septuaginta, “Dodecapropheton”, ou seja, “Doze Profetas” (Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Ageu, Sofonias, Zacarias e Malaquias).
- Quando se fala em profecia, é preciso distinguir, em primeiro lugar, o sentido que assume esta palavra nas Escrituras, porquanto temos, ao longo da história da salvação, três manifestações distintas sob este nome, a saber, o ofício profético, o ministério profético e o dom espiritual de profecia. No Antigo Testamento, temos apenas o ofício ou ministério profético, o único de que trataremos por ora. Como bem nos indica o ilustre comentarista, é mais apropriado falar em ofício profético, pois a ideia de ministério daria conta de um serviço religioso específico, que não existiu em Israel, pois as escolas dos profetas, surgidas a partir de Samuel (I Sm.10:5,10; 19:20), não tinham a mesma estrutura do serviço sacerdotal nem desempenhavam uma função litúrgica e cerimonial, como, por vezes, vemos entre os profetas dos povos gentílicos.
- O ofício profético inicia-se iniciado com Enoque, vez que Judas menciona ter ele profetizado (Jd.14), embora a primeira pessoa denominada de profeta nas Escrituras tenha sido Abraão (Gn.20:7). O ofício profético teve como característica principal o da revelação progressiva do plano de Deus para com o homem. O profeta era o porta-voz de Deus, aquele que revelava o desconhecido à humanidade, o propósito divino para a restauração do homem. Neste sentido, o ofício profético durou até João (Mt.11:13; Lc.16:16), pois, com a vinda de Cristo, o próprio Deus Se revelou ao homem, de forma plena e integral (Hb.1:1). São, pois, totalmente espúrias e sem qualquer respaldo bíblico a aparição de novos profetas, que nada mais são que falsos profetas, como é o caso de Maomé, Joseph Smith, Reverendo Moon e tantos quantos se disserem complementadores da revelação de Cristo ao mundo.
- No Antigo Testamento, o que temos, pois, é este ofício profético, o resultado da revelação progressiva de Deus aos homens até a vinda de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, onde este ofício se cumpriu plenamente. Por isso, não se pode confundir a natureza da atividade profética antes e depois de Cristo, equívoco que muito tem contribuído para a disseminação de heresias nestes últimos dias.
II - ENOQUE E ABRAÃO – OS DOIS PRIMEIROS PROFETAS MENCIONADOS NAS ESCRITURAS
- Quando o homem se encontrava em plena comunhão com Deus, dizem-nos as Escrituras que, na viração do dia, o Senhor pessoalmente vinha até o Éden, comunicar-Se com o primeiro casal (Gn.3:8). Uma das características do estado de comunhão, ou seja, do estado em que todas as coisas são comuns, são compartilhadas entre os integrantes de um determinado relacionamento,
é, precisamente, a existência de comunicação, de diálogo entre os que vivem em comunhão, pois comunicação nada mais é que a ação de tornar comum.
- Ora, Deus é o Criador de todas as coisas e o homem, a coroa da Sua criação terrena. Não havia, pois, como o homem estabelecer uma comunicação com Deus se o Criador não tomasse essa iniciativa, visto que Deus está infinitamente acima do homem (Is.55:8,9). Por isso, na viração do dia, era Deus quem vinha ao encontro do homem no jardim do Éden e não, o contrário. Deus, pelo Seu profundo amor para com o homem e tendo desejo de estabelecer uma comunhão cada vez mais intensa com Suas criaturas dotadas de Sua imagem e semelhança, diariamente vinha ao encontro do homem, não só para comunicar-Se com ele mas, em Se comunicando com ele, trazer-lhes Sua bênção.
- Diante desta circunstância, totalmente dispensável qualquer canal de comunicação entre Deus e os homens, visto que o próprio Deus Se encarregava de Se comunicar diretamente com o gênero humano, sem qualquer intermediário, sem qualquer mediação, visto que inexistia qualquer obstáculo para esta comunicação, vez que havia comunhão entre Deus e a humanidade.
- Entretanto, quando o pecado entrou no mundo, tudo se alterou. O pecado faz divisão entre Deus e os homens (Is.59:2), de maneira que, quando Deus chega ao Éden naquele fatídico dia, o primeiro casal, mesmo, ciente de sua condição indigna, trata de esconder-se do Senhor (Gn.3:10), confessando, assim, a inexistência de comunhão entre eles e o Senhor. Assim como o Senhor havia dito, ocorrera a morte, que nada mais é que a separação entre Deus e o homem (Gn.2:17).
- Com a entrada do pecado, impossível ficou a comunicação entre Deus e o homem. O primeiro casal é expulso do Éden e tem seu acesso negado à árvore da vida (Gn.3:22-24).
- Deus, porém, não ficou calado. Vemo-lO Se comunicando com Caim, mas apenas para lhe fazer uma advertência (Gn.4:6,7) e, novamente, para imprimir-lhe um castigo (Gn.4:9-12), como, aliás, já havia feito no que concerne ao primeiro casal. A comunicação de Deus para com o homem, portanto, apresenta-se tão somente como anunciadora de juízo e reprovação. Nem podia deixar de ser diferente, diante do estado pecaminoso do homem, que o faz ser alvo tão somente da ira divina (Rm.1:18).
- Certamente que esta experiência traumática vivida por Caim trouxe alguma inibição no que tange ao estabelecimento de uma comunicação para com Deus. Somente quando Sete, o filho que Deus havia dado ao primeiro casal em lugar de Abel, teve seu filho primogênito, Enos, entendeu-se que Deus estava disposto a Se comunicar com o homem não para lhe fazer algum mal, mas para abençoá-lo. Por isso, ao se tornar pai, Sete dá início a uma linhagem piedosa, passando a invocar o nome do Senhor (Gn.4:26), a chamar a Sua presença.
- Neste gesto de Sete, fundamental para todos quantos queiram servir ao Senhor e com Ele estabelecer uma comunhão, temos o reconhecimento por parte do homem de que precisa de Deus, de que depende da Sua graça e misericórdia. Ao invocar o nome do Senhor, Sete assume a sua necessidade, a sua qualidade de pobre e necessitado, como diria o salmista Davi séculos depois (Sl.40:17), condição sine qua non para que sejamos genuínos e autênticos servos do Senhor (Mt.5:3).
- Esta invocação do nome do Senhor, que deu aos descendentes de Sete a condição de serem chamados filhos de Deus (Gn.6:2), foi o ponto de partida para que se estabelecesse a possibilidade de uma comunicação entre Deus e os homens, a fim de que o Senhor pudesse Se revelar gradativamente à humanidade até que chegasse a plenitude dos tempos (Gl.4:4), quando, então, surgiria a semente da mulher que reverteria o triste quadro criado com a queda do homem, como havia sido prometido ao primeiro casal (Gn.3:15).
- É, dentro deste espectro, que vemos surgir a figura de Enoque, aquele que é o primeiro homem que as Escrituras denominam de profeta, cronologicamente falando (Jd.14). Enoque era da sétima geração depois de Adão (Gn.5:4-20) e é dito que andou com Deus durante trezentos anos (Gn.5:22), andança que se iniciou precisamente quando Enoque teve seu primeiro filho, Metuselá (ou Matusalém). Segundo alguns, o nome Metuselá significa quando morrer, isso virá?, enquanto para outros tenha o significado de homem do dardo. De qualquer modo, em ambos os significados, isto nos revela que, quando teve seu primeiro filho, Enoque fez menção de que, na morte dele, ocorreria algo marcante sobre a face da Terra, circunstância que nos faz ver que, por ocasião do nascimento de seu primogênito, Enoque passou a ter um relacionamento diferenciado com o Senhor.
- Temos aqui o início de uma nova atividade entre Deus e a humanidade. Se até aquele instante, havia tão somente a invocação do homem a Deus, o Senhor passou a Se comunicar com o homem, a mostrar ao homem a Sua vontade e o Seu saber, iniciando uma longa jornada em que, paulatinamente, como a luz da aurora, iria Se apresentando aos homens até que viesse a revelação perfeita, que seria a Sua autorrevelação na pessoa do Filho.
- Enoque é escolhido para iniciar esta atividade, precisamente porque é aquele que, dentre os homens, decidiu andar com Deus. Notamos, de pronto, que o ministério profético surge como algo reservado a pessoas que decidem ter uma intimidade maior com o Senhor. Somente poderia trazer algo da parte do Senhor quem desfrutasse de um relacionamento mais estreito com o Senhor. A comunicação aos homens dos oráculos divinos exige alguém que tenha, antes de mais nada, comunhão com Deus. Sem que alguém tenha condições de se chegar diante do Senhor e com Ele travar intenso diálogo, não há como, posteriormente, ser usado pelo Senhor para transmitir mensagens Suas.
- Enoque não só, através do nome dado ao seu filho, fez menção do juízo que adviria sobre a face da Terra (Metuselá morreu no ano do dilúvio), como também, como nos dá conta a epístola de Judas, falou, também, de um outro juízo, que seria feito pelo Senhor quando viesse, com milhares de seus santos, até a Terra, juízo este que é a batalha do Armagedom, com o qual o Senhor estabelecerá o Seu reino milenial, cumprindo, assim, todas as profecias constantes das Escrituras.
- O primeiro profeta, portanto, traz aos homens uma mensagem de juízo, de advertência pelos pecados cometidos, mensagem esta firmada numa vida de santidade e de intimidade com Deus, que agradou ao Senhor, vida esta autenticada com a sua trasladação (Gn.5:24; Hb.11:4,5).
- A segunda pessoa que vemos exercendo a atividade profética na Bíblia Sagrada é Abraão, que é a primeira personagem a ser assim chamada nas Escrituras (Gn.20:7). Quem o chama desta forma é o próprio Deus em sonho a Abimeleque, rei de Gerar, que havia tomado Sara como sua mulher, ante a repetição da mentira de Abraão de que Sara era tão somente sua irmã (Gn.20:2).
- Notemos, de pronto, que o Senhor chama Abraão de profeta quando está a revelar a Abimeleque uma mentira de Abraão, a nos mostrar que o profeta, apesar de ser profeta, não deixa de ser homem e, como tal, sujeito às mesmas paixões e mazelas de todo e qualquer outro ser humano (cf. Tg.5:17). Isto já nos mostra que não podemos considerar que o profeta seja superior a qualquer outra pessoa, equívoco que também tem produzido muito engano no meio do povo de Deus nestes dias difíceis pelos quais passamos.
- Deus chamou Abraão (então chamado Abrão) em Ur dos caldeus, mandando que saísse do meio de sua terra, de sua parentela e da casa do seu pai para a terra que haveria de mostrar-lhe. Ao crer nesta palavra, Abrão inicia uma jornada diferenciada com o Senhor, passa a andar com Deus, mais uma vez nos mostrando que, para que alguém seja transmissor da mensagem divina, precisa, necessariamente, ser, antes, um ouvinte, e um ouvinte não esquecido da voz do Senhor (Tg.5:22-25). Não se pode ter um porta-voz que não seja ouvinte.
- Tendo ouvido a voz de Deus e crido em Sua mensagem, Abraão credenciou-se como profeta, qualidade que adquire depois que, a exemplo de seus antepassados piedosos, passou também a invocar o nome do Senhor, edificando-Lhe altares (Gn.12:7,8;13:4). Assim é que Deus, pouco a pouco, vai revelando não só Seu plano como a Si mesmo a Abraão (Gn.13:14-18;15:1,13-16; 17:1,2,17-22), dando condições para que Abraão pudesse dizer algo do Senhor aos que estavam à sua volta.
- Quando se diz nas Escrituras que Abraão é profeta, há até um certo espanto por parte do leitor, vez que não se verifica, até então, qualquer mensagem da parte de Abraão. No entanto, uma leitura mais minudente do texto sagrado permite-nos verificar que Abraão estava a dar mensagem mais poderosa a todos quantos estavam à sua volta: a de uma vida de santidade e de comunhão com Deus. Abraão era sempre visto como o hebreu (Gn.14:13), como aquele que era diferente dos demais homens de seu tempo, que adorava a um único e invisível Deus, a quem atribuía tudo quanto era e tudo quanto tinha, como testificou ao rei de Sodoma, recusando a oferta de ficar com todo o patrimônio dos sodomitas (Gn.14:22-24), por ser o Senhor o Possuidor dos céus e da terra.
- Ao ser reconhecido como profeta, Abraão é confirmado pelo Senhor, que atende à sua oração e sara as madres da casa de Abimeleque (Gn.20:17,18). Vemos, pois, que os sinais acompanham e confirmam o profeta e não, o inverso, algo que devemos bem atentar nos dias em que vivemos.
- Abraão foi portador da mensagem de que existe um único Deus e que Este é o Possuidor dos céus e da terra. Abraão teve a revelação de todo o plano da salvação da humanidade, algo que alcançou seu clímax ao visualizar, antecipadamente, o dia de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Jo.8:56), o que se deu, certamente, quando ofereceu Isaque em sacrifício (Gn.22:16-18).
- Esta visão antecipada do futuro, este abrir dos olhos para a realidade das coisas espirituais, que faz com que se compreenda o que o Senhor está a fazer é, também, uma das características da profecia, motivo pelo qual até, em Israel, nos dias mais antigos, era o profeta chamado de vidente (I Sm.9:9), ou seja, ?aquele que vê. O profeta, pois, até a vinda de Cristo, é aquele que vai mostrando aos homens aquilo que está adiante, que vai revelando, progressivamente, os mistérios de Deus.
- Abraão credenciou-se como profeta porque foi ouvinte e cumpridor de tudo quanto lhe mandou fazer o Senhor (Gn.26:5), andando na presença do Senhor (Gn.48:15), sendo, por isso, não só chamado de ?servo de Deus (Sl.105:42), como também de amigo de Deus (II Cr.20:7). Por isso, nós, da atual dispensação, que somos, pela fé, filhos de Abraão (Gl.3:7), também temos de ser tanto servos quanto amigos do Senhor, o que somente ocorrerá se formos cumpridores da Palavra de Deus (Jo.15:14,15). Como teremos ocasião de ver neste trimestre, é sob este fundamento que a Igreja exerce a sua missão profética.
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caramuru Escreveu:
A VOZ DE DEUS NA TERRA.
INTRODUÇÃO
- Neste trimestre letivo da Escola Bíblica Dominical, estaremos a estudar o ministério profético na Bíblia, assunto de suma importância, pois o discernimento entre a verdadeira e a falsa profecia é um dos cuidados principais que deve ter a Igreja nestes últimos dias (Mt.7:15).
- No Antigo Testamento, Deus falava aos pais pelos profetas, dando continuidade à Sua revelação progressiva até que o Senhor Se nos revelasse por inteiro na pessoa do Filho (Hb.1:1,2).
I – O OFÍCIO PROFÉTICO ATÉ O MINISTÉRIO DE JESUS
- Deus escolheu Israel para ser a Sua propriedade peculiar entre as nações da Terra (Ex.19:5,6). Assim, para que o povo não se corrompesse (Pv.29:18), sempre levantou, no meio de Israel, profetas, que eram Seus porta-vozes, como havia sido prometido ainda no deserto através de Moisés (Dt.18:20,21), ele próprio um profeta de Deus (Dt.34:10).
- A palavra “profeta” é grega e significa “aquele que fala por alguém”. Profeta é, portanto, a pessoa que fala por Deus, podendo, ou não, predizer o futuro. No hebraico, três são as palavras utilizadas para profeta, a saber: “nabi”(????), “roeh” (???) e “hozeh( euq sarvalap ,( ????
aparecem reunidas em I Cr.29:29. “Nabi” é a palavra mais comum nas Escrituras hebraicas e tem o mesmo significado do grego “profeta”, ou seja, “anunciador”, “declarador”. Já “roeh” e “hozeh” significam “aquele que vê”, ou seja, “vidente”, como está traduzido na versão em língua portuguesa, que era, segundo I Sm.9:9, a antiga denominação dos profetas, querendo com isto dizer aquele que tem uma visão sobrenatural, aquele que Deus dá a enxergar algo que os homens não veem. Apesar dos esforços dos estudiosos, é difícil estabelecer se havia alguma diferença entre estes termos no início da vida de Israel e, em caso positivo, em que consistiria esta diferença.
- Além disso, os profetas também são identificados no Antigo Testamento como sendo os ?homens de Deus? (ish há Elohim- 6:9 ;72:2.mS I ;6:41.sJ ;1:33.tD) ( ??? ????? -8; I Rs.12:22; 13:1), a indicar que eram pessoas escolhidas por Deus para serem Seus mensageiros. O profeta, portanto, é alguém escolhido por Deus, um ser humano, mas que era separado pelo Senhor para trazer mensagens ao Seu povo.
- Tanto assim é que somente era reconhecido como homem de Deus, como profeta aquele que dissesse algo que se cumprisse, visto que esta era a prova indelével de que tinha sido ele porta-voz de Deus, que é a verdade (Jr.10:10). Eram estas, aliás, as instruções dadas pelo próprio Moisés ao povo (Dt.18:21,22). Este conceito israelita era conhecido até mesmo pelos povos vizinhos, como se verifica no caso da viúva de Zarefate (I Rs.17:23,24).
- Deus levantou profetas durante toda a história de Israel. A primeira pessoa que a Bíblia chama de profeta foi o próprio Abraão, de onde seria formada a nação israelita (Gn.20:7). No entanto, o primeiro profeta bíblico não foi Abraão, mas, sim, Enoque, que, ainda antes do dilúvio, teria profetizado a respeito do estabelecimento do reino milenial de Cristo (Jd.14).
- Em seguida, as Escrituras mostram que Deus levantou como profeta a Moisés (Ex.4:15,16), precisamente no instante em que começava a estruturar Israel como uma nação peculiar dentre todos os povos. Moisés, portanto, passa a ser um modelo a ser seguido pelos profetas de Israel, vez que foi ele o legislador, aquele que recebeu de Deus a própria lei, as regras do pacto pelo qual Israel se tornou a propriedade peculiar do Senhor dentre todos os povos.
- Não é sem razão, portanto, que Moisés tenha sido considerado no Antigo Testamento como o maior profeta que Israel tivera (Dt.34:10), pois ele mesmo teria recebido de Deus a própria lei, num relacionamento tão íntimo (e é isto que significa a expressão cara a cara) que fizera com que, ao retornar com as tábuas da Lei, o seu rosto brilhasse, refletindo a glória de Deus (Dt.34:29-35).
- A partir de Moisés, Deus sempre levantou profetas no meio do povo, revelando, sempre, qual era a Sua vontade para o povo. Como o próprio Jesus afirmou, o ministério profético somente se encerrou com João Batista (Mt.11:13), quando, então, veio o próprio Senhor, que não era apenas o porta-voz de Deus, mas o próprio Deus conosco (Mt.1:23).
- Os profetas são chamados de anteriores, também conhecidos como orais ou não-escritores e de posteriores, também conhecidos como clássicos, escritores ou literários, conforme tenham, ou não, apresentado obras próprias. Assim, são considerados anteriores os profetas cujos ministérios estão registrados nos livros históricos (Samuel, Natã, Gade, Elias e Eliseu, entre outros), enquanto que são denominados de posteriores os profetas que, surgindo no final da história dos reinos já divididos de Israel e de Judá, deixaram escritas suas mensagens em livros próprios. Eles formam a segunda parte dos chamados “Neviim” (?????? ), ou livros proféticos, começando pelo livro de Isaías e terminando com o livro que congrega os chamados “profetas menores”, chamado de Os Doze (na nossa Bíblia, os livros de Oseias até Malaquias).
OBS: Devemos tomar cuidado com a expressão “profetas anteriores”, pois ela também é utilizada pelos muçulmanos. Para os islâmicos, os profetas anteriores são todos aqueles que antecederam a Maomé, inclusive o próprio Jesus.
- Agostinho (354-430), o grande filósofo e teólogo cristão do final da Antigüidade, foi quem criou as expressões “profetas maiores” e “profetas menores” para designar os profetas cujos livros são mais volumosos (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel) e os demais livros, que são curtos, tão curtos que foram reunidos em apenas um livro, que foi chamado de Os Doze, em grego, na versão da Septuaginta, “Dodecapropheton”, ou seja, “Doze Profetas” (Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Ageu, Sofonias, Zacarias e Malaquias).
- Quando se fala em profecia, é preciso distinguir, em primeiro lugar, o sentido que assume esta palavra nas Escrituras, porquanto temos, ao longo da história da salvação, três manifestações distintas sob este nome, a saber, o ofício profético, o ministério profético e o dom espiritual de profecia. No Antigo Testamento, temos apenas o ofício ou ministério profético, o único de que trataremos por ora. Como bem nos indica o ilustre comentarista, é mais apropriado falar em ofício profético, pois a ideia de ministério daria conta de um serviço religioso específico, que não existiu em Israel, pois as escolas dos profetas, surgidas a partir de Samuel (I Sm.10:5,10; 19:20), não tinham a mesma estrutura do serviço sacerdotal nem desempenhavam uma função litúrgica e cerimonial, como, por vezes, vemos entre os profetas dos povos gentílicos.
- O ofício profético inicia-se iniciado com Enoque, vez que Judas menciona ter ele profetizado (Jd.14), embora a primeira pessoa denominada de profeta nas Escrituras tenha sido Abraão (Gn.20:7). O ofício profético teve como característica principal o da revelação progressiva do plano de Deus para com o homem. O profeta era o porta-voz de Deus, aquele que revelava o desconhecido à humanidade, o propósito divino para a restauração do homem. Neste sentido, o ofício profético durou até João (Mt.11:13; Lc.16:16), pois, com a vinda de Cristo, o próprio Deus Se revelou ao homem, de forma plena e integral (Hb.1:1). São, pois, totalmente espúrias e sem qualquer respaldo bíblico a aparição de novos profetas, que nada mais são que falsos profetas, como é o caso de Maomé, Joseph Smith, Reverendo Moon e tantos quantos se disserem complementadores da revelação de Cristo ao mundo.
- No Antigo Testamento, o que temos, pois, é este ofício profético, o resultado da revelação progressiva de Deus aos homens até a vinda de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, onde este ofício se cumpriu plenamente. Por isso, não se pode confundir a natureza da atividade profética antes e depois de Cristo, equívoco que muito tem contribuído para a disseminação de heresias nestes últimos dias.
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rogerio Escreveu:
A VOZ DE DEUS NA TERRA.
INTRODUÇÃO
- Neste trimestre letivo da Escola Bíblica Dominical, estaremos a estudar o ministério profético na Bíblia, assunto de suma importância, pois o discernimento entre a verdadeira e a falsa profecia é um dos cuidados principais que deve ter a Igreja nestes últimos dias (Mt.7:15).
- No Antigo Testamento, Deus falava aos pais pelos profetas, dando continuidade à Sua revelação progressiva até que o Senhor Se nos revelasse por inteiro na pessoa do Filho (Hb.1:1,2).
I – O OFÍCIO PROFÉTICO ATÉ O MINISTÉRIO DE JESUS
- Deus escolheu Israel para ser a Sua propriedade peculiar entre as nações da Terra (Ex.19:5,6). Assim, para que o povo não se corrompesse (Pv.29:18), sempre levantou, no meio de Israel, profetas, que eram Seus porta-vozes, como havia sido prometido ainda no deserto através de Moisés (Dt.18:20,21), ele próprio um profeta de Deus (Dt.34:10).
- A palavra “profeta” é grega e significa “aquele que fala por alguém”. Profeta é, portanto, a pessoa que fala por Deus, podendo, ou não, predizer o futuro. No hebraico, três são as palavras utilizadas para profeta, a saber: “nabi”(????), “roeh” (???) e “hozeh( euq sarvalap ,( ????
aparecem reunidas em I Cr.29:29. “Nabi” é a palavra mais comum nas Escrituras hebraicas e tem o mesmo significado do grego “profeta”, ou seja, “anunciador”, “declarador”. Já “roeh” e “hozeh” significam “aquele que vê”, ou seja, “vidente”, como está traduzido na versão em língua portuguesa, que era, segundo I Sm.9:9, a antiga denominação dos profetas, querendo com isto dizer aquele que tem uma visão sobrenatural, aquele que Deus dá a enxergar algo que os homens não veem. Apesar dos esforços dos estudiosos, é difícil estabelecer se havia alguma diferença entre estes termos no início da vida de Israel e, em caso positivo, em que consistiria esta diferença.
- Além disso, os profetas também são identificados no Antigo Testamento como sendo os ?homens de Deus? (ish há Elohim- 6:9 ;72:2.mS I ;6:41.sJ ;1:33.tD) ( ??? ????? -8; I Rs.12:22; 13:1), a indicar que eram pessoas escolhidas por Deus para serem Seus mensageiros. O profeta, portanto, é alguém escolhido por Deus, um ser humano, mas que era separado pelo Senhor para trazer mensagens ao Seu povo.
- Tanto assim é que somente era reconhecido como homem de Deus, como profeta aquele que dissesse algo que se cumprisse, visto que esta era a prova indelével de que tinha sido ele porta-voz de Deus, que é a verdade (Jr.10:10). Eram estas, aliás, as instruções dadas pelo próprio Moisés ao povo (Dt.18:21,22). Este conceito israelita era conhecido até mesmo pelos povos vizinhos, como se verifica no caso da viúva de Zarefate (I Rs.17:23,24).
- Deus levantou profetas durante toda a história de Israel. A primeira pessoa que a Bíblia chama de profeta foi o próprio Abraão, de onde seria formada a nação israelita (Gn.20:7). No entanto, o primeiro profeta bíblico não foi Abraão, mas, sim, Enoque, que, ainda antes do dilúvio, teria profetizado a respeito do estabelecimento do reino milenial de Cristo (Jd.14).
- Em seguida, as Escrituras mostram que Deus levantou como profeta a Moisés (Ex.4:15,16), precisamente no instante em que começava a estruturar Israel como uma nação peculiar dentre todos os povos. Moisés, portanto, passa a ser um modelo a ser seguido pelos profetas de Israel, vez que foi ele o legislador, aquele que recebeu de Deus a própria lei, as regras do pacto pelo qual Israel se tornou a propriedade peculiar do Senhor dentre todos os povos.
- Não é sem razão, portanto, que Moisés tenha sido considerado no Antigo Testamento como o maior profeta que Israel tivera (Dt.34:10), pois ele mesmo teria recebido de Deus a própria lei, num relacionamento tão íntimo (e é isto que significa a expressão cara a cara) que fizera com que, ao retornar com as tábuas da Lei, o seu rosto brilhasse, refletindo a glória de Deus (Dt.34:29-35).
- A partir de Moisés, Deus sempre levantou profetas no meio do povo, revelando, sempre, qual era a Sua vontade para o povo. Como o próprio Jesus afirmou, o ministério profético somente se encerrou com João Batista (Mt.11:13), quando, então, veio o próprio Senhor, que não era apenas o porta-voz de Deus, mas o próprio Deus conosco (Mt.1:23).
- Os profetas são chamados de anteriores, também conhecidos como orais ou não-escritores e de posteriores, também conhecidos como clássicos, escritores ou literários, conforme tenham, ou não, apresentado obras próprias. Assim, são considerados anteriores os profetas cujos ministérios estão registrados nos livros históricos (Samuel, Natã, Gade, Elias e Eliseu, entre outros), enquanto que são denominados de posteriores os profetas que, surgindo no final da história dos reinos já divididos de Israel e de Judá, deixaram escritas suas mensagens em livros próprios. Eles formam a segunda parte dos chamados “Neviim” (?????? ), ou livros proféticos, começando pelo livro de Isaías e terminando com o livro que congrega os chamados “profetas menores”, chamado de Os Doze (na nossa Bíblia, os livros de Oseias até Malaquias).
OBS: Devemos tomar cuidado com a expressão “profetas anteriores”, pois ela também é utilizada pelos muçulmanos. Para os islâmicos, os profetas anteriores são todos aqueles que antecederam a Maomé, inclusive o próprio Jesus.
- Agostinho (354-430), o grande filósofo e teólogo cristão do final da Antigüidade, foi quem criou as expressões “profetas maiores” e “profetas menores” para designar os profetas cujos livros são mais volumosos (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel) e os demais livros, que são curtos, tão curtos que foram reunidos em apenas um livro, que foi chamado de Os Doze, em grego, na versão da Septuaginta, “Dodecapropheton”, ou seja, “Doze Profetas” (Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Ageu, Sofonias, Zacarias e Malaquias).
- Quando se fala em profecia, é preciso distinguir, em primeiro lugar, o sentido que assume esta palavra nas Escrituras, porquanto temos, ao longo da história da salvação, três manifestações distintas sob este nome, a saber, o ofício profético, o ministério profético e o dom espiritual de profecia. No Antigo Testamento, temos apenas o ofício ou ministério profético, o único de que trataremos por ora. Como bem nos indica o ilustre comentarista, é mais apropriado falar em ofício profético, pois a ideia de ministério daria conta de um serviço religioso específico, que não existiu em Israel, pois as escolas dos profetas, surgidas a partir de Samuel (I Sm.10:5,10; 19:20), não tinham a mesma estrutura do serviço sacerdotal nem desempenhavam uma função litúrgica e cerimonial, como, por vezes, vemos entre os profetas dos povos gentílicos.
- O ofício profético inicia-se iniciado com Enoque, vez que Judas menciona ter ele profetizado (Jd.14), embora a primeira pessoa denominada de profeta nas Escrituras tenha sido Abraão (Gn.20:7). O ofício profético teve como característica principal o da revelação progressiva do plano de Deus para com o homem. O profeta era o porta-voz de Deus, aquele que revelava o desconhecido à humanidade, o propósito divino para a restauração do homem. Neste sentido, o ofício profético durou até João (Mt.11:13; Lc.16:16), pois, com a vinda de Cristo, o próprio Deus Se revelou ao homem, de forma plena e integral (Hb.1:1). São, pois, totalmente espúrias e sem qualquer respaldo bíblico a aparição de novos profetas, que nada mais são que falsos profetas, como é o caso de Maomé, Joseph Smith, Reverendo Moon e tantos quantos se disserem complementadores da revelação de Cristo ao mundo.
- No Antigo Testamento, o que temos, pois, é este ofício profético, o resultado da revelação progressiva de Deus aos homens até a vinda de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, onde este ofício se cumpriu plenamente. Por isso, não se pode confundir a natureza da atividade profética antes e depois de Cristo, equívoco que muito tem contribuído para a disseminação de heresias nestes últimos dias.
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rogerio Escreveu:
No Antigo Testamento, Deus falava aos pais pelos profetas, dando continuidade à Sua revelação progressiva até que o Senhor Se nos revelasse por inteiro na pessoa do Filho (Hb.1:1,2).
I – O OFÍCIO PROFÉTICO ATÉ O MINISTÉRIO DE JESUS
- Deus escolheu Israel para ser a Sua propriedade peculiar entre as nações da Terra (Ex.19:5,6). Assim, para que o povo não se corrompesse (Pv.29:18), sempre levantou, no meio de Israel, profetas, que eram Seus porta-vozes, como havia sido prometido ainda no deserto através de Moisés (Dt.18:20,21), ele próprio um profeta de Deus (Dt.34:10).
- A palavra “profeta” é grega e significa “aquele que fala por alguém”. Profeta é, portanto, a pessoa que fala por Deus, podendo, ou não, predizer o futuro. No hebraico, três são as palavras utilizadas para profeta, a saber: “nabi”(????), “roeh” (???) e “hozeh?( euq sarvalap ,( ????
aparecem reunidas em I Cr.29:29. “Nabi” é a palavra mais comum nas Escrituras hebraicas e tem o mesmo significado do grego “profeta”, ou seja, “anunciador”, “declarador”. Já “roeh” e “hozeh” significam “aquele que vê”, ou seja, “vidente”, como está traduzido na versão em língua portuguesa, que era, segundo I Sm.9:9, a antiga denominação dos profetas, querendo com isto dizer aquele que tem uma visão sobrenatural, aquele que Deus dá a enxergar algo que os homens não veem. Apesar dos esforços dos estudiosos, é difícil estabelecer se havia alguma diferença entre estes termos no início da vida de Israel e, em caso positivo, em que consistiria esta diferença.
- Além disso, os profetas também são identificados no Antigo Testamento como sendo os ?homens de Deus? (??ish há Elohim?- 6:9 ;72:2.mS I ;6:41.sJ ;1:33.tD) ( ??? ????? -8; I Rs.12:22; 13:1), a indicar que eram pessoas escolhidas por Deus para serem Seus mensageiros. O ?profeta?, portanto, é alguém escolhido por Deus, um ser humano, mas que era separado pelo Senhor para trazer mensagens ao Seu povo.
- Tanto assim é que somente era reconhecido como ?homem de Deus?, como profeta aquele que dissesse algo que se cumprisse, visto que esta era a prova indelével de que tinha sido ele porta-voz de Deus, que é a verdade (Jr.10:10). Eram estas, aliás, as instruções dadas pelo próprio Moisés ao povo (Dt.18:21,22). Este conceito israelita era conhecido até mesmo pelos povos vizinhos, como se verifica no caso da viúva de Zarefate (I Rs.17:23,24).
- Deus levantou profetas durante toda a história de Israel. A primeira pessoa que a Bíblia chama de profeta foi o próprio Abraão, de onde seria formada a nação israelita (Gn.20:7). No entanto, o primeiro profeta bíblico não foi Abraão, mas, sim, Enoque, que, ainda antes do dilúvio, teria profetizado a respeito do estabelecimento do reino milenial de Cristo (Jd.14).
- Em seguida, as Escrituras mostram que Deus levantou como profeta a Moisés (Ex.4:15,16), precisamente no instante em que começava a estruturar Israel como uma nação peculiar dentre todos os povos. Moisés, portanto, passa a ser um modelo a ser seguido pelos profetas de Israel, vez que foi ele o legislador, aquele que recebeu de Deus a própria lei, as regras do pacto pelo qual Israel se tornou a propriedade peculiar do Senhor dentre todos os povos.
- Não é sem razão, portanto, que Moisés tenha sido considerado no Antigo Testamento como o maior profeta que Israel tivera (Dt.34:10), pois ele mesmo teria recebido de Deus a própria lei, num relacionamento tão íntimo (e é isto que significa a expressão ?cara a cara?) que fizera com que, ao retornar com as tábuas da Lei, o seu rosto brilhasse, refletindo a glória de Deus (Dt.34:29-35).
- A partir de Moisés, Deus sempre levantou profetas no meio do povo, revelando, sempre, qual era a Sua vontade para o povo. Como o próprio Jesus afirmou, o ministério profético somente se encerrou com João Batista (Mt.11:13), quando, então, veio o próprio Senhor, que não era apenas o porta-voz de Deus, mas o próprio Deus conosco (Mt.1:23).
- Os profetas são chamados de anteriores, também conhecidos como orais ou não-escritores e de posteriores, também conhecidos como clássicos, escritores ou literários, conforme tenham, ou não, apresentado obras próprias. Assim, são considerados anteriores os profetas cujos ministérios estão registrados nos livros históricos (Samuel, Natã, Gade, Elias e Eliseu, entre outros), enquanto que são denominados de posteriores os profetas que, surgindo no final da história dos reinos já divididos de Israel e de Judá, deixaram escritas suas mensagens em livros próprios. Eles formam a segunda parte dos chamados “Neviim” (?????? ), ou livros proféticos, começando pelo livro de Isaías e terminando com o livro que congrega os chamados “profetas menores”, chamado de ?Os Doze? (na nossa Bíblia, os livros de Oseias até Malaquias).
OBS: Devemos tomar cuidado com a expressão “profetas anteriores”, pois ela também é utilizada pelos muçulmanos. Para os islâmicos, os profetas anteriores são todos aqueles que antecederam a Maomé, inclusive o próprio Jesus.
- Agostinho (354-430), o grande filósofo e teólogo cristão do final da Antigüidade, foi quem criou as expressões “profetas maiores” e “profetas menores” para designar os profetas cujos livros são mais volumosos (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel) e os demais livros, que são curtos, tão curtos que foram reunidos em apenas um livro, que foi chamado de ?Os Doze?, em grego, na versão da Septuaginta, “Dodecapropheton”, ou seja, “Doze Profetas” (Oseias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Ageu, Sofonias, Zacarias e Malaquias).
- Quando se fala em profecia, é preciso distinguir, em primeiro lugar, o sentido que assume esta palavra nas Escrituras, porquanto temos, ao longo da história da salvação, três manifestações distintas sob este nome, a saber, o ofício profético, o ministério profético e o dom espiritual de profecia. No Antigo Testamento, temos apenas o ofício ou ministério profético, o único de que trataremos por ora. Como bem nos indica o ilustre comentarista, é mais apropriado falar em ofício profético, pois a ideia de ?ministério? daria conta de um serviço religioso específico, que não existiu em Israel, pois ?as escolas dos profetas?, surgidas a partir de Samuel (I Sm.10:5,10; 19:20), não tinham a mesma estrutura do serviço sacerdotal nem desempenhavam uma função litúrgica e cerimonial, como, por vezes, vemos entre os ?profetas? dos povos gentílicos.
- O ofício profético inicia-se iniciado com Enoque, vez que Judas menciona ter ele profetizado (Jd.14), embora a primeira pessoa denominada de profeta nas Escrituras tenha sido Abraão (Gn.20:7). O ofício profético teve como característica principal o da revelação progressiva do plano de Deus para com o homem. O profeta era o porta-voz de Deus, aquele que revelava o desconhecido à humanidade, o propósito divino para a restauração do homem. Neste sentido, o ofício profético durou até João (Mt.11:13; Lc.16:16), pois, com a vinda de Cristo, o próprio Deus Se revelou ao homem, de forma plena e integral (Hb.1:1). São, pois, totalmente espúrias e sem qualquer respaldo bíblico a aparição de novos profetas, que nada mais são que falsos profetas, como é o caso de Maomé, Joseph Smith, Reverendo Moon e tantos quantos se disserem complementadores da revelação de Cristo ao mundo.
- No Antigo Testamento, o que temos, pois, é este ofício profético, o resultado da revelação progressiva de Deus aos homens até a vinda de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, onde este ofício se cumpriu plenamente. Por isso, não se pode confundir a natureza da atividade profética antes e depois de Cristo, equívoco que muito tem contribuído para a disseminação de heresias nestes últimos dias.
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