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O Dom Ministerial de Profeta e o Dom de Profecia - Francisco A. Barbosa

TEXTO √ĀUREO

“E a uns p√īs Deus na igreja, primeiramente, ap√≥stolos, em segundo lugar, profetas, em terceiro, doutores, depois, milagres, depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de l√≠nguas” (1 Co 12.28).- Paulo apresenta aqui uma lista parcial dos dons de minist√©rio (Rm 12.6-8 e Ef 4.11-13). Paulo alista os dons da gra√ßa (gr. charismata), como s√£o chamados. Um dom espiritual pode constituir-se de uma disposi√ß√£o interior, bem como de uma capacita√ß√£o ou aptid√£o (Fp 2.13) concedida pelo Esp√≠rito Santo ao indiv√≠duo, na congrega√ß√£o, para edifica√ß√£o do povo de Deus e para expressar o seu amor a outras pessoas (1Co 12.1; 14.12,26; 1 Pe 4.10). A lista que Paulo d√°, aqui, dos dons da gra√ßa divina deve ser considerada um exempl√°rio e n√£o a totalidade deles (1 Co 12-). Dom de Profecia (12.10): √Č preciso distinguir a profecia aqui mencionada, como manifesta√ß√£o moment√Ęnea do Esp√≠rito da profecia como dom ministerial na igreja, mencionado em Ef 4.11. Como dom de minist√©rio, a profecia √© concedida a apenas alguns crentes, os quais servem na igreja como ministros profetas. Como manifesta√ß√£o do Esp√≠rito, a profecia est√° potencialmente dispon√≠vel a todo crist√£o cheio dEle (At 2.16-18). Quanto √† profecia, como manifesta√ß√£o do Esp√≠rito, observe o seguinte: (a) Trata-se de um dom que capacita o crente a transmitir uma palavra ou revela√ß√£o diretamente de Deus, sob o impulso do Esp√≠rito Santo (14.24,25, 29-31). Aqui, n√£o se trata da entrega de serm√£o previamente preparado. (b) Tanto no AT, como no NT, profetizar n√£o √© primariamente predizer o futuro, mas proclamar a vontade de Deus e exortar e levar o seu povo √† retid√£o, √† fidelidade e √† paci√™ncia (14.3). (c) A mensagem prof√©tica pode desmascarar a condi√ß√£o do cora√ß√£o de uma pessoa (14.25), ou prover edifica√ß√£o, exorta√ß√£o, consolo, advert√™ncia e julgamento (14.3, 25,26, 31). (d) A igreja n√£o deve ter como infal√≠vel toda profecia deste tipo, porque muitos falsos profetas estar√£o na igreja (1Jo 4.1). Da√≠, toda profecia deve ser julgada quanto √† sua autenticidade e conte√ļdo (14.29, 32; 1Ts 5.20,21). Ela dever√° enquadrar-se na Palavra de Deus (1Jo 4.1), contribuir para a santidade de vida dos ouvintes e ser transmitida por algu√©m que de fato vive submisso e obediente a Cristo (12.3). (e) O dom de profecia manifesta-se segundo a vontade de Deus e n√£o a do homem. N√£o h√° no NT um s√≥ texto mostrando que a igreja de ent√£o buscava revela√ß√£o ou orienta√ß√£o atrav√©s dos profetas. A mensagem prof√©tica ocorria na igreja somente quando Deus tomava o profeta para isso (12.11).(B√≠blia de Estudo Pentecostal, nota ao texto de Rm 12.6, 1Co 12.28 e Estudo DONS ESPIRITUAIS PARA O CRENTE).

VERDADE PR√ĀTICA

Os dons espirituais e ministeriais são distintos, no entanto, ambos provêm de Deus e são indispensáveis à Igreja de Cristo.

LEITURA B√ćBLICA EM CLASSE

Efésios 4.11-14; 1 Coríntios 14.3

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:

- Estabelecer a diferença entre os dons ministeriais de apóstolos, evangelistas, pastores e doutores;

- Explicar as semelhanças e diferenças entre o profeta do Novo e do Antigo Testamentos, e

- Definir o dom de profecia.

PALAVRA-CHAVE

DOM: - [do latim domus], d√°diva, presente de Deus.

COMENT√ĀRIO

(I. INTRODUÇÃO)

√Č importante que compreendamos e saibamos estabelecer as diferen√ßas entre dons espirituais e ministeriais. Embora haja variedade de dons espirituais, todos v√™m do Esp√≠rito Santo e devem ser usados para a edifica√ß√£o do corpo de Cristo. Os dons n√£o podem, em hip√≥tese alguma, ser utilizados para manipular as pessoas ou trazer divis√£o √† igreja. Precisamos us√°-los com sabedoria, amor e para a gl√≥ria de Deus. No AT podemos ver Deus falando com o seu povo atrav√©s dos profetas. E Ele continua a falar e a revelar a sua vontade mediante a profecia. Vivemos tempos trabalhosos e muitos j√° n√£o cr√™em na a√ß√£o e na exist√™ncia dos aut√™nticos profetas. Todavia, a Igreja do Senhor n√£o pode desprezar as profecias (1 Ts 5.19-21), pois este dom foi concedido para a edifica√ß√£o, exorta√ß√£o e consolo da Igreja. O povo de Deus precisa ter discernimento para reconhecer os verdadeiros profetas. Esse discernimento √© fruto do conhecimento b√≠blico e, dificilmente uma igreja, ou um crist√£o, que prioriza o estudo das Sagradas Escrituras ser√° enganado ou confundido. Tais manifesta√ß√Ķes devem passar pelo crivo das Escrituras Sagradas para que cumpram a sua finalidade: exortar, edificar e consolar (1 Co 14.3). Vamos considerar os dois tipos de dons de profecia: aquele que pode ser concedido pelo Esp√≠rito a qualquer crente (1 Co 12.10), e o outro destinado a crentes com chamada espec√≠fica para esse minist√©rio (1 Co 12.28). Boa aula!

(II. DESENVOLVIMENTO)

I. OS DONS MINISTERIAIS

1. Distin√ß√£o entre o col√©gio apost√≥lico e o dom ministerial de ap√≥stolo. Os ap√≥stolos do NT foram os mensageiros originais, testemunhas e representantes autorizados do Senhor crucificado e ressurreto (v. 20). Foram as pedras fundamentais da igreja, e sua mensagem encontra-se nos escritos do NT, como o testemunho original e fundamental do evangelho de Cristo, v√°lido para todas as √©pocas. (2) Todos os crentes e igrejas locais dependem das palavras, da mensagem e da f√© dos primeiros ap√≥stolos, conforme est√£o registradas historicamente em Atos e nos seus escritos. A autoridade deles √© conservada no NT. As gera√ß√Ķes posteriores da igreja t√™m o dever de obedecer √† revela√ß√£o apost√≥lica e dar testemunho da sua verdade. O evangelho concedido aos ap√≥stolos do NT, mediante o Esp√≠rito Santo, √© a fonte permanente de vida, verdade e orienta√ß√£o √† igreja. (3) Todos os crentes e igrejas ser√£o verdadeiros somente √† medida em que fizerem o seguinte: (a) Aceitar o ensino e revela√ß√£o originais dos ap√≥stolos a respeito do evangelho, conforme o NT registra, e procurar manter-se fi√©is a eles (At 2.42). Rejeitar os ensinos dos ap√≥stolos √© rejeitar o pr√≥prio Senhor (Jo 16.13-15; 1 Co 14.36-38; Gl 1.9-11). (b) Continuar a miss√£o e minist√©rio apost√≥licos, comunicando continuamente sua mensagem ao mundo e √† igreja, atrav√©s da proclama√ß√£o e ensino fi√©is, no poder do Esp√≠rito (At 1.8; 2 Tm 1.8-14; Tt 1.7-9). (c) N√£o somente crer na mensagem apost√≥lica, mas tamb√©m defend√™-la e guard√°-la contra todas as distor√ß√Ķes ou altera√ß√Ķes. A revela√ß√£o dos ap√≥stolos, conforme temos no NT, nunca poder√° ser substitu√≠da ou anulada por revela√ß√£o, testemunho ou profecia posterior (At 20.27-31; 1 Tm 6.20). Quanto aos ap√≥stolos dados √† igreja, por interm√©dio do dom ministerial e cuja fun√ß√£o √© de “embaixador” (cf. 2 Co 8.23) e “enviado” (cf. Fp 2.25), algu√©m enviado com plenos poderes de procurador para agir em lugar de outra pessoa, deixando para tr√°s o remetente, que fica para dar respaldo ao que foi enviado, na Igreja, significa que Deus os envia para fazer o que ele pr√≥prio faria. O termo √© encontrado como ‚Äėap√≥stolo‚Äô 78, ‚Äėembaixador‚Äô 2 vezes (2Co 8.23; Fp 2.25), e ‚Äėenviado‚Äô uma vez (Jo 13.16).

2. Uma consideração acerca dos dons ministeriais.

a) Ap√≥stolos. Na tradi√ß√£o crist√£, os ap√≥stolos, tamb√©m chamados de disc√≠pulos de Jesus, foram os judeus enviados (como indicado pela palavra grega ?????????, ap√≥stolos) por Jesus para pregar o Evangelho, inicialmente apenas aos judeus e depois tamb√©m aos gentios, em todo o mundo antigo. Eram em total doze pessoas. Segundo o Evangelho de Lucas, “Ele chamou para si os seus disc√≠pulos, e deles escolheu doze, a quem ele chamou de ap√≥stolos” (Lucas 6:13). Essa escolha aconteceu no in√≠cio do seu minist√©rio, Jesus escolheu doze homens que o acompanhassem em suas viagens. Tiveram esses homens uma importante responsabilidade: Continuariam a represent√°-lo depois de haver ele voltado para o c√©u. A reputa√ß√£o deles continuaria a influenciar a igreja muito depois de haverem morrido. Por conseguinte, a sele√ß√£o dos Doze foi de grande responsabilidade. “Naqueles dias retirou-se para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. E quando amanheceu, chamou a si os seus disc√≠pulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu tamb√©m o nome de ap√≥stolo” (Lc 6.12-13). A maioria dos ap√≥stolos era da regi√£o de Cafarnaum, desprezada pela sociedade judaica refinada por ser o centro de uma parte do estado judaico e conhecida, em realidade, como “Galil√©ia dos gentios”. O pr√≥prio Jesus disse:”Tu, Carfanaum, elevar-te-√°s, porventura, at√© ao c√©u? Descer√°s at√© ao inferno” (Mt 11.23). N√£o obstante, Jesus fez desses doze homens l√≠deres vigorosos e porta-vozes capazes de transmitir com clareza a f√© crist√£. O sucesso que eles alcan√ßaram d√° testemunho do poder transformador do Senhorio de Jesus. Nenhum dos escritores dos Evangelhos deixou-nos tra√ßos f√≠sicos dos doze. D√£o-nos, contudo, min√ļsculas pistas que nos ajudam a fazer “conjecturas razo√°veis” sobre como pareciam e atuavam. Um fato importante que tem sido tradicionalmente menosprezado em incont√°veis representa√ß√Ķes art√≠sticas dos ap√≥stolos √© sua juventude. Se levarmos em conta que a maioria chegou a viver at√© ao terceiro e quarto quart√©is do s√©culo e que Jo√£o adentrou o segundo s√©culo, ent√£o eles devem ter sido n√£o mais do que jovens quando aceitaram o chamado de Cristo.

b) Evangelistas. Esse dom √© concedido visando o crescimento num√©rico da igreja. Um evangelista √© aquele que tem o dom de evangelizar. Algumas vers√Ķes at√© traduzem a palavra por ‚Äėmission√°rios‚Äô. √Č algu√©m que tem o dom de levar as boas novas a quem ainda n√£o as conhece; √© aquele que re√ļne as ovelhas. Um exemplo b√≠blico desse caso √© Filipe, que tinha, al√©m do dom do diaconato, (At. 6.5), o de evangelizar (At 8.26-39). Filipe √© chamado de ‚Äėo evangelista‚Äô (At. 21.8). Paulo certamente possu√≠a esse dom em medida maior, como pode se depreender do trabalho evangel√≠stico e mission√°rio que fez. Ele, que foi um preparador de pastores, exortou Tim√≥teo a fazer, al√©m do trabalho pastoral, o trabalho de um evangelista (2Tm 4.5). Uma √™nfase tem sido dada no sentido de que, os pastores, tamb√©m fa√ßam a obra de um evangelista, quer seja por dom, quer por necessidade ou ainda para cumprir o ‚Äėide… e pregai‚Äô de Jesus. S√≥ assim teremos, al√©m de igrejas bem doutrinadas, igrejas maiores e mais fortes numericamente falando.

c) Pastores e doutores. Se o dom de evangelista √© o de reunir ovelhas, o dom do pastorado √© o de aperfei√ßoar as tais ovelhas. O pastor √© aquele que fica com o rebanho, que convive com as ovelhas e, portanto, cabe a ele aperfei√ßoar esses crentes para a obra do minist√©rio. Tornar os crentes id√īneos, capazes e bem equipados para o servi√ßo √© tarefa do pastor; esse trabalho muitas vezes √© feito individualmente, no sentido de que cada um desenvolva o seu pr√≥prio dom. Paulo se esfor√ßou para ensinar individualmente a Tim√≥teo e torn√°-lo equipado para o minist√©rio, e ordenou que Tim√≥teo fizesse o mesmo com outros homens fi√©is, para tamb√©m equip√°-los (2Tm 2.2). Se os crentes n√£o forem capacitados e treinados, eles ser√£o infrut√≠feros. Jesus aperfei√ßoou os seus disc√≠pulos dando-lhes aulas te√≥ricas e praticas por mais ou menos tr√™s anos. √Č um trabalho dif√≠cil e leva tempo, mas √© de grande recompensa. Jesus iniciou seu minist√©rio sozinho; mais tarde ele j√° p√īde enviar os doze e depois mais setenta; assim os trabalhadores do reino foram aumentando e o Evangelho do reino foi se espalhando por toda a terra. Paulo, na qualidade de pastor, disse com respeito √† igreja dos colossenses: ‚Äėa quem anunciamos, admoestando a todo homem, ensinando a todo o homem em toda a sabedoria; para que apresentemos a todo o homem perfeito em Jesus Cristo‚Äô (Cl 1.28). Com respeito aos crentes da Gal√°cia, Paulo disse: ‚Äėmeus filhinhos, por quem de novo sofro dores de parto, at√© que Cristo seja formado em v√≥s‚Äô (Gl 4.19). Por isso se v√™ que √© um trabalho dif√≠cil o de aperfei√ßoar uma igreja e torn√°-la equipada para o minist√©rio. Contudo, o pastor foi aperfei√ßoado para aperfei√ßoar; ele foi equipado para equipar.

3. Objetivo dos dons ministeriais (Ef 4.12-14). No dizer de Paulo, as pessoas espiritualmente ‚Äėperfeitas‚Äô ou maduras, que possuem a plenitude de Cristo:

(1) ser espiritualmente maduro, significa n√£o ser ‚Äėmeninos‚Äô (v. 14), os quais s√£o inst√°veis, facilmente enganados pelas falsas doutrinas dos homens e suscet√≠veis ao artificialismo enganoso. O crente permanece infantil quando tem uma compreens√£o inadequada das verdades b√≠blicas e pouca dedica√ß√£o a elas (vv. 14,15);

(2) ser espiritualmente maduro inclui falar ‚Äėa verdade em amor‚Äô (v. 15). A verdade do evangelho, conforme apresentada no NT, deve ser crida com amor, apresentada com amor e defendida em esp√≠rito de amor. Esse amor √© dirigido primeiramente a Cristo (v. 15); em seguida, √† igreja (v. 16) e, finalmente, de uns para com os outros (v. 32; 1 Co 16.14). Em Ef√©sios 4, Paulo ensina que a ‚Äėunidade do Esp√≠rito‚Äô (v. 3) e a ‚Äėunidade da f√©‚Äô (v. 13) s√£o mantidas e aperfei√ßoadas por:

(1) aceitar somente a fé e a mensagem dos apóstolos, profetas, evangelistas, pastores

e mestres do NT (vv. 11,12);

(2) crescer na graça, em maturidade espiritual e em Cristo sob todos os aspectos (v. 15), e ser cheio da plenitude de Cristo e de Deus (v. 13; cf. 3.19);

(3) n√£o permanecer como crian√ßa, aceitando “todo o vento de doutrina”, mas, pelo contr√°rio, conhecer a verdade, e assim saber rejeitar falsos mestres (vv. 14,15);

(4) sustentar e falar com amor a verdade revelada nas Escrituras (v. 15); e

(5) andar em “verdadeira justi√ßa e santidade” (v. 24; vv. 17-32). (Stamps, Donald. B√≠blia de Estudo Pentecostal, CPAD; Nota texto de Ef√©sios 4.13,14).

SIN√ďPSE DO T√ďPICO (1)

Os dons ministeriais descritos pelo apóstolo Paulo em sua carta aos efésios (4.11-14) têm por finalidade o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério e a edificação do Corpo de Cristo.

II. OUTROS PARA PROFETAS” (EF 4.11a).

1. A import√Ęncia do tema. Este tema deve ser visto com muito cuidado por alguns motivos: primeiro, a un√ß√£o prof√©tica segundo a ordem do AT, onde pessoas era separadas por Deus com o minist√©rio prof√©tico para aplicar a revela√ß√£o da Palavra de Deus e da Lei no meio do povo, foi encerrada com Jo√£o (Mt 11.13). Tamb√©m o que lemos em Ef√©sios 4, √© diferente do dom de profecia listada em 1 Co 12, pois enquanto pelo uso do Esp√≠rito no dom todos podem profetizar, o of√≠cio ministerial de profeta concedido por Cristo √© dado somente para alguns do corpo, como of√≠cio permanente. Por√©m, este of√≠cio em muito difere do profeta AT: as palavras do minist√©rio prof√©tico n√£o t√™m autoridade compar√°vel a das Escrituras, at√© pelo fato de sua mensagem n√£o vir por transe ou coisa parecida, mas sim, pelo pr√≥prio uso das Escrituras j√° reveladas, e por isso, sua mensagem deve ser analisada, e, de uma forma geral, tais pessoas s√£o constrangidas pelo Esp√≠rito a zelar pela santidade no meio do povo de Deus. A afirmativa de que este minist√©rio se restringe aos primeiros tempos da era da Igreja √© uma afirma√ß√£o que carece de embasamento b√≠blico. Se Cristo asseverou contra os falsos profetas √© porque na hist√≥ria haveriam ‚Äėverdeiros profetas‚Äô. Mesmo escritos que eram observados nos primeiros s√©culos da Igreja, por√©m n√£o can√īnicos, como o Didaqu√©, traziam instru√ß√Ķes acerca do minist√©rio dos profetas.

2. A distinção entre apóstolo-profeta e profeta.
A per√≠cope de Ef 4.11 refere-se a pregadores irresistivelmente cheios do Esp√≠rito Santo, que cooperavam na edifica√ß√£o da Igreja (At 13.1). O apostolado original encerrou-se com o fim da era apost√≥lica. O apostolado enquanto dom de Cristo continua ativo no seio da igreja do Senhor, e disto vemos o testemunho e amparo b√≠blico na pr√≥pria igreja primitiva no Livro de Atos (Gl 1.9; 1 Ts 2.7; Rm 16.7). Hoje, o apostolado pode ser melhor visto no trabalho de mission√°rios, embora haja denomina√ß√Ķes que unjam pessoas como ap√≥stolos (especialmente no movimento neopentecostal), mas sem crit√©rios espec√≠ficos para o mesmo, e isso √© muito preocupante. Os profetas eram homens que falavam sob o impulso direto do Esp√≠rito Santo, e cuja motiva√ß√£o e interesse principais eram a vida espiritual e pureza da igreja. Sob o novo concerto, foram levantados pelo Esp√≠rito Santo e revestidos pelo seu poder para trazerem uma mensagem da parte de Deus ao seu povo (At 2.17; 4.8; 21.4).

3. As principais fun√ß√Ķes do profeta.
A função do profeta na igreja incluía o seguinte: (a) Proclamava e interpretava, cheio do Espírito Santo, a Palavra de Deus, por chamada divina. Sua mensagem visava admoestar, exortar, animar, consolar e edificar (At 2.14-36; 3.12-26; 1Co 12.10; 14.3). (b) Devia exercer o dom de profecia (c) Às vezes, ele era vidente (cf. 1Cr 29.29), predizendo o futuro (At 11.28; 21.10,11). (d) Era dever do profeta do NT, assim como para o do AT, desmascarar o pecado, proclamar a justiça, advertir do juízo vindouro e combater o mundanismo e frieza espiritual entre o povo de Deus (Lc 1.14-17). Por causa da sua mensagem de justiça, o profeta pode esperar ser rejeitado por muitos nas igrejas, em tempos de mornidão e apostasia.

A mensagem do profeta atual n√£o deve ser considerada infal√≠vel. Ela est√° sujeita ao julgamento da igreja, doutros profetas e da Palavra de Deus. A congrega√ß√£o tem o dever de discernir e julgar o conte√ļdo da mensagem prof√©tica, se ela √© de Deus (1Co 14.29-33; 1Jo 4.1).

SIN√ďPSE DO T√ďPICO (2)

O profeta no contexto neotestamentário possui como função primordial proclamar a revelação divina.

III. O DOM DE PROFECIA

1. A promessa do dom de profecia. Profecia n√£o √© predizer o futuro da vida de ningu√©m, e sim para convencer o povo do pecado e obedi√™ncia a Palavra de Deus. N√£o √© uma mensagem estudada ou escrita, como muitos pensam, mas um dom dado diretamente pelo Esp√≠rito Santo. Os cor√≠ntios exageravam a import√Ęncia do dom de l√≠nguas no culto p√ļblico (qualquer semelhan√ßa n√£o √© mera coincid√™ncia) e isso em detrimento dos outros dons. Ensinando √†quela igreja (e a n√≥s), Paulo procura corrigir esse abuso ao ressaltar que as l√≠nguas sem interpreta√ß√£o no culto p√ļblico, de nada aproveitam e orienta-os a buscar o dom de profecia, o qual edifica a igreja, mais do que as l√≠nguas sem interpreta√ß√£o (vv. 1-4). A profecia, e as l√≠nguas com interpreta√ß√£o, t√™m igual import√Ęncia na igreja. A profecia √© mais √ļtil, visto que a profecia leva √† convic√ß√£o do pecado e a consci√™ncia da presen√ßa de Deus (vv. 20-25). O dom de profecia na igreja √© originado pelo Esp√≠rito Santo, n√£o primeiramente para predizer o futuro, mas para fortalecer a f√© do crente, sua vida espiritual e sua resolu√ß√£o sincera de permanecer fiel a Cristo e aos seus ensinos. Profetizar n√£o √©, por√©m, pregar um serm√£o preparado, mas transmitir palavras espont√Ęneas sob o impulso do Esp√≠rito Santo, para a edifica√ß√£o do indiv√≠duo ou da congrega√ß√£o.

2. Defini√ß√£o. Profeta √© algu√©m escolhido por Deus para transmitir a Sua mensagem. O profeta tem uma vida em harmonia com a mensagem que revela. Ele √© um instrumento nas m√£os de Jesus para transmitir a mensagem divina. Deus manisfestou o dom prof√©tico na Sua igreja para que estas mensagens sejam uma luz menor para ajudar-nos na compreens√£o da luz maior que √© a B√≠blia. Salmos 119:105 A tua palavra √© uma l√Ęmpada para o meu caminho e luz para me guiar. Salmos 119:130 A explica√ß√£o da tua palavra traz luz e d√° sabedoria √†s pessoas simples.

O Profeta √© o porta-voz de Deus cuja mensagem √© ou admoesta√ß√£o ou predi√ß√£o. Em um sentido os primeiros profetas foram os patriarcas, desde Ad√£o at√© Mo√≠ses. √Č em Samuel que come√ßa o minist√©rio prof√©tico. Entre esses profetas encontram-se Elias, Eliseu, Davi, Isa√≠as, Jeremias, Ezequiel, Daniel e outros.

* A quem Deus revela os seus desígnios? Amós 3:7 Por acaso o Senhor, o Deus Eterno, faz alguma coisa sem revelar aos seus servos, os profetas.
* Como Deus se comunica com o profeta? N√ļmeros 12:6 Deus disse: Agora escutem o que vou dizer. Quando h√° profetas entre voc√™s, eu apare√ßo a eles em vis√Ķes e falo com eles em sonhos.
* Pode uma mulher ser profetisa? Joel 2:28 O Deus Eterno diz ao seu povo: ‚ÄúDepois disso eu derramarei o meu Esp√≠rito sobre todos: os seus filhos e as suas filhas anunciar√£o a minha mensagem; os velhos sonhar√£o, e os mo√ßos ter√£o vis√Ķes‚ÄĚ.

Atrav√©s do minist√©rio prof√©tico Deus revela sua vontade para todas as pessoas. Vis√Ķes e sonhos s√£o os meios pelos quais Deus comunica a sua vontade. O profeta Joel fala de homens, mulheres, jovens que receberiam o dom prof√©tico nos √ļltimos dias.

Apocalipse 19:10: ‚ÄėEu me ajoelhei aos p√©s do anjo para ador√°-lo, mas ele me disse: N√£o fa√ßa isso! Pois eu sou servo de Deus, assim como s√£o voc√™s e os seus irm√£os que continuam fi√©is √† verdade revelada por Jesus. Adore a Deus! Porque a mensagem que o Esp√≠rito entrega aos profetas √© a verdade revelada por Jesus.‚Äô Deus colocou profetas verdadeiros na Sua igreja com o objetivo de gui√°-la em todos os momentos. Deus enviaria o dom prof√©tico para Seu povo escolhido.

3. Caracter√≠sticas. Toda profecia deve ser avaliada quanto ao seu conte√ļdo. Isso demonstra que a profecia nos tempos do NT n√£o era infal√≠vel, sendo pass√≠vel de corre√ß√£o. √Äs vezes, a profecia e o falar em l√≠nguas n√£o procediam de Deus (cf. 1 Jo 4.1). At√© mesmo os esp√≠ritos malignos conseguem agir na congrega√ß√£o atrav√©s de falsos mestres ou falsos profetas a√≠ presentes. O profetizar, o falar em l√≠nguas estranhas ou a possess√£o dalgum dom sobrenatural n√£o √© garantia de que algu√©m √© um genu√≠no profeta ou crente, pois os dons espirituais podem ser falsificados por Satan√°s (Mt 24.24; 2 Ts 2.9-12; Ap 13.13,14). Se a igreja n√£o julga com dec√™ncia e ordem (v.40) as profecias, ela deixou de seguir as diretrizes b√≠blicas. Note, tamb√©m, que a profecia n√£o era algo como um impulso incontrol√°vel do Esp√≠rito, pois apenas um profeta podia falar de cada vez (vv. 30-32).

Qual deve ser a atitude da igreja para com as mensagens proféticas?

(a) Todas as profecias devem ser testadas segundo o padrão da doutrina bíblica (cf. Dt 13.1-3). Isso significa que os crentes devem ficar atentos ao seu cumprimento (cf. Dt 18.22), e atentos também no caso dela não se cumprir.

(b) Se a palavra prof√©tica √© uma exorta√ß√£o, a congrega√ß√£o precisa perguntar: ‚ÄėO que devemos fazer para obedecermos √† vontade do Esp√≠rito?‚Äô

A profecia do tipo descrito nos caps. 12 e 14 de 1Co, n√£o tem inerente em si a mesma autoridade ou infalibilidade que a inspirada Palavra de Deus (2 Tm 3.16). Embora provenha do impulso do Esp√≠rito Santo, esse tipo de profecia nunca poder√° ser considerado inerrante. Sua mensagem sempre estar√° sujeita √† mistura e erros humanos. Por isso a profecia da igreja nunca poder√° ser equiparada com as Sagradas Escrituras. Al√©m disso, a profecia em nossos dias n√£o poder√° ser aceita pela igreja local at√© que seus membros julguem o seu conte√ļdo, para averiguar a sua autenticidade. A base fundamental desse julgamento √© a Palavra de Deus escrita.

SIN√ďPSE DO T√ďPICO (3)

Os escritos neotestamentários evidenciam o exercício do ministério profético pelos apóstolos.

(III. CONCLUSÃO)

Nas trevas deste mundo de pecado Deus n√£o nos deixou √†s escuras; Ele nos deu a B√≠blia que √© a luz para os nossos caminhos, mas Deus tamb√©m tem revelado Seu Plano para n√≥s atrav√©s do minist√©rio dos profetas. Para que Deus deu os profetas? Para aperfei√ßoamento, edifica√ß√£o e unidade (Ef 4.11-13). Para edifica√ß√£o, exorta√ß√£o (encorajar, aconselhar) e consola√ß√£o (1 Co 14.3).Mas os profetas devem ter cuidado em falar somente aquilo que Deus mandou.‚ÄôSe algu√©m falar, fale segundo as palavras de Deus‚Äô. (1 Pe 4.11). A mensagem do profeta deve atrair o povo para Deus e n√£o para si mesmo ou para outra coisa qualquer.¬∑Falar uma falsa profecia em nome do Senhor significa transgredir o 3¬ļ mandamento: ‚ÄėN√£o usar√°s o nome do Senhor em v√£o‚Äô (Ex 20.7). Quando os homens buscam uma profecia somente para confirmar ou aprovar seus intentos ruins, seus ‚Äė√≠dolos do cora√ß√£o‚Äô (Ez 14.3), Deus falaria com eles? Devemos ter cuidados com ‚Äėa avareza, que √© idolatria‚Äô (Cl 3.5).

BIBLIOGRAFIA PESQUISADA

- Li√ß√Ķes B√≠blicas 3¬ļ Trim. Livro do Mestre, vers√£o eletr√īnica, CPAD (http://www.cpad.com.br);

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- Gower, Ralph, Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos, CPAD, 2002, p.131;

- HORTON, Stanley M. Teologia Sistem√°tica: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro. 12.ed. CPAD, 2009, pp.323-324;

- Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de Janeiro, CPAD, 2006, p.1610;

- RICHARDS, L. O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. CPAD, 2007, pp.423,425

- LAHAYE, Tim. Enciclopédia Popular de profecia Bíblica. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 16-7; 203

APLICAÇÃO PESSOAL

Uma das maneiras do Esp√≠rito Santo manifestar-se √© atrav√©s de uma variedade de dons espirituais concedidos aos crentes (12.7-11). Essas manifesta√ß√Ķes do Esp√≠rito visam √† edifica√ß√£o e √† santifica√ß√£o da igreja. Entendemos que as manifesta√ß√Ķes do Esp√≠rito d√£o-se de acordo com a vontade do Esp√≠rito (12.11), ao surgir a necessidade, e tamb√©m conforme o anelo do crente na busca dos dons (12.31; 14.1). Certos dons podem operar num crente de modo regular, e um crente pode receber mais de um dom para atendimento de necessidades espec√≠ficas. A moral dessa li√ß√£o √© que devemos desejar ‚Äúdons‚ÄĚ, e n√£o apenas um dom (12.31; 14.1). √Č preciso compreendermos que √© antib√≠blico e insensato pensarmos que quem tem um dom mais vis√≠vel √© mais espiritual do que quem os tem de maneira mais interiorizada, ou at√© mesmo, quem n√£o os recebeu. O que temos visto em nosso meio e o que a Palavra corrobora √© que, quando uma pessoa possui um dom espiritual, isso n√£o significa que Deus aprova tudo quanto ela faz ou ensina. N√£o se deve confundir dons do Esp√≠rito, com o fruto do Esp√≠rito, o qual se relaciona mais diretamente com o car√°ter e a santifica√ß√£o do crente (Gl 5.22,23). ‚ÄėNo contexto de uma unidade mantida por tais express√Ķes de amor como humildade, mansid√£o, longanimidade e toler√Ęncia, s√£o exercidos os dons distribu√≠dos por Cristo, e se cumprem os objetivos de Cristo em seu corpo e a favor do seu corpo (4.7-10). Surpreendentemente, estes objetivos n√£o se cumprem nos l√≠deres que Cristo d√° √† igreja, mas nos leigos. Os l√≠deres s√£o servos cujo papel √© equipar o povo de Deus para sua ‘obra do minist√©rio’. Por meio dos esfor√ßos de todos os seus membros, o corpo de Cristo √© edificado (4.11-13). E por meio da participa√ß√£o ativa em um corpo que cresce, e que ministra de forma constante, o crente amadurece individualmente (4.14-16). Quer os l√≠deres tenham grandes √°reas de responsabilidade (ap√≥stolos, profetas, evangelistas) ou somente responsabilidades locais (pastores e doutores), eles s√£o ordenados para servir os leigos‚Äô (RICHARDS, L. O. Coment√°rio Hist√≥rico-Cultural do Novo Testamento. CPAD, 2007, pp.423,425).

N‚ÄôEle, que me leva a refletir: ‚ÄėPorque o fim da lei √© Cristo para justi√ßa de todo aquele que cr√™.‚Äô (Rm 10.4),

Francisco A Barbosa

auxilioaomestre@bol.com.br

EXERC√ćCIOS

1. Quais os tipos de dons que o apóstolo Paulo alistou em 1 Co 12.28?

R. Apóstolos, profetas, doutores, como chamada específicas para esses ministérios.

2. De acordo com o contexto neotestament√°rio, o que significa ‚Äúprofeta‚ÄĚ em Ef√©sios 4.11?

R. Pregadores irresistivelmente cheios do Espírito Santo.

3. Qual a razão de Jesus ter concedido os dons ministeriais à sua igreja?

R. Para cooperarem na edificação da igreja, na dedicação ao ensino e na interpretação da Palavra de Deus.

4. Qual deve ser o cuidado de quem profetiza?

R. √Č uma manifesta√ß√£o moment√Ęnea e sobrenatural do Esp√≠rito Santo.

5. Qual deve ser o cuidado de quem profetiza?

R. Falar apenas o que o Espírito Santo mandar.

Boa aula!

Publicado no blog Auxilio ao Mestre

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