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Tudo Posso Naquele que me Fortalece - Rede Brasil de Comunicação

Igreja Evangélica Assembléia de Deus - Recife / PE

Superintendência das Escolas Bíblicas Dominicais

Pastor Presidente: Ailton José Alves

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LIÇÃO 07 - TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE

INTRODUÇÃO

A vida cristã não é só de bênçãos, ela inclui sofrimentos e privações, a exemplo disto, temos o apóstolo dos gentios, Paulo. Este instrumento escolhido por Deus, com a finalidade de levar seu nome por onde fosse enviado, padeceu necessidades, como uma pessoa qualquer. No entanto, a despeito das agruras que sofreu, como um fiel seguidor de Cristo, contava com o seu poder que lhe proporcionava condições de viver os altos e baixos da vida, sempre com regozijo e fé, tornando-se exemplo para todas as gerações de cristãos (Fp 4.9).

I - O CONTEXTO DO APÓSTOLO PAULO

A epístola aos filipenses foi escrita pelo apóstolo Paulo, entre o ano de 61 a 63 d.C, quando provavelmente se encontrava preso em Roma (Fp 1.13/4.22). O apóstolo confirma seu encarceramento com suas próprias palavras (Fp 1.7;13). No entanto, apesar de estar sob esta condição, escreveu esta carta aos cristãos com imensa alegria que ardia em seu coração, e que usa como exemplo para exortá-los a sentirem o mesmo: “Regozijai-vos sempre no

Senhor; outra vez digo, regozijai-vos” (Fp 4.4).

A surpreendente ocorrência da palavra “alegria” na carta levou os filipenses a conheceram-na como “a epístola da alegria”. O substantivo “alegria” ocorre cinco vezes (Fp 1.4,25; 2.2,29; 4.1) enquanto o verbo “regozijar-se” aparece nove vezes (1.18; 2.17,18,28; 3.1; 4.4,10). Esta alegria apesar do sofrimento, só pode ser desfrutada por aqueles que têm o fruto do Espírito (Gl 5.22).

É perceptível no conteúdo desta carta, que Paulo conseguia extrair de circunstâncias adversas, coisas boas.

Podemos destacar aqui alguns efeitos positivos tirado de situações negativas, que ele experimentou:

  • As cartas que Paulo escreveu na prisão, em Roma (Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon), serviram e ainda servem como compêndio doutrinário para a igreja de Cristo;
  • A defesa do apóstolo, perante César no pretório, fez com que suas doutrinas se tornassem conhecidas no palácio e em outros lugares: “De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares” (Fp 1.13);
  • Os cristãos tomaram ânimo ao ver Paulo sendo preso pela fé que professava, e pregavam o evangelho sem receio do que lhes podia acontecer “E muitos dos irmãos no SENHOR, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor” (Fp 1.14);
  • Paulo não conseguia escolher qual seria melhor a vida ou a morte, porque em ambos estava com Cristo: “Segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte. Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.20,21);
  • Sua necessidade despertou nos irmãos de filipos o desejo ardente de ajudá-lo com uma oferta que Paulo considera de grande valor: “Mas bastante tenho recebido, e tenho abundância. Cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus” (Fp 4.18).

II - O QUE PAULO QUERIA DIZER

Infelizmente, não são poucos os que declaram a frase: “tudo posso naquele que me fortalece”, ignorando o seu real significado. “O sentido mais popular dada a ela expõe mais presunção do que confiança; mais triunfalismo do que verdadeira fé. Fora do seu contexto, o entendimento que lhe é atribuído é que o crente pode possuir o que quiser, já que é Deus quem lhe garante isso. Tudo posso ganhou o sentido de “tenho posse”. Passa então a ser usado como um mantra que garante a conquista de bens materiais seja em que condição for” (GONÇALVES, 2011, p. 95).

Mas, o que Paulo realmente queria dizer com a célebre frase: “Posso todas as coisas naquele que me fortalece”. Para descobrirmos exatamente o que o apóstolo tinha em mente ao fazer tal declaração, devemos  recorrer ao contexto deste versículo. Afinal de contas um dos grandes erros cometidos quanto a Bíblia, é o de interpretar um texto isoladamente, sem analisar o que diz o contexto, ou seja, o texto que vem antes ou depois do texto. Não devemos interpretar um texto sem o auxílio do contexto, pois, “um texto fora do contexto é um pretexto para heresia”.

Eis aqui o que algumas coisas merecem destaque nas palavras de Paulo em filipenses 4.11-13. Confira:

  • A declaração paulina contida em (Fp 4.13) não se trata de uma confissão positiva, muito pelo contrário. Esta expressão foi dita após as árduas experiências vividas pelo apóstolo (I Co 4.11-13). Estas lhe ensinaram a contentar-se com o que possuia, como ele mesmo confessa em suas palavras: “Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho”. Enquanto Hagin ensina aos seus adeptos almejarem coisas altas, aprendemos com Paulo a nos acomodarmos as coisas pequenas (Rm 12:16);
  • A expressão “contentar” usada por Paulo significa: ter prazer; estar satisfeito. Ou seja, ele diz estar satisfeito com o que tem. Esta declaração nos deixa evidente que a Teologia da Prosperidade faz parte de um evangelho que o apóstolo jamais pregaria. Pois enquanto o apóstolo prega contentamento com o que tem “pouco ou muito”, Hagin prega que o cristão obrigatoriamente tem que ter muito, porque pouco é falta de fé ou pecado;
  • Outra coisa que merece ser considerada é que antes de Paulo declarar: “posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” (Fp 4.13), ele diz o que pode: “Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade” (Fp 4.12). Percebe-se nitidamente o que realmente Paulo queria dizer era que ele podia em Cristo viver sob qualquer condição, porque este lhe supria: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (Fp 4.19).

III - O QUE CRISTO CONCEDEU A PAULO

Algumas traduções modernas da Bíblia traduzem o verso praticamente igual como “tudo posso naquele que me fortalece”, já a Bíblia NTLH (Nova Tradução da Linguagem de Hoje), traz uma tradução bastante interessante “Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação”. Percebe-se claramente que o apóstolo apoiava-se na dependência de Cristo, sua fortaleza. A palavra “fortalecer” no original grego “enduamo” significa: infundir forças, empregado para indicar, dois tipos de força:

3.1 Força da fé: “E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus” (Rm 4.20).

3.2 Força espiritual: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” (Ef 6.10).

Como podemos ver, a declaração paulina em (Fp 4.13) que diz: “naquele”, que no original está a palavra grega “Cristo” que traduzido é Messias, mostra-nos que Cristo é a fonte da sua força. Por isso, em nenhum momento, encontramos Deus livrando Paulo dos sofrimentos, muito pelo contrário encontramos inúmeras vezes Deus fortalecendo-o nos sofrimentos, isto o fazia pregar sem medo, mesmo sabendo, que podia sofrer as piores agruras: “Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado. Mas, o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que por mim fosse cumprida a pregação, e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão” (II Tm 4.16,17).

CONCLUSÃO

Definitivamente, os pregadores da prosperidade não podem usar a vida do apóstolo Paulo, como uma referência de alguém que nunca passou privações, dores e sofrimentos, para afirmar suas estranhas doutrinas. Visto que o mesmo fora advertido assim que se converteu que “ia sofrer pelo Nome de Cristo” (At 9.15,16). No entanto, gloriava-se nas tribulações que passou por três motivos: 1. porque reconhecia que elas produziam nele paciência (Rm 5.3); 2. porque elas são leves e momentâneas (II Co 4.17) e 3. Porque que não podem ser comparadas com a glória que em nós há de ser revelada (Rm 8.18).

REFERÊNCIAS

  • PIERATT, Allan B. O evangelho da prosperidade. Vida Nova.
  • MACARTHUR. Bíblia de Estudo. SBB.
  • GONÇALVES, José. A verdadeira prosperidade. CPAD.
  • SHEDD. Bíblia de Estudo. SBB.
  • NTLH. Bíblia de Estudo. SBB.

Publicado no site da Rede Brasil de Comunicação

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