Trindade

Márcio Klauber Maia

   Muitas outras passagens no Velho Testamento falam de Jeová no plural e nos levam a entender que Jeová não é o nome apenas de Deus, o Pai, mas do Deus triúno. Em Zc 12.1 diz "Fala o Senhor" (Jeová); no v.10 este Jeová diz: "e olharão para mim, a quem traspassaram" Ora, quem foi traspassado, o Pai ou o Filho? Jo 19.34 afirma que Jesus foi traspassado e Ap 1.7 confirma. No salmo 102.25-27 fala de Jeová, do seu poder criador e da sua eternidade. Em Hebreus 6.1-12, o autor aplica esta mesma mensagem a Cristo. Em Is 45.18-23 Jeová está falando e conclui dizendo: "diante de mim se dobrará todo o joelho, e por mim jurará toda a língua". Em Fp 2.9-11, Paulo afirma que isto acontecerá com Jesus Cristo. Em Zc 14.3 diz que Jeová sairá e pelejará contra as nações, e o v.4 diz que ele estará sobre o Monte das Oliveiras, que se fundirá ao meio. Isto acontecerá no final da batalha do Armagedom. Em Ap. 19 vemos que o que vem é Jesus Cristo. No v.9 do cap. 14 de Zacarias diz que Jeová será rei sobre a Terra. Em Ap 19.6 diz que o Senhor Deus Todo-Poderoso reina e 20.4 diz que Cristo reina. Em Is 48.12,13 fala de alguém que fundou a Terra e que é o primeiro e o último. Ap 21.6 e 22.13 diz que Cristo é o primeiro e o último; o v.16 de Isaías 48 diz que a este que está falando Jeová enviou o seu Espírito (Jeová, o Pai, enviou o seu Espírito a Jeová, o Filho). Em Gn 18.1,2, Jeová aparece a Abraão: eram três pessoas. Abraão se dirige a eles como sendo Jeová (v.3). A Bíblia refere-se tanto aos homens falando (vv.9,10) como a Jeová falando (v.13). Quando dois dos homens se despedem, Abraão continua a chamar o que ficou de Jeová ( vv.22,23) e Ló recebe os outros dois como Jeová (Gn 19.1-18). Jesus identifica-se como sendo o que apareceu a Abraão (Jo 8.56-58). Salmo 45.6,7 fala de um Deus ungindo outro Deus. Gn 19.24 fala de um Jeová fazendo descer fogo de outro Jeová. Estas passagens só podem ser entendidas quando cremos que Jesus é Deus e também é Jeová. (Espírito Santo também é Jeová).

   Outrossim, Jesus aparece várias vezes no V.T. como o Anjo do Senhor. Observe em Josué 5.13-15 que ele é adorado e aceita a adoração, diferente do anjo que apareceu a João (Ap 22.8,9). Em Gn 16.7-14 ele aparece a Hagar no deserto. No v.13 diz que ela chamou o nome do Senhor (Jeová) COM QUEM ELA FALAVA, Deus da vista. Em Jz 6.11-24 ele aparece a Gideão. No v.16 diz que Jeová lhe falou; no v.17 Gideão pede para ele provar que é Deus; ele consome o que lhe foi oferecido, tocando com a ponta do cajado e desaparece.

   Desta forma, no Antigo Testamento, o Deus trino já se revelava de várias formas ao povo de Israel e em várias passagens observamos as pessoas da Trindade manifestas: Deus, o Pai, como o Todo-poderoso, o Deus de milagres, que arrebatou Israel com mão poderosa; Deus, o Filho, como o Anjo dos exércitos do Senhor e como o Messias prometido, e Deus, o Espírito Santo de diversas formas, ora apoderando-se de Sansão, ora guiando Moisés, ora capacitando Bezelael, ou vindo sobre Gideão.

   Entretanto, as revelações plenas de Cristo e do Espírito Santo somente ocorreram no Novo Testamento, até porque eles passaram a ter um relacionamento mais direto com a humanidade: o Senhor Jesus Cristo como Deus encarnado, que veio salvar os homens e conduzi-los a Deus, conquistando a vitória no sacrifício da cruz, e o Espírito Santo como o outro Consolador, o parácleto divino que guiou a igreja e conduziu em vitória os apóstolos e os primeiros cristãos. Este novo relacionamento, com um novo povo, a Igreja, veio acrescentar, também, conhecimento a nível doutrinário sobre estas duas pessoas divinas, agora melhor reveladas.

TRINDADE NO NOVO TESTAMENTO

   Logo na passagem do nascimento de Cristo, em Lc 1.35, vemos a Trindade de forma explícita. Disse o anjo Gabriel: "descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra, pelo também o Santo que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus" (grifo nosso). O Altíssimo (Deus, o Pai) e o Espírito Santo agiram no nascimento humano do Filho. A presença do Pai e do Espírito Santo foi uma constante no ministério terreno de Jesus Cristo: ele fez referência aos "negócios do Pai", entre os doutores, quando estava com 12 anos, e a Bíblia afirma que ele era cheio do Espírito Santo (Lc 4.1). Cristo, que fazia questão de dizer que era enviado do Pai, veio, como disse João Batista, para batizar com o Espírito Santo e com fogo. Observamos, assim, o estreito relacionamento entre eles.

   Por ocasião do batismo de Jesus Cristo no Rio Jordão, vemos, em Mt 3.16,17, uma revelação pública da Trindade: Jesus Cristo, Deus, o Filho, saía das águas, tendo sido batizado por João Batista, e então vê-se Deus, o Espírito Santo, descendo como pomba, ao mesmo tempo que ouvia-se uma voz que dizia: "Este é o meu filho amado...". A voz poderia ter dito: "Este é o meu ungido" ou "meu enviado", mas para deixar bem claro que aquele que falava era Deus, o Pai, ele disse "meu filho".

   Em seu discurso, Cristo sempre deixou claro que era igual ao Pai, em sua divindade. Só o fato de chamar-se a si mesmo de Filho de Deus, já significava dizer que ele era da mesma natureza que o Pai. Lemos em Jo 5.18: "Por isto, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o Sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus"(grifo nosso). Da mesma forma, na transfiguração, ele revela sua glória a Pedro, Tiago e João, que estavam no monte. Ali também o Pai revelou-se confirmando a sua condição de filho e sua natureza divina (Lc 9.35). Pedro registrou em sua epístola que sabia que quem tinha falado com eles era o Pai (II Pe 1.17,18).

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