Trindade

Márcio Klauber Maia

   Em suas últimas instruções aos discípulos Jesus revela também a Trindade. Em Jo 14.16 está escrito: "Eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro consolador". Aqui o Filho estava afirmando que rogaria ao Pai para que enviasse o Espírito Santo. A palavra consolador, no grego, é parakletos, que é usada em I Jo 2.1, referindo-se a Cristo como Advogado. Por isto ele diz "outro consolador". A palavra outro, aqui usada, em grego, é allon, que significa "outro da mesma espécie", diferente de heteros, que significa "outro, de espécie diferente". Vemos, então, as três pessoas da Trindade de forma clara. No mesmo capítulo, v.26, e também em Jo 15.26, Jesus diz que o Pai enviará o Espírito Santo em Seu nome.

   Observamos também a Trindade na ressurreição de Cristo. O Filho foi ressuscitado. Ele havia dito que ressuscitaria a si mesmo em Jo 2.19-22. Paulo afirma em Rm 8.11 que quem o ressuscitou foi o Espírito de Deus e em I Ts 1.10 ele afirma que foi Deus, o Pai, quem ressuscitou a Jesus.

   Na grande comissão, em Mt 28.18-20, Cristo ensina-nos a fórmula batismal, dizendo: "batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". Vale observar que Ele não disse "nos nomes", mas "no nome", indicando unidade e, ao mesmo tempo, trindade, ao citar os nomes das três pessoas. O fato de citá-los na mesma fórmula, coloca-os no mesmo nível, estabelecendo uma igualdade entre eles, significando dizer que são da mesma essência, possuindo os mesmos atributos. Ao se reconhecer a divindade de uma das pessoas, reconhece-se a das outras, sendo impossível haver distinção. Não poderíamos batizar em nome de Deus e de outras pessoas diferentes que não são de mesma natureza. Jesus, então, encerra o seu ministério terreno ao subir para o Pai e enviar o Espírito Santo.

   Nos ensinos de Paulo também encontramos a doutrina da Trindade em diversas passagens. A mais conhecida delas é a chamada benção apostólica, que encontra-se em II Cor 13.13: "A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós". Esta é uma declaração clara da Trindade, mostrando, inclusive, as diferentes ações por parte das pessoas divinas. Em Ef 1.3-14, Paulo começa falando do Pai (v.3), que nos abençoa e elege, para o louvor da sua glória (v.6). Depois fala do Filho (v.7), que nos redime, nos perdoa e em quem fomos feitos herança, para o louvor d sua glória (v.12), e encerra falando do Espírito Santo (v.13), que é o penhor da nossa herança, para o louvor da sua glória (v.14). Isto deixa clara a função de cada pessoa da Trindade na salvação do homem: O Pai enviou o Filho (Jo 3.16,17), que deu a sua vida em resgate por nós (Ef 1.7), satisfazendo a justiça do Pai (II Cor 5.21), ao mesmo tempo que nos reconcilia com o Pai (II Cor 5.18-21), é a nossa propiciação ao Pai (I Jo 2.2) e nos justifica diante do Pai (Rm 3.24; At 8.39). Esta obra do Filho é aplicada no crente pelo Espírito Santo através do novo nascimento (Tt 3.5,6). Ele nos santifica (I Cor 6.11) e nos dá acesso ao Pai (Ef 2.18), através do Filho (Hb 4.14-16). Para isto, ele convence o homem do seu pecado (Jo 14.16) e o faz membro do corpo de Cristo (I Cor 12.13).

   Em I Cor 12.4-6 Paulo faz um relacionamento interessante: ele diz "Ora há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo". Os dons, aqui relacionados ao Espírito Santo, certamente é a lista de I Cor 12.8-10, os chamados dons do Espírito Santo. "Há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo". O Senhor aqui é Jesus Cristo e os ministérios são a lista de Ef 4.11 (Apóstolos, Profetas, Evangelistas, Pastores e Doutores), que são distribuídos por Ele ("Ele mesmo deu..."). "Há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus [o Pai] que opera tudo em todos". As operações podem ser a lista de Rm 12.6-8 (ministrar, ensinar, exortar, repartir, presidir, etc.), que são segundo a medida da fé que Deus repartiu (v.3). Paulo ensina-nos, ainda, em Ef 5.18-20, a encher-nos do Espírito Santo, cantando e salmodiando ao Senhor Jesus, dando graças a Deus Pai.

   Vejamos a comparação entre estas passagens:

  • Paulo ensina em At 17.25 que o Pai é quem dá a vida. O próprio Jesus disse que o Filho dá a vida a quem ele quer (Jo 5.21) e, ainda, lemos em Rm 8.11 que é o Espírito Santo quem dará a vida aos nossos corpos mortais.
  • Temos em Cl 6.16 que o Pai habita em nós. Da mesma maneira, está escrito em Ef 3.17 que o Filho habita em nós, e em Rm 8.9, que o Espírito Santo habita em nós.
  • escritor aos Hebreus afirma no primeiro versículo do livro que Deus falou pelos profetas. Pedro afirma que eles falaram pelo Espírito de Cristo (I Pe 1.11) e também que falaram pelo Espírito Santo (II Pe 1.21).
  • Jesus ensinou que os discípulos, quando confrontados a respeito de sua fé, não falariam de si mesmos, mas seria dada a palavra a eles pelo Espírito do Pai (Mt 10.20). Em outra passagem (Lc 21.15), ele disse que seria ele próprio quem daria a palavra, e ensina também que eles teriam a palavra dada pelo Espírito Santo (Mc 13.11).

   Não há nenhuma contradição nestas passagens, quando entendemos a doutrina da Trindade. Do contrário, tudo isto parece confuso e contraditório.

   Pedro também refere-se à Trindade em sua epístola (I Pe 1.2), dizendo: "eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito Santo, para obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo" (grifo nosso). Semelhantemente, temos em Jd 20,21: "orando no Espírito Santo, conservai a vós mesmos na caridade de Deus [o Pai], esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo" (grifo nosso).

   Que Deus possa, através deste resumo, ter esclarecido este assunto na mente de cada um de nós.

COMPARAÇÃO ENTRE AS PESSOAS DA TRINDADE

TÍTULO

PAI

FILHO

ESPÍRITO SANTO

Deus

Fp 1.2

Jo 1.1,14; Cl 2.9; I Jo 5.20

At 5.3,4; II Cor 3.17,18

Criador

Is 64.8;44.24

Jo 1.3; Cl 1.15-17

Jó 33.4; 26.13

Onipresente

I Rs 8.27; Am 9.2,3

Mt 28.20; Jo 3.13

Sl 139.7-10; I Co 3.16; Jo 14.17

Onipotente

Is 44.27; Ef 1.19

Fp 3.12; AP 3.7; Mt 28.18

Lc 1.35; Zc 4.6

Onisciente

I Jo 3.20

Jo 16.30

Ez 11.35; Rm 8.26,27; I Co 2.10,11

Eterno

Sl 90.2;93.2

Mq 5.1,2; Hb 13.8

Gn 1.2; Hb 9.14

Senhor

Dt 10.17; Is 40.10

Fp 2.10,11; I Pe 3.15

At 7.51 compare com II Rs 17.14

 

Márcio Klauber Maia é diácono da Igreja Assembléia de Deus, servido ao Senhor como Superintendente da Escola Dominical em Candelária. É casado e pai de quatro filhas.

e-mail: klauber@ecocil.com.br

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