APRENDENDO A ENSINAR

Maria Isabel Fester

"Nenhum homem jamais descobre realmente aquilo em que acredita até que começa a instruir os filhos". (Anônimo)

Ah, filhos... Já disse o poeta que melhor seria se... Será?

Somos quiçá capazes de imaginar como realmente seria a casa vazia, sem as risadas, a bagunça, o abraço... sem eles? E no entanto, não são poucas as vezes que olhamos para os nossos meninos e exclamamos, num misto de aflição e culpa: "O que está acontecendo com meu filho? Onde foi que nós erramos?"

A resposta a estas questões não é, nem de longe, simples. Mas é possível se refletirmos sobre quais princípios têm norteado a criação de filhos em nossa sociedade. Talvez uma rápida pincelada sobre as motivações que nos levam a falar, falar, gritar, brigar, bater (e nada resolver...) possa nos ajudar a discernir qual tem sido realmente o problema.

Todos sabemos que a infância é um período determinante na vida humana. São cerca de seis a sete anos em que as experiências vividas tornam-se fundamentais, por serem as primeiras. Nessa medida, todo cuidado é pouco na ação e reação ao que as crianças dizem, fazem e sentem. Nossos filhos não somente ouvem o que falamos, mas sim como falamos. E a forma como manifestamos a eles nossos temores, dúvidas e desaprovações lhes traduz nosso interior, o que sentimos, muito mais do que as mensagens que queremos lhes transmitir através de ordens e recomendações.

Como educadora, uma das frases que mais freqüentemente ouço é "Ele não se importa com o que digo". Realmente, não se importa nem nunca vai se importar, se o que você diz não traduz quem você é. As crianças, justamente por terem pouco tempo de vida em sociedade, não re/conhecem os "meandros da sociabilidade", que cerceiam nossas palavras e ações. Elas lidam com a VERDADE no seu mais concreto estado. Se dissermos a uma criança de 3 anos que seu pai está preso no trânsito, tenha certeza de que, para ela, o pai está "amarrado" literalmente, pois nesta idade a capacidade de abstração ainda não existe. Não é o que a palavra pode indicar em seus vários sentidos, mas o que a criança reconhece como sentido que faz sentido para ela. E, na 1ª infância, ela reconhece aquilo que vê, sente, toca e experimenta concretamente. E o que ela reconhece como sentido é o que aprende observando os adultos mais próximos, sua família. Este é o primeiro princípio. As crianças têm olhos especiais, diferentes dos nossos e, se seu olhar foi contaminado, temos nossa parcela de responsabilidade.

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