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O DISCIPULADO DE ACORDO COM O EXEMPLO E ENSINO DE JESUS REGISTRADOS NO EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - Parte V |
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O amor, conforme Jesus fala nesta perícope, é canalizado para duas dimensões: a Deus e ao próximo. A construção do texto aponta para a unicidade destas duas dimensões da fé. Não existe dicotomia ou menor importância de uma em comparação à outra. Para Jesus, o segundo mandamento é semelhante ao primeiro. Esta visão completa do amor apresentado por Jesus, foi extraído do Antigo Testamento. Este texto é uma citação que Jesus faz de duas passagens, que são: Dt 6.5 e Lv 19.18. Deste modo, Jesus pega dois textos distintos e costura-os, unindo-os em um mesmo grau de importância. Em Mateus, amor a Deus e ao próximo são inseparáveis. Qualquer tentativa de expressão de amor que priorize a dimensão verticalizada, a expressão de fé em Deus, e que prescinda do amor ao próximo é duramente rechaçada pelo Senhor e vista como fraudulenta e inoperante (Mt 9.10-13; 12.1-8; 15.1-6; 23.23). Para o Senhor, uma não vive sem a outra. Também, o verdadeiro amor a Deus deve sempre levar as pessoas a amar os seus semelhantes, pois o amor ao próximo é conseqüência do amor a Deus. Mas, é importante analisar o que Jesus fala sobre estas duas dimensões do amor. Começando pelo amor a Deus, podem-se ver as seguintes idéias: O amor a Deus não admite rivais. Esta idéia é muito bem colocada por Jesus quando, no sermão do Monte ele assevera que: "ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um, e amar ao outro; ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e as riquezas" (6.24). O amor a Deus exige das pessoas a integralidade do seu ser. Ninguém pode amar a Deus apenas com os seus sentimentos, ou, então, apenas com a sua razão, ou com as suas atitudes e comportamentos. Este amor a Deus necessita abarcar a integralidade do ser. Jesus diz que este amor deve ser expressado com "todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento" (22.37). No discipulado proposto por Jesus, estas duas idéias se repetem. O discipulado que Jesus propõe não admite rivais e concorrentes. Jesus expressou isto dizendo que "quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim" (10.37). A pessoa que o discípulo mais deve amar é o próprio Senhor Jesus. O discípulo de Jesus tem uma incumbência ainda maior com relação ao próximo. O discípulo não pode amar apenas aqueles que o amam. Ele não pode viver na dimensão do olho por olho, dente por dente (5.38). Ele não pode simplesmente amar o próximo e odiar aqueles que se constituem seus inimigos (5.43). O verdadeiro discípulo deve amar os seus inimigos e orar pelos que o perseguem (5.44). Porque, se é discípulo de Jesus, a dimensão de fé e amor ao próximo devem estar acima da dimensão dos publicanos e gentios (5.46 e 47). Por fim, Jesus orienta aos seus discípulos quanto às realidades finais que precederão a sua vinda dizendo que o amor se esfriará de quase todos (24.12). Não deixar o amor arrefecer-se é um dos grandes desafios que os discípulos têm que superar. Nas palavras de Barbaglio: "A grande prova à qual se encontra exposta no presente a Igreja é pois de arrefecer na obediência e no amor" (BARBAGLIO, 1990, p. 353). O discipulado proposto por Jesus é um discipulado de perseverança no amor a Ele, de fidelidade completa a Ele. Quem não ama não pode ser seu discípulo. Quem ama apenas numa dimensão, preterindo a outra, não ama de verdade. 4.7 O sofrimento e o discipulado. Uma das descrições mais dramáticas de Jesus apresenta-o como um "homem de dores que sabe o que é padecer." (Is 53.3). Em todo o capítulo 53 do profeta Isaías, o Messias de Deus é um homem estigmatizado pela dor e pelo sofrimento. Jesus de Nazaré, enquanto verbo encarnado de Deus, experimentou as vicissitudes humanas; padeceu imensamente pelos pecados do ser humano para que pudesse enfim, trazer o dom precioso da salvação (Is 53.10-11). No seu ministério, conforme apresentado pelo evangelista Mateus, ele passa pelo jardim do Getsêmani, lugar de dor, angústia de alma e sofrimento inigualável (26.36-46). Ali, naquele lugar, o autor narra as experiências vividas por Jesus. Ele se entristece e se angustia (v. 36). O sofrimento se intensifica e o Senhor declara que sua alma está triste até a morte (v.38). Por duas vezes pede ao Pai que seja retirado dele aquele cálice (vv. 39,42). E mais ainda: Jesus é preso (26.47-56); acusado injustamente (26. 57-67) e apresentado diante de Pôncio Pilatos como malfeitor (27.11-26). Depois ele é escarnecido e humilhado pelos militares (27.27-31) e por fim é crucificado (27.33-44). À semelhança do que aconteceu com o Senhor Jesus, os seus discípulos têm um caminho de sofrimento a percorrer. A Palavra de Jesus aos seus discípulos é muito clara a este respeito. A sua afirmação categórica lhes mostram que a vida destes não seria diferente. Ele afirma: "O discípulo não está acima do Mestre, nem o servo acima do seu Senhor. Basta ao discípulo ser como o seu mestre, e o servo como o seu Senhor. Se chamaram Belzebu ao dono da casa, quanto mais aos seus domésticos." (Mt 10.24-25). A temática do sofrimento está espalhada por todo o evangelho. À luz do texto acima citado, pode-se saber que o sofrimento é certo. Porém, é necessário percorrer as páginas deste evangelho para descortinar quais os tipos de sofrimento que o evangelista apresenta. Eles são os seguintes: O sofrimento proporcionado pelas renúncias afetivas e emocionais feitas. Discipulado, conforme dito anteriormente, é quebra com o passado e seus laços afetivos e emocionais (WEBER, 1992, p. 208). A exigência feita por Cristo àqueles que estão sendo chamados é que os antigos laços afetivos sejam quebrados e um novo direcionamento do amor seja dado pelo novo discípulo. Desta forma, Cristo afirma: "Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim" (Mt 10.37). Com esta exigência, o discipulando deve saber que, se tiver de fazer uma escolha entre Cristo e os seus familiares, Cristo deve ter a proeminência. |
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