O DISCIPULADO DE ACORDO COM O EXEMPLO E ENSINO DE JESUS REGISTRADOS NO EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - Parte V

O sofrimento proporcionado pela transformação dos parentes em inimigos mordazes. A família normal, via de regra, é instituição em que o amor, a compreensão, o afeto, a cumplicidade e o respeito imperam. Porém, Jesus assevera que "os inimigos do homem serão os da sua própria casa" (Mt 10.36). O discipulado trará sobre os seguidores de Cristo a inimizade dos familiares.

O sofrimento proporcionado pelas perseguições engendradas pelos homens. Em quatro momentos dentro do Evangelho segundo Mateus, O Senhor fala acerca das perseguições que seus discípulos sofreriam. Os textos são Mt 5.11,12; 5.44; 10.23.

No primeiro deles (5.11), a perseguição acontece por causa da Justiça dos discípulos. No versículo posterior ela se dá simplesmente por causa do ódio incontido dos homens que mentem e inventam com o fito de trazer males aos discípulos.

No terceiro texto (5.44), a atitude dos discípulos perseguidos injustamente, deve ser a manifestação do amor. Eles são perseguidos, mas devem amar aos seus perseguidores. Devem ser perfeitos (5.48), revelando um comportamento diferente dos demais religiosos da época de Jesus.

No último texto, a perseguição é fruto da retaliação das cidades a quem os discípulos são enviados para a proclamação do evangelho. As cidades são impenitentes. Elas não aceitam a proclamação do evangelho e perseguem os discípulos missionários.

O sofrimento proporcionado pelos castigos físicos. Alguns discípulos poderiam esperar não apenas perseguições, como também castigos físicos. Em 10.17 Jesus revela aos seus discípulos que estes seriam "entregues nos tribunais e açoitados nas sinagogas." Mas adiante, em 23.34, os Judeus rejeitariam veementemente os enviados de Jesus (profetas, sábios e escribas) e os açoitariam.

O sofrimento final: a morte dos discípulos. Para muitos, a última conseqüência do discipulado de Cristo, que é levado a sério, é a morte, conforme mostram as seguintes passagens: 10.21, 23.34 e 24.9. No primeiro dos textos, um irmão entregaria o outro para ser morto. No segundo, a ira e dureza de coração dos líderes religiosos judeus levariam os discípulos enviados por Cristo à crucificação e à morte. No terceiro texto, a perseguição e morte dos discípulos é fruto do nome de Jesus que pesa sobre seus ombros.

Não é só passar pelo sofrimento que importa ou se faz necessário ao discípulo. O saber passar por ele é fundamental. O requisito básico para quem passa é a perseverança. Se, ao ser perseguido, odiado, injuriado, maltratado pelos familiares e desprezado pelos homens de um modo geral, o discípulo negar o mestre ou fugir, não será verdadeiro discípulo.

O sofrimento, na verdade, funciona como provador da fé e do discipulado daqueles que foram chamados para o seguimento de Cristo. Em 10.22 e 24.13, Jesus afirma que o autenticador do discipulado é a capacidade que estes têm de perseverar. Os dois textos estão inseridos dentro do contexto de sofrimento dos discípulos e dentro do contexto do caos que será estabelecido quanto à vinda de Jesus. Nestes dois versículos, só é arremetido à glória quem persevera.

4.8 À guisa de conclusão.

Ser discípulo é tarefa complexa. Viver o discipulado proposto por Jesus é mais difícil ainda. "Ser salvo através do discipulado não é uma possibilidade ao alcance do homem, mas para Deus tudo é possível" (BONHOEFFER, 1980, p. 41).

A dificuldade no discipulado reside no fato de que as exigências de Cristo são sérias e pesadas. Contudo, a graça manifestada aos discípulos os ajudam na realização destas exigências.

Acima de tudo, "discipulado é comprometimento com Cristo". (BONHOEFFER, 1980, p. 21). Este comprometimento se efetua a partir do chamado do Senhor. É ele quem chama para o discipulado. É a partir deste comprometimento com Cristo que o Discípulo pode entender as suas palavras.

É deste envolvimento com Cristo que o discípulo encontrará forças para sofrer e até mesmo morrer por Ele. O discípulo é capaz de se tornar mártir.

Mais ainda, o discípulo tem as condições necessárias para "fazer a vontade do Pai". Todos os mandamentos, toda à Lei, são executáveis a partir do discipulado de Cristo.

Por Jesus é que o discípulo entrega-se a um amor maior do que qualquer outro. O discípulo ama mais a Jesus do que pai, mãe, filho e filha. Sua vida é dedicada a um amor exclusivo a Cristo. Ninguém é mais amado pelo discípulo do que Jesus.

O discípulo é um ser que possui fé. Não simplesmente para crer no sobrenatural, nos impossíveis de Deus, na manifestação do extraordinário, mas possui fé que o permite entregar-se a Jesus e a reconhecer a sua pobreza e carência de Deus.

Todos estes conceitos e idéias são apresentados no evangelho segundo Mateus. O discipulado proposto por Cristo tem itens importantes a serem observados. A essência de ser discípulo comporta todas estas realidades acima mencionadas.

Falou-se bastante das exigências e das dificuldades do discipulado. Todavia, estes itens foram mencionadas para que todos saibam que este caminho é excelente. Para aqueles que estão nele, é sabido que "o discipulado é alegria" (BONHOEFFER, 1980, p. 5). E, como disse um autor, "seguir Jesus é o mais fascinante projeto de vida" com o qual qualquer ser humano pode se envolver (Caio Fábio D’Áraujo Filho).

Feliz é o discípulo de Jesus.

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