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O DISCIPULADO DE ACORDO COM O EXEMPLO E ENSINO DE JESUS REGISTRADOS NO EVANGELHO SEGUNDO MATEUS - Parte V |
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CONCLUSÃO Ao chegar-se ao término deste trabalho, alguns pontos tornam-se salientes dentro da proposta desta dissertação. O evangelho de Mateus foi escolhido por ser este o que, por razões teológicas, históricas e gramaticais, oferece o melhor meio de pesquisa e aprendizagem deste tema. Na verdade, nenhum outro evangelho possui uma estrutura ou organização tão voltadas para o discipulado quanto este evangelho No capítulo um, viu-se que o ponto central do texto de Mateus 28.16-20 é a tarefa de fazer discípulos de todas as nações. O modo pelo qual se farão discípulos é: indo, batizando e ensinando estes novos discípulos a guardarem todas as coisas que Jesus ensinou aos seus primeiros discípulos. Os antigos discípulos obtiveram sucesso nesta tarefa, porque eles contaram com a autoridade do Jesus Ressurreto e a presença sempre constante dEle. Neste mesmo capítulo, foi constatado que a perícope central do evangelho recai sobre este texto. Tudo o mais gira em torno dele. Desta forma, a ênfase no discipulado também deveria fazer parte da estratégia de alcance das vidas que andam perdidas e vagando sem Cristo e sem esperança. A missão fundamental da Igreja em Mateus é fazer discípulos de todas as etnias, de todos os grupos humanos, inserindo-os no contexto dos salvos e ensinando-os nos preceitos do Reino de Deus. Neste capítulo, o que de mais importante se pode aprender é que nenhuma outra atividade é mais necessária à Igreja do que discipular. Toda a força, tempo e disponibilidade devem ser gastos nesta tarefa. A Igreja deve entender que não são os eventos, os supertemplos, as grandes personalidades evangélicas que poderão levar a cabo a tarefa de transformar vidas. É o Espírito Santo, capacitando os seus servos que, por meio do discipulado, fará a obra. O discipulado é o método de Deus para o alcance de todos os povos e nações deste mundo. No capítulo dois, o ensino de Jesus é posto como paradigma para as atividades de ensino no discipulado, pois Jesus foi quem teve um ministério de ministração profunda. Ele ensinou e valeu-se do ensino para transformar vidas. O lugar, a posição do ensino no ministério discipulador de Jesus é central. Nenhum outro ministério foi tão significativo e expressivo do que o ensino. Não apenas isto, mas pode-se constatar que Jesus teve uma metodologia de ensino peculiar. Seu ensino era atraente e diversificado. Valeu-se, não poucas vezes, de metáforas e objetos concretos e tangíveis para ministrar conceitos por vezes abstratos e difíceis de se entender. Jesus fez uso de todas estas ferramentas para ensinar o Reino de Deus aos seus ouvintes e em particular para discipular os seus doze apóstolos. A atitude de Jesus com os seus ouvintes foi sempre a de ministrar o ensino das palavras do Pai aos seus seguidores. Num tempo como o de hoje, quando em alguns grupos o ensino tem sido deixado de lado, tomando o lugar, "shows", festivais de músicas sem fim, ênfases em determinados assuntos (prosperidade, quebra de maldição, batalha espiritual), deveria a Igreja entender que é necessário ministrar todo o desígnio de Deus, e não apenas alguns pontos, e deixar de lado todo o divertimento frívolo e inoperante. No capítulo três, o discipulado de Jesus como visto no evangelho segundo Mateus é integral. Jesus não deu ênfase a apenas um aspecto da vida do ser humano. Jesus ministrou de forma completa e profunda. Nenhuma faceta do ser foi esquecida. Tanto Jesus ministrou ao intelecto, quanto às emoções, como incentivou aos seus seguidores a cumprirem toda a vontade de Deus. No ensino de Jesus não existe superênfase quanto ao aspecto do ser que será ministrado. Assim, nem a razão, nem a emoção, nem a volição têm primazia sobre as outras áreas. Existe um equilíbrio na ministração de Jesus. A Igreja tem muito o que aprender, na prática e na teoria, com esta forma de ministrar de Jesus. O ser humano, naturalmente tem a tendência de supervalorizar uma área do ser. A Igreja durante muito tempo priorizou a razão, achando inadequado toda e qualquer expressão de emocionalidade nos cultos e no ensino. Em contra-partida, para alguns segmentos da Igreja, particularmente das Igrejas Pentecostais, a emoção tem primazia, ficando o bom senso, a razão e a lógica em segundo plano, ou mesmo, esquecidos. O ensino que a Igreja deve ministrar, atinge não só o intelecto, a emoção, mas também leva o discipulando a viver na prática, na operosidade de uma vida cristã comprometida com a palavra, com a mensagem aprendida. No quarto capítulo, são estudados os conceitos e idéias que acompanham o termo "discipulado". Viu-se ali que o discipulado começa com um chamado, feito por Cristo. O ato de seguir é a resposta imediata que o convidado precisa dar. Também foi observado que no evangelho segundo Mateus, o discípulo é aquele que entende e compreende as palavras de Jesus, bem como "faz a vontade do Pai". Discípulo tem fé no Cristo manifestado a ele, mas também é chamado para amá-lO acima de todas as coisas. Por fim, o discípulo é aquele que necessita compreender que o sofrimento até mesmo que o leve à morte, algumas vezes pode fazer parte do discipulado. A análise destes pontos, encontrados no discipulado proposto por Jesus no evangelho segundo Mateus, é, no mínimo, desafiador. Numa época em que tantos "Vips" e famosos têm, arrogantemente se intitulado cristãos, a mensagem evangélica diz que tais pessoas estão enganadas. Estão enganadas não pelo fato de serem ricos ou famosos, mas sim, por não atenderem às exigências do discipulado que são traduzidas em renúncia, arrependimento, auto-negação, supremo amor a Deus e disponibilidade de abandonar suas velhas vidas para servirem a Cristo de uma maneira totalmente nova. O modelo de discipulado visto nestes dias em muitas comunidades ditas "evangélicas" é o de facilidades e mordomias. Tais Igrejas possuem - se é que possuem - um discipulado sem compromisso com Deus e sua Palavra. Não há lugar no discipulado destas Igrejas para o sofrer por Cristo, para a interiorização de valores e virtudes evangélicas, para a sublimidade do conhecimento de Cristo, para o abrir mão das coisas velhas, pelas maravilhosas novidades que Cristo quer realizar. Resumidamente, de tudo o que foi dito até aqui, o que se pode concluir é que: 1) O discipulado é essencial para a vida da Igreja; 2) Jesus, na grande comissão, não deixou outra atividade, outra tarefa para a Igreja, senão a de sua Igreja comprometer-se com o discipulado; 3) a Igreja de hoje necessita, à luz do exemplo de discipulado praticado por Jesus, rever toda a sua atividade discipuladora, para averiguar se está ou não em sintonia com o exemplo de Jesus. BIBLIOGRAFIA Abraham, W. J. Theology of Evangelism. 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