Lição 10 - Os livros Poéticos II


Estudos:

- Salmos - comentário devocional

- Introdução aos Salmos

- Salmos
- Uma visão panorâmica dos Salmos
- Os salmos e sua interpretação
- Tehilim - o livro dos Salmos

- Teologia de missões dos salmos

- Salmos

- Uma visão panorâmica dos salmos

- Jerusalém nos Salmos

- Cantares

- Amor verdadeiro

- Introdução a Cantares de Salomão

- Cantares

- Comentário ao Cântico dos cânticos

Livros:

- Salmos - Com Tradução e Transliteração - Vitor Fridlin,David Gorodovits, Jairo Fridlin - Editora Sêfer

- Cântico dos cânticos, o misterioso romance - Hudson Taylor - Editora dos Clássicos

Complemento:

Questionário Questionário da lição - Colaboração de Moisés Soares da Câmara

Texto Áureo:
“E estas são as últimas palavras de Davi. Diz Davi, filho de Jessé, e diz o homem que foi levantado em altura, o ungido do Deus de Jacó, e o suave em salmos de Israel” (2 Sm 23.1).
 
Verdade Prática:
Os Salmos são os mais apreciados de todos os livros do Antigo Testamento, pois relacionam-se com a nossa devoção pessoal diária ao Senhor. 

Leitura Diária:
Segunda Sl 121.1,3 O nosso socorro vem do SENHOR
1Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro?2O meu socorro vem do SENHOR, que fez o céu e a terra. 3Não deixará vacilar o teu pé; aquele que te guarda não tosquenejará.
O MEU SOCORRO VEM DO SENHOR. Familiares, amigos, ou riquezas não são nossa garantia de socorro nesta vida. Isto está em Deus, a fonte perfeita de satisfação das nossas necessidades materiais e espirituais. Precisamos confiar nEle de todo o coração, e buscar a sua graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno (ver Hb 4.16).

Terça  Sl 29.2 Adoremos a Deus na beleza da sua santidade
2Dai ao SENHOR a glória devida ao seu nome; adorai o SENHOR na beleza da sua santidade.

Quarta Sl 91.1 Habitar no esconderijo do Altíssimo
1Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará.
À SOMBRA DO ONIPOTENTE. Este salmo expressa a segurança daqueles que confiam plenamente em Deus. O salmo nos assegura que Deus será nosso refúgio e que podemos buscar a sua proteção em tempos de perigo espiritual e físico.
AQUELE QUE HABITA NO ESCONDERIJO DO ALTÍSSIMO. Este salmo proporciona segurança aos filhos de Deus, i.e., aqueles que se colocam sob a vontade e a proteção do Onipotente e que diariamente buscam habitar na sua presença. Quanto mais arraigados estivermos em Cristo e na sua Palavra, fazendo dEle a nossa vida e a nossa habitação, tanto 
maior será a nossa paz e o nosso livramento em tempos de perigo (cf. 17.8; Mt 23.37; Jo 15.1-11).

Quinta Sl 150.6 Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR
6Tudo quanto tem fôlego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR!
LOUVAI AO SENHOR. O verdadeiro louvor a Deus não está confinado ao santuário (vv. 1-2,6). Podemos louvar realmente a Deus somente quando virmos toda a sua grandeza e bondade e nos relembrarmos com meditação de tudo quanto Ele tem feito na criação e na redenção, bem como em nossa vida pessoal. Sendo assim, o louvor fica sendo uma resposta poderosa do coração, expressando alegria, gratidão e o desejo de comunhão com nosso Senhor. Além de louvarmos a Deus com nossos cânticos e instrumentos no santuário, podemos louvar a Deus com uma vida de amor e de alegria (1 Jo 4.19), com nossa fé em Cristo (Jo 1.7), com a vitória sobre os poderes de Satanás (Ef 6.10-18), com a fome espiritual pelo seu Reino e pela sua justiça (Mt 6.33), com a devoção à sua Palavra (Sl 119), com o amor de Deus derramado em nosso coração pelo Espírito Santo (Rm 5.5), com a proclamação do seu evangelho (Rm 1.16) e com a expectativa da sua volta iminente (2 Tm 4.8; Tt 2.13)
 
Sexta Ct 6.3 Eu sou de Jesus, e Jesus é meu
3Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele se alimenta entre os lírios.

Sábado Lc 24.44 O livro de Salmos representa os livros Hagiográficos, por ser o primeiro deles
44E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos.
Leitura Bíblica em Classe: Salmos 23.1-6
1O SENHOR é o meu pastor; nada me faltará.2Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas.
3Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.4Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.5Preparas uma mesa perante mim na presença dos meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice trasborda.6Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na Casa do SENHOR por longos dias.
O SENHOR. Este salmo, originado na mente do Senhor e inspirado pelo Espírito Santo, expressa seu empenho e incessante cuidado pelos seus seguidores. Eles são o precioso alvo do seu divino amor. Ele tem cuidado de cada um deles, como um pai cuida de seus filhos e como um pastor, das suas ovelhas.
23.1 O SENHOR É O MEU PASTOR. Mediante uma metáfora freqüentemente empregada no AT (ver 28.9; 79.13; 80.1; 95.7; Is 40.11; Jr 31.10; Ez 34.6-19), Deus é comparado aqui a um pastor, ilustrando isso o seu grande amor por seu povo. O próprio Senhor Jesus empregou a mesma metáfora para expressar seu relacionamento com os seus (Jo 10.11-16; cf. Hb 13.20; 1 Pe 5.4). Duas verdades destacam-se aqui: (1) Deus, através de Cristo e do Espírito Santo, está tão afeiçoado a cada um de seus filhos, que Ele deseja amar, cuidar, proteger, guiar e estar perto desses filhos, como o bom pastor cuida das suas ovelhas (ver Jo 10.11,14 notas). (2) Os crentes são as ovelhas do Senhor. Pertencemos a Ele e somos alvo especial do seu amor e atenção. Embora todos nós andamos desgarrados como ovelhas (Is 53.6), o Senhor nos redimiu com seu 
sangue derramado (1 Pe 1.18,19), e agora somos dEle. Como suas ovelhas, podemos lançar mão das promessas desse salmo quando atendemos a sua voz e o seguimos (ver Jo 10.3-5; ver 10.28).
23.1 NADA ME FALTARÁ. Isto significa (1) que não me faltará nada que for necessário à realização da vontade de Deus na minha vida (ver 3 Jo 2 nota), e (2) que me contentarei com a provisão e o cuidado do Bom Pastor, mesmo em tempos pessoalmente difíceis, porque confio no seu amor e cuidado por mim (cf. Jo 10.11; Fp 4.11-13).
23.2 DEITAR-ME FAZ. Porque o Pastor está presente e perto de mim, posso deitar-me em paz, livre de todo medo. O Espírito Santo como meu Consolador, Conselheiro e Ajudador comunica-me o cuidado pastoral e a presença de Cristo (Jo 14.16-18; cf. 2 Tm 1.7): (1) meu descanso tranqüilo na sua presença terá lugar em verdes pastos , i.e., em Jesus e na Palavra de Deus, que são indispensáveis a uma vida abundante (Jo 6.32-35,63; 8.31; 10.9; 15.7); (2) guia-me mansamente a 
águas tranqüilas do seu Espírito Santo (ver 1.3 nota; cf. Jr 2.13; Jo 7.37-39).
23.3 REFRIGERA A MINHA ALMA. Quando fico desanimado (42.11), o Bom Pastor reaviva e revigora minha alma mediante seu poder e graça (Pv 25.13). Guia-me por meio do Espírito (Rm 8.14) nos caminhos por Ele escolhidos, que se conformam com seus alvos de santidade (cf. Rm 8.5-14). Correspondo obedecendo: sigo o Pastor ouvindo a sua voz (Jo 10.3,4); não seguirei a voz dos estranhos (Jo 10.5).
23.4 TU ESTÁS COMIGO. Em tempos de perigo, dificuldade, e mesmo de morte, o crente não teme nenhum mal. Por quê? Porque tu estás comigo em todas as situações da vida (cf. Mt 28.20). A vara (um pedaço de pau curto) é uma arma de defesa ou disciplina, que simboliza a força, i.e., o poder e autoridade de Deus (cf. Êx 21.20; Jó 9.34). O cajado (uma vara longa e delgada, tendo um gancho numa das extremidades) serve para trazer a ovelha para perto do pastor, para guiá-la no caminho certo, ou para removê-la em caso de perigo. A vara e o cajado de Deus nos dão certeza do seu amor e orientação em nossa vida (cf. 71.21; 86.17).
23.5 PREPARAS UMA MESA. Deus é aqui descrito como aquele que supre as necessidades de seus filhos em meio as forças do mal que procuram destruí-los, corpo e alma (ver Rm 8.31-39). (1) Apesar de o crente estar em luta diária contra Satanás e ter em volta de si uma sociedade pagã, a graça de Deus que ele recebe capacita-o a viver e se regozijar na presença de Deus (ver 2 Co 12.9,10). Ele pode saciar-se à mesa do Senhor com fé, ação de graças e esperança, em perfeita 
paz, e protegido pelo sangue derramado e o corpo partido desse Bom Pastor (ver 1 Co 11.23). (2) Unges a minha cabeça com óleo refere-se ao favor e bênção especiais de Deus, pela unção do seu Santo Espírito no corpo, mente e espírito do crente (ver Ef 5.18 nota). (3) O meu cálice transborda . Aqui, a tradução literal é: meu cálice tem bebida abundante . É uma alusão ao bebedouro do pastor, que era uma pedra grande, escavada em forma de tanque, cabendo quase 200 litros de água, onde as ovelhas bebiam.
23.6 A BONDADE E A MISERICÓRDIA. Misericórdia refere-se ao fiel amor e a bondade de Deus. O crente, tendo consigo o Bom Pastor na peregrinação desta vida, terá sua ajuda, bondade e seu sustento constantes. Em qualquer situação o crente pode confiar que o Bom Pastor fará com que todas as coisas cooperem para o seu bem (Rm 8.28; Tg 5.11). O alvo do crente que segue o Bom Pastor e desfruta da sua bondade e misericórdia é um dia estar com Ele eternamente (1 Ts 4.17), 
contemplar sua face (Ap 22.4) e servi-lo para sempre na sua casa (ver Ap 22.3; cf. Jo 14.2,3).
 
Objetivos: Após esta aula, seu aluno deverá estar apto a:
1- Definir a expressão paralelismo.
2- Explicar o que são os cânticos dos degraus.
3- Reconhecer a figura projetada no livro de Cantares.
 
Comentários: INTRODUÇÃO
Os livros poéticos são assim classificados porque, em sua estrutura textual, a poesia é predominante. Mas também há neles narrativas e profecias. Tais poesias foram produzidas por inspiração divina para servirem como instrumento de comunhão do homem com Deus e na sua meditação nas coisas espirituais (Sl 119.97).


I. A POESIA HEBRAICA
1. A natureza da poesia. 
2. Paralelismo. 
3. Acróstico. 
 
A Poesia hebraica caracteriza-se principalmente pela repetição de idéias, o que se denomina de PARALELISMO. Desta forma, uma idéia é abordada e, logo em seguida, é novamente afirmada com palavras diferentes, sendo que os conceitos das duas linhas são equivalentes. Os tipos de PARALELISMO foram classificados por Lowth, em 1753, em três categorias: sinonímico, antitético e sintético. Vejamos os porquês dessa classificação:
Sinonímico – quando a idéia é repetida de forma similar. Exemplos: Salmo 113.7: Ele ergue do pó o desvalido
E do monturo o necessitado.
Salmo 117.1: Louvai ao Senhor todos os gentios,
Louvai-o todos os povos.
Antitético – quando a idéia é afirmada por oposição. Exemplos:
Salmo 1.6: Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos,
Mas o caminho dos ímpios perecerá.
Provérbios 10.1: O filho sábio alegra a seu pai,
Mas o filho insensato é a tristeza de sua mãe.
Sintético – ocorre quando a Segunda linha completa ou desenvolve o pensamento da primeira, ao invés de simplesmente repeti-la. Exemplo: Salmo 52.9: Dar-te-ei graças para sempre,
Porque assim o fizeste;
Na presença dos teus fiéis,
Esperarei no teu nome, porque é bom.
Um bom exercício é ler a Bíblia, especialmente os livros dos Salmos, Cantares de Salomão e Provérbios de Salomão, e procurar identificar esses tipos de PARALELISMO.
Outros tipos de PARALELISMO foram identificados e definidos, também com a mesma beleza formal e literária:
Paralelismo emblemático – ocorre quando o primeiro verso (a primeira linha) traz uma figura de linguagem e a linha seguinte apresenta a mesma idéia literalmente, explicando, assim, a figura de linguagem.
Exemplo: Provérbio 25. 4 e 5: Tira da prata a escória,
E sairá vaso para o ourives;
Tira o perverso da presença do rei,
E o seu trono se firmará na justiça.
Paralelismo de passo ou escada – dá-se quando o pensamento segue adiante, sendo que cada verso (ou linha) adiciona um elemento novo à idéia anterior.
Exemplo: Salmo 29. 5 e 6:
A voz do SENHOR quebra os cedros;
Sim, o SENHOR despedaça os cedros do Líbano.
Ele os faz saltar como um bezerro;
O Líbano e o Siriom, como bois selvagens.

II. O SALTÉRIO DE ISRAEL 
Salmos é o livro de hinos e de orações da bíblia. São 150 cânticos e poemas usados em cultos e devocionais da igreja de todas às épocas. Jesus cantou salmos e os citou várias vezes. Os salmos têm sido uma fonte de inspiração e devoção para os cristãos e para a igreja.
1. Título. 
3. Conteúdo. 
4. Os Salmos messiânicos. 
SALMOS
SÍNTESE
Os Salmos, metade dos quais é atribuída por suas inscrições a Davi, o suave cantor de Israel, em geral procedem da idade áurea de Israel, por volta do ano 1000 a.C. Sem a menor dúvida, alguns foram escritos mais tarde, na época do cativeiro (por exemplo, o Salmo 137). Os salmos expressam verdades profundas num estilo poético, com a intenção de penetrar os recônditos do coração. Devem ensinar-nos que o conhecimento intelectual não é suficiente; o coração deve ser alcançado pela graça redentora de Deus. A poesia hebraica não consiste no rítimo, mas principalmente na repetição de pensamentos apresentados em cláusulas paralelas, como, por exemplo: "Não nos tratou segundo os nossos pecados, nem nos retribuiu segundo as nossas iniquidades" (103:10). Se prestarmos atenção a este paralelismo, poderemos, às vezes, interpretar palavras obscuras mediante o paralelo mais claro. Outro recurso que se emprega com freqüência no artifício poético é a dramatização. Davi não escreve para si próprio. Escreve para outros. O salmista escreve para todos nós, e podemos apropriarmos de que aqui também Davi escreve às vezes na primeira pessoa do singular; não obstante isso, proporciona-nos pormenores vividos das experiências do Messias.
Cerca da metade dos salmos pode ser classificada como orações de fé proferidas em épocas de angústia. Salmos tão preciosos como os de número 23, 91, 121 e muitos outros, sustentam-nos nos momentos de necessidades mais urgentes. Seria bom que apredêssemos de cor estes salmos e os repetissemos com freqüência, a fim de fortalecer-nos com a Palavra quando a hora da provação nos apanha de surpresa. Mais ou menos 40 salmos são dedicados ao tema do louvor. A nota de louvor a Deus deve constituir-se em uma parte da respiração mesma do crente, e salmos tais como os de números 100 e 103 devem figurar com proeminência em nossas devoções.
É difícil fazer uma classificação minuciosa dos salmos, visto como são obras profundamente poéticas, e um salmo pode tratar de assuntos diferentes. Sugerimos, contudo, várias categorias: os salmos do homem justo são representados pelos de números 1, 15, 101. 112 e 133. Seis poderiam denominar-se salmos messiânicos: 2, 21, 45, 72, 110 e 132. Os salmos 32 e 51 são chamados, de modo geral, penitenciais, juntamente com partes dos salmos 38, 130 e 143. Os salmos imprecatórios pedem vingança sobre os inimigos de Deus; são eles: 69, 101, 137 e parte dos salmos 35, 55 e 58. Há, pelo menos, quatro salmos históricos: 78, 81, 105 e 106. Dois ressaltam a revelação: 19 e 119.
Os salmos messiânicos que se referem a Cristo, no Novo Testamento, são: 2, 8, 16, 22, 40, 41, 45, 68, 69, 89, 102, 109, 110 e 118. Alguns destes são tipicamente messiânicos, isto é, escritos a respeito de nossas experiências em geral, mas aplicados a Cristo. Outros são diretamente proféticos. Os salmos 2, 45 e 110 predizem o Rei messiânico. No salmo 45:6, o Messias é Deus; no 110, é ele o Sacerdote, Rei e Senhor de Davi; no salmo 2, é o Filho de Deus que deve ser adorado. Outros salmos fazem referência a seus sofrimentos (22), seu sacrifício (40), sua ressurreição (16:10, 11). No salmo 89, ele é quem completa a aliança davídica em cumprimento das esperanças de Israel. .
AUTOR
Segundo os títulos, Davi foi o autor de 73 salmos; Asafe, de 12. Os filhos de Coré, 11; Salomão, 2; Moisés e Etã um cada um. No caso de 50 salmos, não se menciona seu autor. A versão dos Setenta ou Septuaginta acrescenta Ageu e Zacarias como autores de 5 salmos.
O valor das inscrições tem sido posto em dúvida, mas é evidente que figuravam muito antes do ano 200 a.C., visto que a Versão dos Setenta, traduzida em torno dessa época, interpretou erroneamente várias das anotações musicais dos títulos. As composições poéticas que figuram nos livros históricos da época do pré-exílio assinalam o uso semelhante de inscrições (Habacuque 3:1; Isaias 38:9; II Samuel 1:17; 23:1). O salmo 18, atribuido a Davi por sua inscrição, também se diz em II Samuel 22:1 que foi escrito por ele. Esta reputação de Davi como músico é mencionada repetidamente (II Samuel 23:1; I Samuel 16:18; Amós 6:5). Os livros das Crônicas explicam com clareza que Davi organizou coros no templo e compôs salmos para eles (I Crônicas 16:4, 5; 25:1-5). As expressões musicais enigmáticas das inscrições acham-se freqüentemente relacionadas pelo livro das Crônicas com este trabalho de Davi (I Crônicas 15:20, 21; 16:4; compare os títulos dos salmos 12, 38, 46; e 105:1; 148:1 e outros). Finalmente, o Senhor Jesus Cristo fundamentou um importante argumento sobre a validez do título do salmo 110 (Marcos 12:36). Não parece existir prova positiva contra o ponto de vista tradicional de que a maior parte dos salmos foi escrita em torno do ano 1000 a.C., como afirmam as inscrições. As novas provas derivadas dos pergaminhos do mar Morto descartam a idéia de que a escritura de alguns salmos se estendeu até ao segundo século antes de Cristo conforme o sustentaram alguns exegetas no passado.
R. Laird Harris
Doutor em Filosofia e Letras

III. ESTRUTURA DOS SALMOS
1. A divisão dos Salmos. 
2. Na Septuaginta. 
3. Os versículos no cânon judaico.
4. Cânticos dos Degraus. 
Esboço
I. Livro 1: Salmos 1—41
II. Livro 2: Salmos 42—72 
III. Livro 3: Salmos 73—89 
IV. Livro 4: Salmos 90—106 
V. Livro 5: Salmos 107—150 
Duas observações quanto ao esboço acima são dignas de nota: (1) Desde os tempos antigos, os 150 salmos são organizados em cinco livros, tendo cada um, na sua conclusão, uma enunciação de louvor e invocação dirigida a Deus, a saber: Livro 1 — 41.13; Livro 2 — 72.19; Livro 3 — 89.52; Livro 4 — 106.48; Livro 5 — 150.1-6. O salmo 150 não é apenas o último dos salmos; é também uma enunciação de louvor e invocação a Deus; ele é também uma doxologia para todo o saltério. (2) O gráfico a seguir enseja uma visão panorâmica da divisão dos Salmos em cinco livros. 
 
S A L M O S

Livro I  1-41 

Livro II   42-72 

 Livro III  73-89

Livro IV   90-106 

Livro V  107-150

Total de Salmos

41
31
17
17
44

Autoria

Maioria
de Davi

Maioria
de Davi e dos
filhos de Corá

Maioria
de Asafe

Maioria
Anônimos

Maioria de
Davi ou 
Anônimos

Nome Divino 
Predominante

Jeová
(o "SENHOR")

El/Elohim
("Deus")

El/Elohim
("Deus")

Jeová
(o "SENHOR")

Jeová
(o "SENHOR")

Temas 
Freqüentes

O Ser 
Humano
e a Criação

Livramento
e Redenção

Adoração e
o Santuário

O Deserto e
os Caminhos
de Deus

A Palavra de
Deus e o Seu
Louvor

Semelhança com o 
Pentateuco

Gênesis

Êxodo

Levítico

Números

Deuteronômio

Autor:

Davi e outros
Tema: Oração e Louvor
Data: Quase todo foi escrito entre os séculos X a V a.C.


Considerações preliminares
O título hebraico dos Salmos é Tehillim, que significa “louvores”; o título na Septuaginta (tradução do AT para o grego, feita em c. 200 a.C.) é Psalmoi, que significa “cânticos para serem acompanhados por instrumentos de cordas”. O título em português, “Salmos”, deriva da Septuaginta. 
A música desempenhava papel de importância no culto do antigo Israel (cf. Sl 149; 150; 1 Cr 15.16-22); os salmos eram os hinos do povo de Israel. Bem diferente de boa parte da poesia e do cântico do mundo ocidental, compostos com rima ou metrificação, a poesia e o cântico do AT tem por base o paralelismo de pensamento, em que a segunda linha (ou linhas sucessivas) da estrofe praticamente faz uma reiteração (paralelismo sinônimo), ou apresenta um contraste (paralelismo antitético), ou, de modo progressivo, completa (paralelismo sintético) a primeira linha. Todas as três formas de paralelismo caracterizam o Saltério. O salmo mais antigo conhecido vem de Moisés, no século XV a.C. (Sl 90); os mais recentes provêm dos séculos VI e V a.C. (e.g., Sl 137). A maioria dos salmos, no entanto, foi escrita no século X a.C., durante a era áurea da poesia em Israel. Os títulos descritivos que precedem a maioria dos salmos, embora não pertençam ao texto original, logo não inspirados, são muito antigos (anteriores à Septuaginta) e importantes. O conteúdo desses títulos varia, e forma diferentes grupos de salmos, como (1) o nome do autor (e.g., Sl 47, “Salmo... entre os filhos de Corá”); (2) o tipo de salmo (e.g., Sl 32, um “masquil”, que significa uma poesia para meditação ou ensino); (3) termos musicais (e.g., Sl 4, “Para o cantor-mor, sobre Neguinote [instrumentos de cordas]”); (4) notações litúrgicas (e.g., Sl 45, “Cântico de amor”, i.e., um cântico para casamento); e (5) breves notações históricas (e.g., Sl 3, “Salmo de Davi, quando fugiu... de Absalão, seu filho”). (N do E — Em quase todas as Bíblias atuais, dependendo da agência publicadora e da respectiva versão e edição, cada salmo traz, antes de tudo, uma epígrafe (ou título), elaborada por essas agências. É evidente que essas epígrafes (bem como as demais através de Bíblia) não são inspiradas. No tocante à autoria dos salmos, os títulos atribuem setenta e três deles a Davi, doze a Asafe (um levita com dons relacionados à música e à profecia, ver 1 Cr 15.16-19; 2 Cr 29.30), dez aos filhos de Corá (uma família talentosa na música), dois a Salomão, um a Hemã, um a Etã e um a Moisés. Com exceção de Moisés, Davi e Salomão, todos os outros autores mencionados eram sacerdotes 
ou levitas com vocação musical e com responsabilidades no culto sagrado durante o reinado de Davi. Cinqüenta salmos são anônimos. As referências bíblicas e históricas sugerem que Davi (cf. 1 Cr 15.16-22), Ezequias (cf. 2 Cr 29.25-30; Pv 25.1) e Esdras (cf. Ne 10.39; 11.22; 12.27-36, 45-47) participaram, em suas respectivas épocas, da compilação dos salmos para o uso no culto público em Jerusalém. A compilação final do Saltério deu-se mais provavelmente nos dias de Esdras 
e de Neemias (450-400 a.C.).
Propósito
Os salmos, como orações e louvores inspirados pelo Espírito, foram escritos para, de modo geral, expressarem as mais profundas emoções íntimas da alma em relação a Deus. (1) Muitos foram escritos como orações a Deus, como expressão de (a) confiança, amor, adoração, ação de graças, louvor e anelo por maior comunhão com Deus; (b) desânimo, intensa aflição, medo, ansiedade, humilhação e clamor por livramento, cura ou vindicação. (2) Outros foram escritos como cânticos de louvor, ação de graças e adoração, exaltando a Deus por seus atributos e pelas grandes coisas que Ele tem feito. (3) Certos salmos contêm importantes trechos messiânicos. 
Visão Panorâmica
Saltério, uma antologia de 150 Salmos, abarca ampla gama de temas, inclusive revelações a respeito de Deus, da criação, da raça humana, do pecado e do mal, da justiça e da santidade, da adoração e do louvor, da oração e do juízo. Alude a Deus de modo ricamente variado: como fortaleza, rocha, escudo, pastor, guerreiro, criador, rei, juiz, redentor, sustentador, aquele que cura e vingador; Deus expressa amor, ira e compaixão; Ele é onipresente, onisciente e onipotente. O povo de Deus é também descrito de várias maneiras: como a menina dos olhos de Deus, ovelhas, santos, retos e justos que Ele livrou do lamaçal escorregadio do pecado e pôs seus pés na rocha, dando-lhes um cântico novo. Deus dirige os seus passos, satisfaz seus anseios espirituais, perdoa todos os seus pecados, cura todas as suas enfermidades e lhes provê uma habitação eterna. Um bom método para estudar o livro é fazê-lo pelas categorias classificatórias dos salmos (algumas 
dessas categorias se sobrepõem parcialmente). (1) Cânticos de Aleluia ou de Louvor: engrandecem o nome, a majestade, a bondade, a grandeza e a salvação de Deus (e.g., Sl 8; 21; 33; 34; 103—106; 111; 113; 115; 117; 135; 145; 150). (2) Cânticos de Ação de Graças: reconhecem o socorro e livramento divinos, em muitas ocasiões, em favor do indivíduo ou de Israel como nação (e.g., Sl 18; 30; 34; 41; 66; 100; 106; 116; 126; 136; 138). (3) Salmos de Oração e Súplica: incluem lamentos e petições diante de Deus, sede de Deus e intercessão em favor do seu povo (e.g., Sl 3; 6; 13; 43; 54; 67; 69—70; 79; 80; 85—86; 88; 90; 102; 141; 143). (4) Salmos Penitenciais: enfocam o reconhecimento e confissão do pecado (e.g., Sl 32; 38; 51; 130). (5) Cânticos da História Bíblica: narram como Deus lidou com a nação de Israel (e.g., Sl 78; 105; 106; 108; 114; 
126; 137). (6) Salmos da Majestade Divina: declaram convictamente que “o Senhor reina” (e.g., Sl 24; 47; 93; 96—99). (7) Cânticos Litúrgicos: compostos para cultos ou eventos festivos especiais (e.g., Sl 15; 24; 45; 68; 113—118; estes seis últimos eram cantados anualmente na Páscoa). (8) Salmos de Confiança e de Devoção: expressam (a) a confiança que o crente tem na integridade de Deus e no conforto da sua presença e (b) a devoção da alma a Deus (e.g., Sl 11; 16; 23; 27; 
31—32; 40; 46; 56; 62—63; 91; 119; 130—131; 139). (9) Cânticos de Romagem: também chamados “Cânticos de Sião” ou “Cânticos dos Degraus”. Eram cantados pelos peregrinos, a caminho de Jerusalém para celebrarem as festas anuais da Páscoa, de Pentecoste e dos Tabernáculos (e.g., Sl 43; 46; 48; 76; 84; 87; 120—134). (10) Cânticos da Criação: reconhecem a 
obra de Deus na criação dos céus e da terra (e.g., Sl 8; 19; 33; 65; 104). (11) Salmos Sapienciais e Didáticos (e.g., Sl 1; 34; 37; 73; 112; 119; 133). (12) Salmos Régios ou Messiânicos: descrevem certas experiências do rei Davi ou Salomão com significado profético, cujo cumprimento pleno terá lugar à vinda do Messias, Jesus Cristo (e.g., Sl 2; 8; 16; 22; 40; 41; 45; 68; 69; 72; 89; 102; 110; 118). (13) Salmos Imprecatórios: invocam a maldição ou condenação divina sobre os ímpios (e.g., 
Sl 7; 35; 55; 58; 59; 69; 109; 137; 139.19—22). Muitos crentes ficam perplexos quanto a estes salmos, porém, deve-se observar que eles foram escritos por zelo pelo nome de Deus, por sua justiça e sua retidão, e por intensa aversão à iniqüidade, e não por simples vingança. Em suma: clamam a Deus para Ele elevar os justos e abater os ímpios. 
Características Especiais
Nove características principais assinalam o livro de Salmos. (1) É o maior livro da Bíblia, e contém o capítulo mais extenso (119.1-176), o capítulo mais curto (117.1,2) e o versículo central da Bíblia (118.8). (2) É o hinário e livro devocional dos hebreus, e a sua profundidade e largueza espirituais fazem com que este livro seja o mais lido e estimado do AT, pela maioria dos crentes. (3) “Aleluia” (traduzido por “louvai ao Senhor” em algumas Bíblias), um termo hebraico universalmente conhecido pelos cristãos. Ele ocorre vinte e oito vezes na Bíblia, sendo que vinte e quatro estão no 
livro de Salmos. O Saltério chega ao seu auge no Sl 150, com uma manifestação de louvor completo, harmonioso e perfeito ao Senhor. (4) Nenhum outro livro da Bíblia expressa tão bem a gama inteira das emoções e necessidades humanas em relação a Deus e à vida humana. Suas expressões de louvor e devoção fluem dos picos mais altos, da comunhão com Deus, e seus brados de desespero ecoam dos vales mais profundos do sofrimento. (5) Cerca de metade dos salmos consiste de orações de fé em tempos de tribulação. (6) É o livro do AT mais citado no NT. (7) Contém muitos dos “capítulos prediletos” da Bíblia, como Sl 1; 23; 24; 34; 37; 84; 91; 103; 119; 121; 139; e 150. (8) O Sl 119 é único na Bíblia por: (a) seu tamanho (176 versículos), (b) seu grandioso amor à Palavra de Deus; e (c) sua estrutura literária que compreende vinte e duas estrofes de oito versículos cada, sendo que dentro de cada estrofe, cada versículo inicia com a mesma letra, segundo a ordem das 22 letras do alfabeto hebraico, formando um acróstico alfabético. (9) A característica literária principal do livro é um estilo poético chamado paralelismo, que utiliza mais o ritmo dos pensamentos do que o ritmo da rima ou da métrica. Esta característica possibilita a tradução da sua mensagem de um idioma para outro sem muita dificuldade. 
O Livro de Salmos ante o NT
Há 186 citações dos salmos no NT, o que ultrapassa qualquer outro livro do AT. É fato claro que Jesus e os escritores do NT conheciam muito bem os salmos, e que o Espírito Santo usou muitas passagens do livro nos ensinos de Jesus, bem como em ocasiões em que Ele cumpriu as Escrituras como o Messias predito: por exemplo, o breve Salmo 110 (com sete versículos) é mais citado no NT do que qualquer outro capítulo do AT. Ele contém profecias sobre Jesus como o Messias, 
como o Filho de Deus e como sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque. Outros salmos messiânicos referentes a Jesus no NT são: 2; 8; 16; 22; 40; 41; 45; 68; 69; 89; 102; 109 e 118. Referem-se a: (1) Jesus como profeta, sacerdote e rei; (2) sua primeira e sua segunda vinda; (3) sua qualidade de Filho de Deus e seu caráter; (4) seus sofrimentos e morte expiatória; e (5) sua ressurreição. Resumindo: os salmos contêm algumas das profecias mais minuciosas de todo o AT a respeito de Cristo e, a cada passo, vemo-las fartamente entretecidas na mensagem dos escritores do NT.
IV. O LIVRO DE CANTARES DE SALOMÃO
1. Título e autoria. 
2. Conteúdo. 
3. Sua inclusão no cânon sagrado. 
Esboço
Título (1.1)
I. O Primeiro Poema: O Anelo da Noiva pelo Noivo (1.2—2.7)
A. A Expressão do Anelo da Noiva (1.2-4a)
B. O Apoio das Amigas da Noiva (1.4b)
C. A Pergunta da Noiva (1.5-7)
D. O Conselho das Amigas da Noiva (1.8)
E. A Presença e a Fala do Noivo (1.9-11)
F. O Amor Mútuo entre a Noiva e o Noivo (1.12—2.7)
II. O Segundo Poema: A Busca e o Encontro dos Dois Amados (2.8—3.5)
A. A Noiva Percebe a Vinda do Noivo (2.8,9)
B. Os Pedidos do Noivo (2.10-15)
C. O Amor Irrestrito da Noiva pelo Noivo (2.16,17)
D. A Perda e o Achado do Noivo (3.1-5)
III. O Terceiro Poema: O Cortejo Nupcial (3.6—5.1)
A. A Aproximação do Noivo (3.6-11)
B. O Amor do Noivo pela Noiva (4.1-15)
C. A Reunião dos Noivos (4.16—5.1)
IV. O Quarto Poema: A Noiva Teme Perder o Noivo (5.2—6.3)
A. O Sonho da Noiva (5.2-7)
B. A Noiva e Suas Amigas Conversam sobre o Noivo (5.8-16)
C. O Lugar Onde Encontra-se o Noivo (6.1-3)
V. O Quinto Poema: A Formosura da Noiva (6.4—8.4)
A. A Descrição da Noiva pelo Noivo (6.4-9)
B. O Noivo e Seus Amigos Conversam sobre a Noiva (6.10-13)
C. Outras Descrições da Noiva (7.1-8)
D. O Amor da Noiva pelo Noivo (7.9—8.4)
VI. O Sexto Poema: A Suprema Beleza do Amor (8.5-14)
A. A Intensidade do Amor (8.5-7)
B. O Desenvolvimento do Amor (8.8,9)
C. O Contentamento do Amor (8.10-14)
Autor:  Salomão  -  Tema: O Amor Conjugal  -  Data:  Cerca de 960 a.C.
Considerações Preliminares
O título hebraico deste livro pode ser traduzido literalmente por “O Cântico dos Cânticos”, expressão esta que significa “O Maior Cântico” (assim como “Rei dos reis” significa “O Maior Rei”). É portanto, o maior cântico nupcial já escrito.
Salomão foi um escritor prolífico de 1005 cânticos (1 Rs 4.32). Seu nome consta no versículo inicial, que também fornece o título do livro (1.1), e em seis outros trechos do livro (1.5; 3.7,9,11; 8.11,12). O escritor também identifica-se com o noivo; é possível que o livro tenha sido originalmente uma série de poemas trocados entre ele e a noiva. Os oito capítulos do livro fazem referência a pelo menos quinze espécies diferentes de animais e vinte e uma espécies de plantas. Esses dois campos foram investigados e mencionados por Salomão em numerosos outros cânticos (1 Rs 4.33). Finalmente, há referências geográficas no livro de lugares de todas as partes da terra de Israel, o que sugere que o livro foi composto antes da divisão da nação em Reino do Norte e Reino do Sul. Salomão deve ter composto este livro no início do seu reinado, muito antes de sua execrável poligamia. 
Liturgicamente, Cantares de Salomão veio a ser um dos cinco rolos da terceira parte da Bíblia hebraica, os Hagiographa (“Escritos Sagrados”). Cada um desses rolos era lido publicamente numa das festas anuais dos judeus. Este era lido na Festa da Páscoa. 
Propósito
Este livro foi inspirado pelo Espírito Santo e inserido nas Escrituras para ressaltar a origem divina da alegria e dignidade do amor humano no casamento. O livro de Gênesis revela que a sexualidade humana e casamento existiam antes da queda de Adão e Eva no pecado (Gn 2.18-25). Embora o pecado tenha maculado essa área importante da experiência humana, Deus quer que saibamos que a dita área da vida pode ser pura, sadia e nobre. Cantares de Salomão, portanto, oferece um modelo correto entre dois extremos através da história: (1) o abandono do amor conjugal para a adoção da perversão sexual (i.e., conjunção carnal de homossexuais ou de lésbicas) e prática heterossexual fora do casamento e (2) uma abstinência sexual, tida (erroneamente) como o conceito cristão do sexo, que nega o valor positivo do amor físico e normal conjugal.
Visão Panorâmica
Não é fácil analisar o conteúdo de Cantares de Salomão. Ao invés de ele avançar de modo sistemático e lógico, do primeiro ao último capítulo, movimenta-se numa série de círculos interligados, que por sua vez giram em torno do tema central — o amor. Como cântico, tem seis estrofes ou poemas, cada uma das quais trata de determinado aspecto do amor de noivado, ou do amor conjugal entre Salomão e sua noiva (1.2—2.7; 2.8—3.5; 3.6—5.1; 5.2—6.3; 6.4—8.4; 8.5-14). O estado virgem da noiva é descrito pela expressão “jardim fechado” (4.12), e a consumação do casamento como entrar no jardim para colher seus frutos excelentes (4.16; 5.1). A maioria dos diálogos transcorrem entre três tipos de personagens: a noiva (uma donzela sulamita); o noivo, o rei Salomão; e um grupo de amigas da noiva e do noivo chamadas “filhas de Jerusalém”. Quando a noiva e o noivo estão juntos, sentem-se plenamente felizes; quando estão longe, anseiam pela presença um do outro. O apogeu literário de Cantares de Salomão acha-se em 8.6,7. 
Características Especiais
Quatro características principais assinalam Cantares de Salomão. (1) É o único livro na Bíblia que trata exclusivamente do amor especificamente conjugal. (2) É uma obra-prima incomparável da literatura, repleta de linguagem imaginativa; discreta, mas realista; tomada principalmente do mundo da natureza. As várias metáforas e a linguagem descritiva retratam a emoção, poder e beleza do amor romântico e conjugal, que era puro e casto entre os judeus, o povo de Deus dos tempos bíblicos. (3) É um dos poucos livros do AT de que não se faz referência no NT. (4) Neste livro, consta apenas uma vez o nome de Deus, em 8.6, mas a inspiração divina permeia o livro, principalmente nos seus símbolos e figuras.
O Livro de Cantares ante o NT
(1) Cantares de Salomão prenuncia um tema do NT revelado ao escritor de Hebreus: “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula” (Hb 13.4). O cristão pode e deve desfrutar do amor romântico e conjugal. (2) Muitos intérpretes do passado abordam este livro primordialmente como uma alegoria profética do amor entre Deus e Israel, ou entre Cristo e a igreja, sua noiva. O NT não se refere a Cantares de Salomão sobre este aspecto, nem faz referência a este livro. Por outro lado, vários trechos básicos do NT descrevem o amor de Cristo à igreja sob a figura do relacionamento marital (e.g., 2 Co 11.2; Ef 5.22,23; Ap 19.7-9; 21.1,2,9). Daí, pode-se considerar Cantares de Salomão uma ilustração da qualidade de amor existente entre Cristo e a sua noiva, a igreja. É um amor indiviso, devotado e estritamente pessoal, ao qual nenhum estranho tem acesso.
 
CONCLUSÃO
A poesia, no Antigo Testamento, abrange as narrativas e os discursos proféticos. No Novo Testamento a poesia é rara. Dificilmente alguém escreve poesia numa segunda língua; é mais corrente escrevê-la na língua pátria. Isso talvez justifique essa escassez, pois o grego, com exceção de Lucas, era a segunda língua dos escritores do Novo Testamento.
Questionário de Ev. Luiz Henrique www.henriqueestudos.cjb.net 
 
Texto Áureo:
1- Quais foram as últimas palavras de Davi? (2 Sm 23.1)
"Diz Davi, filho de ______________, e diz o homem que foi ____________________em altura, o ungido do _________________ de Jacó, e o suave em _________________ de Israel "
Verdade Prática:
2- A que se relacionam os Salmos em nossa vida diária pessoal?
(     ) Bens Materiais       (    ) Devoção ao Senhor     (     ) Comunhão com os Ímpios
3- Introdução:
3- Por que os livros poéticos são assim chamados?
(     ) Pela predominância da poesia em sua estrutura  (     ) São Poesias de Enamorados  (     ) Realeza em seus versos
4- As poesias Bíblicas além de serem também narrativas e profecias, foram produzidas por quem?
(     ) Inspiração dos Poetas Maiores     (     ) Inspiração dos Reis     (     ) Inspiração divina
Tópico I - A Poesia Hebraica:
5- Qual a principal facilidade da Poesia para o povo?
(     ) A Facilidade em memorizar     (     ) Fazer Casamentos     (     ) Apaixonar Casais
6- Qual a principal característica da poesia Hebraica?
(     ) A Rima      (     ) A Métrica     (     ) A Estrofe     (     ) O Paralelismo
7- Dê exemplo de Paralelismo: Coloque "V" ou "F"
(     ) Repetir um pensamento em outras palavras    (    )Traçar um paralelo entre o bem e mal  (      ) Marcar um profundo contraste com a idéia principal      (     ) trocar consoantes por vogais
8- Em que está a ênfase ou importância do termo Acróstico?
(     ) Uso das 20 Letras Hebraicas   (     ) Uso das 22 Letras Hebraicas   (     ) Uso das 24 Letras Hebraicas
Tópico II - O Saltério de Israel:
9- Qual o significado do título Salmos em Hebraico (T'hilim)?
(     ) Adoradores      (     ) Louvores     (     ) Cânticos sagrados
10- De quem são a maioria dos Salmos? Cite pelo menos três autores:
(     ) Davi, Asafe e Corá     (     ) Davi, Asafe e Salomão     (     ) Davi, Asafe e Coré
11- Qual o tipo de comunicação usada nos Salmos?
(     ) De DEUS para os Homens     (     ) Dos Homens para DEUS     (     ) Unilateral
12- Do que falam os Salmos Messiânicos, ou seja: O que falam a respeito do Messias?
(     ) Alegria, Ressurreição e Ascenção(     ) Sofrimento, Ressurreição e Ascenção(     ) Sofrimento, Milagres e Ascenção
Tópico III- Estrutura dos Salmos:
13- Quem reuniu os Salmos de forma ordenada?
(     ) Davi     (     ) Salomão     (     ) Neemias      (      ) Esdras      (      ) Asafe
14- Em quantos grupos de livros estão divididos os Salmos?
(     ) 3     (     ) 5     (     ) 7     (     ) 9      (     ) 11
15- O que está contido no último livro dos Salmos?
(     ) O Cântico dos Sacerdotes e os Louvores Excelsos     (     ) O Cânticos dos Degraus e os Salmos de Aleluia
16- São quantos os Salmos na Septuaginta?
(     ) 149     (     ) 150     (     ) 151    (     ) 152     (     ) 153     (     ) 155
17- Por qual outro nome são chamados os Salmos Cânticos dos Degraus?
(     ) Cânticos dos Peregrinos     (     ) Cânticos dos Músicos      (     ) Cânticos dos Moribundos
18- Por que os Salmos Cânticos dos Degraus são denominados em hebraico Cânticos de Subida ou Elevação ou Ascensão?
(     ) Referência a 10 Degraus ao pátio superior do templo (      ) Referência a 15 Degraus ao pátio superior do templo
Tópico IV - O Livro de Cantares de Salomão:
19- Qual o autor e o que significa o nome Cantares?
(     ) Davi, significando seu nome Alegria (     ) Salomão, Cântico dos Cânticos (     ) Salomão, Cânticos para uma Rainha
20- Para quem foi dirigido este livro?
(     ) Para a rainha Bate-Seba      (     ) Para a Rainha de Susã      (     ) Para a esposa de Salomão, Sulamita
21- Qual simbolismo podemos propor ao lermos o livro de Cantares?
(     ) DEUS e os ímpios     (     ) JESUS e a Igreja     (     ) JESUS e os Judeus
22- Por que o livro de Cantares quase não foi incluído no Cânon Judaico?
(      ) Por não conter referência à pessoa Do Todo Poderoso  (    ) Por ser indecente  (    ) Por ser de má qualidade poética

 

Questionário da Revista:
1. Por que a poesia se destaca na literatura?
 
2. Quem é o “mavioso” salmista de Israel?
 
3. Quando eram entoados os Cânticos dos Peregrinos?
 
4. O que tipifica o casal do livro de Cantares, no Novo Testamento?
 
5. Por que a poesia é menos freqüente no Novo Testamento?
 
 Ajuda 
***Bíblia de Estudos Pentecostal - CPAD ***Revista Jovens e Adultos 2º Trimestre - CPAD  ** www.ebd.com.br 
CD da Revista Jovens e Adultos 2º Trimestre - CPAD ***www.altavista.com.br *** www.escoladominical.com.br *
Entre em http://www.salmosonline.ubbi.com.br/     e estude os Salmos 
Colaboração do Ev. Luiz Henrique de Almeida Silva
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