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Esperança na Lamentação - Pr. Adilson Guilhermel

LIÇÃO 13 - ESPERANÇA NA LAMENTAÇÃO

Texto Áureo: Lamentações 3.22. “As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos; porque as suas misericórdias não têm fim”

Leitura Bíblica em Classe: Lamentações 1.1-5,12

DEUS, ESPERANÇA DO CHORO NOTURNO VIRAR ALEGRIA NA MANHÃ

1. SUA MISERICÓRDIA É PRESENTE EM SEUS JUÍZOS

  • Os juízos divinos vem pelo que semeamos - Lamentações 1.1 Como se acha solitária aquela cidade dantes tão populosa! Tornou-se como viúva a que foi grande entre as nações; e princesa entre as províncias tornou-se tributária! - Gálatas 6.7 Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.
  • Os juízos divinos vem pela desobediência - Lamentações 1.2 Continuamente chora de noite, e as suas lágrimas correm pelas suas faces; não tem quem a console entre todos os seus amadores; todos os seus amigos se houveram aleivosamente com ela, tornaram-se seus inimigos. Jeremias 29.19 Porquanto não deram ouvidos às minhas palavras, diz o SENHOR, mandando-lhes eu os meus servos, os profetas, madrugando e enviando; mas vós não escutastes, diz o SENHOR..
  • Os juízos divinos vem pelas indiferenças - Lamentações 1.3 Judá passou ao cativeiro por causa da aflição e por causa da grandeza da sua servidão; habita entre as nações, não acha descanso; todos os seus perseguidores a surpreenderam nas suas angústias. Jeremias 32.33 E viraram-me as costas, e não o rosto; ainda que eu os ensinava, madrugando e ensinando-os, contudo eles não deram ouvidos, para receberem o ensino.

2. SUA MISERICÓRDIA É AMOROSA QUANDO CORRIGE

  • Suas correções mostram quanto é triste viver sem Ele - Lamentações 1.4 Os caminhos de Sião pranteiam, porque não há quem venha à reunião solene; todas as suas portas estão desoladas; os seus sacerdotes suspiram; as suas virgens estão tristes, e ela mesma tem amargura - Salmos 137.1 Junto dos rios de babilônia, ali nos assentamos e choramos, quando nos lembramos de Sião.
  • Suas correções mostram os efeitos do jugo inimigo - Lamentações 1.5 Os seus adversários a dominaram, os seus inimigos prosperam; porque o SENHOR a entristeceu, por causa da multidão das suas prevaricações; os seus filhinhos vão em cativeiro na frente do adversário. Êxodo 6.6 Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou o SENHOR, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, e vos livrarei da servidão, e vos resgatarei com grandes juízos.
  • Suas correções mostram o resultado da nossa dureza - Lamentações 1.12 Não vos comove isso, a todos vós que passais pelo caminho? Atendei e vede se há dor como a minha dor, que veio sobre mim, com que me entristeceu o SENHOR, no dia do furor da sua ira. - Apocalipse 3.19 Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te.

3. SUA MISERICÓRDIA É VISTA EM NOVOS COMEÇOS

  • A severidade divina movida pelo seu amor leva a recomeços - Jeremias 27.22 Å babilônia serão levados, e ali ficarão até o dia em que eu os visitarei, diz o SENHOR; então os farei subir, e os tornarei a trazer a este lugar. Salmo 126.1 Quando o SENHOR trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham.
  • Os recomeços devem ser visto como uma nova oportunidade - Esdras 9.13 E depois de tudo o que nos tem sucedido por causa das nossas más obras, e da nossa grande culpa, porquanto tu, ó nosso Deus, impediste que fôssemos destruídos, por causa da nossa iniqüidade, e ainda nos deste um remanescente como este. Lucas 15.22 Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa; e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão, e alparcas nos pés;
  • Uma nova oportunidade não nos garante que haverá outras - Esdras 9.14 Tornaremos, pois, agora a violar os teus mandamentos e a aparentar-nos com os povos destas abominações? Não te indignarias tu assim contra nós até de todo nos consumir, até que não ficasse remanescente nem quem escapasse? João 8.11 E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.

Elaborado pelo Pr Adilson Guilhermel

Publicado no site Esboços da EBD

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    rogerio
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    rogerio
    Escreveu:

    desculpem-me irmaos por três vezes tentei mandar o esboço e nao sei por qual motivo o mesmo não foi enviado, creio que por o mesmo ser um tanto extenso o word apresentou erro na hora do envio.
    perdoem-me não houve qualquer pretensão da minha parte de enviar coisas em branco, até por que nem apareceria o nome:rogerio escreveu. que Deus abençoe a todos em nome de Jesus,amém


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    rogerio
    Escreveu:

    .
    - Esta obra do profeta reflete toda a sua tristeza por causa do juízo divino que ele própria vaticinara durante 40 anos e 6 meses. Infelizmente, o povo de Judá não atentara para as mensagens divinas que o conclamavam ao arrependimento e, por isso, o juízo avisado ocorreu, morrendo a esmagadora maioria do povo por conta da espada, da peste e da fome. A desolação chegara a Jerusalém e o profeta, que fora poupado da destruição, como o Senhor o prometera (Jr.1:19), em vez de se vangloriar pelo cumprimento de suas profecias, que confirmavam ser ele um profeta verdadeiro, chora por seu povo e, inspirado pelo Espírito Santo, deixa-nos o “choro da Bíblia”, que é o livro de Lamentações.
    - Apesar de ser um “treno”, ou seja, um “poema em que se faz um profundo lamento”, um “choro literário”, o livro de Lamentações também traz uma profunda esperança de restauração do povo. Jeremias crera na mensagem que proferira durante todos aqueles anos e, assim como via e presenciava a destruição, sabia que Deus também haveria de cumprir as promessas de restauração.
    - O livro de Lamentações foi redigido depois da destruição de Jerusalém e do templo, pois seu conteúdo revela, precisamente, a dor do profeta ao ver as cenas desoladoras decorrentes desta destruição, que o profeta descreve ao longo de sua redação. Isto nos mostra que Jeremias escreveu o livro quando ainda se encontrava em Jerusalém após todos estes fatos, o que nos permite fixar a data do livro no primeiro ano após estes episódios, antes mesmo de Jeremias ser levado, forçadamente, para o Egito, o que se deu após a morte de Gedalias, que governou sobre os judeus remanescentes num espaço de sete a oito meses. Edward Reese, organizador da Bíblia em ordem cronológica, situa o livro de Lamentações entre Jr.52:25-27 e II Rs.25:22-24.
    - O livro de Lamentações é chamado em hebraico de “Echá” ou “ „Eykah” (???? ) e faz parte dos chamados “Cinco Rolos” (“Meguillot”), livros que são lidos integralmente em ocasiões especiais pelos judeus. Lamentações é “…lido na sinagoga na noite e na manhã de Tishá Beav
    (dia 9 do mês de Av), uma data marcada por múltiplas tragédias em nossa história. Nessa data, depois que 10 dos 12 espiões enviados por Moisés para espiar a Terra Prometida voltaram e difamaram a Terra de Israel, foi decretado por Deus que aquela geração pereceria no deserto. Nela ocorreu tanto a destruição do Primeiro como do Segundo Templo de Jerusalém. A cidade de Betar foi conquistada pelos romanos e toda a sua população assassinada também nesta data. Nela, ainda, Turnus-Rufus [um dos comandantes romanos do exército de Tito, que destruiu Jerusalém e o Segundo Templo, no ano 70, observação nossa] passou um arado sobre o local onde se erguiam os Templos. A Inquisição, na Espanha, atingiu seu clímax nesta data, quando Dom Isaac Abravanel, conduzindo 75.000 judeus, partiu para o exílio, pois esta era a data limite para deixarem a Espanha ou serem mortos por não aceitarem a conversão ao cristianismo. Em 1914, foi em Tishá Beav que teve início a Primeira Guerra Mundial, que provocou a morte de milhares de judeus de ambos os lados e deu margem à sucessão dos acontecimentos que conduziram à ascensão de Hitler e ao Holocausto…” (MELAMED, Meir Matzliah. Torá: a lei de Moisés, pp.662-3).
    OBS: O nome hebraico do livro, como costuma ocorrer, é a primeira palavra do texto, ou seja, “?eykah”, i.e., “como”.
    - Lamentações é um livro composto de cinco poemas, cada um formando um dos capítulos do livro (a divisão em capítulos, sabemos todos, foi feita na Bíblia Sagrada apenas entre os séculos XI e XIII por Lanfranc (1005-1089), Stephen Langton(1150-1215) e Hugo de Sant-Cheir – 1200-1263). Os quatro primeiros poemas são alfabéticos, ou seja, cada versículo (que é cada verso de cada poema) começa com uma letra do alfabeto hebraico e, por isso, os capítulos, exceto o 3, têm 22 versículos e o capítulo 3, 66 versículos (22×3), pois são 22 as letras do alfabeto hebraico. Esta forma de composição, além de demonstrar a profundidade da inspiração do autor e sua genialidade, revelam-se o objetivo de mostrar uma totalidade, um alcance do começo ao fim, o absoluto controle divino sobre tudo quanto se lamenta no livro, pois não é por outro motivo que o Senhor Se identifica como “o princípio e o fim”, “o Alfa e o Ômega” (Ap.1:8; 21:6; 22:13), expressões que, embora se refiram ao alfabeto grego (visto que constantes do Novo Testamento) são em tudo aplicáveis ao Antigo Testamento.
    - Segundo a Bíblia de Estudo Dake (que, como temos dito, é importante fonte de pesquisas, embora seus conteúdos doutrinários devam ser vistos com muita, mas muita reserva), o livro de Lamentações possui 5 capítulos, 154 versículos, 2 versículos de profecia (4:21,22, tendo sido cumprida parcialmente, faltando o final do v.22), 13 perguntas, 3 ordens, nenhuma promessa, 2 profecias e nenhuma mensagem distinta de Deus.
    - A autoria de Jeremias é atestada na Septuaginta (a versão grega do Antigo Testamento), cujo início do livro assim diz: “E aconteceu que, depois de Judá ser levado cativo e Jerusalém ficar desolada, Jeremias sentou-se chorando e pranteou com esta lamentação sobre Jerusalém e disse…”. Apesar do silêncio do texto hebraico, a tradição judaica sempre atribuiu a obra a Jeremias, até porque é ele a personagem única que poderia compor esta obra naquelas circunstâncias, sendo ademais presentes muitos termos e ideias constantes do livro do profeta Jeremias. Os “críticos bíblicos”, ademais, apesar de sua costumeira incredulidade, aceitam que a obra é de autoria única.
    - O livro de Lamentações de Jeremias, por fim, é que deu ao profeta o seu epíteto de “profeta das lágrimas”, mas, como bem analisado pelo ilustre comentarista, a mensagem de esperança que se tem em meio a este lamento inspirado também nos permite ver em Jeremias “o profeta da esperança”. Neste lamento literário, Jeremias, uma vez mais, apresenta-se como tipo de Cristo que também chorou sobre Jerusalém um pouco antes de ali entrar para ser rejeitado e morto pelos judeus, choro este que antevia a destruição do Segundo Templo e a dispersão do povo (Lc.19:41-44).


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    rogerio
    Escreveu:

    II – JEREMIAS LAMENTA SOBRE JERUSALÉM
    - O primeiro poema de Lamentações é uma profunda lamentação do profeta sobre Jerusalém. Começa Jeremias contemplando a cidade destruída e exclama: “Como se acha solitária aquela cidade dantes tão populosa! Tornou-se como viúva a que foi grande entre as nações e princesa entre as províncias, tornou-se tributária!” (Lm.1:1). O juízo havia vindo sobre Jerusalém e ela tinha deixado de ser não só capital de um reino independente, como até mesmo deixado de ser uma cidade, visto que não mais população possuía.
    - O juízo divino, quando vem, cumpre-se integralmente. Os judaítas, durante 40 anos e 6 meses, não haviam crido nas palavras do profeta e agora Jerusalém era um lugar desolado, inabitado e o poder político ali existente totalmente destruído. Cuidado, amados, pois, se também não atentarmos às mensagens divinas de advertência destes últimos dias, ficaremos como Jerusalém: desolados e sem poder. Deus nos guarde!
    - O quadro descrito do povo judaíta é desolador: Jerusalém chorava de dia e de noite, sem que houvesse consolo ou consolador, encontrava-se abandonada sem amigos, não tem descanso, por causa de sua aflição e da grandeza da sua servidão. Não há mais reuniões solenes, os sacerdotes suspiram, as virgens estão tristes e a cidade tem amargura. A glória de Sião foi-se e veio a instabilidade como consequência de seus pecados. Jerusalém passou a ser desprezada, o inimigo se engrandeceu e estendeu a sua mão sobre todas as coisas mais preciosas (Lm.1:2-8).
    - O povo estava faminto, tornou-se desprezível, estava prostrado sem condições de qualquer reação, sofrendo o jugo das suas prevaricações. Por esta causa, somente havia choro e o consolador se afastara do povo, não restaurando a sua alma. Tudo isto revelava a justiça divina, porque havia ocorrido a rebelião contra os mandamentos do Senhor (Lm.1:9-18).
    - O povo estava desolado e aqueles que deveriam orientá-lo, os sacerdotes e anciãos, haviam sucumbido quando buscavam para si próprios mantimento. A rebelião trouxera a morte para dentro de Jerusalém e de Judá, num suspiro que não tinha consolação, num coração desfalecido (Lm.1:19-22).
    - Este quadro trágico e triste mostrado pelo profeta deve servir-nos de alerta e advertência para que nos mantenhamos fiéis ao Senhor nestes últimos momentos da dispensação da graça. O povo que se manteve na apostasia teve uma derrota completa e irreversível: estamos totalmente dominados pelo inimigo, não tinham consolação nem orientação, pagavam justamente pela rebelião de seus pecados.
    - Assim como ocorreu nos dias de Jeremias, também ocorrerá na vinda do Filho do homem, no arrebatamento da Igreja. Os que se mantiverem rebeldes ao Senhor, apesar das mensagens de arrependimento que estão sendo pregadas nestes momentos imediatamente anteriores ao fim do tempo da graça, padecerão assim como Judá e Jerusalém descritos no livro de Lamentações.
    - Jesus disse, dirigindo-se à igreja de Laodiceia, que é a figura desta igreja apóstata, que será vomitada pelo Senhor no dia do arrebatamento, que ela era desgraçada, miserável, pobre, cega e nua (Ap.3:17). Não é uma situação diferente daquela que via o profeta diante de seus olhos logo após a chegada do juízo divino sobre Judá.
    - O povo de Judá estava chorando dia e noite e não tinha quem o consolasse. O consolador, aliás, afastara-se do povo, impedindo a restauração da sua alma (Lm.3:16). Que circunstância é esta senão a desgraça mencionada por Nosso Senhor à igreja de Laodiceia? A “desgraça” nada mais é que a falta de graça e a graça é quem traz salvação a todos os homens (Tt.2:11). Um povo “desgraçado” é um povo que, apesar de seu choro e de suas lágrimas, não consegue alcançar a salvação, o consolo, porque o consolador dele se retirou, nele já não mais opera. Porventura, não é o que ocorrerá com os que, apostatando da fé, não se arrependerem até o dia da vinda do Senhor? Como Esaú, por sua fornicação e profanidade, suas lágrimas não encontrarão lugar de arrependimento (Hb.12:16).
    - O quadro descrito pelo profeta é desolador e não nos iludamos: se não atentarmos para a salvação em Cristo Jesus, certamente estaremos na mesma situação espiritual. Teremos a retirada do Espírito Santo, algo que foi tão temido por Davi (Sl.51:11), não vindo mais a ter a alegria da salvação, mas ingressando num torpor espiritual no qual a morte entrará em nós para de lá nunca mais sair (Lm.1:20).
    - Além da desgraça, o povo judaíta experimentava também a miséria e a pobreza. Era tributário (Lm.1:1), ou seja, devia pagar tributos a outros, não mais podia reter o que conseguisse. Perdera a liberdade, a ponto de seus filhinhos irem em cativeiro na frente do adversário, assim como os mancebos e as virgens (Lm.1:5,18). Perdera o próprio sustento, pois todos estavam a buscar o pão e o mantimento, sem o encontrarem, morrendo de inanição (Lm.1:11,19).
    - Este quadro também ocorrerá para os que negligenciarem na volta do Senhor: de igual maneira, perderão o sustento espiritual, visto que não mais lhe será fornecida a Palavra de Deus e, por isso, serão daqueles que morrerão de fome e sede espiritual (Am.8:11). É interessante observar que, no capítulo 1 de Lamentações, não há menção alguma a profetas, a mostrar como Deus Se calara diante do povo no momento do juízo. O próprio Jeremias passa a lamentar, sentado e chorando sobre a cidade, sem que a cidade pudesse ouvi-lo. Que dias tenebrosos serão aqueles em que não se ouvirá a Palavra do Senhor! Vigiemos, irmãos, para que não fiquemos aqui naqueles dias, que, aliás, estão tão próximos!
    - Outra característica dos judaítas naquele triste instante era a cegueira, a falta de visão, de orientação da parte de Deus. O silêncio profético já era um indicador da cegueira espiritual, mas também, além disso, vemos que os que deveriam orientar o povo, os sacerdotes e anciãos, eram os mais desorientados, que buscavam desesperadamente seu mantimento, mas, em vez disso, expiravam na cidade, sem ter a alma refrescada (Lm.1:19).
    - Na verdade, a desorientação não era coisa nova. Durante todo o tempo das advertências do Senhor, aqueles que deveriam dirigir o povo em busca a Deus haviam negligenciado e mentido. Por causa disso, a mensagem do Senhor proferida por Jeremias fora desacreditada, mas, agora, que tudo se revelara verdadeiro e se cumpria fielmente, o povo padecia desta desorientação de forma nua e crua, sem quaisquer tergiversações ou fantasias provenientes das imaginações dos que lhes haviam enganado. A verdade revelava-se completamente e o povo, completamente cego, estava totalmente incapaz de oferecer qualquer reação.
    - Em vez da paz enganosa propalada pelos falsos líderes, havia apenas angústia, dor e sofrimento. Os sacerdotes apenas suspiram e o desespero tomava conta do povo. O inimigo dominava completamente sobre tudo e sobre todos, sem que os judaítas pudessem sequer esboçar qualquer reação. Estavam prostrados e sem condição alguma de reagir. Seus príncipes ficaram sendo como veados que não acham pastos e caminham sem força na frente do perseguidor (Lm.1:6).
    - A falta de orientação trouxe ao povo instabilidade. Os judaítas não tinham mais direção nem sabiam o que fazer: suspiravam e voltavam para trás. Seu abatimento é tanto e o inimigo só se engrandece dentro de um estado que impede qualquer crescimento, porque só se tem a dúvida e o ambiente dominado pela dúvida gera a inação (Tg.1:6,7).
    - Por causa da falta de orientação, não conseguem diminuir a sua dor nem tampouco a sua angústia. Não encontram descanso nem paz, não havendo senão assolação e enfermidade durante todo o dia, o transtorno não abandona o coração do povo (Lm.1:13,20). Há uma prostração completa, um desfalecimento do coração (Lm.1:22).
    - Como, então, podermos concordar com os que veem uma esperança e uma nova chance para aqueles que, na dispensação da graça, apostatarem da fé e forem apanhados despercebidos na
    vinda do Senhor? Se num juízo menos grave que o que virá após a volta de Cristo para buscar Sua Igreja, o povo judaíta ficou neste estado completamente desorientado, como, então, ficarão aqueles que não atentaram para esta tão grande salvação? Não nos iludamos: os apóstatas, a “igreja de Laodiceia”, cega espiritualmente quando havia a plena operação do Espírito Santo, caminhará para a total falta de orientação e prostração depois da vinda do Senhor. É só olharmos para os judaítas descritos por Jeremias, tipo e figura dessa gente.
    - Por fim, os laodicenses eram também espiritualmente nus. A nudez é vinculada no texto bíblico ao pecado, à perda de revestimento espiritual, de comunhão com Deus. Ora, Jeremias mostra-nos, claramente, que os judaítas desolados também sofriam desta nudez. Jerusalém estava nua e sua nudez foi exposta aos seus inimigos (Lm.1:8). Por isso, era desprezada até mesmo pelos que a haviam honrado anteriormente.
    - Sua nudez era tanta que, em suas saias, era observada a sua imundícia (Lm.1:9), como que a nos dar um quadro de que não fora apenas achada nua, como lhe haviam tirado as vestes, que se encontravam imundas. Da filha de Sião fora tirada a glória (Lm.1:6), outro fator a mostrar que se encontrava em estado de nudez espiritual.
    - O povo judaíta também é apresentado pelo profeta como completamente prostrado, pisado como num lagar (Lm.1:15), sem condições de se levantar (Lm.,1:14), depois de ter sido derrubado pelo próprio Deus (Lm.1:12). Que não percamos as vestes da salvação que recebemos do Senhor Jesus quando de nossa conversão, para que não venhamos a ser achados nus (II Co.5:3). Cuidado!
    - Mas, em meio a esta tragédia, o profeta não deixa de mostrar que tudo isto acontecera porque Judá se mantivera em pecado e recusara converter-se ao Senhor. Tudo aquilo era doído de se ver, fonte de choro e compaixão, mas não passava de aplicação da justiça divina.
    - Judá havia praticado multidões de prevaricações (Lm.1:5,14,22), pecado gravemente (Lm.1:8), se rebelado contra os mandamentos do Senhor (Lm.1:18), se rebelado gravemente (Lm.1:20). Tudo o que sucedia nada mais era que o resultado de tal insensatez, que fizera com que o povo não se lembrasse do seu fim (Lm.1:9). O Senhor tão somente atara o jugo das prevaricações do povo aos seus pescoços, enviando o dia do furor da Sua ira (Lm.1:12,14). Por isso, o profeta não pôde deixar de reconhecer que o Senhor é justo (Lm.1:18).
    - Isto também ocorrerá durante a Grande Tribulação, o período de sete anos em que o Senhor também atará ao pescoço da humanidade o jugo duro e o fardo pesado do pecado e da rebelião por não terem aceitado o jugo suave e o fardo leve oferecidos por Jesus (Mt.11:29,30). Naquele tempo, mostrar-se-á a ira divina (Ap.6:16,17; 11:18; 14:8-10; 15:1,7;16:1; 19:15), da qual serão poupados tão somente os que forem fiéis ao Senhor 9I Ts.1:10; Ap.3:10). A que grupo pertencemos, irmãos?


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    rogerio
    Escreveu:

    III – A IRA DE DEUS POR CAUSA DO PECADO
    - O segundo poema do livro de Lamentações mostra uma sequência em relação ao primeiro, tomando agora a ira de Deus como o mote da descrição da desolação de Judá e de Jerusalém.
    - A filha de Sião é vista como coberta de nuvens (Lm.2:1), ou seja, não há o raiar do sol, não há o brilho do sol, porque se vive um momento de ira divina, um instante de juízo. É precisamente isto que nos fala, também, o profeta Malaquias, ao lembrar que, sobre os soberbos e os que cometem a impiedade, virá um dia ardendo como forno sobre a palha, enquanto que, para os que temem a Deus, nascerá o sol da justiça e salvação trará debaixo das Suas asas, saindo e crescendo como os bezerros do cevadouro (Ml.4:1,2).
    - Enquanto, durante a Grande Tribulação, as nuvens da ira divina estarão sobre a Terra, os salvos estarão vendo a face gloriosa de Cristo nas nuvens, desfrutando da Sua companhia e com ele participando, depois do Tribunal de Cristo, da ceia das bodas do Cordeiro. Que sejam também nossas as palavras do poeta sacro José Teixeira de Lima: “Face a face, espero vê-l?O, no além do céu de luz. Face a face, em plena glória, hei de ver o meu Jesus” (refrão do hino 118 da Harpa Cristã).
    - A ira divina mostrada para o povo judaíta foi terrível. O reino e seus príncipes foram profanados e derribadas todas as fortalezas da filha de Judá, abatidas até a terra. O furor da ira do Senhor retirou toda a força de Israel e retirou para trás de diante do inimigo a Sua destra, passando a ser, para o Seu povo, uma labareda de fogo que tudo consome em redor. Seu arco armou como inimigo e firmou a Sua destra como adversário. O Senhor Se tornou como inimigo, devorando Seu povo e destruindo a Sua congregação (Lm.2:2-6).
    - Disse o apóstolo Paulo que se o Senhor é por nós, ninguém poderá ser contra nós (Rm.8:31). Entretanto, naquele instante, o profeta Jeremias mostra que o Senhor havia Se voltado contra o povo. Então, se o Senhor era contra Judá, quem poderia ser por ele? Absolutamente ninguém! O problema do povo judaíta é que havia chegado o instante do juízo e eles haviam decidido ficar contra o Senhor e, por isso, o Senhor Se tornava inimigo do povo. Por que o Senhor havia mudado de posição? Não, o Senhor não muda, mas aquele povo havia resolvido se rebelar contra o Senhor e chegara o momento do juízo.
    - Que Deus nos guarde de sermos encontrados contra o Senhor no dia do arrebatamento da Igreja! Se formos achados contra o Senhor naquele dia, traremos sobre nós a mesma situação que os judaítas experimentaram e que é aqui descrita por Jeremias. Ter o Senhor contra nós é simplesmente não termos mais ninguém a nosso favor. A experiência na Grande Tribulação só pode ser de destruição, pois, se o Senhor Se volta contra nós, não teremos outro destino senão o de sermos engolidos vivos pelo inimigo de nossas almas (Sl.124:1-3).
    - Muitos acham, influenciados até por livros e filmes neles baseados, que não será tão difícil assim perceber que Jesus voltou e que agora ingressamos na Grande Tribulação, tendo, pois, por força da “memória”, uma chance adicional de salvação. Não nos iludamos: Deus não estará mais a nosso favor, mas, sim, por ter chegado o momento do juízo, assim como fez com Judá, tornar-Se-á nosso inimigo, não porque não nos ame, mas porque nós teremos optado por ser contra Ele. Jesus foi bem claro ao nos ensinar que quem com Ele não ajunta, espalha, que quem não é por Ele, é contra Ele (Mt.12:30; Lc.11:23). Como queremos ter a Sua proteção se, no momento do arrebatamento, não estivermos com Ele e, portanto, contra Ele?
    - Os judaítas haviam se posicionado contra o Senhor, recusado voltar às veredas antigas (Jr.6:16) e, por isso, o Senhor Se voltara contra eles, retirando toda a Sua proteção, retirando-lhes toda a fortaleza, toda capacidade de reação e de resistência. A destruição ocorreu porque não só o Senhor Se retirou, permitindo que o inimigo viesse e tudo destruísse, como Ele próprio colaborou com a destruição (Lm.2:6).
    - Não será diferente na Grande Tribulação. O próprio Deus derramará a Sua ira sobre a face da Terra, independentemente da ação destruidora do inimigo que se permitirá naquele tempo. Além da permissão divina para que o inimigo destrua, o próprio Deus também agirá para que se tenha o devido castigo à humanidade. Afinal de contas, os selos, as trombetas e as taças mencionados no livro do Apocalipse provêm diretamente de Deus, que é o Soberano de todas as coisas. Não pensemos, pois, que teremos o Senhor ao nosso lado se não Lhe formos fiéis e, por causa disso, não formos arrebatados pelo Senhor Jesus.
    - Por estarem os judaítas contra o Senhor no momento do juízo, Deus rejeitou o rei e o sacerdote, o altar e o santuário, entregando na mão do inimigo os muros dos seus palácios, não
    retirou Sua mão destruidora e fez gemer o muro e o antemuro, enfraquecendo-os e também destruindo as portas e ferrolhos da cidade (Lm.2:6-9).
    - Os profetas não têm mais visão alguma, o rei e seus príncipes são dispersos entre as nações. Os anciãos estão sentados na terra, silenciosos, lançam pó sobre as suas cabeças, cingem sacos, enquanto as virgens abaixam suas cabeças até à terra. Pelas ruas da cidade, desfalecem os meninos e as crianças de peito. Suas mães perguntam pelo trigo e pelo vinho e desfalecem como o ferido pelas ruas da cidade (Lm.2:9-12).
    - No ambiente do juízo divino, não há lugar mais para a adoração a Deus. O Senhor rejeitou a hipocrisia religiosa vigente e destruiu toda aquela aparência que permitia aos homens enganarem-se dizendo servir ao Senhor. Deus mostra a Sua rejeição a este estado de coisas, pondo abaixo todas as construções do templo e da cidade, mostrando a falsidade de todos os falsos líderes que, totalmente prostrados, são revelados como farsantes e devidamente envilecidos.
    - Também isto ocorrerá quando da Grande Tribulação. Os que dirigiam a apostasia, que viram para o povo apóstata “vaidade e loucura e não manifestaram a maldade do povo para afastarem o seu cativeiro” serão envergonhados e o inimigo, mesmo, denunciará a falsidade de suas afirmações, lançará em rosto a sua frivolidade, destruindo-os sem dó nem piedade (Lm.2:14-16). Por isso mesmo, o Senhor Jesus disse que se o sal se torna insípido para nada mais presta senão ser lançado fora e pisado pelos homens (Mt.5:13).
    - Os falsos profetas e mestres de nosso tempo, que pensam em riquezas terrenas e em posições de honra e de poder neste mundo, terão uma grande e tardia decepção no reinado do Anticristo. Pensando que usufruirão das benesses desta vida, serão repentinamente envilecidos e envergonhados diante dos homens. Terão perdido a oportunidade de se salvar, por causa de sua apostasia, mas também não desfrutarão nem por um pouco de tempo do gozo do pecado, como poderia ter feito Moisés (Hb.11:25), mas serão, de pronto, destruídos pelo adversário, que os pisoteará e os exporá ao ridículo e ao contínuo descrédito.
    OBS: Temos já observado isto neste “princípio de dores”. Quais foram os únicos políticos corruptos que foram punidos e castigados pelas urnas, não mais conseguindo retornar às casas parlamentares? Não foram, precisamente, os que se diziam “evangélicos” no escândalo dos sanguessugas? Emendemo-nos enquanto é tempo!
    - Triste coisa é perder o acesso à piedade divina. Jeremias, ao contemplar aquele quadro trágico de seu povo, pôde compreender nitidamente que, no instante do juízo, não havia que se falar na piedade de Deus. Por três vezes, neste segundo poema, fala-nos que o Senhor não se apiedou dos judaítas (Lm.2:2,17,21), expressão, aliás, que, na Versão Almeida Revista e Corrigida, não é encontrada em qualquer outra passagem bíblica (em Fp.2:27 temos o contrário, ou seja, que Deus havia se apiedado de alguém)..
    - Demos valor, amados irmãos, à piedade de Deus. Supliquemos ao Senhor que tenha piedade de nós, enquanto ainda é tempo. Virá o tempo em que Ele não mais Se apiedará daqueles que diziam servi-l?O e a consequência será a de sermos devorados, derrubados e de o inimigo se alegrar por causa de nossa ruína (Lm.2:17). Repitamos, do fundo de nosso coração, as orações do salmista no Sl.30:10; 41:4; 119:132; 123:3.
    - A falta de piedade divina fez com que o clamor dos judaítas não fosse ouvido pelo Senhor. O choro corria como um ribeiro de lágrimas, noite e dia, provinha do íntimo dos judaítas, era o clamor de mães pelo desfalecimento de fome de seus filhinhos, era um clamor de quem via as mães comendo os próprios filhos para poderem sobreviver, eram gritos desesperados de quem via morrerem o sacerdote e o profeta em plena casa do Senhor, jazerem na terra pelas ruas o moço e o velho, as virgens e os mancebos. Ninguém escapava da ira divina (Lm.2:18-21), mas
    tais clamores eram tardios, nem sequer eram ouvidos pelo Senhor, pois nosso Deus não ouve a pecadores (Is.59:2).
    - Cumpria o Senhor a Sua Palavra (Lm.2:17) e chegara o tempo do inverno espiritual do povo judaíta, onde ninguém alcançara a salvação (Jr.8:20). O inimigo a todos consumiu, porque ninguém escapará no dia da ira do Senhor (Lm.2:22). Como crer, então, que apóstatas se salvarão na Grande Tribulação?


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    rogerio
    Escreveu:

    IV – A ESPERANÇA EM MEIO À AFLIÇÃO
    - Jeremias via o cabal cumprimento de suas profecias ao longo de 40 anos e 6 meses de ministério. O clamor do povo não era escutado pelo Senhor, chegara o tempo da aflição, o tempo do juízo, não se manifestava a piedade divina.
    - No terceiro poema, o mais longo dos cinco e que mostra a inflexão da lágrima para a esperança, o profeta, que, tempos atrás, havia até perquirido o Senhor porque fora escolhido para presenciar tamanha catástrofe (Jr.20:14-18), diz “ser o homem que viu a aflição pela vara do Seu furor” (Lm.3:1). Deus fizera com que o profeta fosse a testemunha ocular da manifestação da ira divina, sendo levado por Ele que o fez andar em trevas e não na luz (Lm.3:2).
    - A situação presenciada pelo profeta não dava margem a qualquer dúvida. O Senhor havia Se tornado contra ele (Jeremias não se sentia dissociado do povo, apesar de ter tido sua vida poupada, mantinha a sua “compaixão”, ou seja, sentia aquilo que o povo estava a sentir, punha-se no lugar do povo), virado de contínuo à Sua mão todo o dia, feito envelhecer a sua carne e a sua pele, quebrantado os seus ossos (Lm.3:3,4).
    - O Senhor havia edificado contra os judaítas, que haviam sido cercados de fel e de trabalho, assentados em lugares tenebrosos, como os que estavam mortos há muito. Estavam sem saída, com os seus grilhões agravados, sendo que a sua oração estava excluída, apesar do clamor e do grito. A situação do povo era terrível, pois havia se tornado o alvo das flechas divinas, um objeto de escárnio e cuja alma estava afastada da paz (Lm.3:5-17). Ante este quadro desolador, não via o profeta qualquer motivo para alguma esperança (Lm.3:18).
    - Entretanto, o profeta, que assumia a posição do povo judaíta, em meio àquela aflição que parecia não ter qualquer esperança, o profeta pediu ao Senhor que lembrasse de sua aflição, do seu pranto, do absinto e do fel, porque a sua alma certamente se lembrava e se abatia dentro dele (Lm.3:19,20). É neste instante em que o profeta, ao perceber que sua alma se lembrava de tudo aquilo e se abatia por causa daquele juízo, que se tem o “insight”, a “iluminação” proveniente do Espírito Santo: se a alma de Jeremias se lembrava de todo o sofrimento e aflição, antevistos por ele em suas profecias, como não haveria de se lembrar de que o Senhor prometera não fazer uma destruição final ao povo (cf. Jr.5:10,18, dentre outras passagens).
    - A lembrança de sua alma, obra que hoje sabemos ser do Espírito Santo (Jo.14:26), fez com que o profeta, mesmo diante daquele quadro tétrico que presenciava e o fazia sofrer tanto, passasse a ter esperança. “Disso recordarei no meu coração, por isso tenho esperança” (Lm.3:21). Jeremias mantinha sua fé no Senhor e toda aquela aflição presente, toda aquela desolação, que abalava o sentimento de qualquer um, quanto mais de um homem que tanto amava seu povo, não era capaz de gerar desespero, não era capaz de fazer com que Jeremias perdesse a sua esperança.
    - Temos este mesmo comportamento nos dias difíceis e trabalhosos que estamos a viver? Apesar de vermos o cumprimento de tudo quanto o Senhor nos tem revelado em Sua Palavra, temos ainda a esperança de pregar a Cristo e Este crucificado, ou temos nos deixado envolver pelo ceticismo, pelo desânimo, pela descrença? Repitamos o que canta o poeta sacro
    traduzido/adaptado por Paulo Leivas Macalão: “Aqui só há descrença, as lutas não têm fim, mas de Jesus a presença, glória será para mim!” (terceiro e quarto versos da primeira estrofe do hino 204 da Harpa Cristã).
    - Jeremias, mesmo vendo mães comerem seus filhos, crianças, jovens e velhos serem mortos ao fio da espada, sua querida Jerusalém totalmente assolada, ainda pôde ter esperança, porque se lembrou das promessas do Senhor. Que fé a de Jeremias! Como está a nossa?
    - O profeta podia verificar que, apesar de toda a mortandade e do silêncio de Deus aos clamores e gritos dos que estavam a perecer, ele, profeta, ainda estava vivo e, juntamente com ele, outras pessoas, sem falar naqueles que estavam já no cativeiro. A destruição não tinha sido final, o Senhor não havia consumido o povo todo, havia um remanescente e a existência deste remanescente era a prova viva de que “as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as Suas misericórdias não têm fim” (Lm.3:22). Esta constatação mudou o ânimo do profeta que, em meio àquela aflição tão grande, revigorou e fortaleceu a sua esperança.
    - Enquanto Jesus não tiver vindo buscar a Sua Igreja, ainda há esperança para os que estão trilhando caminhos perigosos e difíceis. Ainda há tempo para “sacudirmos” os que estão dormindo mui profundo sono espiritual nestes dias tão difíceis: “Desperta, Jesus Cristo, os que dormem o mui profundo sono do jardim; como operaste nos antigos tempos, com Teu poder nos guia até o fim. Como operaste nos antigos tempos, com Teu poder nos guia até o fim” (Erik Janson e Francisco da Silva – quinta estrofe do hino 387 da Harpa Cristã).
    - O profeta mostra que as misericórdias do Senhor são novas a cada manhã, que grande é a fidelidade do Senhor e, por isso, como a sua porção era o Senhor, o profeta podia esperar n?Ele. O Senhor é bom para os que se atêm a Ele, para a alma que O busca, por isso é bom ter esperança e aguardar em silêncio a salvação do Senhor (Lm.3:23-26).
    - Esta esperança do profeta justificava-se porque o Senhor não havia destruído totalmente o Seu povo e havia, ainda, uma promessa de restauração e de redenção. Ainda não havia chegado o tempo do novo concerto que firmaria com Israel e com Judá (Jr.31:31-34). Por isso, deveria ser suportado “o jugo da mocidade”, assentar-se solitário e ficar em silêncio, porque a rejeição do Senhor não seria para sempre (Lm.3:27-31).
    - Ainda que o Senhor estivesse a entristecer alguém, usaria de compaixão segundo a grandeza de Suas misericórdias, porque não algie nem entristece de bom grado aos filhos dos homens. O Senhor não veria que se estava a pisar debaixo dos pés os presos da terra, a perverter o direito do homem perante a face do Altíssimo e a subverter o homem no seu pleito (Lm.3:34-36)?
    - Por isso, não deveria o povo senão queixar-se dos seus próprios pecados (Lm.3:39), esquadrinhando os seus caminhos e os experimentando, voltando ao Senhor (Lm.3:40), levantando os seus corações com as mãos para Deus nos céus dizendo: “nós prevaricamos e fomos rebeldes, por isso Tu não perdoaste, cobriste-te de nuvens para que não passe a nossa oração” (Lm.3:42,43).
    - Apesar de ter constatado que a destruição não era final e que Deus prometera restaurar o povo, Jeremias torna a lembrar o povo de que nada se faria se não houvesse um profundo arrependimento dos pecados. O povo deveria lamentar a sua sorte, reconhecer o seu pecado e pedir a Deus que o perdoasse, pois, assim, a restauração se daria, assim a misericórdia do Senhor se manifestaria (Lm.3:44-55).
    - O profeta dá o seu testemunho ao povo, lembrando que, em dias passados, mas não tão longínquos assim, também sofrera aflições, tendo risco de morte, mas o Senhor ouvira o seu clamor e o pusera naquela situação em que se encontrava, sendo poupado de todo aquele
    sofrimento. De igual modo, faria ao povo judaíta, se ele se arrependesse de seus pecados e reconhecesse a justiça divina em toda aquela aflição (Lm.3:51-66).
    - Jeremias voltava a ser o profeta, não mais o simples lamentador. Se havia se sentado e passado a chorar, agora volta a clamar de pé para o povo, chamando-o ao arrependimento e se fazendo a própria canção do povo, como exemplo de que tudo não estava perdido e que o Senhor estava pronto a recebê-los de volta, desde que se arrependessem de seus pecados, pois o Senhor dará a recompensa conforme a obra de cada um (Lm.3:64).
    - Por isso, não negamos que, durante a Grande Tribulação, haverá salvação de almas. A Bíblia é clara ao mostrar que, neste período, haverá os santos (Dn.7:25; Ap.6:9-11; 20:4), mas será preciso que haja arrependimento dos pecados e num quadro muito mais difícil do que o presenciado pelo profeta Jeremias. Além de a aflição ser maior que a dos dias de Jeremias (cf. Dn.12:1), não podemos nos esquecer que se terá um quadro de atuação limitada do Espírito Santo seguinte a um período de plena atuação, o que não havia nos dias de Jeremias, o que torna a possibilidade de salvação muito mais difícil e que será inevitavelmente acompanhada de martírio (AP.13:10). Por isso, desfrutemos da misericórdia do Senhor ainda neste tempo, antes do arrebatamento da Igreja.


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    rogerio
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    V – A IRA DE DEUS É APLACADA
    - O quarto poema de Jeremias retoma a descrição do triste e lamentável quadro da aflição presenciada pelo profeta. O ouro havia se escurecido, o ouro fino e bom havia se mudado, as pedras do santuário estavam espalhadas ao canto de todas as ruas. Os filhos de Sião, antes comparados a ouro puro, eram agora repudiados por vasos de barro, obra das mãos do oleiro (Lm.4:1,2).
    - Havia uma crueldade no meio do povo, os que antes comiam iguarias delicadas morriam de fome nas ruas da cidade e os meninos pediam pão e ninguém lhos dava, tudo como consequência da maldade do povo de Judá, que era maior que o pecado de Sodoma (Lm.4:3-6). A fome grassava a todos, mudando até a cor da pele dos habitantes de Jerusalém (Lm.4:7-10).
    - Não escaparam nem os nazireus, aqueles que faziam voto de dedicação exclusiva ao Senhor durante um tempo, que de brancos, de roxos de corpo, mais polidos do que a safira, passaram a ter um negrume de aparência, a indicar a alteração causada por causa da fome. Se assim estavam aqueles que haviam feito voto de servir a Deus, como não estariam os demais?
    - Os mortos pela fome sofriam mais do que os mortos pela espada, porque estes últimos eram traspassados, morriam rapidamente, ao contrário dos primeiros, que custavam a morrer. O destino deste povo era apenas a morte, como havia sido profetizado por Jeremias e eles não haviam crido por causa de seus pecados. As próprias mãos das mulheres piedosas coziam os próprios filhos, a demonstrar a que ponto estava o desespero de todos os habitantes de Jerusalém (Lm.4:7-10).
    - Este quadro se dava por causa da ira de Deus, porque Ele havia derramado o ardor da Sua ira, acendido o fogo em Sião, que consumira os seus fundamentos (Lm.4:11). Que se pode, então, esperar da Grande Tribulação, amados irmãos, onde se manifestará a própria ira do Cordeiro (Ap.6:16,17). E ainda tem gente que acha que poderá arriscar a sua salvação, não se preparando para o arrebatamento, confiando em “kits grande tribulação”. Não nos iludamos, amados irmãos! Lembremos das palavras do poeta sacro traduzido/adaptado por Paulo Leivas Macalão: “O fim de todas as coisas vem, não tarda, cuidado! Não queiras hoje recusar a graça do
    Salvador. Procura bem depressa ficar abrigado no sangue do Cordeiro, no sangue remidor.” (primeira estrofe do hino 334 da Harpa Cristã).
    - O pecado e a maldade do povo fizeram com que o furor do Senhor descesse sobre o povo e aquilo em que o povo não acreditara, nas diversas mensagens trazidas pelos profetas, acontecera fielmente (Lm.4:11-14). O resultado da incredulidade é que, agora, aqueles incrédulos não só tinham visto o adversário e o inimigo entrarem pelas portas de Jerusalém, o que eles achavam impossível de ocorrer, como também derramarem o sangue dos justos no meio dela.
    - Os profetas, os sacerdotes, os reis e os moradores em geral passaram a errar como cegos nas ruas, andando contaminados de sangue, de tal sorte que ninguém podia tocar nas suas roupas, pois se fizeram ritualmente imundos, tendo de se desviar dos demais habitantes, sendo divididos pela ira do Senhor, que nunca mais tornaria a olhar para eles, não tendo mais a reverência dos sacerdotes nem a compaixão dos velhos (Lm.4:12-16).
    - Mais uma vez alertamos a todos a respeito desta verdadeira figura dos apóstatas na Grande Tribulação. Como esperar que tenham eles “uma nova chance” diante desta descrição profética de Jeremias? Se nos dias do juízo babilônico, menos grave que o que advirá após o arrebatamento da Igreja, os que se revelaram hipócritas em seu relacionamento com Deus (profetas, sacerdotes, reis) seriam cegos errantes no caminho, considerados imundos segundo a própria lógica ritualista e formalista que amavam dizer seguir aos olhos do povo, como podemos esperar algo diferente dos que de novo crucificaram ao Senhor Jesus, dos que pisaram o sangue do Filho de Deus (cf. Hb.6:6;10:29)?
    - A aflição, além de ser extrema, era acompanhada da sensação de que não era possível qualquer socorro. O povo olhava para gente que não os podia livrar (Lm.4:17). A chegada do fim era a única coisa que se deveria esperar (Lm.4:18), até porque “o ungido do Senhor”, considerado “o respiro de nossas narinas”, aquele que tinha a promessa da aliança davídica, tinha sido o primeiro a ficar preso nas covas do inimigo (Lm.4:20).
    - No entanto, em meio a um quadro tão difícil e duro, sem esperança de salvação, o profeta manda uma mensagem a Edom que, embora fosse irmão de Judá, havia se alegrado com a desgraça judaíta. Assim como Judá sofrera, Edom também sofreria e o cálice também chegaria a eles (Lm.4:21).
    - Para Judá, porém, haveria uma restauração. O castigo presente não seria eterno, e a filha de Sião nunca mais seria levada ao cativeiro, enquanto que Edom sofreria o necessário castigo e nunca mais se restauraria (Lm.4:22). A ira para Judá não era definitiva, haveria de ser aplacada e, num determinado instante, cessaria com o livramento do povo.
    - O Senhor, neste poema, pois, mostra, através da boca do profeta, que Judá seria restaurado e que um sinal desta restauração prometida seria a eliminação de Edom. Os edomitas ainda perturbaram a nação judaíta durante alguns séculos. Não nos esqueçamos de que Herodes, o Grande, que reinava sobre os judeus quando do nascimento de Jesus (Mt.2:1), era edomita e sua dinastia reinaria até a destruição do Segundo Templo sobre partes importantes da Terra Prometida.
    - O desaparecimento de Edom mostra-nos que Deus não Se esqueceu de Seu povo, de Israel e de Judá, e que, portanto, ainda se aguarda uma restauração para eles. Nós, como zambujeiro enxertado na oliveira verdadeira, porém, não estamos incluídos nesta promessa de restauração. Nosso tempo é hoje (cf. Hb.4:7-11), por isso temos de estar preparados pois será extremamente difícil viver o quadro da ira de Deus, máxime quando poderemos nos encontrar no destino dos edomitas e não na promessa reservada a Israel. Não brinquemos com a salvação!


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    rogerio
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    VI – JEREMIAS ROGA POR RESTAURAÇÃO
    - O quinto e último poema é chamado na Versão do Pe. Antonio Pereira de Figueiredo, a primeira versão oficial católico-romana em língua portuguesa, de “Oração de Jeremias”, título extremamente adequado, visto que o profeta realmente faz uma oração ao Senhor, ante a aflição presente que vê com seus próprios olhos e a promessa de restauração, que o Espírito Santo lhe faz recordar.
    - Este poema, embora tenha também 22 versículos, não é alfabético como os demais, a indicar, pois, uma certa pessoalidade por parte do profeta, um clamor mais do que um poema. “Sacudido” na sua fé, Jeremias, mesmo diante daquele estado tão triste em que se encontrava seu povo, tem ânimo para interceder, uma vez mais, pelo seu povo. Que exemplo Jeremias nos dá para estes dias difíceis em que estamos a atravessar. Se há apostasia à sua volta, amado irmão, não desanime, mas interceda para que os que se desviam possam voltar a buscar a Deus.
    - Jeremias começa a pedir a Deus que Ele Se lembrasse do que estava acontecendo com o povo e que olhasse para o seu opróbrio. Sua herdade havia passado para estranhos e suas casas, para forasteiros. O povo tinha se tornado órfão de pai e suas mães tinham se tornado viúvas. A água era bebida por dinheiro e por preço vinha a sua lenha. Os perseguidores estavam sobre os seus pescoços e o povo estava cansado e sem descanso (Lm.5:1-5).
    - Jeremias assumia a condição miserável pela qual passava o povo, sem patrimônio, sem herança, sem sustento, sem família, sob opressão. É esta a situação em que se encontram aqueles que se desviam espiritualmente do Senhor. Temos clamado a Deus para que voltem os nossos irmãos desviados ao convívio do Senhor? Temos observado o estado de calamidade que estão a viver sem a herança divina (não têm mais as bênçãos da filiação divina), sem a Palavra de Deus (a água), sem a comunhão dos irmãos (a orfandade), sem uma vida de adoração (a lenha) e sob a opressão do maligno (os perseguidores)?
    - Será que temos visto a presença destes elementos em nossas próprias vidas? Será que estamos a viver em um opróbrio, pois uma religiosidade externa e formal, um comparecimento aos cultos e até um comprometimento com atividades na igreja local não podem nos fazer ser verdadeiros filhos de Deus, nem tampouco a termos comunhão com Deus e com os irmãos, muito menos nos trazer o alimento da Palavra de Deus e a liberdade do pecado? Será que não temos de pedir por nós mesmos a Deus antes que esta situação se torne irreversível no dia da ira do nosso Deus?
    - Jeremias, ainda, diz que o povo tinha de estender as mãos aos egípcios e aos assírios para se fartarem de pão, enquanto seus pais não mais existiam e eles levavam sobre si as maldades e pecados deles. Estavam dominados por servos e ninguém podia arrancá-los das mãos deles. O pão era trazido com perigo de morte por causa da espada do deserto e a pele estava enegrecida por causa do ardor da fome (Lm.5:6-10).
    - O estado vivido pelo povo era de extrema miséria e necessidade. A sobrevivência era incerta, ante a necessidade de obter alimento de povos estranhos e com grande risco de morte, não havendo, ademais, alimento suficiente para todos. Imperava a fome e o grande sofrimento para tentar minorá-la e, mesmo assim, de forma absolutamente insatisfatória. É, precisamente, este o quadro que se viverá na Grande Tribulação: a fome e sede espirituais serão imensas, sem condições de satisfação, com grande risco de morte para todos os que tentarem supri-la. Aliás, a “espada do deserto” não será apenas um risco, como foi nos dias de Jeremias, mas representará uma certeza, pois todos “os santos do Altíssimo” serão mortos pela besta (Ap.6:2,11; 13:7).
    Para que, então, nos arriscarmos a não participar da ceia das bodas do Cordeiro para vir a passar fome e sede espirituais na Grande Tribulação?
    - Como se isto fosse pouco, o profeta lembra o Senhor que as mulheres em Sião e as virgens haviam sido forçadas, ou seja, sexualmente violentadas, nas cidades de Judá; os príncipes, enforcados; os velhos, não foram reverenciados enquanto que aos mancebos se obrigou a que moessem e carregassem lenha. Os velhos já não tinham mais assento na porta e os mancebos não mais cantavam, tinha cessado o gozo do coração do povo e a dança havia se convertido em lamentação. Havia caído a coroa da cabeça do povo por causa do pecado (Lm.4:11-16).
    - Toda esta tragédia descrita pelo profeta era resultado único e exclusivo do pecado do povo, da resistência do povo em se arrepender enquanto era tempo, apesar das múltiplas oportunidades trazidas pelo Senhor. Em virtude do pecado, todos haviam perdido toda a honra e toda a integridade. Mulheres violentadas, príncipes enforcados, velhos desrespeitados e mancebos escravizados. Todos eram tratados sem qualquer consideração ou respeito, tinham “perdido a coroa da cabeça”. Por isso, o Senhor Jesus alerta os crentes fiéis: “ Eis que venho se demora, guarda o que tens para que ninguém tome a tua coroa” (Ap.3:11). Temos dado ouvido às palavras do Senhor ou vamos proceder como os judaítas aqui lamentados por Jeremias?
    - O resultado deste estado de coisas era o desmaio do coração do povo, o escurecimento dos seus olhos, enquanto que as raposas andavam pelos montes de Sião impunemente, como prova da própria inércia do povo. Se isto se dava nos dias de Jeremias, o que não ocorrerá na Grande Tribulação, um juízo maior e mais terrível? Como acreditarmos que teremos força para resistir à besta e a seu império só com a “memória” dos dias em que não ouvíamos a Palavra de Deus e negligenciamos quando havia plenas oportunidades de salvação? É evidente que se trata de um contrassenso, de uma ilusão do nosso adversário. Sejamos fiéis para que não sejamos apanhados de surpresa no abrir e fechar de olhos do arrebatamento!
    - Jeremias, porém, não estava ali apenas para lamentar. Muito pelo contrário, recordado pelo Espírito Santo da promessa de que a destruição não seria final, cumpre, uma vez mais, o seu papel de profeta e de sacerdote. Mesmo diante do pecado do povo e das consequências nefastas justamente vividas por ele, não deixa de interceder pelo povo e de mostrar a sua esperança, que intentava espraiar por todo o povo.
    - Jeremias, então, diz que o Senhor permanece eternamente, que Seu trono é de geração a geração e, portanto, por que haveria Ele de Se esquecer de Israel para sempre? Por que desampararia os judaítas por tanto tempo? (Lm.5:19). Considerando a eternidade do Senhor, o profeta pede que cessasse temporalmente o sofrimento do povo. Sendo eterno, Deus poderia, muito bem, abreviar o sofrimento do povo e fazer cumprir as Suas promessas de restauração.
    - Pede, então, o profeta que o Senhor convertesse o povo e, assim fazendo, o povo se converteria a Ele. Pede, também, que o povo fosse renovado como dantes (Lm.5:21). A expressão do profeta causa alguma espécie, pois quem deve se converter é o homem, pois Deus o dotou de livre-arbítrio. No entanto, além de termos aqui uma expressão poética, e portanto um tanto quanto livre, o sentido é de que o Senhor deveria mostrar ao povo a Sua misericórdia, a Sua benevolência, algo que não se conseguia ver naquele instante tão difícil de castigo, a fim de que o povo, então, diante desta demonstração de boa vontade, pudesse se voltar ao Senhor e se arrepender de seus pecados.
    - É precisamente o que faz o Espírito Santo nesta dispensação. Através da Palavra de Deus, leva aos homens a fé salvadora (Rm.10:17), com a qual procura convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8). Convencido, o homem se arrepende de seus pecados e se converte, entregando-se a Cristo Jesus como seu único e suficiente Salvador. A “conversão”, assim, parte de Deus, tem em Deus a sua origem, ainda que dependa da vontade, da escolha por parte do homem.
    - O profeta, confiando na fidelidade e benignidade do Senhor, termina a sua oração de forma até um tanto quanto desafiadora: “Por que nos rejeitaria totalmente? Por que te enfurecerias contra nós em tão grande maneira? (Lm.5:22). O profeta sabia que, diante das promessas existentes, o Senhor não destruiria Israel, ainda haveria uma restauração deste povo, haveria um “novo concerto” entre Deus e Israel. Com estas interrogações, o profeta deixava aberta a possibilidade de reconciliação e restauração, que era, afinal de contas, a parte final da mensagem que proferira durante todos aqueles 40 anos e 6 meses.
    - Jeremias apresentava-se como profeta da esperança, deixando claro ao povo que poderiam, sim, eles sair daquela situação terrível e catastrófica, se abandonassem os seus pecados e servissem ao Senhor. Esta mesma mensagem de esperança vemos no Evangelho e temos de divulgá-la a toda a criatura, como nos mandou o Senhor Jesus, inclusive para aqueles que estão a se desviar dos caminhos do Senhor. Temos levado esta mensagem de esperança? Temos crido que o Senhor quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (I Tm.2:4). Mesmo diante daquele quadro tétrico, Jeremias jamais deixou de crer nisto. E nós?
    - Que este profícuo estudo dos livros de Jeremias e de Lamentações tenha podido revelar a cada um de nós a necessidade de trilharmos, nestes dias de apostasia, os passos de Jeremias, apesar de todo o preço altíssimo que ele pagou (e nós também haveremos de pagar), para que possamos ser, nestes dias trabalhosos, mensageiros de esperança e que, assim como o profeta, sejamos poupados da ira divina.
    Que Deus continue abençoando a todos os professores da ebd e a todos os comentarista do site ebdweb.
    Fique com Deus e na paz do Senhor Jesus Cristo, Amém.

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