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O Perigo do Ardil Gibeonita - J. Rosendo de Lima

IGREJA EVANG√ČLICA ASSEMBL√ČIA DE DEUS

Minist√©rio do Bel√©m - setor 14 - Jardim √āngela

AULA DE PADRONIZA√á√ÉO DO COMENT√ĀRIO DA ESCOLA DOMINICAL

Pastor setorial: José Miguel da Silva

Coordenação: pastores Manuel Maurinho e Luiz A. Silva.

Professor: J. Rosendo de Lima.

1¬ļ trimestre de 2009

Lição 8

O PERIGO DO ARDIL GIBEONITA

Leitura bíblica (Js 9.1-6, 15,16)

TEXTO √ĀUREO

“N√£o durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos s√≥brios” (1 Ts 5.6).

VERDADE PR√ĀTICA

Precisamos estar vigilantes quanto àqueles que, com artifícios ardilosos, infiltram-se na igreja visando impedir a concretização das promessas de Deus na vida de seu povo.

INTRODUÇÃO

Desde que Josu√© assumira o comando dos filhos de Israel, a na√ß√£o eleita j√° tinha superado grandes obst√°culos. J√° haviam vencido as √°guas impetuosas do Jord√£o, desbaratado Jeric√≥ com seus muros imponentes e subjugado os corajosos habitantes de Ai. Os reis da terra da Cana√£ estavam assombrados com as proezas dos hebreus. Parecia que nenhuma arma podia prosperar contra Israel, nenhum inimigo podia se suster diante da Na√ß√£o santa. E a ordem de Deus era clara: os habitantes de Cana√£ teriam que ser eliminados, sem exce√ß√£o. Mas eis que surge um inimigo diferente, usando armas mais sofisticadas. O que os seus compatriotas n√£o puderam alcan√ßar pela for√ßa, os gibeonitas tentaram pela ast√ļcia. E funcionou. Josu√© e os anci√£os de Israel deixaram-se enganar pelos artif√≠cios dos heveus, engano que traria delet√©rias e permanentes conseq√ľ√™ncias ao povo de Deus. Nesta li√ß√£o, trataremos do perigo do engano e da falsa apar√™ncia no meio do povo de Deus.

I - OS HABITANTES DE CANAÃ

Quando os filhos de Israel chegaram √† terra de Cana√£, esta regi√£o era habitada por um povo misto, descendente de C√£, um dos tr√™s filhos de No√©. Ali√°s, o nome da regi√£o vem de Cana√£, um dos quatro filhos de C√£. No cap√≠tulo 10 de G√™nesis, a B√≠blia mostra que os filhos de C√£ s√£o: Cuxe, Mizraim, Pute e Cana√£ (v 6). “E Cana√£ gerou a sidom, seu primog√™nito, e a Hete, e ao jebuseu, e ao amorreu, e ao girgaseu, e ao heveu, e ao arqueu, e ao sineu, e ao avardeu, e ao zerameu, e ao hamateu, e depois se espalharam a fam√≠lia dos cananeus” (15-18). Seis desses povos se juntaram numa confedera√ß√£o para guerrear contra Josu√©. No livro Josu√©, um l√≠der que faz a diferen√ßa (cap 5), o pastor Elienai Cabral faz um levantamento muito claro das principais caracter√≠sticas desses povos. Reproduzimos a seguir o levantamento feito pelo dileto pastor, com apenas algumas adapta√ß√Ķes.

1. amorreus.¬† Os “amorreus” eram um povo montanh√™s que vivia em terras altas a oeste do mar morto, at√© Hebrom (Gn 13.18; 14.7,13), vindo a habitar, posteriormente, no planalto, a leste do Jord√£o, desde Arnon at√© Jaboque (Nm 21.13,27). Eles tinham grande dom√≠nio das montanhas de sua habita√ß√£o e, por conseguinte, dif√≠ceis de serem surpreendidos e vencidos. Era um povo famoso pelas suas guerras (Nm 13. 29). Este povo tinha como caracter√≠stica principal a pilhagem e a destrui√ß√£o que suas tropas faziam com as cidades e reinos conquistados por eles. Quando atacados, reagiam com ferocidade e utilizavam o fogo como elemento destruidor (Nm 21.28).

2. cananeus. A palavra cananeu na l√≠ngua hebraica refere-se √† terra baixa. A B√≠blia diz que os cananeus eram especialistas em artefatos de ferro (Jz 4.1-3). Afirmam os ling√ľistas que os cananeus tinham um idioma o qual falavam e escreviam, muito relacionado √† l√≠ngua hebraica. As provas dessas afirma√ß√Ķes s√£o oferecidas por arque√≥logos que descobriram um dialeto cananeu escrito em inscri√ß√Ķes feitas nas minas de turquesa no Sinai. Eram inscri√ß√Ķes adaptadas de hierogl√≠ficos feitos por s√≠mbolos fon√©ticos do dialeto cananeu. A civiliza√ß√£o canan√©ia √© identificada pela exist√™ncia de uma biblioteca de literatura religiosa encontrada num local chamado Ugarite. A religiosidade pag√£ dos cananeus √© uma mistura de mitologia e tinha como deus principal a Asera, m√£e de Baal, deus da fertilidade.

3. Heteus. Descendentes de Hete, quarto filho de Cam. Habitavam nas regi√Ķes centrais da Palestina. Era um povo sem fixa√ß√£o certa, porque vivia em constante migra√ß√£o. Este povo foi listado como um que devia ser banido da terra de Cana√£. Posteriormente vimos os heteus tomarem parte de uma guerra contra Israel (Js 9.1,2).

4. Heveus. S√£o antigos moradores da terra de Cana√£ (Jz 3.1-3) e eram conhecidos pelas sutilezas criadas nas suas guerras, armando ciladas para os seus inimigos. Viviam nas montanhas do L√≠bano, desde o monte de Baal-hermom at√© √† entrada de Hamate (Jz 3.3), que ficava na faixa das colinas do L√≠bano e do Hermom. Os heveus eram um povo astucioso, n√£o necessariamente violento. Sua atividade econ√īmica consistia no com√©rcio de v√°rias especiarias. ¬†

5. Girgaseus. Pode-se dizer que eram uma ramifica√ß√£o dos heveus, uma vez que estavam, segundo os historiadores, muito ligados a eles. Os girgaseus viviam em uma regi√£o de Cana√£ que era muito argilosa, ou seja, arenosa. Da√≠ o significado do nome “girgaseu” que √© “terra argilosa ou arenosa”.

6. Jebuseus. Os jebuseus habitavam a região mais tarde associada à tribo de Benjamim, especialmente a cidade de Jerusalém que, na época, chamava-se Jebus, (Js 18.28; Jz 19.10). Eram descendentes do terceiro filho de Canaã (Gn 10.16) e viviam nas montanhas ao redor de Jerusalém, entre os heteus e os amorreus (Nm 13.29).

7. Ferezeus. Eles aparecem como um povo agr√≠cola na terra de Cana√£, cujo nome pode significar “alde√Ķes” ou “r√ļsticos”, porque habitavam em lugares n√£o murados, ao ar livre. Era um povo pobre que se preocupava apenas com as coisas que podia tirar da terra para sobreviver.

Obs. Gn 10.15 n√£o menciona os ferezeus entre o grupo de cananeus.

II - A CONFEDERAÇÃO DOS REIS DE CANAÃ

1. O pavor e a rea√ß√£o dos reis cananeus. Ap√≥s as vit√≥rias espetaculares de Josu√© sobre os habitantes de Jeric√≥ e Ai, Os demais reis da terra de Cana√£ conclu√≠ram que deviam agir imediatamente se n√£o quisessem ter o mesmo destino daqueles. Imagino que, como acontece nos dias atuais, quando l√≠deres de v√°rias na√ß√Ķes se re√ļnem para tratar de assuntos comuns a todos, os reis de Cana√£ se reuniram em algum lugar em car√°ter emergencial, e Adoni-zedeque, rei de Jerusal√©m, abriu aquela sess√£o dizendo: “Bom, imagino que todos sabemos o motivo por que estamos aqui. As not√≠cias que est√£o nas p√°ginas dos √ļltimos jornais n√£o s√£o boas. Os hebreus intentam se apossar de nossas terras, dizendo tratar-se de uma promessa de seu Deus feita a eles. Por onde este povo tem passado, o terror se abate sobre todos, devido √†s proezas que vem realizando em nome de seu Deus. N√£o podemos mais esperar. Precisamos agir rapidamente. √Č bem verdade que temos nossas diferen√ßas; mas, em um caso como este, em que n√≥s e nossos filhos estamos sob amea√ßa, deixemos de lado todas as nossas diferen√ßas e nos unamos, ou ent√£o seremos todos destru√≠dos. Precisamos sair da defensiva j√° e partir para o ataque”. Formou-se, ent√£o, uma coaliz√£o entre heteus, amorreus, cananeus, ferezeus, heveus e jebuseus para lutar contra Israel. N√£o sabiam aqueles reis que √† frente de Israel estava o pr√≠ncipe do exercito do Senhor (Js 5.14). Nada nem ningu√©m, pois, poderia se suster diante de Josu√©. O G6 (grupo dos seis) come√ßaria atacando a cidade de Jibe√£o, cujos moradores v√£o se aliar √† na√ß√£o santa. Ali aconteceu o primeiro e decisivo confronto (ver Js 10.6-14).

2. O respeito pelo nome de Josu√©. O Senhor, como havia prometido a Josu√©, engrandeceu-o diante de todo o povo de Israel (Js 3.7; 4.14), e isso fez de tal forma que o temor dele caiu at√© sobre seus inimigos. A promessa de Deus era: “Assim como fui co Mois√©s, assim serei contigo”. De posse dessa promessa, Josu√© transformou-se num excelente estrategista de guerra (Js 8.3-22). Os reis de Cana√£ nunca tinham conhecido estrat√©gias t√£o eficientes, embora exc√™ntricas, como a que Josu√© usara em Jeric√≥. Viram a forma espetacular como o grande l√≠der se insurgiu contra os habitantes da cidade de Ai. E o mais interessante: ouviram sobre a devo√ß√£o de Josu√© a um Deus grande, capaz de abrir o Jord√£o, ou antes, o mar Vermelho ao meio para fazer passar o seu povo. Por tudo isso, o temor caiu sobremodo sobre aquele povo. √Č obvio que o respeito a Josu√© devia-se ao fato de o Senhor Deus estar √† sua frente, operando grandes sinais por meio dele. Ali√°s, √© pertinente perceber o sentimento dos cananeus nas palavras de Raabe.

Bem sei que o Senhor vos deu esta terra e que o pavor de v√≥s caiu sobre n√≥s, e que todos os moradores da terra est√£o desmaiado diante de v√≥s. Porquanto temos ouvido que o Senhor secou as √°guas do mar Vermelho diante de v√≥s quando sa√≠eis do Egito, e o que fizestes aos dois reis dos amorreus, a Seon e a Ogue, que estavam dal√©m do Jord√£o, os quais destru√≠stes. Ouvindo isso desmaiou o nosso cora√ß√£o, e em ningu√©m mais h√° √Ęnimo algum, por causa da vossa presen√ßa; porque o Senhor vosso Deus √© Deus em cima nos c√©us e embaixo na terra (Js 2.9-11).¬†

Os anos de dedica√ß√£o ao Senhor e a Mois√©s contribu√≠ram muito para conferir honra e respeito ao bom nome de Josu√©. Ali√°s, respeito e honra n√£o √© algo que se imp√Ķe, mas algo que se conquista. A f√© do servo de Mois√©s em Deus f√™-lo tornar-se um l√≠der de grande proje√ß√£o para todo o povo (Js 1.16-18). Vale aqui transcrever o coment√°rio do pastor Elienai Cabral sobre o bom nome de Josu√©.

O grande s√°bio Salom√£o declarou que mais “digno de ser escolhido √© o bom nome do que as muitas riquezas; e a gra√ßa √© melhor do que a riqueza e o ouro”(Pv 22.1). Josu√© tinha um bom nome que se destacou pela fidelidade a Deus e a Mois√©s. Quando ele e Calebe deram seu relat√≥rio diferente dos demais, enfrentaram resist√™ncia. Eles tentaram convencer a Israel de que deveriam entrar na terra prometida, mas ningu√©m deu muita aten√ß√£o ao seu relat√≥rio. Eles ainda n√£o tinham constru√≠do um nome que influenciasse suficientemente o povo para decidir entrar na terra. Aquele povo temia o futuro e estavam acomodados com as coisas do presente. Por√©m os anos se passaram e Josu√© conquistou o seu espa√ßo de lideran√ßa, porque era um homem temente a Deus; era correto nas suas atitudes e procurou viver de acordo com um padr√£o que o tornou conhecido e influente. Ele ganhou bom nome porque sabia obedecer a Deus, sendo servo, guerreiro e l√≠der do povo. Diante do desafio do Jord√£o, por sua lideran√ßa convenceu o povo de que Deus estava com ele e lhe daria vit√≥ria. Seu car√°ter era um referencial. Ele valorizava o que era certo, mesmo que, politicamente, n√£o agradasse a todos. Essa postura tornou-se conhecida entre todos e tornou-se uma imagem positiva de influ√™ncia. Por isso seu nome ganhou respeito, n√£o s√≥ entre o seu povo, mas expandiu-se entre as na√ß√Ķes (CABRAL, Elienai. Josu√©: um l√≠der que fez a diferen√ßa. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p 94).

III - O ARDIL DOS GIBEONITAS (9.315)

1. O perigo da ast√ļcia do inimigo

Os gibeonitas eram heveus habitantes de Gibeom (Js 9.7), cidade governada por um conc√≠lio de anci√£os (Js 9.11). Dados hist√≥ricos mostram que os heveus eram um povo ardiloso e conhecido pelas armadilhas que preparavam para os seus inimigos. Ali√°s, era comum povos antigos e beligerantes apelarem para a ast√ļcia, quando a for√ßa n√£o era suficiente para vencer um ex√©rcito inimigo. O povo de Gibeom soube das espetaculares vit√≥rias de Josu√© contra Ai e Jeric√≥. Ainda mais assustados estavam pelo fato de que fen√īmenos sobrenaturais acompanhavam as batalhas, prova da presen√ßa de um Deus terr√≠vel entre eles. Pelos c√°lculos que fizeram, n√£o tinham nenhuma chance de subjugar os israelitas. Sabiam que seriam mortos com seus filhos e mulheres, pois a ordem de Deus era clara: deveriam ser banidos da terra prometida (Dt 7.1-6). Conclu√≠ram, ent√£o, que o √ļnico meio de se salvarem era for√ßar a na√ß√£o eleita a fazer um pacto de n√£o agress√£o com eles. Para isso aproveitariam a empolga√ß√£o dos filhos de Israel com a recente vit√≥ria sobre Ai. Estes ainda comemoravam. Quem sabe haviam se estribado por um momento na pr√≥pria destreza, esquecendo que √† frente daquela batalha estivera o anjo do Senhor para guerrear e orient√°-los, como foi feito contra Jeric√≥. O gibeonitas ent√£o entenderam que era hora de agir. Agir r√°pido, pois Israel estava sob forte emo√ß√£o. E a raz√£o diz que decidir sob forte emo√ß√£o √© extremamente arriscado.¬†

Pode-se, em plena guerra, subestimar os ardis do inimigo? Paulo, falando de nosso arquiinimigo, salientou que nós não ignoramos os seus ardis (2 Co 2.11). Por isso, o mesmo apóstolo nos adverte a que vigiemos e oremos em todo o tempo (Ef 618). Mas Israel descuidou-se. E pagou um preço alto por isso.

Os homens vão nos surpreendem sempre, às vezes por sua força, às vezes por sua fraqueza, ora por sua sagacidade, ora por sua ingenuidade. Ao ler sobre este fato fico me perguntando como foi possível o grande líder Josué precipitar-se tão ingenuamente em um acordo com seus inimigos, incorrendo em três erros, no mínimo primários para um grande líder.

a) A tenta√ß√£o das palavras lisonjeiras. Note que os gibeonitas se apresentaram a Josu√© dizendo “n√≥s somos os teus servos” (9.8). Quando instados por Josu√© a dizerem quem realmente eram, eles continuaram: “Teus servos vieram de uma terra bem distante por causa do nome do Senhor, teu Deus; porquanto ouvimos a sua fama e tudo quanto fez no Egito; e tudo quanto fez aos dois reis dos amorreus que estavam dal√©m do Jord√£o…” (9.9,10). √Č inescap√°vel o apelo que fizeram ao orgulho dos filhos de Israel, apresentando como motivo de sua vinda os extraordin√°rios feitos do Senhor, o de que Israel mais se “orgulhava”. Parafraseando os gibeonitas: “Rapaz, que Deus tremendo √© esse vosso. A gente acompanha a not√≠cia de seus feitos desde o mar Vermelho, passando pelas suas proezas no deserto. Ouvimos de como Ele abriu o rio Jord√£o e venceu os reis de Jeric√≥ e de Ai! N√≥s n√£o v√≠amos a hora de nos encontrarmos convosco e fazer parte do vosso povo t√£o especial, e servir a este Deus invenc√≠vel”. Funcionou. Faltou a Josu√© a clarivid√™ncia de Paulo, para entender que nem todos que falam bem de n√≥s s√£o dos nossos (ver At 16.17,18). Na verdade, n√£o era devo√ß√£o, admira√ß√£o ou temor ao Senhor que motivavam os gibeonitas, mas medo de perder a vida.

b) Agiram sob forte emo√ß√£o. Haviam sa√≠do de uma derrota vergonhosa, por causa do pecado de Ac√£, para uma vit√≥ria espetacular depois do sacrif√≠cio deste. A perda de alguns homens na guerra contra Ai, acrescida da morte de Ac√£ com toda a sua fam√≠lia, causou, sem d√ļvida, grande como√ß√£o sobre o povo. Logo em seguida, o Senhor os lidera numa espetacular vit√≥ria sobre Ai. Transitaram brevemente entre um extremo e outro. Este misto de emo√ß√Ķes - luto e j√ļbilo - causa um grande desgaste emocional, levando a um estado consider√°vel de vulnerabilidade. O ambiente estava prop√≠cio √†s a√ß√Ķes ardilosas do inimigo. Em momentos de forte emo√ß√£o, √© perigoso tomar qualquer decis√£o sem consultar ao Senhor. E por falar em consultar ao Senhor…

c) N√£o consultaram ao Senhor. O vers√≠culo 14 (cap 9) √© taxativo: “Ent√£o, aqueles homens israelitas tomaram de sua provis√£o e n√£o pediram conselho √† boca do Senhor”. Talvez o tempo que tomassem para a ora√ß√£o seria o suficiente para descobrirem a trapa√ßa. Mas Josu√© e os anci√£os n√£o oraram. Entraram presun√ßosamente em um irrevog√°vel concerto com os gibeonitas. E o fizeram jurando pelo nome do Senhor, o qual eles nem sequer consultaram (V 18). Que trag√©dia: esta decis√£o trouxe para dentro da comunidade Israelita aqueles que, segundo a ordem de Deus, deveriam ser destru√≠dos (ver Dt 7).

2. Os ardis ocultam males destruidores (9.3,4). Aqueles homens, aparentemente bem intencionados, escondiam a sua verdadeira identidade, com o prop√≥sito de escaparem de uma senten√ßa que j√° havia sido determinada para eles. A medida de suas iniq√ľidades j√° havia enchido (ver Gn 15.15). Deus n√£o os pouparia (ver Dt 7.1-6). At√© porque o Eterno sabia que, se alguns daqueles povos fossem poupados, serviriam como pedra de trope√ßo e inspira√ß√£o de idolatria para Israel. Sem d√ļvida, eles ponderaram que os israelitas eram um povo que tinha a justi√ßa e a lealdade em alto conceito, e que serviam a um Deus justo. Ent√£o eles procuraram enredar Israel no seu pr√≥prio conceito de justi√ßa e lealdade. Sabiam, √© claro, que logo a sua verdadeira identidade seria descoberta, ” mas”, cogitaram, “apenas depois de fazermos um pacto com Israel, o qual, seguindo o seu alto conceito moral, n√£o poder√° invalidar”. Notemos, ent√£o, que a inten√ß√£o por tr√°s do ardil era primeiramente levar a na√ß√£o santa a desobedecer √† ordem de Deus, o que abre as portas para males destruidores; segundo: enredar Israel no seu pr√≥prio conceito de justi√ßa. Tanto √© que, descobrindo Josu√© que havia sido enganado, apesar da indigna√ß√£o do povo, nada p√īde fazer contra os gibeonitas, pois os anci√£os de Israel j√° haviam feito alian√ßa com eles, havendo jurado em nome do Senhor. Seria c√īmico se n√£o fosse tr√°gico: mais tarde Israel se sentiu na obriga√ß√£o de defender numa guerra aqueles a quem receberam ordens claras de Deus para destruir (Js 10.6-11). Por muitos anos depois, Israel ainda sofreria as conseq√ľ√™ncias de sua decis√£o inconseq√ľente, pois, em muitas ocasi√Ķes, os heveus causaram grandes ang√ļstias aos filhos de Abra√£o (Jz 3.1-3; 2 Sm 21. 1, 2).

3. A estrat√©gia dolosa dos gibeonitas. Agir com dolo √© planejar, deliberadamente, cada etapa do pr√≥prio ato criminoso. Os gibeonitas foram precisos. O primeiro passo de sua estrat√©gia era fazer Josu√© acreditar que eles eram moradores de uma terra distante. Se errassem aqui, estariam perdidos. A B√≠blia mostra com detalhes a maneira ardilosa e “inteligente” como teceram a rede que enlearia Israel. “Tomaram sacos velhos sobre os seus jumentos e odres de vinho velhos, e rotos, e remendados; e nos p√©s sapatos velhos e remendados e vestes velhas sobre si; e todo o p√£o que traziam para o caminho era seco e bolorento” (Js 9.4,5). Em seguida, fizeram a na√ß√£o santa acreditar que eles estavam encantados com o Deus de Israel. Foi uma conjuga√ß√£o de apar√™ncia e lisonja.

Tomemos cuidado! Os nossos inimigos sabem tecer suas redes. Lembra a arapuca que Bala√£o armou para os filhos de Israel? (ver Nm 22.5-24.25; Dt 23.4; Jd 11). E o que armaram para Daniel na Babil√īnia? (ver Dn 6). Para encerrar, veja a armadilha que Sema√≠as perpetrou para Neemias (Ne 6.10-13). Estes dois √ļltimos escaparam porque n√£o se deixaram levar pela falsa apar√™ncia das coisas, pois buscavam sempre a orienta√ß√£o de Deus.¬†¬†

4. O perigo da conviv√™ncia com o engano. Pior do que ser enganado uma vez √© a sensa√ß√£o de estar habitando nos meio de enganadores. O salmista Davi j√° dizia: “Livra-nos, Senhor, porque faltam os homens benignos; porque s√£o poucos os fi√©is entre os filhos dos homens. Cada um fala com falsidade ao seu pr√≥ximo: falam com l√°bios lisonjeiros e cora√ß√£o dobrado” (Sl 12.1,2). Veja a preocupa√ß√£o de Paulo com o perigo do engano: “…em perigo dos da minha na√ß√£o, em perigo dos gentios… em perigo entre os falsos irm√£os (2 Co 11.26). Depois de haver feito um pacto com os gibeonitas, Israel foi for√ßado a conviver com eles. Isso n√£o era nada confort√°vel. J√° experimentou conviver com algu√©m em quem voc√™ n√£o confia pelo fato de j√° ter sido enganado por ele? Pois √©, o fermento j√° havia sido lan√ßado no meio da massa. E o ap√≥stolo Paulo disse que “um pouco de fermento faz levedar toda a massa” (1 Co 5.6). Israel teria que carregar aquele fardo por longos anos. Para n√≥s, que somos os destinat√°rios de tudo quanto foi escrito, o que √© para o nosso ensino (Rm 15.4), fica o conselho do ap√≥stolo: “N√£o durmamos, pois, como os demais [ os israelitas?], mas vigiemos e sejamos s√≥brios” (1 Ts 5.6).

IV - A FARSA DESCOBERTA (9.16-22)

1. Israel descobre o erro cometido. Ao cabo de tr√™s dias, a verdade sobre os gibeonitas veio √† superf√≠cie. Aqueles “moradores de terra long√≠nqua” eram, na verdade, vizinhos de Gilgal, das cidades de Gibeom, Cefira, Beerote e Quiriate-Jearim. Sinceramente acredito que os gibeonitas n√£o se surpreenderam com a rapidez com que Israel descobriu a farsa, j√° esperavam por isso. Como j√° dissemos algures, eles queriam apenas for√ßar um pacto de n√£o agress√£o, o qual, por uma quest√£o de fidelidade, a na√ß√£o santa dificilmente quebraria.

√Č not√°vel aqui a indigna√ß√£o do povo. Havia murmura√ß√Ķes e, provavelmente, questionamentos: como puderam os pr√≠ncipes de Israel cometer um erro prim√°rio e t√£o infantil como este? A hist√≥ria sempre se repete porque o homem ainda √© o mesmo. Ainda hoje somos surpreendidos por grandes l√≠deres tomando atitudes infantis e tresloucadas no seio de muitas igrejas. Tantas vezes nos deparamos com situa√ß√Ķes em que a congrega√ß√£o est√° estupefata diante de decis√Ķes que se mostraram danosas. E, se os crentes se mostram surpresos, √© porque nunca esperavam tal comportamento de um l√≠der que pautou toda a sua vida em um relacionamento estreito com Deus e que nunca havia descuidado de buscar as orienta√ß√Ķes divinas.

2. Josu√© teve de honrar o acordo com os enganadores. Segundo um ditado popular, um erro n√£o concerta o outro. Apesar de agora saber que os gibeonitas o haviam enganado, Josu√© n√£o podia invalidar o acordo que fizera com eles em nome do Senhor. Seria agravar ainda mais a situa√ß√£o. Ent√£o, apesar da press√£o do povo, os pr√≠ncipes de Israel se mantiveram firmes e leais ao concerto que haviam feito. “Est√£o todos os pr√≠ncipes disseram √† congrega√ß√£o: N√≥s juramos-lhes em nome do Senhor, Deus de Israel; pelo que n√£o podemos tocar-lhes” (Js 9.19). Eugene Merrill faz uma observa√ß√£o que vale a pena reproduzir.

√Č claro que os gibeonitas eram alvo do herem [an√°tema], juntamente com os demais cananeus, e por isso deveriam ser destru√≠dos (Dt 20.16,17). Em vez disso, despercebido como estava Josu√©, o pacto teve que vigorar e os gibeonitas com seus amigos heveus de Quefira (Tel Kefireh), Beerote (Nebi Samwil?) e Quiriate-jearim (Qiryat Ye’arim) conseguiram sobreviver, e todas as vilas que ficaram nos oitos quil√īmetros de Gibe√£o foram permitidas viver (Merrill, E. H. Hist√≥ria de Israel no Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, pp. 112-3. In CABRAL, Elienai. Li√ß√Ķes b√≠blicas - livro de Josu√©: as conquistas e as promessas do povo de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 4¬ļ trim de 2008, p. 61).

Nós vemos a responsabilidade dessa aliança pesar nos ombros de Israel até nos dias de Saul e Davi (2 Sm 21. 1-9). Analise esses versículos com cuidado e veja a seriedade do juramento feito em nome do Senhor.

Depois do erro cometido, a melhor atitude √© reconhec√™-lo, assumi-lo e procurar amenizar as conseq√ľ√™ncias dele. Foi o que fizeram humildemente Josu√© e os pr√≠ncipes de Israel. Pouparam os gibeonitas da morte, imposta a seguinte condi√ß√£o: seriam rachadores de lenha e tiradores de √°gua para toda a congrega√ß√£o e para o altar do Senhor. Come√ßaram a viver uma situa√ß√£o an√°loga √† escravid√£o, de qualquer maneira, uma condi√ß√£o melhor que a morte.

3. Os gibeonitas atuais na igreja. Sendo a igreja de Cristo o novo Israel de Deus e militando para tomar posse da cidade que lhe fora prometida, ainda hoje √© alvo de ardis perpetrados pelos gibeonitas atuais, cuja roupagem pode n√£o ser rota e cujo p√£o pode n√£o ser velho, mas continuam vindo disfar√ßados para enganar o povo de Deus. Paulo avisara a Tim√≥teo que, nos √ļltimos tempos, esp√≠ritos enganadores se introduzir√£o na igreja e semear√£o doutrinas destruidoras (ver 1 Tm 4.1). √Č preocupante o que estamos vendo nos dias atuais, muitos l√≠deres e pregadores comprometidos consigo mesmos, desviando o povo de Deus da verdade do evangelho por suas mentiras e opera√ß√£o do erro. √Č a √©poca do vale tudo pelo sucesso. E, no af√£ de atingirem seus objetivos, muitos desprezam a exegese b√≠blica e usam e abusam de seu ant√īnimo, a eisegese, introduzindo nas santas Escrituras aquilo que ela nunca disse, a fim de atingirem seus prop√≥sitos. A igreja de Cristo, como nunca, precisa estar atenta. Vale reproduzir aqui o coment√°rio do pastor Elienai Cabral sobre esses falsos mestres.

De vez em quando nos deparamos com os disfarces de algumas pessoas que se dizem pastores, pregadores e l√≠deres, os quais trazem para dentro da igreja os seus costumes mundanos. S√£o pessoas que fingem ser possuidores de un√ß√£o especial, que ostenta uma falsa espiritualidade e acabam por contaminarem o povo de Deus (Tt 1.16). A mistura no seio do povo de Deus, como fermento na massa, sempre ser√° mal√©fica (1 Co 5.5-7). Essa mistura do verdadeiros com o falsos irm√£os √© perniciosa (2 Co 11.26). No minist√©rio crist√£o aparecem os lobos cru√©is vestidos de ovelhas (At 20.29) e “obreiros fraudulentos” (2 Co 11.13). Esses “rachadores de lenha” n√£o fazem o trabalho por amor, mas porque n√£o podem fazer outra coisa, por isso, podem ser aqueles que procuram “rachar” (dividir) o Corpo de Cristo, produzindo dissens√Ķes e divis√Ķes (CABRAL, Elienai. Josu√©: um l√≠der que fez a diferen√ßa. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, p 98).

CONCLUSÃO

A Bíblia diz que tudo quanto foi escrito, para o nosso ensino foi escrito (Rm 15.4). Os tempos mudaram. Mas o novo Israel de Deus ainda luta para conquistar a terra prometida (Gl 5.16; Hb 11.14-16). E os gibeonitas ainda estão aí, vestindo outras veste, é claro, usando outros artifícios, porém com o mesmo objetivo: enredar o povo de Deus. Devemos estar, pois, atentos, buscando sempre a orientação de Senhor para que não incorramos no mesmo erro em que Josué e os anciãos de Israel incorreram. Satanás, nosso adversário, está ao nosso derredor, bramando como leão procurando a quem possa tragar (1 Pe 5.8). Sejamos sóbrios e vigiemos.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo pentecostal/ CPAD.

—————— aplica√ß√£o pessoal/ CPAD.

Bíblia de referência Thompson/ Vida.

CABRAL, Elienai. Li√ß√Ķes b√≠blicas - livro de Josu√©: as conquistas e as promessas do povo de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 4¬ļ trim de 2008.

—————— Josu√©, um l√≠der que fez a diferen√ßa. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

MERRILL, E. H. História de Israel no Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.

OLSON, Nels Lawrence. O plano divino através dos séculos. Rio de Janeiro: CPAD, 1981.

MONEY, Netta Kemp de. Geografia histórica do mundo bíblico. São Paulo: Editora Vida, 1977.

O Novo Dicionário da Bíblia. Editado por R. Shedd. São Paulo: Vida Nova, 1995.

Publicado no site da AD Bel√©m -¬†Jardim √āngela - Setor 14 - SP

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    marcia furlaneto
    Escreveu:

    Pastor,
    A Paz!
    Seus estudos são um maravilhosa fonte de inspiração,sabedoria e conhecimento, e muito tem acrescentado em minhas aulas,não ministro uma aula sem antes lê-los e aprender mais sobre a lição!Muito obrigada!Porém, gostaria de saber como faço para inprimi-los,pois ler na tela do monitor tem prejudicado muito a minha visão!Desde já quero agradecê-lo!Deus o abençoe!
    M√°rcia


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    Joelma .N. Teixeira
    Escreveu:

    A Paz do Senhor Jesus Cristo! Est√° sendo uma honra para mim pode usufluir dos comentarios dos irm√£os , sobre as li√ß√Ķes, est√° mim ajudando grademente pode dar uma boa aula para minhas alunas atrav√©s de vcs. Muito obrigada por tudo mesmo eu ainda sou uma pricipiante na palavra √Ī tenho muito cohnecimento atrav√©s dos comentarios tem mim ajudado bastante.

    Ass: Joelma.


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    Jocelem Sch√ľtz
    Escreveu:

    Prezado Pastor,
    busco refer√™ncias aos descendentes de C√£o(todos os “eus”), as caracter√¨sticas dos sete povos, mas n√£o encontrei, at√© ler o seu estudo. Muito bom! O senhor tamb√©m tem sobre os outros? Onde eu os encontro?
    Que Deus continue a derramar sua un√ß√£o sobre sua vida, em abund√Ęncia e o guarde. A Paz do Senhor.
    Jocelem.

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