Os Dons Espirituais Suas Diversidades e Utilidades - Pastor Jurandir
Lição 10 - Comentário 1ª CorÃntios 12
Introdução
A igreja é o corpo de Cristo. Ela existe e trabalha assim, como um corpo. Cada crente é um membro desse corpo. A edificação espiritual de cada membro contribui para a edificação do corpo. Os problemas de cada membro influem na operação do corpo. As alegrias de cada membro tornam-se motivo de regozijo de todo o corpo. Os sofrimentos e as dores de um membro fazem sofrer todo o corpo de Cristo.
Os dons espirituais são distribuidos por Deus à igreja como corpo. Eles são dados, tendo em vista a edificação da igreja. Não têm o objetivo de premiar ou prestigiar alguns crentes espirituais, mas beneficiar a igreja ajudando-a a edificar-se e operar como corpo de Jesus Cristo. Se os dons entristecem os crentes, não ajudam na edificação do corpo e dos membros e dividem a igreja não são dons espirituais proporcionados por Deus.
A igreja dos corÃntios, entre outros problemas, enfrentava a questão dos dons espirituais. Paulo dedica boa parte de sua primeira carta ao trato deste sério assunto. Os capÃtulos 12 a 14 discutem a diversidade, a utilidade e a prática dos dons concedidos pelo Senhor à igreja. As maiores dificuldades ali em Corinto relacionavam-se com o dom de lÃnguas. A introdução do apóstolo no capÃtulo 12, passando pela sublime peça de literatura a respeito do caminho sobremodo excelente do amor, o capÃtulo 13, constitui-se a preparação para a discussão especial do problema das lÃnguas, objeto das considerações do capÃtulo 14.
1 CorÃntios 12.1-3.
Os crentes corÃntios, antes de sua conversão, eram pagãos arrastados ao culto dos Ãdolos mudos pela necessidade de emoções e sob o domÃnio das supertições. Nada conseguiam nessas falsas religiões porque seus deuses eram Ãdolos mudos. No evangelho, opera um EspÃrito Santo que conduz os crentes e o que os inspira ao testemunho. O primeiro e principal teste da inspiração do EspÃrito Santo é a atitude do crente em relação a Jesus Cristo. Ninguém reconhece o senhorio de Cristo e a ele se submete, se não for conduzido pelo EspÃrito. Por outro lado, quem adota uma atitude contrária ou mesmo indiferente em relação a Jesus, não se acha sob a inspiração do EspÃrito.
VersÃculos 4-7
O EspÃrito Santo usa homens diferentes, de diferentes maneiras, concedendo-lhes diferentes dons. Operações, ministérios e dons são diferentes mas têm todos uma mesma origem: vêm de Deus. Os dons têm uma finalidade: o proveito comum. “Quaisquer que sejam os dons que o EspÃrito tem conferido, ou as diversas maneiras com que se manifestem, tudo tem sido dado para o proveito comum da igreja. Deus não concede dons a nenhuma pessoa para seu benefÃcio único, para seu exclusivo proveito”. Há diversidades de dons, mas todos têm o mesmo objetivo: a edificação da igreja como corpo de Jesus Cristo.
Nestes versos, aparece uma clara referência à doutrina da Trindade. Os dons são atribuÃdos ao EspÃrito, os ministérios a Jesus (o Senhor do verso 4), as operações a Deus, que é o Pai. Essa menção não acontece por acaso. As pessoas da divina Trindade são três, mas constituem um só Deus. Elas atuam de maneira diversa, ante o nosso entendimento, mas trabalham num mesmo propósito. Da mesma forma, na igreja somnos diferentes, mas existimos como um corpo. Temos diferentes dons, mas servimos a um mesmo propósito.
VersÃculos 8-11
A palavra da sabedoria significa a capacidade espiritual de aplicar os ensinos de Deus à prática da vida cristã, ajudando o povo de Deus a andar nos caminhos retos do Senhor, e agir adequadamente ante as situações da vida no meundo. A palavra da ciêmcia relaciona-se com o conhecimento espiritual. É a capacidade de penetrar profundamente na doutrina revelada, na palavra de Deus, compreendê-la em seu conjunto e seus detalhes, expondo-a a povo de Deus para a sua instrução. Esses dois dons relacionam-se com a inteligência iluminada pelo EspÃrito Santo, e com a capacidade de comunicar aos outros a vontade de Deus. Daà estarem precedidos do termo palavra (logos).
A fé é a capacidade de ver o invisÃvel, essa fé milagrosa que remove montanhas. Num certo sentido, todos os crentes têm fé. Mas o dom espiritual da fé é algo especial que Deus concede para mover sua igreja a grandes realizações. Dons de curar referm-se ao poder que Deus concede para mover sua igreja a grandes realizações. Dons de curar referem-se ao poder que Deus concede para a libertação das enfermidades. Deus continua curando hoje, como curou no passado. Às vezes, ele usa os ofÃcios do médico,as vezes, não. Na realidade toda cura vem de Deus. Os dons de curar foram dados para a autenticação do evangelho. Mas nem mesmo os apóstolos fizeram deles uso indicriminado. Deus continua curando nestes tempos, mas não nos parece que essas apregoadas “curas” dos movimentos carismáticos correspondam a esse dom de curar mencionado no Novo Testamento.
A operação de milagres corresponde ao poder espiritual de suspender temporariamente as leis que governam o mundo. Há três fases de milagres na BÃblia. A primeira relaciona-se com os dias de Moisés, época da doação da lei. A segunda com os tempos de Elias, quando o paganismo envolvia o povo de Deus, e um reavivamento era necessário. A terceira acontece com o inÃcio do cristianismo. Esses milagres se deram para autenticar as verdades de Deus. Deus pode operar milagres em qualquer tempo. Mas o dom de operação de milagres concedido ao homem não era está em evidência nestes dias.
A profecia não significa só a capacidade de prever o futuro, mas principalmente o dom de proclamar as verdades de Deus. Profeta é quem fala em nome de Deus. Há um dom de profeta dado à igreja para sua edificação.
Discernimento de espÃritos significa a capacidade de distinguir entre um milagre falso e um verdadeiro, entre alguém que se diga inspirado pelo EspÃrito e que realmente o seja; entre quem se apresente como um seguidor de Jesus e um outro que de fato siga o mestre.
As lÃnguas são idomas que Deus concede aos aos homens falarem para que outros que não nos entendam possam conhecer o evangelho, como se deu em Pentecostes. Interpretação de lÃnguas é uma capacidade espiritual de traduzir o que está sendo dito em outro idioma. O dom de lÃnguas e o dom de interpretação se completam. Vale acentuar que as lÃnguas mencionadas nas Escrituras são sempre idiomas. O dom de lÃnguas em Corinto que muitos tomam como exemplo para sua prática hoje constituia um abuso do verdadeiro dom de falar idiomas não aprendidos intelectualmente.
O critério da concessão dos dons é do EspÃrito. Ele os dáas igrejas como ele quer. Todos os crentes são agraciados com dons. Se alguém não encontro o seu, peça a Deus que o revele. Todos os crentes têm sua utilidades na igreja. E vale acentuar: Os dons são dados à igreja. Cada um de nós com a capacidade que o EspÃrito Santo concedeu é um dom proporcionado à igreja para a edificação do corpo de Cristo.
VersÃculos 12-14
Paulo acentua a unidade da igreja, dizendo aos corÃntios que eles formam um copo em Cristo. A unidade na igreja não se dá somente em relação aos dons espirituais, que têm a mesma origem (Deus) e a mesma finalidade (o proveito comum da igreja, a bênção e a edificação do corpode Cristo). Nosso unidade se mostra também no fato de que somos membros de Cristo. A igreja identifica-se com Cristo. Seria natural esperar que no verso 12 aparecesse a frase “assim também a igreja”. Mas o apóstolocoloca a frase: “assim também é Cristo”. Cristo é nesse versÃculo sinônimo de igreja. Porque Cristo e a igreja. A igreja é Cristo. Como cabeça e corpo se identificam, assim se identificam Cristo e a igreja. Qualquer problema na igreja fere a Cristo. Ele se sentia profundamente ferido com as questões e os problemas da igreja de Corinto.
Nós nascemos de novo pela operação do espÃrito. O EspÃrito batiza o crente, imergindo-o no corpo de Cristo. As diferenças, causa de muita luta e muitas divergências entre nós, são inteiramente secundárias ante o nosso batismo no corpo de Cristo. Raça, nacionalidade, condição social, cultural, econômica, tudo isso torna-se sem sentido em relação à nossa união em Cristo.
Nos versos 28 a 31, Paulo alinha os dons, mostrando que eles são concedidos de maneira diferente. Uns recebem um dom, outros recebemoutro. Ninguém tem todos os dons. Ninguém ficou sem um dom. Ninguem precisa ambicionar o dom de seu irmão. Mas há um caminho que todos precisam trilhar, qualquer que seja o seu dom. É o amor que deve dominar o coração de cada crente. Em Corinto, a prática do amor deixava a desejar. E em nossa igreja hoje?
Resumo:
1. Diversidade. “Ha diversidade de dons… de ministérios… de operações” (vv. 4,5,6). Os dons visam suprir as necessidades da igreja que é um corpo com muitos membros. Para que toda a igreja seja abençoada são realmente necessários vários dons.
2. Utilidade. “É dada a manifestação do EspÃrito para proveito comum” (v.7). Os dons existem não para deleite de alguns crentes em particular. Mas para o proveito comum, para a utilidade da igreja, para abençoarem o corpo de Cristo, com seus vários membros.
3. Origem. “Um só e o mesmo EspÃrito opera todas estas coisas” (v.11). Os dons espirituais vêm à igreja, procedendo de Deus através do EspÃrito Santo. Eles não significam capacidade natural ou intelectual do homem. São capacidades espirituais dadas por Deus aos crentes. Quem não é crente pode ter capacidades e habilidades, mas não são dons espirituais.
4. Distribuição. “Distribuindo a cada um particularmente como quer” (v.11). Não cabe ao homem escolher o seu dom. Se os dons são concedidos para abençoar a igreja, quem melhor do que Deus para conhecer as necessidades e como elas podem ser satisfeitas?
5. Universalidade. “A cada um… a um… a outro” (vv. 7,8,11.28-30). Nem todos sãp apóstolos ou profetas, ou mestres. Nem todos têm o mesmo dom. Mas cada um tem o seu dom. Cada um tem com que abençoar o corpo de Cristo. Todos recebem dons.
A Deus toda a Glória!
Publicado no blog do Pastor Jurandir


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