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Neemias Lidera um Genuíno Avivamento - Ev. Isaias de Jesus

TEXTO ÁUREO - “E Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação […] E leu nela […] desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne 8.2,3).
VERDADE PRÁTICA - Somente o genuíno ensino da Palavra de Deus é capaz de produzir um verdadeiro avivamento.
INTRODUÇÃO
O AVIVAMENTO QUE VEM PELO ENSINO
Só o ensino genuíno da Palavra de Deus produz verdadeiro avivamento no meio da igreja local. Nos nossos dias, há uma onda de movimentos evangelísticos produzidos por ação humana com o objetivo de atrair multidões ávidas por novidades e modismos. Tais movimentos carecem da base fundamental e consistente, que é o ensino da Palavra de Deus.
Todos os verdadeiros avivamentos na história do povo de Israel e no seio da Igreja, ao longo dos séculos, só tiveram resultados duradouros quando começaram e prosseguiram alicerçados na Palavra de Deus. Avivamentos sem a Palavra de Deus são apenas movimentos que passam com o tempo e não geram mudanças significativas na vida e no comportamento das pessoas envolvidas. O avivamento, no tempo de Neemias, teve a marca do ensino da Palavra de Deus. Neemias, o líder da reconstrução, e Esdras, o sacerdote, eram homens que se dedicavam ao estudo da Palavra do Senhor. Ao reunirem o povo na praça principal da cidade, sem meios de transmissão da mensagem, deve ter sido uma tarefa extraordinária e dificil, mas eles o fizeram. Repassaram para o povo o conteúdo da lei do Senhor para a vida dos habitantes de Jerusalém. Eles não tinham preocupação com a oratória, nem com a retórica nem com a eloquência do discurso.
Simplesmente leram a palavra de modo didático, pausadamente, para que o povo entendesse o que Deus requeria dos que o serviam naquele momento crucial para a história de Israel após anos e anos de cativeiro em terra estranha. Diz o texto: “E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio- dia, perante homens, e mulheres, e entendidos; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei. (Ne 8.3). Além da leitura, havia a explicação do significado de cada expressão. O povo entendeu, e como resultado, sobreveio poderoso avivamento no meio deles. Houve um quebrantamento verdadeiro, e não um simples remorso. Houve alegria, festa, e o povo se dispôs a trabalhar na reconstrução.

Um Verdadeiro Culto de Doutrina
Reunidos para ouvir a palavra. Diante do que Deus fizera através do esforço denodado dos israelitas, sob a liderança de Neemias, na edificação dos muros em redor do Templo, o povo sentiu necessidade de ter sua edificação espiritual também. Como foi dito anteriormente, não adiantaria um templo lindo com admirável beleza arquitetônica se o povo não tivesse o temor de Deus, um quebrantamento para adorar ao Senhor. Templo sem a presença de Deus é corpo sem alma, sem espírito.
O texto bíblico nos revela que houve uma fome e uma sede de ouvir a Palavra de Deus. “E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel” (Ne 8.1). Ali, na praça principal, “diante da Porta das Águas”, iniciou-se um poderoso avivamento na história de Jerusalém.
O Templo construído, os muros restaurados. Os arautos tocavam suas trombetas convocando os habitantes de Jerusalém e cidades vizinhas para um grande evento no centro da cidade. Certamente a praça estava arborizada. Havia um cenário apropriado para a grande reunião festiva em que todo o povo se deslocou dos lugares onde habitavam para chegar ao centro de Jerusalém.
Não era para assistir a um show de grupos musicais nem ouvir um artista da época, mas o ajuntamento impressionante acontecera para que o povo ouvisse a Palavra de Deus. Se fosse hoje, aquele grande evento teria a cobertura de alguns órgãos da imprensa. “…o povo se ajuntou como um só homem.” Isso nos fala não só de reunião, mas de união e integração do povo de Israel, a fim de ouvir a Palavra de Deus.
Hoje, em algumas igrejas, há pouca participação dos membros nos cultos de ensino da Palavra de Deus. Reuniões de estudo da palavra são desprezadas por grande parte dos crentes, sobretudo dos mais jovens. No entanto, quando se anuncia a presença de um cantor famoso faltam lugares para os espectadores. Isso é sintoma de fastio da Palavra. É sintoma de doença espiritual de extrema gravidade. O crente que ama a Deus ama a sua Palavra. Disse o salmista: “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!” (SI 119.97).
Esdras traz o livro da lei de Deus. O povo, sofrido, após anos de cativeiro, tinha sede de ouvir a Palavra de Deus (Am 8.11). Esdras, o escriba, levou o livro para a praça. Na verdade, era um grande rolo, provavelmente de pergaminho, que seria desenrolado pouco a pouco, à proporção que o sacerdote fizesse a leitura dos textos da lei (Ne 8.2). Não foi feita uma leitura rápida do livro. Esdras o leu, pausadamente, para que todo o povo entendesse bem o ensino que seria ministrado. Durante cerca de seis horas, das seis da manhã até ao meio-dia, foi feita a leitura do livro da lei.
O povo estava atento à leitura da palavra. “E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e entendidos; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei. (Ne 8.3). Podemos imaginar o que estava acontecendo, enquanto Esdras lia o livro da lei. Homens, mulheres, adultos e jovens, todos voltados em direção ao púlpito, ouvindo com muita atenção cada palavra que era lida perante todos.
O sacerdote-escriba estava de pé, sobre um púlpito de madeira, para melhor se fazer ouvir pelo povo. A seu lado, à direita, estavam homens de confiança, líderes auxiliares, que compunham “o ministério local” (Ne 8.4). Vale a pena lembrar que a leitura e explicação dos textos do livro duraram sete dias, durante seis horas por dia (Ne 8.3,18).
O clima era de reverência, de respeito e atenção à Palavra de Deus. As pessoas não ficavam andando de um lado para o outro, nem conversando distraídas. Todos queriam ouvir e entender a mensagem de Esdras. Quando Esdras abriu o livro, todo o povo se pôs em pé em reverência à leitura da Palavra de Deus (Ne 8.5). Certamente esse é um fundamento bíblico para o saudável hábito de se colocar de pé quando é lida Palavra de Deus. Esse deve ser o comportamento dos crentes em Jesus nas igrejas locais. Alguém pode escutar, mas não ouvir a leitura da Palavra e sua explicação por estar desatento durante a ministração.
O Povo Adorou a Deus
Um culto avivado. Culto de doutrina sem adoração não atende aos requisitos do verdadeiro culto a Deus. Cultuar significa adorar. Por ocasião da leitura do livro da Lei, o escriba louvou a Deus e foi correspondido pelo povo que o acompanhou na adoração a Deus com júbilo e louvor, cantando e se expressando com decência e ordem (1 Co 14.40).
Diz o texto: “E Esdras louvou o Senhor, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! -, levantando as mãos; e inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra” (Ne 8.6). À proporção que a palavra era ministrada, o povo se enchia de júbilo e de satisfação. Vendo a alegria da multidão, ali, em pé, em plena praça, atenta, dando ouvido à ministração da Palavra de Deus, Esdras louvou ao Senhor. E o fez com brados de “Amém!”, “Amém!”, enquanto levantavam as mãos para o alto.
Sem dúvida, dá para imaginar um espetáculo de rara beleza plástica, como uma coreografia santa no levantar das mãos em glorificação a Deus. Muitas pessoas foram de todas as cidades, e não apenas os habitantes de Jerusalém. Provavelmente, para que o povo ficasse durante seis horas “desde a alva até ao meio-dia” (Ne 8.3), a reunião não foi monótona como ocorre em muitos cultos em que o povo dorme de tédio ou de apatia durante uma mensagem sem graça e sem unção. Podemos crer que houve, de fato, um culto de doutrina pleno de avivamento e glorificação intensa.
Com o rosto em terra. O povo de Deus é o único que dá glória ao seu nome. É um dever glorificar a Deus. Bater palmas é uma opção adotada em algumas igrejas. Mas dar glória a Deus é uma obrigação, um dever: “Dai ao Senhor a glória devida ao seu nome; adorai o Senhor na beleza da sua santidade. Além de louvar, o texto diz: “e inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra… E no seu templo cada um diz: Glória!” (Sl 29.2,9).
Estátuas não adoram a Deus. Os que participavam daquele culto avivado de doutrina demonstraram a sua alegria e a sua reverência, inclinando-se diante do altar de Deus “com o rosto em terra”. Poder- se-á indagar: Para que isso? Para que esse gesto estranho de se colocar o rosto em terra? Não era um modismo, contudo uma maneira de se expressar comum adoração a Deus ante a sua majestade e poder.
O povo de Israel, em suas jornadas, sempre expressou reverência e adoração, curvando-se diante do Senhor, inclusive com o rosto em terra. “E todos os filhos de Israel, vendo descer o fogo e a glória do Senhor sobre a casa, encurvaram-se com o rosto em terra sobre o pavimento, e adoraram, e louvaram o Senhor, porque é bom, porque a sua benignidade dura para sempre” (2 Cr 7.3; ver 2 Cr 20.18; Lc 17.16). Diante do fogo e da glória do Senhor, quem pode permanecer de pé? Deve-se entender que orar “com o rosto em terra” não é uma doutrina, nem uma obrigação. É algo que pode ser feito com decência e ordem, respeitando-se à liturgia e à liderança da reunião e da igreja local.
Devemos observar, no texto em apreço, que não havia qualquer exagero ou descontrole nas expressões corporais dos adoradores. Hoje há um verdadeiro abuso em determinadas reuniões. Existem pessoas que confundem o espiritual com o emocional, chegando às raias do irracional. Em determinadas igrejas, principalmente as neopentecostais, acontecem verdadeiros absurdos, como pessoas correndo dentro das igrejas, pulando descontroladamente, sapateando, quem sabe até se contorcendo e se dizendo cheias do poder de Deus.
Muitas, na verdade, estão se exibindo, buscando chamar a atenção para si. Isso não glorifica nem bendiz ao Senhor (Si 103.1), é puro emocionalismo. Não se deve ficar como “uma estátua de sal” no momento do louvor, as mãos podem ser levantadas, talvez em algumas ocasiões até se prostrar com o rosto no chão em razão do poder que está sendo derramado sobre todos, mas não se deve cair no descontrole dos gestos e das emoções.
Quem não ouviu falar na “unção do riso”, que pessoas passavam a rir de forma estranha e sem controle? Muitas, às gargalhadas, saiam correndo e pulando. Em um determinado vídeo pude observar que um homem, sob efeito de sugestão emocional, corre e pula sobre o púlpito! Isso é espiritual? À luz da Bíblia, certamente não. Esse movimento foi desmascarado por alguns de seus fundadores, que relataram o clima da manipulação psicológica que dominava tais expressões de falsa espiritualidade.
O Ensino Base para o Avivamento
Na época do rei Josafá, houve um grande avivamento em Israel. Essa renovação começou com a retirada dos ídolos, seguindo-se um grande mutirão de ensino em todo o país (2 Cr 17.7-9). Com a liderança de Neemias não foi diferente. O avivamento fundamentou-se no ensino da Palavra de Deus.
Homens preparados para o ensino. “E Jesua, e Bani, e Serebias, e Jamim, e Acube, e Sabetai, e Hodias, e Maaséias, e Quelita, e Azarias, e Jozabade, e Hanã, e Pelaias, e os levitas ensinavam ao povo na Lei; e o povo estava no seu posto” (Ne 8.7). Eram treze ensinadores ou instrutores designados para ministrar o ensino nas diversas cidades, além dos levitas, que eram sacerdotes auxiliares junto ao Templo.
Havia naquela época, muitas pessoas preparadas para ensinar o povo. Esdras construiu o Templo; Neemias liderou a restauração dos muros. Era a prioridade visível. Sem muros, o Templo não funcionaria bem por causa dos inimigos que sempre assaltavam a cidade.
A fim de que haja ensino, é desejável e necessário que se tenha um ambiente apropriado com o mínimo de infra-estrutura. Como há via ulna estrutura adequada, Neemias convocou Esdras para estar ao seu lado dirigindo o ensino da Palavra com a ajuda de homens preparados para a grande missão de ensinar o povo. Eles “ensinavam o povo na Lei”, ou seja, no PentateucO ou na Torah, a lei de Deus.
Exemplo para as igrejas. É um ótimo exemplo para as igrejas nos dias presentes, pois, hoje, há muitos pregadores, preletores e cantores, mas faltam ensinadores, pessoas dedicadas ao ensino da Palavra. A princípio, todo líder ou pastor deve ser apto ao ensino. Paulo declara: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Tm 2.2).
Contudo, existem pessoas na igreja que têm mais habilidade concedida por Deus para se dedicar ao ensino. “Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7). É importante que nas igrejas sejam promovidos seminários, cursos e outros eventos que tenham como objetivo preparar homens e mulheres capacitados para ensinar. Os desafios ao bom ensino hoje são maiores do que no tempo de Neemias,
As igrejas locais estão repletas de membros jovens e estudantes, que trazem questionamentos complexos para as igrejas, e, na maioria das vezes, não encontram respostas adequadas. Imaginemos o que dirão alguns homens de Deus se forem questionados sobre transexualidade ou transgenitalídade.
O que ensinar, à luz da Bíblia, sobre gravidez substituta ou “barriga de aluguel”? Sobre células-tronco e outros temas polêmicos? Nenhum obreiro é obrigado a ser especialista nesses assuntos da bioética. E o que dizer acerca do que os crentes acompanham na internet? Talvez seja até pior do que o que veem na televisão. Para tanto, é necessário que haja ensino sobre tais temas a fim de que a igreja seja fortalecida na fé.
O Entendimento da Palavra Gerou o Avivamento
“E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei” (Ne 8.9).
O ensino significativo. “E leram o livro, na Lei de Deus, e 4cla- rando e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse?’ (Ne 8.8). O ponto fundamental que provocou o avivamento no coração do povo foi o fato de os ensinadores ou mestres terem tido o interesse, o cuidado e a paciência de não só lerem o livro, mas traduzirem as palavras diante do povo, “declarando e explicando” cada texto exposto. Eles não tinham pressa em simplesmente cumprir uma obrigação. Tinham zelo em fazer o povo apreender o conteúdo ensinado.
Segundo estudiosos, uma parte do povo que viera do cativeiro não falava nem entendia o hebraico. Falavam aramaico. Assim, os ensinadores e os levitas liam em hebraico e faziam a tradução para a língua do povo. Era um exercício edificante, de homilética, exegese e de hermenêutica ao mesmo tempo. A mensagem era lida, ensinada e aplicada à realidade vivenciada pelos que a ouviam.
O ensino provocou quebrantamento. “E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei” (Ne 8.9). Que exemplo! Neemias era o “tirsata” ou o governador, Esdras o escriba e sacerdote. Ambos estavam a postos coordenando toda a atividade do ensino, durante uma semana, seis horas por dia, incansavelmente!
A compreensão do que fora ensinado provocou lágrimas sinceras que partiam do íntimo das pessoas comovidas com a mensagem que no cativeiro não tiveram oportunidade de ouvir. Isso é exatamente o que acontece ao pecador quando dá crédito à Palavra de Deus. No mundo, no cativeiro espiritual, jamais podem ouvir e entender a Palavra de Deus. Ali, no meio da praça de Jerusalém, ocorria uma das maiores conferências bíblicas e teológicas de que se tem conhecimento. Hoje, compreende-se a reunião de grandes multidões, pois há espaços adequados em grandes auditórios climatizados, centros de convenções, equipamentos de som e imagem que prendem a atenção de um grande público.
No entanto, na época de Neemias, uma multidão, desde as primeiras horas do dia até o meio-dia se dispõe a ouvir não um grande preletor de fama nacional ou internacional, nem um grande cantor ou cantora. Estavam ali atentos para ouvir a Palavra de Deus. Jesus disse: “Antes, bemaveflturad0s os que ouvem a palavra de Deus e a guardam” (Lc 11.28). Eles tinham fome e sede da Palavra.
Alguns trechos da lei que eram lidos para o povo continham terríveis condenações de Deus ao pecado da desobediência. Ao serem lidos, provocaram grande temor e tremor nos corações. Não era simplesmente emoção mas quebrantamento sincero. As lágrimas do povo revelavam profunda tristeza pelos pecados cometidos. As explicações de Esdras, de Neemias, dos demais instrutores e dos levitas calavam fundo na alma dos ouvintes. A Bíblia diz: “Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte” (2 Co 7.10; Jo 16.20).
A Alegria do Senhor É a Força dos Salvos
“Comei as gorduras, e bebei as doçuras” (Ne 8.1Oa). Certamente, no final da grande reunião, no último dia da ministraçãO da palavra, o povo estava no auge de suas emoções ao ouvir e entender o ensino. Sua alma estava saciada com as porções espirituais que lhe foram ministradas ao longo daquela grande conferência bíblica. A Bíblia diz: “Porque o ouvido prova as palavras como o paladar prova a comida” (Jó 34.3).
Após um grande banquete espiritual com o alimento da Palavra, Neemias disse ao povo que fosse comer as gorduras e beber as doçuras. Provavelmente, fosse um convite a um banquete literal de comida típica daquela época. Segundo a Bíblia de Estudo Pentecostal, “os judeus gostavam muito de alimentos preparados com bastante gordura e bebidas bem doces. Muitos dos vinhos antigos eram fervidos e concentrados até ficarem doces e espessos, como mel ou geleias. Tinham que ser bem diluídos para serem consumidos”.
“E enviai porções aos que nada têm preparado para si” (Ne 8.10b). O povo judeu em seus dias de vitória tinha o costume de promover grandes festas com muita comida, bebida, e também tinha o hábito de enviar presentes aos seus concidadãos numa expressão de alegria e generosidade. No livro de Ester, temos exemplo dessa prática festiva.
Quando os judeus derrotaram seus inimigos no tempo da rainha Ester, houve grandes manifestações de festas em todos os lugares: “… como os dias em que os judeus tiveram repouso dos seus inimigos e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria e de luto em dia de folguedo; para que os fizessem dias de banquetes e de alegria e de mandarem presentes uns aos outros e dádivas aos pobres” (Et 9.22).
Na época de Neemias não poderia ser diferente, e até com muito mais razão. O povo experimentara 70 anos de cativeiro. Após sua libertação, puderam ver a mão de Deus operando em seu favor, usando reis, exércitos e muitos outros homens. A alegria era indizível, O líder exortou-os a se alegrarem, mas sem egoísmo e individualismo.
Talvez houvesse alguém que não tivera a oportunidade de participar das solenidades santas e de ouvir a leitura e a explicação da lei do Senhor. Havia pobres entre os seus irmãos. E, numa demonstração de amor generoso, foram exortados a enviar-lhes porções das iguarias de sua festa. A fé salvífica é também fé compassiva. Tiago declara que a fé sem as obras é morta (Tg 2.20).
“A alegria do Senhor é a vossa força” (Ne 8.10 c). O povo estava desfrutando enorme alegria. Havia um clima de festa espiritual e também de festa nacional. E toda aquela alegria era resultado do avivamento genuíno provocado pela exposição da Palavra de Deus. Na realidade, era alegria vinda de cima do céu, da parte de Deus. Era “a alegria do Senhor!” Não era euforia humana de origem puramente emocional. As emoções não podem ser excluídas da manifestação de alegria, pois fazem parte de nosso ser. Quando no meio da igreja local o Espírito Santo opera tocando no coração dos adoradores, é possível se ouvir “um som, como de um vento veemente e impetuoso”, enchendo o ambiente (At 2.2).
Uma festa santa. A “alegria do Senhor” produz força na vida do crente fiel. Essa força é indispensável para uma vida vitoriosa contra os três inimigos da fé: a carne, o mundo e o Diabo. Paulo ensina:
“No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” (Ef 6.10). O crente fiel só pode ser forte se for cheio da alegria do Senhor, pois ela é a sua força. E para estar “no Senhor”, é necessário ter comunhão com Ele (2 Co 5.17).
Quanto mais alegre for o crente “no Senhor”, mais forte ele será. Na igreja local nunca se vê um crente alegre se desviar, causar dissensões ou divisões. Normalmente são os amargos e insatisfeitos que provocam rebeliões. Por isso, é indispensável que se busque desenvolver um clima de alegria espiritual. Não confunda a “alegria do Senhor” com os falsos avivamentos.

Ao que parece, no meio da multidão sobressaía-se o choro de alegria misturado com o pranto de arrependimento. Havia um clamor em voz alta na adoração, na confissão de pecados e no quebrantamento. Desse modo, os levitas procuraram acalmar o povo, dizendo:
“Calai-vos, porque este dia é santo; por isso, não vos entristeçais” (Ne 8.11). Em seguida, o povo atendeu à exortação de Neemias e foi “a comer, e a beber, e a enviar porções, e a fazer grandes festas, porque entenderam as palavras que lhes fizeram saber” (Ne 8.12).
A demorada exposição da Palavra de Deus, em plena praça de Jerusalém, terminou numa grande celebração, numa verdadeira “festa santa” como proclamou Isaías: “Um cântico haverá entre vós, como na noite em que se celebra uma festa santa; e alegria de coração, como a daquela que sai tocando pífano, para vir ao monte do Senhor, à Rocha de Israel” (Is 30.29 - grifo nosso). Somente após o ensino ter sido ministrado na praça de Jerusalém, foi que irrompeu um dos maiores avivamentos da história bíblica. O povo se alegrou com o Templo construído sob a liderança de Esdras. Ele jubilou com a restauração dos muros sob a direção de Neemias, mas o aviamento chegou quando todos ouviram e entenderam a mensagem da Palavra de Deus.
Elaboração pelo:- Evangelista Isaias Silva de Jesus Igreja Evangélica Assembléia de Deus Ministério Belém Em Dourados - MS Livro de Neemias - Integridade e Coragem em Tempo de Crise - Elinaldo Renovato

Publicado no Blog do Ev. Isaias de Jesus

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    rogerio
    Escreveu:

    - O capítulo 7 do livro de Neemias começa com a afirmação do governador de que, após a finalização da reconstrução dos muros, mesmo diante da ação dos falsos profetas e dos que haviam se mancomunado com Sambalate, Tobas e Gesem para tentar atemorizar o governador, as portas foram levantadas (Ne.7:1).

    - É interessante verificarmos que, primeiro, Neemias teve de reedificar os muros, muros que não podiam ter qualquer brecha (Ne.6:1), para só então, colocar as portas nos portais. A edificação tem a sua ordem, que não pode ser alterada.

    - Assim, também, ocorre na vida espiritual. Primeiramente, temos de edificar os muros sem brecha alguma, ou seja, alicerçados sobre a rocha, que é Cristo Jesus (Mt.7:24; I Co.10:4), crescermos na doutrina, em amor, para que não venhamos a ser enganados pelo inimigo e seus agentes (Ef.4:14-16). Somente depois é que teremos condição de entrarmos em contato com o mundo, a fim de cumprirmos a tarefa da evangelização, visto que é necessário antes sabermos qual é a esperança que temos para podermos levá-la aos outros (I Pe.3:15).

    - Muitos, nos dias em que vivemos, têm subvertido esta ordem com grande prejuízo tanto para si mesmos quanto para a obra de Deus. Sem terem ainda tido a necessária edificação, lançam-se, inadvertidamente, a tarefas de evangelização, fracassando por não terem o devido preparo, não só não conquistando almas para Cristo como perdendo a si mesmos. Tomemos cuidado e sigamos o exemplo de Neemias que, primeiro reconstruiu os muros, sem brecha alguma, para depois levantar as portas.

    - Após ter levantado as portas, Neemias tomou outra importante providência: estabeleceu porteiros, cantores e levitas (Ne.7:2). De nada adiantaria ter muros sem brecha alguma e portas levantadas, se não houvesse pessoas prontas a efetuar os serviços e tornar operante toda a estrutura que, com a mão de Deus, havia sido construída em apenas cinquenta e dois. A obra de Deus é feita por homens e os homens devem ter prioridade. A estrutura é boa, mas sem pessoas de nada isto valerá. Lamentavelmente, muitos não têm agido deste modo, com grave prejuízo para a extensão do reino de Deus em nossos dias.

    - Levantadas as portas, Neemias estabeleceu porteiros. Os porteiros eram absolutamente necessários para que as portas fossem abertas e fechadas nos dias e horários certos, para que a entrada e saída de pessoas e animais fosse devidamente organizada, para que as portas, enfim, tivessem alguma funcionalidade. De que adiantaria todo o esforço para a construção e levantamento de portas, se não houvesse porteiros que tornassem as portas úteis? Por isso, assim que as portas foram levantadas, Neemias tratou de pôr porteiros para que a edificação desse os resultados esperados.

    - De igual maneira, precisamos ter “porteiros” em nossa vida espiritual, ou seja, necessitamos ser vigilantes em nosso contato com o mundo, visto que, embora a ele não mais pertençamos, ainda estamos nele e temos de conviver com ele inclusive para cumprirmos com a tarefa de sermos luz do mundo e sal da terra (Jo.17:11,16). Vigiar foi a ordem dada por Nosso Senhor (Mc.13:37).

    - Um dos principais “porteiros” que temos são os nossos olhos, porta de entrada de tudo quanto temos à nossa volta, em especial nos dias em que vivemos em que a principal comunicação é audiovisual. Temos de ter muito cuidado com os olhos, pois estes são órgãos que podem comprometer toda a nossa comunhão com Deus. Cristo nos ensina que eles são “a candeia do corpo” e se eles forem bons, todo o nosso corpo terá luz, se, porém, os teus olhos forem maus, o nosso corpo será tenebroso (Mt.6:23). Será que, a exemplo de Jó, fizemos um concerto com nossos olhos (Jó 31:1)?

    - Este cuidado de Neemias, também, remete-nos para a escolha dos porteiros em nossas igrejas locais. Esta função, que muitos vêm com desprezo, é importantíssima e até o descuido de alguns na escolha dos porteiros é um dos principais fatores para a situação lamentável da evangelização em muitos lugares. Os porteiros, em nossas igrejas locais, devem ser pessoas muito preparadas, revestidas do poder de Deus, que possam não só persuadir os transeuntes a adentrar em nossos templos para assistir aos cultos, mas serem gentis, dóceis e solícitos , de modo a serem verdadeiros “cartões de visita” de nossas igrejas locais. De nada adianta toda uma estrutura para se servir a Deus se não houver “porteiros” que tornem tudo funcional e útil. Aprendamos com Neemias e tenhamos este mesmo cuidado, líderes na casa do Senhor!

    - Ao apontar os porteiros, Neemias deu-lhes a ordem para que não se abrissem as portas de Jerusalém até que o sol se aquecesse, devendo as portas ser fechadas e trancadas, devendo ser, ainda, postos guardas dos moradores de Jerusalém, cada um na sua guarda, e cada diante da sua casa (Ne.7:3).

    - As portas de Jerusalém tinham de se manter fechadas durante a noite. Temos aqui uma linda lição espiritual: nossas portas devem se fechar quando as trevas comparecerem. Não podemos permitir que o pecado, representado pela escuridão, tenha entrada em nossa vida. Por isso, o apóstolo Paulo nos adverte para que não demos lugar ao diabo (Ef.4:27).

    - As portas tinham de ser fechadas e trancadas. Não bastava “encostar” a porta, mas elas deviam devidamente trancadas. Não podemos ser negligentes, mas zelosos em servir a Deus, tomando todo o cuidado para que não permitamos a entrada do mal em nossas vidas. Por isso, o autor da epístola aos hebreus recomenda-nos para que não só deixemos o pecado, como também o embaraço, coisas que não são em si pecaminosas mas que podem nos levar ao pecado (Hb.12:1). Não basta fechar, é preciso, também, trancar as portas!

    - A vigilância é reforçada na ordem de Neemias. Além de fechar e trancar as portas, deviam ser postos guardas dos moradores de Jerusalém, cada um na sua guarda e cada um diante da sua casa. A vigilância das portas, tarefa do governo da cidade, era feita, mas cada morador devia também fazer a vigilância diante de sua casa. Que linda lição para cada crente, principalmente para aqueles que acham que só os ministros e responsáveis pelo governo da igreja devam se preocupar com a vigilância. Esta é uma tarefa de cada um de nós: todos nós devemos ser zelosos, cada um tem de ter cuidado de si mesmo para, então, poder contribuir com o cuidado de todos (I Tm.4:16).

    - Temos posto guardas diante de nossas casas? Como está a vigilância em nossos lares, em nossas famílias? Temos, como cônjuges, como pais, como filhos, cuidado para que o inimigo não tenha entrada em nossas casas? Ou será que as mensagens satânicas têm pleno acesso através dos meios de comunicação de massa, da internet e de tantas outras coisas tenebrosas que o inimigo têm lançado contra os servos do Senhor? Será que nossas casas têm “guardas”?

    - Neemias, além de pôr porteiros e guardas, também tratou de estabelecer cantores. Pode parecer estranho que Neemias tenha procurado pôr cantores depois da conclusão da obra de reedificação. Esta estranheza é resultado de um pensamento precipitado de que os cantores teriam sido postos nas portas de Jerusalém ou nos muros. Entretanto, não é isto que o texto sagrado nos revela.

    - Ao estabelecer cantores, Neemias mostra-nos que, em virtude da situação de grande miséria e desprezo que vivia Jerusalém, o serviço de louvor do templo não estava a funcionar. A situação era de tanta tristeza e miséria, que não havia como se manter o serviço do louvor no templo, não só diante da insegurança reinante, mas também pela própria situação emocional e espiritual adversa a qualquer manifestação de alegria, que é o que representa o cântico (Tg.5:13).

    - Superada a insegurança, concluída a obra pela benignidade divina, Neemias logo entendeu que se devia restabelecer o serviço de louvor do templo e, por isso, designou cantores. Neemias não podia admitir uma situação de restauração, de renovo sem que houvesse o perfeito louvor.

    - O louvor deve acompanhar a adoração ao Senhor. Não pode o povo de Deus, edificado e salvo pela graça e misericórdia de Deus, calar-se e deixar de louvar ao Senhor. É com tristeza que vemos, nos dias hodiernos, muitos que cristãos se dizem ser desprezarem, por completo, o cântico e o louvor, tanto que chegam atrasados aos cultos, depois do momento litúrgico do louvor. Aprendamos com Neemias e não permitamos que deixe de haver em nossas vidas espirituais os cantores que completam a obra de nossa edificação espiritual.

    - Neemias, também, estabeleceu levitas, que eram auxiliares dos sacerdotes no serviço do templo. Observemos, aliás, que, ao contrário do que se costuma dizer hoje em dia, “levita” não se confunde com o músico. Os levitas eram os descendentes de Levi, a tribo que havia sido designada para o serviço do templo. Os filhos de Arão eram sacerdotes e todos os demais levitas foram encarregados dos mais diversos e variados serviços no tabernáculo e, posteriormente, no templo, inclusive a parte musical. Portanto, não confundamos “levita” com “músico”.

    - O cuidado de Neemias de estabelecer levitas reflete a sua preocupação em que nada ficasse por fazer no serviço do templo. Neemias não se preocupava apenas em ter muros e portas, mas queria que a segurança trazida por estes muros e portas pudesse restaurar todos os serviços do templo. Os líderes precisam ter este mesmo zelo, de fazer com que todas as tarefas, todos os serviços necessários para a igreja local sejam realizados a contento. Não basta apenas termos edificação espiritual, mas é preciso que esta edificação se traduza em serviço eficaz, até porque a Igreja, como corpo de Cristo, veio para servir e não para ser servida.

    - Após estabelecer porteiros, cantores e levitas, Neemias nomeou seu irmão Hanani e a Hananias como maiorais da fortaleza sobre Jerusalém, porque era como homem fiel e temente a Deus, mais do que muitos (Ne.7:2).

    - A nomeação de Hanani como maioral da fortaleza, seu irmão, pode trazer a Neemias a acusação de “nepotismo”, ou seja, “favoritismo para com parentes”, mal que infesta a Administração Pública em nosso país e que, infelizmente, também já encontrou guarida na administração eclesiástica. Muitos, aliás, buscam nesta passagem bíblica até uma “fundamentação” para suas práticas pouco ou nada recomendáveis nas igrejas locais.

    - Contudo, quando vemos o próprio texto sagrado, contemplamos em Neemias mais uma virtude como líder e governante (como, aliás, já visto no apêndice 1). Hanani foi nomeado não por ser seu irmão, mas porque “era homem fiel e temente a Deus, mais do que muitos”. O parentesco aqui era apenas um acidente, que não foi considerado na nomeação. Não nos esqueçamos, aliás, que Hanani fora até Jerusalém e, ao ver a situação, levou alguns de Judá para falar com Neemias a respeito da situação de Jerusalém. Era uma pessoa que tinha história na obra do Senhor e que, portanto, fazia jus àquela nomeação, independentemente do parentesco que tinha com o governador.

    - Neemias faz questão de dizer que nomeara o seu irmão por causa do temor dele a Deus, que superava o de muitos. Um critério para pormos alguém à testa da obra do Senhor é, precisamente, o seu temor a Deus, que deverá ser superior ao dos demais. Como é diferente o critério de Neemias do que temos visto em nossas igrejas locais! Aprendamos com Neemias!

    - Neemias, em mais uma demonstração de transparência, não deixou que Hanani, apesar de suas qualidades, estivesse sozinho como maioral da fortaleza. Ao seu lado, pôs Hananias nesta função. Deste modo, não deixou qualquer suspeita com relação ao fato de Hanani ser seu irmão, como também nos dá uma amostra da própria criteriologia que seria adotada pelo Senhor Jesus na evangelização do povo judeu, durante Seu ministério público, ou seja, o de sempre chamar de dois em dois, para que o serviço seja eficaz (Lc.10:1). É sempre importante, nas tarefas da igreja, serem indicados dois, para que um ao outro possa ajudar o outro.

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