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As Pragas Divinas e as Propostas Ardilosas de Faraó - Pr. Geraldo Carneiro Filho

ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
IGREJA EVANGÉLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM ENGENHOCA
NITERÓI - RJ
LIÇÃO Nº 03- DATA: 03/01/2014
TÍTULO: “AS PRAGAS DIVINAS E AS PROPOSTAS ARDILOSAS DE FARAÓ”
TEXTO ÁUREO – Ef 6.11
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE: Ex 3.19-20; 7.4-5; 8.8, 25; 10.8, 11, 24
PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e-mail: geluew@yahoo.com.br
blog: http://pastorgeraldocarneirofilho.blogspot.com/

I – INTRODUÇÃO:

As palavras hebraicas traduzidas na bíblia por “pragas” têm os seguintes sentidos:

(1) - “MAGGEPA” - Ex 9:14 = GOLPE SEVERO ou PESADO;

(2) – “NEGA” - Ex 11:1 = UM TOQUE ou UM GOLPE PESADO;

(3) – “NEGEP” (Ex 12:13) = UM GOLPE SEVERO

As dez pragas foram dez “pesados golpes” desferidos por Deus contra satanás, contra faraó (com sua pretensão de ser um deus), contra os deuses do Egito e todo o sistema religioso, e contra os sacerdotes-magos ou bruxos. Revelaram o conflito ou batalha que se travou entre Deus (por meio de Moisés) e o diabo (operando por meio de Faraó e suas hostes).

II - A PRIMEIRA PRAGA: AS ÁGUAS DO EGITO TORNAM-SE EM SANGUE :

Ex 17:19-25 - O Nilo era considerado sagrado pelos egípcios. Muitos de seus deuses eram associados direta ou indiretamente àquele rio e à sua produtividade. Por exemplo:

Khnum - “guardião do Nilo”;

Hapi - “espírito do Nilo e sua essência dinâmica” - acreditavam que ele se manifestava algumas vezes nos crocodilos do Nilo;

Osíris - “deus do submundo ou mundo inferior”; o Rio Nilo era a sua corrente sanguínea;

Neith - “deusa guerreira que protegia o maior peixe (lates) do Rio Nilo”;

Hathor - “era protetor dos peixes pequenos (chromis)”;

Sobek – “deus-crocodilo, muito venerado no Baixo Egito, próximo às margens do Nilo”.

O rio Nilo era um deus para os egípcios e suas águas eram consideradas águas da vida, em virtude de fertilizarem o solo. Agora, esse deus vai se transformar numa abominação simbolizadora da morte. Quando isso aconteceu, os egípcios começaram a cavar poços perto do rio, à procura de água boa, porquanto todas as águas do Egito tornaram-se sangue: todas as nascentes, todos os rios, lagoas, águas empoçadas, até mesmo as águas dos recipientes domésticos. De repente, o doador da vida se transformara numa grande ameaça de morte.

A incredulidade culta gosta de tentar destruir os milagres da bíblia. A respeito dessa primeira praga, intérpretes dizem tratar-se de um fenômeno natural que acontecia no Nilo todos os anos, um avermelhamento das águas, em virtude de grande quantidade de certo microorganismo, ou diluição de certos minerais. Pura tolice!!!

A bíblia registra que:

(1º) - O fenômeno ocorreu repentinamente, obedecendo à ordem de Moisés: e

(2º) - O fenômeno atingiu todas as águas do Egito, até mesmo as águas que as famílias mantinham em recipientes domésticos, que de modo algum poderiam ter sido alcançadas pelas causas naturais aludidas.

De acordo com Êxodo 25, esta praga durou sete dias.

III - SEGUNDA PRAGA: MULTIPLICAÇÃO DE RÃS

Ex 8:1-15 - Na mitologia egípcia, as rãs eram a corporificação do poder vivificador. Em larga escala, representavam fartura, bênção e a certeza de boa colheita. Este conceito decorria do retorno do Rio Nilo ao seu leito normal, após o período de inundação, que deixava muitas piscinas e poças habitadas por rãs. Estas podiam ser ouvidas em coro nos campos egípcios.

Os agricultores acreditavam que o “som” das rãs era uma evidência de que os deuses estavam controlando o Nilo (principalmente o deus Hapi - espírito do Nilo), fazendo com que a terra ficasse fértil, para que pudessem completar o seu trabalho.

Essas associações levaram os egípcios a deificar a rã e fazer a teofania da deusa Heqt - “deusa rã” -, esposa do deus Khnum, e símbolo de ressurreição e emblema de fertilidade.

Há quem diga que os magos fizeram truques, empregando ilusionismo, transmitindo a impressão de terem produzido as duas primeiras pragas. Entretanto, a Bíblia diz claramente que eles FIZERAM O MESMO QUE MOISÉS (Ex 7:22; 8:7). Satanás realizou através de seus ministros dois sinais, com o fim de dissuadir o Faraó da ideia de permitir a saída do povo.

Deus permite que o diabo vá até certo ponto, mas não a mais do que isso na reprodução de sinais e maravilhas - Mt 24:24.

Os bruxos conseguiram realizar apenas as duas primeiras pragas, mas não conseguiram desfazê-las, o que é um sinal a mais da limitação dos poderes das trevas diante de Deus.

Depois que faraó chamou Moisés e Arão e eles oraram, as rãs morreram.

IV - TERCEIRA PRAGA: INVASÃO DE PIOLHOS

Ex 8:16-19 – A palavra “piolhos” (ken) aparece apenas no presente contexto (cf Sl 105:31; Is 51:8).

O filósofo Filo, de Alexandria, o maior judeu escritor da diáspora, indicou que era um inseto pequeno que não apenas penetrava nos ouvidos e narinas, mas picava a pele, deixando nela uma coceira intolerável. Em Êxodo 17, registra-se que esta praga irritava não só os homens, mas a todos os animais.

No Egito também era adorado o deus Thoth (o deus da sabedoria e do mistério). Era crido como o deus escrevente, o juiz, cuja sabedoria e autoridade eram marcantes sobre todos os outros deuses. Ele anotava todos os pensamentos, palavras e ações dos homens durante a sua vida e as pesava na balança da justiça divina. Atribuíam a ela a invenção da magia ou das artes secretas, mas nem mesmo este deus pode ajudar os sacerdotes-magos a imitar a terceira praga. Também pudera! Todo o pó da terra foi usado por Deus; Ele não deixou nenhum resquício de pó para os magos conseguir imitar o milagre da terceira praga.

Os magos reconheceram a derrota quando se viram incapazes de transformar o pó em borrachudos, por meio de suas artes secretas (Ex 8:16 a 19). O poder deles foi ultrapassado pelos representantes de Jeová.

V - QUARTA PRAGA: AS MOSCAS:

Ex 8:20-32 - A palavra hebraica AROBH, traduzida por moscas tem o sentido de vespas e escaravelhos. Na septuaginta essa palavra foi traduzida por KUNÓIMA, que não é a simples mosca caseira, mas uma espécie conhecida como MOSCA CANINA, espécie que ataca principalmente os seres humanos, e que constitui uma terrível aflição no Egito.

A praga das moscas não alcançou a terra onde estavam os hebreus, e isto deu um aspecto especial à manifestação de Deus, significando Sua providência em proteger Seu povo.

Faraó, exasperado, propôs a Moisés que oferecesse sacrifícios ao seu Deus ali mesmo, no Egito.

Moisés alegou que os sacrifícios a Deus eram, aos olhos dos egípcios, uma abominação, e isso os levaria a apedrejarem os hebreus. É que os animais que haveriam de ser sacrificados eram sagrados para os egípcios. A matança de ovelhas, bodes e bois encheria aquele povo de ódio. Moisés usou essa alegação como um meio diplomático de rejeitar a proposta do rei. Mas, em verdade, ele não podia negociar; precisava cumprir uma ordem expressa de Deus: TIRAR O POVO DO EGITO.

Faraó deu permissão para a partida da terra, mas fez duas exigências:

(1ª) - Não deviam ir muito longe; e

(2ª) - Deviam orar por ele.

Moisés cumpriu a sua parte no acordo, mas Faraó, não. Uma vez livre da humilhação da praga, endureceu seu coração e mais uma vez proibiu que o povo de Israel partisse.

VI - QUINTA PRAGA: A MORTE DO GADO:

Ex 9:1-7 - As pragas no gado eram comuns no Egito e essa pestilência deve ter destruído não apenas a propriedade egípcia necessária para a vida, mas a santidade dos animais na teologia egípcia e a impotência de Faraó em intervir.

As vacas eram sagradas à deusa Ísis e Ápis, este último um dos principais deuses do Egito: Era um bezerro que vivia num palácio, alimentado com aveia perfumada que era comida em pratos de ouro e ao som de música.

A morte repentina do gado que estava no campo por ordem do Deus dos hebreus, foi um pesado golpe no prestígio de Ísis e Ápis. Ainda mais que o gado dos hebreus nada sofreu.

A distinção entre o gado dos egípcios e o dos hebreus aumenta o elemento de miraculosidade da praga. Era o poder de Deus que, em última análise, se responsabilizava pela diferença entre os hebreus e os egípcios. Deus não apenas julgou Faraó e os deuses do Egito, mas também poupou o Seu povo ao mesmo tempo.

VII - SEXTA PRAGA: ÚLCERA:

Ex 9:8-12 – Os egípcios eram conscientes da possibilidade de doenças infecciosas e chagas. Isto era refletido no fato de Sekhmet (a deusa cabeça de leão, que supostamente tinha o poder de criar e extinguir epidemias) e os deuses Tot, Ísis e Ptah, considerados com habilidades curativas. Um sacerdócio especial era devotado a ela, chamado Sunu.

Amuletos e outros objetos eram empregados pelos egípcios contra males em suas vidas.

A recusa de Faraó em não libertar o povo de Israel trouxe a sexta praga, sendo esta a terceira vinda sem anúncio.

Iniciou-se através do lançamento simbólico de cinzas da fornalha por Moisés e Arão, e tumores arrebentaram em úlceras nos homens e nos animais, por toda a terra do Egito.

A palavra ÚLCERA significa PÚSTULA, FURÚNCULO.

Os dicionários definem uma pústula com um furúnculo ou borbulha, e sugerem que as pústulas malignas são características do antraz. A terminologia usada para descrever a doença identificada com a sexta praga sugere uma erupção da pele de natureza violenta. Ela não era leprosa ou maligna, mas devia ser igualmente temida, e, com toda a probabilidade, era mortal. Essa enfermidade feriu tanto os homens quanto os animais.

Os representantes de Faraó não apenas foram incapazes de duplicar os atos de Moisés, embaixador de Jeová, mas eles também foram feridos. O arrogante Faraó (que se considerava divino), os príncipes, os sacerdotes-magos, todos se viram, de repente, desprotegidos de seus deuses dentro do palácio, cheios de úlceras; e, lá fora, todo o povo e também os animais. Entretanto, os hebreus nada sofreram.

Esta praga culminou com grandes implicações teológicas para os egípcios. Enquanto não trazia mortes, buscavam ajuda dos muitos deuses responsáveis por curas. Além das já citadas, havia ainda os deuses Serafi e Imhotep (o deus da medicina e o guardião da ciência da cura). A inabilidade desses deuses em agir em favor dos egípcios certamente proporcionou profundo desespero e frustração. Mágicos, sacerdotes, príncipes e plebeus estavam todos igualmente afetados pelas dores deste julgamento, fazendo-os saber que o Deus dos hebreus era o Deus Todo Poderoso e superior a todos os ídolos feitos por mãos de homens.

Desta forma, o que podemos vislumbrar é o poder ilimitado do Senhor Deus, em cujas mãos os homens são como barro nas mãos do oleiro.

VIII - SÉTIMA PRAGA: SARAIVA:

Ex 9:13-35 – Antes de desferir mais este duro golpe, Deus mandou mensagem ao Faraó:

(1) - Ele podia ser facilmente destruído por Deus;

(2) - A sua vida estava sendo mantida pelo próprio Deus;

(3) - As pragas tinham o fim de levá-lo, bem como a todo o seu povo a compreenderem que nenhum de seus deuses tinha qualquer valor; nenhum poderia comparar-se a Jeová;

(4) - Através da obstinação do Faraó e das pragas, Deus estava mostrando Seu poder e anunciando Seu nome a toda a terra.

(5) - Faraó e seus servos poderiam evitar um grande prejuízo, se cressem em Deus, recolhessem seu gado do campo, para que não morresse com a saraiva.

Saraiva é o mesmo que chuva de pedras de gelo.

A vida e a economia do povo egípcio estavam diretamente ligadas ao sucesso nas colheitas. As grandes chuvas trouxeram prejuízos e desespero àqueles. Os adoradores de Nut (deusa do céu) avistaram não as bênçãos do sol rogadas a ela, mas a tragédia de tempestades e violência.

Esta praga também humilhou Ísis e Seth, (deuses responsáveis pelas colheitas na agricultura). A forte saraivada envergonhou também os deuses considerados como tendo controle sobre os elementos naturais.

Os egípcios também acreditavam que o deus Reshpu controlava os raios, e o deus Tot possuía poder sobre a chuva e os trovões.

A promessa dizia que no dia seguinte o Senhor traria uma grande tempestade sobre o Egito, devendo todos os animais, que estavam no campo, serem recolhidos para proteção. Esta recomendação foi obedecida por vários servos e seguidores de Faraó, irritando o rei do Egito.

De acordo com inscrições, estes animais foram trazidos de países vizinhos, como Síria e Líbia, após a quinta praga, a qual exterminou todo o rebanho egípcio.

Os trovões e relâmpagos foram tão violentos que o fogo destruiu muitas plantações. O aspecto miraculoso deste evento pode ser notado em Ex 9.26, onde encontramos que somente na terra de Gósen não choveu.

A severidade da tempestade, a infrequência desse fenômeno no Egito e a sincronização da chuva de pedras em relação à advertência de Moisés combinaram para criar a reação de Faraó – Ex 9.27.

Faraó também apelou para Moisés para rogar ao Senhor pedindo o fim da tempestade, e, o que é mais importante, concordou com uma liberação incondicional dos hebreus: “Eu vos deixarei ir, e não permanecereis mais aqui”.

Moisés não creu em sua declaração (Ex 9.28-32). Entretanto, levantou as mãos para o céu e a saraiva cessou. A oração de Moisés pode abrir e fechar os céus, mas não o coração de um homem voluntarioso. Não obstante, até mesmo a posição dos inimigos de Deus é obrigada a contribuir para Seu plano redentor.

Mais uma vez ficou demonstrado que não é Faraó quem controla a terra - nem mesmo os deuses do Egito. Jeová, o Deus de Israel, é o Senhor da criação - Sl 24:1.

IX - OITAVA PRAGA: OS GAFANHOTOS:

Ex 10:1-20 – A praga de gafanhotos era muito temida no Egito, tanto que os camponeses tinham o hábito de orar a um deus gafanhoto e ao deus Min, que era encarado como protetor das colheitas.

Os gafanhotos são, talvez, o maior exemplo natural de força coletiva destrutiva de uma espécie. Um gafanhoto adulto pesa, no máximo, dois gramas e sua força destrutiva pode levar milhares de pessoas a passarem fome por anos.

Através de um forte vento oriental, que soprou durante todo o dia e toda a noite, gafanhotos foram trazidos do norte da Arábia em grande número. Mais uma vez, nota-se a natureza miraculosa do evento, pois nunca se viu nada igual na terra do Egito (Ex 10:14). Os gafanhotos destruíram, além das plantações, árvores frutíferas e de outras espécies.

O horror e o desespero assolaram o coração dos egípcios quando o restante de suas lavouras foi destruído por milhões de gafanhotos voadores. Seus recursos agrícolas eram considerados limitados e já tinham sofrido outras destruições causadas pelas pragas anteriores. Seus rebanhos tinham sido esgotados e muitos dos homens estavam incapazes de trabalhar, em decorrência das doenças trazidas pelas pragas.

Buscando manter seu orgulho e dignidade e não aparentar ser cego e obstinado quanto aos problemas em suas mãos, Faraó propôs a Moisés e Arão um terceiro acordo: Liberar os adultos para partirem, mas que deixassem as crianças (Ex 10:10 e 11).

Obviamente, esta oferta não foi aceita por Moisés, que saiu da presença de Faraó.

Talvez, não por profunda convicção espiritual, mas interessado em alívio imediato desta praga, Faraó convocou Moisés e Arão novamente à corte. A despeito de Faraó demonstrar obstinação e desonestidade, Moisés tornou da corte real e orou pedindo o fim da praga, que se findou com um forte vento ocidental.

X - NONA PRAGA: AS TREVAS:

Ex 10:21-29 – A nona praga, assim como a terceira e a sexta, veio sem aviso prévio. Moisés estendeu sua mão ao céu e as trevas cobriram a terra por três dias (Ex 10:21 e 22).

À luz da teologia e prática egípcia, esta praga foi muito significativa:

(A) - O deus-sol Rá era considerado um dos maiores deuses do Egito. Tinham grande alegria e prazer pela fé que possuíam a este deus que provia, dia após dia, sem falhar, o calor e a luz do sol.

(B) - Outro significado importante com respeito a esta praga era o prestígio do deus Amon-Rá, a maior divindade de Tebas e um deus-sol. No período do Novo Reinado, este era o deus nacional, parte da trindade de deuses que incluía Amon-Rá, sua esposa Mut, e seu filha Khons. Amon-Rá era comumente representado por animais sagrados, como a ovelha e o ganso.

(C) - Inúmeras outras deidades eram associadas ao sol, céu e lua, como, por exemplo, Aten, o divino sol-disco. Este deus foi proclamado ser o único deus.

(D) - Atum era também outro importante deus, adorado principalmente em Heliópolis. Era o deus do pôr-do-sol e usualmente descrito em forma humana. Animais sagrados associados com este deus eram a cobra e o leão.

(E) - O deus Khepre, que sempre aparecia na forma de um besouro, era uma das formas do deus-sol Rá.

(F) - Outro muito importante deus era Hórus, sempre simbolizado por um disco de sol alado. Era considerado ser filho de Osíris e Isis, mas também o filho de Rá e o irmão de Seth.

(G) - Harakhte, outra forma de Hórus e identificado com o sol, era venerado principalmente em Heliópolis, a cidade do sol, e era representado por um falcão.

(H) - Entre as várias deidades afetadas por esta trágica escuridão estava Hathor, uma deusa do céu, além de deusa do amor e da alegria. Era a divindade titular da necrópole de Tebas, venerada particularmente em Denderah, e retratada com chifres de vaca ou como uma figura humana com chifres de vaca na cabeça.

(I) - A deusa do céu Nut também estava envolvida na humilhação desta praga.

(J) - E o que dizer do prestígio de Thoth, um deus-lua em Hermópolis? Ele também era o deus que escrevia e computava o tempo.

(K) - O prestígio do próprio Faraó também foi afetado, pois, dentre seus atributos divinos, ele era representante de Rá.

Existe uma enorme lista do grande número de outras deidades relacionadas com o sol, estrelas e luz, mas a relação acima é suficiente para indicar a tremenda importância do sol e de sua luz para os egípcios. O deus RÁ (o sol) havia sido derrotado pelo Deus dos hebreus.

Enquanto os egípcios não podiam deixar suas casas, pois nada podiam ver de tão escuro, os israelitas tinham luz e continuavam suas vidas normalmente. Foi o prenúncio amedrontador do juízo de Deus que se abateria sobre Faraó e seu povo, a saber, a morte de todos os primogênitos.

Em desespero de causa, Faraó propôs que saíssem deixando todo o gado. Ante a insistência de Moisés, Faraó, ardendo em ira, o protestou de morte, se novamente viesse perante sua face.

Faraó decretara a sentença para si mesmo, sua corte e seu povo: em cada casa o filho mais velho morreria. Faraó não queria ter conhecimento que a praga das trevas é derrotada pela luz de Jeová e que a praga da morte é anulada pelo sangue do Cordeiro.

XI - DÉCIMA PRAGA: A MORTE DOS PRIMOGÊNITOS:

Ex 11:1-10; 12:29-42 – A última praga se baseia na ação de Deus, sem depender de mediação de Moisés ou de Arão. Omitindo Moisés e Arão da narrativa, o escritor sugere que a situação havia alcançado um ponto tão extremo que o próprio Senhor interveio mais diretamente na praga. O próprio Senhor iria atravessar a terra como Anjo da morte (Ex 11:4 cf 12:23, 27).

A morte dos primogênitos resultou na maior humilhação para os deuses egípcios:

(A) - Nekhbet, deusa-abutre, protegia com suas asas os soberanos do Alto Egito.

(B) - Os governantes do Egito realmente chamavam a si mesmos de deuses e filhos de Rá ou Amon-Rá.

(C) - Afirmava-se que Rá ou Amon-Rá tinham relações sexuais com rainha. O filho nascido era, portanto, considerado como um deus encarnado e era dedicado a Rá ou a Amon-Rá em seus templos. Assim, a morte do primogênito de Faraó realmente significava a morte de um deus (Ex 12:29).

Somente este fato já teria sido um duro golpe na religião do Egito. A completa incapacidade de todas as deidades se evidenciou em seres incapazes de impedir que todos os primogênitos do Egito morressem de uma só vez.

De acordo com as palavras de Moisés, a morte dos primogênitos causaria tristeza e luto como nunca se vira no Egito (Ex 11:6).

Como apontado, à meia-noite o Senhor completou o que tinha prometido, subjugando os primogênitos na terra do Egito. Não houve respeito à classe social ou status civil nesta praga. Tanto o primogênito de Faraó, quanto o de qualquer homem na prisão, morreram. Importante também é a citação da morte dos primogênitos dos animais.

Faraó pode encontrar escape para as pragas anteriores, ou talvez providenciar satisfatória racionalização delas. Mas não havia o que fazer agora. Seus efeitos e implicações eram perfeitamente claros. Seu filho, sempre tratado com carinho, “nascido dos deuses”, agora jazia na cama, pálido e sem vida.

O coração e o desejo de Faraó estavam quebrantados. Seu espírito agora mudou daquela arrogância e resistência, para uma grande preocupação. Assim, chamou Moisés e Arão no meio da noite e, sem discussão ou diálogo, simplesmente declarou que os filhos de Israel deveriam partir, sem imposições, condições ou exigências, nos termos de Moisés.

O reconhecimento do poderio do Senhor pode ser concluído com o pedido de Faraó a Moisés, contida na última frase do verso 32 do capítulo 12 de Êxodo: “…abençoai-me também a mim.” Ao Deus cuja existência e poder foram diversas vezes questionadas (Ex 5:2) ele agora rogava que o abençoasse.

XII – CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Deus abate os soberbos, mas dá graça aos humildes. Esta é a grande lição que aprendemos nos episódios das Dez Pragas do Egito. Todos os homens que quiserem endurecer seus corações contra o Todo-Poderoso serão implacavelmente abatidos, pois o Senhor não se deixa escarnecer. Se agirmos como o Faraó desta lição, com certeza seremos abatidos e, talvez, não haja qualquer esperança de cura. Por este motivo, temos que nos mostrar sempre humildes e, quando o Senhor falar conosco, respondamos como o menino Samuel: - “Fala, Senhor, que o Teu servo ouve”.

FONTES DE CONSULTA:

Lições Bíblicas CPAD – 4º Trimestre de 1991 – Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima
A Bíblia Livro por Livro – JUERP – Delcyr de Souza Lima
Estudo Bíblico – “As Dez Pragas do Egito” – de Lídia Pereira Gonçalves Correia e Marcellus Gonçalves Correia

Publicado no Blog Escola Bíblica Dominical para Todos 

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