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As Pragas Divinas e as Propostas Ardilosas de Faraó - Pr. Geraldo Carneiro Filho

ESCOLA B√ćBLICA DOMINICAL
IGREJA EVANG√ČLICA ASSEMBLEIA DE DEUS EM ENGENHOCA
NITER√ďI - RJ
LI√á√ÉO N¬ļ 03- DATA: 03/01/2014
T√ćTULO: ‚ÄúAS PRAGAS DIVINAS E AS PROPOSTAS ARDILOSAS DE FARA√ď‚ÄĚ
TEXTO √ĀUREO ‚Äď Ef 6.11
LEITURA B√ćBLICA EM CLASSE: Ex 3.19-20; 7.4-5; 8.8, 25; 10.8, 11, 24
PASTOR GERALDO CARNEIRO FILHO
e-mail: geluew@yahoo.com.br
blog: http://pastorgeraldocarneirofilho.blogspot.com/

I ‚Äď INTRODU√á√ÉO:

As palavras hebraicas traduzidas na b√≠blia por ‚Äúpragas‚ÄĚ t√™m os seguintes sentidos:

(1) - ‚ÄúMAGGEPA‚ÄĚ - Ex 9:14 = GOLPE SEVERO ou PESADO;

(2) ‚Äď ‚ÄúNEGA‚ÄĚ - Ex 11:1 = UM TOQUE ou UM GOLPE PESADO;

(3) ‚Äď ‚ÄúNEGEP‚ÄĚ (Ex 12:13) = UM GOLPE SEVERO

As dez pragas foram dez ‚Äúpesados golpes‚ÄĚ desferidos por Deus contra satan√°s, contra fara√≥ (com sua pretens√£o de ser um deus), contra os deuses do Egito e todo o sistema religioso, e contra os sacerdotes-magos ou bruxos. Revelaram o conflito ou batalha que se travou entre Deus (por meio de Mois√©s) e o diabo (operando por meio de Fara√≥ e suas hostes).

II - A PRIMEIRA PRAGA: AS √ĀGUAS DO EGITO TORNAM-SE EM SANGUE :

Ex 17:19-25 - O Nilo era considerado sagrado pelos egípcios. Muitos de seus deuses eram associados direta ou indiretamente àquele rio e à sua produtividade. Por exemplo:

Khnum - “guardi√£o do Nilo”;

Hapi - “esp√≠rito do Nilo e sua ess√™ncia din√Ęmica” - acreditavam que ele se manifestava algumas vezes nos crocodilos do Nilo;

Os√≠ris - “deus do submundo ou mundo inferior‚ÄĚ; o Rio Nilo era a sua corrente sangu√≠nea;

Neith - “deusa guerreira que protegia o maior peixe (lates) do Rio Nilo”;

Hathor - “era protetor dos peixes pequenos (chromis)”;

Sobek ‚Äď ‚Äúdeus-crocodilo, muito venerado no Baixo Egito, pr√≥ximo √†s margens do Nilo‚ÄĚ.

O rio Nilo era um deus para os egípcios e suas águas eram consideradas águas da vida, em virtude de fertilizarem o solo. Agora, esse deus vai se transformar numa abominação simbolizadora da morte. Quando isso aconteceu, os egípcios começaram a cavar poços perto do rio, à procura de água boa, porquanto todas as águas do Egito tornaram-se sangue: todas as nascentes, todos os rios, lagoas, águas empoçadas, até mesmo as águas dos recipientes domésticos. De repente, o doador da vida se transformara numa grande ameaça de morte.

A incredulidade culta gosta de tentar destruir os milagres da b√≠blia. A respeito dessa primeira praga, int√©rpretes dizem tratar-se de um fen√īmeno natural que acontecia no Nilo todos os anos, um avermelhamento das √°guas, em virtude de grande quantidade de certo microorganismo, ou dilui√ß√£o de certos minerais. Pura tolice!!!

A bíblia registra que:

(1¬ļ) - O fen√īmeno ocorreu repentinamente, obedecendo √† ordem de Mois√©s: e

(2¬ļ) - O fen√īmeno atingiu todas as √°guas do Egito, at√© mesmo as √°guas que as fam√≠lias mantinham em recipientes dom√©sticos, que de modo algum poderiam ter sido alcan√ßadas pelas causas naturais aludidas.

De acordo com Êxodo 25, esta praga durou sete dias.

III - SEGUNDA PRAGA: MULTIPLICAÇÃO DE RÃS

Ex 8:1-15 - Na mitologia egípcia, as rãs eram a corporificação do poder vivificador. Em larga escala, representavam fartura, bênção e a certeza de boa colheita. Este conceito decorria do retorno do Rio Nilo ao seu leito normal, após o período de inundação, que deixava muitas piscinas e poças habitadas por rãs. Estas podiam ser ouvidas em coro nos campos egípcios.

Os agricultores acreditavam que o “som” das r√£s era uma evid√™ncia de que os deuses estavam controlando o Nilo (principalmente o deus Hapi - esp√≠rito do Nilo), fazendo com que a terra ficasse f√©rtil, para que pudessem completar o seu trabalho.

Essas associa√ß√Ķes levaram os eg√≠pcios a deificar a r√£ e fazer a teofania da deusa Heqt - “deusa r√£” -, esposa do deus Khnum, e s√≠mbolo de ressurrei√ß√£o e emblema de fertilidade.

H√° quem diga que os magos fizeram truques, empregando ilusionismo, transmitindo a impress√£o de terem produzido as duas primeiras pragas. Entretanto, a B√≠blia diz claramente que eles FIZERAM O MESMO QUE MOIS√ČS (Ex 7:22; 8:7). Satan√°s realizou atrav√©s de seus ministros dois sinais, com o fim de dissuadir o Fara√≥ da ideia de permitir a sa√≠da do povo.

Deus permite que o diabo vá até certo ponto, mas não a mais do que isso na reprodução de sinais e maravilhas - Mt 24:24.

Os bruxos conseguiram realizar apenas as duas primeiras pragas, mas não conseguiram desfazê-las, o que é um sinal a mais da limitação dos poderes das trevas diante de Deus.

Depois que faraó chamou Moisés e Arão e eles oraram, as rãs morreram.

IV - TERCEIRA PRAGA: INVASÃO DE PIOLHOS

Ex 8:16-19 ‚Äď A palavra ‚Äúpiolhos‚ÄĚ (ken) aparece apenas no presente contexto (cf Sl 105:31; Is 51:8).

O filósofo Filo, de Alexandria, o maior judeu escritor da diáspora, indicou que era um inseto pequeno que não apenas penetrava nos ouvidos e narinas, mas picava a pele, deixando nela uma coceira intolerável. Em Êxodo 17, registra-se que esta praga irritava não só os homens, mas a todos os animais.

No Egito tamb√©m era adorado o deus Thoth (o deus da sabedoria e do mist√©rio). Era crido como o deus escrevente, o juiz, cuja sabedoria e autoridade eram marcantes sobre todos os outros deuses. Ele anotava todos os pensamentos, palavras e a√ß√Ķes dos homens durante a sua vida e as pesava na balan√ßa da justi√ßa divina. Atribu√≠am a ela a inven√ß√£o da magia ou das artes secretas, mas nem mesmo este deus pode ajudar os sacerdotes-magos a imitar a terceira praga. Tamb√©m pudera! Todo o p√≥ da terra foi usado por Deus; Ele n√£o deixou nenhum resqu√≠cio de p√≥ para os magos conseguir imitar o milagre da terceira praga.

Os magos reconheceram a derrota quando se viram incapazes de transformar o pó em borrachudos, por meio de suas artes secretas (Ex 8:16 a 19). O poder deles foi ultrapassado pelos representantes de Jeová.

V - QUARTA PRAGA: AS MOSCAS:

Ex 8:20-32 - A palavra hebraica AROBH, traduzida por moscas tem o sentido de vespas e escaravelhos. Na septuaginta essa palavra foi traduzida por KUN√ďIMA, que n√£o √© a simples mosca caseira, mas uma esp√©cie conhecida como MOSCA CANINA, esp√©cie que ataca principalmente os seres humanos, e que constitui uma terr√≠vel afli√ß√£o no Egito.

A praga das moscas não alcançou a terra onde estavam os hebreus, e isto deu um aspecto especial à manifestação de Deus, significando Sua providência em proteger Seu povo.

Fara√≥, exasperado, prop√īs a Mois√©s que oferecesse sacrif√≠cios ao seu Deus ali mesmo, no Egito.

Mois√©s alegou que os sacrif√≠cios a Deus eram, aos olhos dos eg√≠pcios, uma abomina√ß√£o, e isso os levaria a apedrejarem os hebreus. √Č que os animais que haveriam de ser sacrificados eram sagrados para os eg√≠pcios. A matan√ßa de ovelhas, bodes e bois encheria aquele povo de √≥dio. Mois√©s usou essa alega√ß√£o como um meio diplom√°tico de rejeitar a proposta do rei. Mas, em verdade, ele n√£o podia negociar; precisava cumprir uma ordem expressa de Deus: TIRAR O POVO DO EGITO.

Faraó deu permissão para a partida da terra, mas fez duas exigências:

(1ª) - Não deviam ir muito longe; e

(2ª) - Deviam orar por ele.

Moisés cumpriu a sua parte no acordo, mas Faraó, não. Uma vez livre da humilhação da praga, endureceu seu coração e mais uma vez proibiu que o povo de Israel partisse.

VI - QUINTA PRAGA: A MORTE DO GADO:

Ex 9:1-7 - As pragas no gado eram comuns no Egito e essa pestilência deve ter destruído não apenas a propriedade egípcia necessária para a vida, mas a santidade dos animais na teologia egípcia e a impotência de Faraó em intervir.

As vacas eram sagradas √† deusa √ćsis e √Āpis, este √ļltimo um dos principais deuses do Egito: Era um bezerro que vivia num pal√°cio, alimentado com aveia perfumada que era comida em pratos de ouro e ao som de m√ļsica.

A morte repentina do gado que estava no campo por ordem do Deus dos hebreus, foi um pesado golpe no prest√≠gio de √ćsis e √Āpis. Ainda mais que o gado dos hebreus nada sofreu.

A distin√ß√£o entre o gado dos eg√≠pcios e o dos hebreus aumenta o elemento de miraculosidade da praga. Era o poder de Deus que, em √ļltima an√°lise, se responsabilizava pela diferen√ßa entre os hebreus e os eg√≠pcios. Deus n√£o apenas julgou Fara√≥ e os deuses do Egito, mas tamb√©m poupou o Seu povo ao mesmo tempo.

VII - SEXTA PRAGA: √öLCERA:

Ex 9:8-12 ‚Äď Os eg√≠pcios eram conscientes da possibilidade de doen√ßas infecciosas e chagas. Isto era refletido no fato de Sekhmet (a deusa cabe√ßa de le√£o, que supostamente tinha o poder de criar e extinguir epidemias) e os deuses Tot, √ćsis e Ptah, considerados com habilidades curativas. Um sacerd√≥cio especial era devotado a ela, chamado Sunu.

Amuletos e outros objetos eram empregados pelos egípcios contra males em suas vidas.

A recusa de Fara√≥ em n√£o libertar o povo de Israel trouxe a sexta praga, sendo esta a terceira vinda sem an√ļncio.

Iniciou-se atrav√©s do lan√ßamento simb√≥lico de cinzas da fornalha por Mois√©s e Ar√£o, e tumores arrebentaram em √ļlceras nos homens e nos animais, por toda a terra do Egito.

A palavra √öLCERA significa P√öSTULA, FUR√öNCULO.

Os dicion√°rios definem uma p√ļstula com um fur√ļnculo ou borbulha, e sugerem que as p√ļstulas malignas s√£o caracter√≠sticas do antraz. A terminologia usada para descrever a doen√ßa identificada com a sexta praga sugere uma erup√ß√£o da pele de natureza violenta. Ela n√£o era leprosa ou maligna, mas devia ser igualmente temida, e, com toda a probabilidade, era mortal. Essa enfermidade feriu tanto os homens quanto os animais.

Os representantes de Fara√≥ n√£o apenas foram incapazes de duplicar os atos de Mois√©s, embaixador de Jeov√°, mas eles tamb√©m foram feridos. O arrogante Fara√≥ (que se considerava divino), os pr√≠ncipes, os sacerdotes-magos, todos se viram, de repente, desprotegidos de seus deuses dentro do pal√°cio, cheios de √ļlceras; e, l√° fora, todo o povo e tamb√©m os animais. Entretanto, os hebreus nada sofreram.

Esta praga culminou com grandes implica√ß√Ķes teol√≥gicas para os eg√≠pcios. Enquanto n√£o trazia mortes, buscavam ajuda dos muitos deuses respons√°veis por curas. Al√©m das j√° citadas, havia ainda os deuses Serafi e Imhotep (o deus da medicina e o guardi√£o da ci√™ncia da cura). A inabilidade desses deuses em agir em favor dos eg√≠pcios certamente proporcionou profundo desespero e frustra√ß√£o. M√°gicos, sacerdotes, pr√≠ncipes e plebeus estavam todos igualmente afetados pelas dores deste julgamento, fazendo-os saber que o Deus dos hebreus era o Deus Todo Poderoso e superior a todos os √≠dolos feitos por m√£os de homens.

Desta forma, o que podemos vislumbrar é o poder ilimitado do Senhor Deus, em cujas mãos os homens são como barro nas mãos do oleiro.

VIII - S√ČTIMA PRAGA: SARAIVA:

Ex 9:13-35 ‚Äď Antes de desferir mais este duro golpe, Deus mandou mensagem ao Fara√≥:

(1) - Ele podia ser facilmente destruído por Deus;

(2) - A sua vida estava sendo mantida pelo próprio Deus;

(3) - As pragas tinham o fim de lev√°-lo, bem como a todo o seu povo a compreenderem que nenhum de seus deuses tinha qualquer valor; nenhum poderia comparar-se a Jeov√°;

(4) - Através da obstinação do Faraó e das pragas, Deus estava mostrando Seu poder e anunciando Seu nome a toda a terra.

(5) - Faraó e seus servos poderiam evitar um grande prejuízo, se cressem em Deus, recolhessem seu gado do campo, para que não morresse com a saraiva.

Saraiva é o mesmo que chuva de pedras de gelo.

A vida e a economia do povo egípcio estavam diretamente ligadas ao sucesso nas colheitas. As grandes chuvas trouxeram prejuízos e desespero àqueles. Os adoradores de Nut (deusa do céu) avistaram não as bênçãos do sol rogadas a ela, mas a tragédia de tempestades e violência.

Esta praga tamb√©m humilhou √ćsis e Seth, (deuses respons√°veis pelas colheitas na agricultura). A forte saraivada envergonhou tamb√©m os deuses considerados como tendo controle sobre os elementos naturais.

Os eg√≠pcios tamb√©m acreditavam que o deus Reshpu controlava os raios, e o deus Tot possu√≠a poder sobre a chuva e os trov√Ķes.

A promessa dizia que no dia seguinte o Senhor traria uma grande tempestade sobre o Egito, devendo todos os animais, que estavam no campo, serem recolhidos para proteção. Esta recomendação foi obedecida por vários servos e seguidores de Faraó, irritando o rei do Egito.

De acordo com inscri√ß√Ķes, estes animais foram trazidos de pa√≠ses vizinhos, como S√≠ria e L√≠bia, ap√≥s a quinta praga, a qual exterminou todo o rebanho eg√≠pcio.

Os trov√Ķes e rel√Ęmpagos foram t√£o violentos que o fogo destruiu muitas planta√ß√Ķes. O aspecto miraculoso deste evento pode ser notado em Ex 9.26, onde encontramos que somente na terra de G√≥sen n√£o choveu.

A severidade da tempestade, a infrequ√™ncia desse fen√īmeno no Egito e a sincroniza√ß√£o da chuva de pedras em rela√ß√£o √† advert√™ncia de Mois√©s combinaram para criar a rea√ß√£o de Fara√≥ ‚Äď Ex 9.27.

Fara√≥ tamb√©m apelou para Mois√©s para rogar ao Senhor pedindo o fim da tempestade, e, o que √© mais importante, concordou com uma libera√ß√£o incondicional dos hebreus: ‚ÄúEu vos deixarei ir, e n√£o permanecereis mais aqui‚ÄĚ.

Moisés não creu em sua declaração (Ex 9.28-32). Entretanto, levantou as mãos para o céu e a saraiva cessou. A oração de Moisés pode abrir e fechar os céus, mas não o coração de um homem voluntarioso. Não obstante, até mesmo a posição dos inimigos de Deus é obrigada a contribuir para Seu plano redentor.

Mais uma vez ficou demonstrado que não é Faraó quem controla a terra - nem mesmo os deuses do Egito. Jeová, o Deus de Israel, é o Senhor da criação - Sl 24:1.

IX - OITAVA PRAGA: OS GAFANHOTOS:

Ex 10:1-20 ‚Äď A praga de gafanhotos era muito temida no Egito, tanto que os camponeses tinham o h√°bito de orar a um deus gafanhoto e ao deus Min, que era encarado como protetor das colheitas.

Os gafanhotos são, talvez, o maior exemplo natural de força coletiva destrutiva de uma espécie. Um gafanhoto adulto pesa, no máximo, dois gramas e sua força destrutiva pode levar milhares de pessoas a passarem fome por anos.

Atrav√©s de um forte vento oriental, que soprou durante todo o dia e toda a noite, gafanhotos foram trazidos do norte da Ar√°bia em grande n√ļmero. Mais uma vez, nota-se a natureza miraculosa do evento, pois nunca se viu nada igual na terra do Egito (Ex 10:14). Os gafanhotos destru√≠ram, al√©m das planta√ß√Ķes, √°rvores frut√≠feras e de outras esp√©cies.

O horror e o desespero assolaram o cora√ß√£o dos eg√≠pcios quando o restante de suas lavouras foi destru√≠do por milh√Ķes de gafanhotos voadores. Seus recursos agr√≠colas eram considerados limitados e j√° tinham sofrido outras destrui√ß√Ķes causadas pelas pragas anteriores. Seus rebanhos tinham sido esgotados e muitos dos homens estavam incapazes de trabalhar, em decorr√™ncia das doen√ßas trazidas pelas pragas.

Buscando manter seu orgulho e dignidade e n√£o aparentar ser cego e obstinado quanto aos problemas em suas m√£os, Fara√≥ prop√īs a Mois√©s e Ar√£o um terceiro acordo: Liberar os adultos para partirem, mas que deixassem as crian√ßas (Ex 10:10 e 11).

Obviamente, esta oferta não foi aceita por Moisés, que saiu da presença de Faraó.

Talvez, não por profunda convicção espiritual, mas interessado em alívio imediato desta praga, Faraó convocou Moisés e Arão novamente à corte. A despeito de Faraó demonstrar obstinação e desonestidade, Moisés tornou da corte real e orou pedindo o fim da praga, que se findou com um forte vento ocidental.

X - NONA PRAGA: AS TREVAS:

Ex 10:21-29 ‚Äď A nona praga, assim como a terceira e a sexta, veio sem aviso pr√©vio. Mois√©s estendeu sua m√£o ao c√©u e as trevas cobriram a terra por tr√™s dias (Ex 10:21 e 22).

À luz da teologia e prática egípcia, esta praga foi muito significativa:

(A) - O deus-sol Rá era considerado um dos maiores deuses do Egito. Tinham grande alegria e prazer pela fé que possuíam a este deus que provia, dia após dia, sem falhar, o calor e a luz do sol.

(B) - Outro significado importante com respeito a esta praga era o prestígio do deus Amon-Rá, a maior divindade de Tebas e um deus-sol. No período do Novo Reinado, este era o deus nacional, parte da trindade de deuses que incluía Amon-Rá, sua esposa Mut, e seu filha Khons. Amon-Rá era comumente representado por animais sagrados, como a ovelha e o ganso.

(C) - In√ļmeras outras deidades eram associadas ao sol, c√©u e lua, como, por exemplo, Aten, o divino sol-disco. Este deus foi proclamado ser o √ļnico deus.

(D) - Atum era tamb√©m outro importante deus, adorado principalmente em Heli√≥polis. Era o deus do p√īr-do-sol e usualmente descrito em forma humana. Animais sagrados associados com este deus eram a cobra e o le√£o.

(E) - O deus Khepre, que sempre aparecia na forma de um besouro, era uma das formas do deus-sol R√°.

(F) - Outro muito importante deus era Hórus, sempre simbolizado por um disco de sol alado. Era considerado ser filho de Osíris e Isis, mas também o filho de Rá e o irmão de Seth.

(G) - Harakhte, outra forma de Hórus e identificado com o sol, era venerado principalmente em Heliópolis, a cidade do sol, e era representado por um falcão.

(H) - Entre as várias deidades afetadas por esta trágica escuridão estava Hathor, uma deusa do céu, além de deusa do amor e da alegria. Era a divindade titular da necrópole de Tebas, venerada particularmente em Denderah, e retratada com chifres de vaca ou como uma figura humana com chifres de vaca na cabeça.

(I) - A deusa do céu Nut também estava envolvida na humilhação desta praga.

(J) - E o que dizer do prestígio de Thoth, um deus-lua em Hermópolis? Ele também era o deus que escrevia e computava o tempo.

(K) - O prestígio do próprio Faraó também foi afetado, pois, dentre seus atributos divinos, ele era representante de Rá.

Existe uma enorme lista do grande n√ļmero de outras deidades relacionadas com o sol, estrelas e luz, mas a rela√ß√£o acima √© suficiente para indicar a tremenda import√Ęncia do sol e de sua luz para os eg√≠pcios. O deus R√Ā (o sol) havia sido derrotado pelo Deus dos hebreus.

Enquanto os eg√≠pcios n√£o podiam deixar suas casas, pois nada podiam ver de t√£o escuro, os israelitas tinham luz e continuavam suas vidas normalmente. Foi o pren√ļncio amedrontador do ju√≠zo de Deus que se abateria sobre Fara√≥ e seu povo, a saber, a morte de todos os primog√™nitos.

Em desespero de causa, Fara√≥ prop√īs que sa√≠ssem deixando todo o gado. Ante a insist√™ncia de Mois√©s, Fara√≥, ardendo em ira, o protestou de morte, se novamente viesse perante sua face.

Faraó decretara a sentença para si mesmo, sua corte e seu povo: em cada casa o filho mais velho morreria. Faraó não queria ter conhecimento que a praga das trevas é derrotada pela luz de Jeová e que a praga da morte é anulada pelo sangue do Cordeiro.

XI - D√ČCIMA PRAGA: A MORTE DOS PRIMOG√äNITOS:

Ex 11:1-10; 12:29-42 ‚Äď A √ļltima praga se baseia na a√ß√£o de Deus, sem depender de media√ß√£o de Mois√©s ou de Ar√£o. Omitindo Mois√©s e Ar√£o da narrativa, o escritor sugere que a situa√ß√£o havia alcan√ßado um ponto t√£o extremo que o pr√≥prio Senhor interveio mais diretamente na praga. O pr√≥prio Senhor iria atravessar a terra como Anjo da morte (Ex 11:4 cf 12:23, 27).

A morte dos primogênitos resultou na maior humilhação para os deuses egípcios:

(A) - Nekhbet, deusa-abutre, protegia com suas asas os soberanos do Alto Egito.

(B) - Os governantes do Egito realmente chamavam a si mesmos de deuses e filhos de R√° ou Amon-R√°.

(C) - Afirmava-se que R√° ou Amon-R√° tinham rela√ß√Ķes sexuais com rainha. O filho nascido era, portanto, considerado como um deus encarnado e era dedicado a R√° ou a Amon-R√° em seus templos. Assim, a morte do primog√™nito de Fara√≥ realmente significava a morte de um deus (Ex 12:29).

Somente este fato já teria sido um duro golpe na religião do Egito. A completa incapacidade de todas as deidades se evidenciou em seres incapazes de impedir que todos os primogênitos do Egito morressem de uma só vez.

De acordo com as palavras de Moisés, a morte dos primogênitos causaria tristeza e luto como nunca se vira no Egito (Ex 11:6).

Como apontado, à meia-noite o Senhor completou o que tinha prometido, subjugando os primogênitos na terra do Egito. Não houve respeito à classe social ou status civil nesta praga. Tanto o primogênito de Faraó, quanto o de qualquer homem na prisão, morreram. Importante também é a citação da morte dos primogênitos dos animais.

Fara√≥ pode encontrar escape para as pragas anteriores, ou talvez providenciar satisfat√≥ria racionaliza√ß√£o delas. Mas n√£o havia o que fazer agora. Seus efeitos e implica√ß√Ķes eram perfeitamente claros. Seu filho, sempre tratado com carinho, “nascido dos deuses”, agora jazia na cama, p√°lido e sem vida.

O cora√ß√£o e o desejo de Fara√≥ estavam quebrantados. Seu esp√≠rito agora mudou daquela arrog√Ęncia e resist√™ncia, para uma grande preocupa√ß√£o. Assim, chamou Mois√©s e Ar√£o no meio da noite e, sem discuss√£o ou di√°logo, simplesmente declarou que os filhos de Israel deveriam partir, sem imposi√ß√Ķes, condi√ß√Ķes ou exig√™ncias, nos termos de Mois√©s.

O reconhecimento do poderio do Senhor pode ser conclu√≠do com o pedido de Fara√≥ a Mois√©s, contida na √ļltima frase do verso 32 do cap√≠tulo 12 de √äxodo: “…aben√ßoai-me tamb√©m a mim.” Ao Deus cuja exist√™ncia e poder foram diversas vezes questionadas (Ex 5:2) ele agora rogava que o aben√ßoasse.

XII ‚Äď CONSIDERA√á√ēES FINAIS:

Deus abate os soberbos, mas d√° gra√ßa aos humildes. Esta √© a grande li√ß√£o que aprendemos nos epis√≥dios das Dez Pragas do Egito. Todos os homens que quiserem endurecer seus cora√ß√Ķes contra o Todo-Poderoso ser√£o implacavelmente abatidos, pois o Senhor n√£o se deixa escarnecer. Se agirmos como o Fara√≥ desta li√ß√£o, com certeza seremos abatidos e, talvez, n√£o haja qualquer esperan√ßa de cura. Por este motivo, temos que nos mostrar sempre humildes e, quando o Senhor falar conosco, respondamos como o menino Samuel: - ‚ÄúFala, Senhor, que o Teu servo ouve‚ÄĚ.

FONTES DE CONSULTA:

Li√ß√Ķes B√≠blicas CPAD ‚Äď 4¬ļ Trimestre de 1991 ‚Äď Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima
A B√≠blia Livro por Livro ‚Äď JUERP ‚Äď Delcyr de Souza Lima
Estudo B√≠blico ‚Äď ‚ÄúAs Dez Pragas do Egito‚ÄĚ ‚Äď de L√≠dia Pereira Gon√ßalves Correia e Marcellus Gon√ßalves Correia

Publicado no Blog Escola Bíblica Dominical para Todos 

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